AREsp 2778347 - DECISAO
O STJ entendeu que o acórdão recorrido estava em desacordo com a jurisprudência consolidada no sentido de que a responsabilidade solidária do consórcio depende de previsão contratual; aplicou a Súmula 568/STJ e, por esse fundamento, conheceu do agravo e deu provimento ao recurso especial, julgando improcedente o...
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- Parties
- Agravante/recorrente: CONSÓRCIO TRANSCARIOCA BRT; Recorrido: ROSEMBERG FERNANDES DE OLIVEIERA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento/decisão Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; recurso especial provido para julgar improcedente o pedido inicial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária, Consórcio, Omissão Do Acórdão, Indenização Por Atropelamento, Súmula 568/stj
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Parties
CONSÓRCIO TRANSCARIOCA BRT
Agravante/recorrente
ROSEMBERG FERNANDES DE OLIVEIERA
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento/decisão Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 responsabilidade solidária do consórcio sem previsão contratual
- 2 omissão do acórdão quanto à operação de transporte público
- 3 configuração de fato do serviço
Ratio Decidendi
O STJ entendeu que o acórdão recorrido estava em desacordo com a jurisprudência consolidada no sentido de que a responsabilidade solidária do consórcio depende de previsão contratual; aplicou a Súmula 568/STJ e, por esse fundamento, conheceu do agravo e deu provimento ao recurso especial, julgando improcedente o pedido inicial.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial provido para julgar improcedente o pedido inicial.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial e julgar improcedente o pedido inicial.
- Condenar ROSEMBERG FERNANDES DE OLIVEIERA ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa atualizado, ressalvados os efeitos da gratuidade da justiça.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CONSÓRCIO TRANSCARIOCA BRT (CONSÓRCIO) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 742/751). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, CONSÓRCIO alegou a violação dos arts. 489, II e IV, 1.022 do CPC, 14, 17 do CDC, 735 e 927 do CC, aduzindo que (1) o acórdão recorrido foi omisso quanto ao argumento de que não opera transporte público; e (2) não se configura fato do serviço, haja vista que, como empresa de engenharia civil, não prestou serviços à recorrida, não podendo ser responsabilizada solidariamente pelo acidente (e-STJ, fls. 678/693). Da responsabilidade solidária do consórcio Esta Corte Superior tem entendimento consolidado de que o reconhecimento de responsabilidade solidária entre consórcio e empresa consorciada depende de previsão contratual. Confiram-se os julgados: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. MATÉRIA DEVOLVIDA AO TRIBUNAL DE ORIGEM POR MEIO DA APELAÇÃO. IRREGULARIDADE NÃO CONSTATADA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. ILEGITIMIDADE PASSIVA DAS CORRÉS NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL PARA A SOLIDARIEDADE. REEXAME. SÚMULAS 5 E 7/STJ. DANO MORAL. REDIMENSIONAMENTO DO VALOR DA CONDENAÇÃO. CARÁTER IRRISÓRIO NÃO ATESTADO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A orientação jurisprudencial que vigora no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em virtude do efeito devolutivo da apelação, não há julgamento fora dos limites da demanda quanto às matérias veiculadas no recurso. 2. As condições da ação (ilegitimidade de parte), por constituírem matéria de ordem pública, podem ser conhecidas de ofício por meio da apelação, sem que isso configure julgamento extra petita. 3. A jurisprudência desta Corte Superior entende que a responsabilidade solidária entre o consórcio e as empresas consorciadas necessita de previsão contratual. 4. Concluindo o Tribunal originário acerca da inexistência de solidariedade, descabe a revisão em julgamento de recurso especial, ante a incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. 5. A revisão do valor da indenização por danos morais em julgamento de recurso especial só é possível quando constatada manifesta insignificância ou exorbitância da quantia fixada, apta a afastar a aplicação da Súmula 7/STJ. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.618.967/RJ, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 21/10/2024, DJe de 28/10/2024.) PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.022 E 489 DO CPC/2015 NÃO EVIDENCIADA. CONSÓRCIO. PERSONALIDADE JUDICIÁRIA. CAPACIDADE PROCESSUAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PREVISTA EM CONTRATO. DECISÃO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte estadual dirimiu, fundamentadamente, os pontos essenciais ao deslinde da controvérsia. 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "o consórcio constituído sob o regime da Lei n. 6.404/1976, ainda que não goze de personalidade jurídica (artigo 278, § 1º, CPC), possui personalidade judiciária, nos termos do artigo 12, VII, do CPC" (AgRg no AREsp 703.654/MS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 1º/9/2015, DJe de 9/9/2015). 3. Outrossim, "havendo previsão contratual de responsabilidade solidária, o consórcio responderá, juntamente com suas integrantes consorciadas, pelos prejuízos causados aos usuários e a terceiros" (AgInt no REsp 1.942.821/RJ, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023). 4. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu pela capacidade judiciária do consórcio agravante, bem como atestou a existência de cláusula contratual de responsabilidade solidária. Incidência, portanto, da Súmula 83/STJ. 5 . Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.458.916/RJ, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, j. em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024.) Nessa linha, o acórdão recorrido está em desacordo com a jurisprudência do STJ. Portanto, incide a Súmula nº 568 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de julgar improcedente o pedido inicial. Diante do provimento recursal, CONDENO ROSEMBERG FERNANDES DE OLIVEIERA ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor da causa atualizado, ressalvados os efeitos da gratuidade da justiça. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATROPELAMENTO DE PEDESTRE POR COLETIVO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. AUSÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSÓRCIO. PREVISÃO CONTRATUAL. NECESSIDADE. DISSONÂNCIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA Nº 568 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.