REsp 1906846 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem corretamente reconheceu a responsabilidade solidária das rés na cadeia de consumo com fundamento nos arts. 7º, parágrafo único, e 25, §1º do CDC, o recorrente não impugnou tal fundamento de legitimidade (incidência da Súmula 283/STF) e a revisão das...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: BANCO DO BRASIL S.A.; Vendedora: PARQUE ALABAMA INCORPORAÇÕES LTDA; Incorporadora: MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A; Autora: autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao recurso
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária, Juros De Obra, Repetição De Indébito, Dano Moral, Contratos De Colaboração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BANCO DO BRASIL S.A.
Recorrente
PARQUE ALABAMA INCORPORAÇÕES LTDA
Vendedora
MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A
Incorporadora
autora
Autora
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 responsabilidade solidária dos integrantes da cadeia de consumo pela cobrança de juros de obra
- 2 possibilidade de restituição de juros de obra cobrados durante o período de atraso na entrega do imóvel
- 3 incidência das normas do Código de Defesa do Consumidor (art. 7º, parágrafo único, e art. 25, §1º) para justificar solidariedade entre vendedora, incorporadora e banco financiador
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem corretamente reconheceu a responsabilidade solidária das rés na cadeia de consumo com fundamento nos arts. 7º, parágrafo único, e 25, §1º do CDC, o recorrente não impugnou tal fundamento de legitimidade (incidência da Súmula 283/STF) e a revisão das premissas fáticas demandaria reexame de provas vedado por Súmula 7/STJ.
Court Disposition
nego provimento ao recurso
Orders
- Nego provimento ao recurso.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por BANCO DO BRASIL S.A., com fundamento na alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, em face de acórdão assim ementado (fl. 497, e-STJ): COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA. Responsabilidade solidária da vendedora, incorporadora e banco financiador. Formação de cadeia de fornecimento. Artigos 7º, parágrafo único, e 25, §1º, do Código de Defesa do Consumidor. Cobrança de juros de obra posteriores à data prevista para conclusão da obra corretamente afastada. Encargo que não pode ser repassado ao adquirente no período de paralisação da obra ou depois de escoado o prazo de conclusão. Impossibilidade, contudo, de restituição de juros de obra relativos a período anterior ao previsto para conclusão da obra. Redução da indenização, para limitá-los somente ao período de atraso no término da obra até a efetiva obtenção do "habite-se". Indenização por dano moral afastada. Dano que não resulta in re ipsa de simples inadimplemento contratual. Ausência de elementos a indicar sofrimento da requerente com envergadura suficiente a configurar dano moral. Sucumbência recíproca. Recursos parcialmente providos Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 572/578, e-STJ). Em suas razões, a parte recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, ofensa aos arts. 186, 188, I, 421, 422, 927 do Código Civil; 14, § 3º, do Código de Defesa do Consumidor; e 485, VI, do Código de Processo Civil de 2015. Sustenta, em síntese, não ser responsável pelo ressarcimento dos valores pagos pelo recorrido a título de juros de obra, por ser mero agente financeiro. Defende o princípio do pacta sunt servanda, pugnando pela aplicação do que fora contratado pelas partes. Foram apresentadas contrarrazões às fls. 611/615, e-STJ. O recurso foi admitido na origem, nos termos da decisão de fls. 620/623, e-STJ. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. O Tribunal de origem reconheceu a solidariedade das rés para responder pela cobrança dos juros de obra no período em que ficou caracterizado o descumprimento no prazo de entrega do imóvel, nos seguintes termos (fls. 500/503, e-STJ): As partes celebraram em 05 de março de 2015 compromisso de venda e compra de imóvel com alienação fiduciária no valor de R$ 141.400,00 (fls. 24/38 e 39/61). O contrato previa cobrança de juros de evolução de obra e entrega das chaves para 31 de maio de 2.016 (fl. 25), com possibilidade de prorrogação por 180 dias (fl. 32). Ou seja, a obra deveria inteiramente ser entregue à autora até 27 de novembro de 2.016. As chaves foram entregues já em 30 de agosto de 2.016 (fl. 226), mas o contrato ainda não havia sido perfeitamente executado, pois ainda não havia sido obtido o "habite-se" Em virtude da cobrança dos juros de obra depois da entrega das chaves e da mora relativa ao certificado de conclusão de obra, a autora ajuizou em 27 de setembro de 2.017 a presente ação, para repetir o que pagou indevidamente e indenizar-se de danos morais. Contra a sentença que acolheu o pedido de restituição dos juros de obra e indenização por dano moral, insurgem-se os réus. São os fatos postos a julgamento. 2. Todas as corrés são legitimadas a integrar o polo passivo da demanda. O contrato sob análise envolveu todas as requeridas, com BANCO DO BRASIL S/A figurando como credor fiduciário, PARQUE ALABAMA INCORPORAÇÕES LTDA como vendedora e MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A como incorporadora (fls. 39/40). Houve, em outras palavras, a união das corrés para viabilizar a aprovação, implantação e financiamento de empreendimento imobiliário de grande porte, permitindo a venda a centenas de consumidores. Cuida-se de fenômeno negocial de grande importância na atualidade, denominado de contratos de colaboração, ou por conexidade, ou coligados, pelo qual agentes econômicos perseguem uma finalidade comum, qual seja, concentrar ou induzir o consumo em massa de bens ou serviços, mediante estratégias variadas. Há, assim, um fenômeno contratual de multiplicidade de vínculos, contratos, pessoas e operações, para atingir um fim econômico unitário, identificado na causa (..) Não importa que um dos réus tenha se encarregado apenas da construção, enquanto outra tenha se dedicado à comercialização e ainda outro tenha financiado o negócio. Perante os consumidores existe manifesta opacidade entre as relações contratuais internas das rés. Uma delas figura no contrato de venda e compra, enquanto outra se diz proprietária do imóvel, incorporadora e vendedora, e uma terceira a financiadora. Não fosse suficiente, os artigos 7º, parágrafo único, e 25, §1º, do Código de Defesa do Consumidor impõem a responsabilidade solidária de todos os fornecedores da cadeia de consumo pelos prejuízos causados aos consumidores Conclui-se que todos os réus integram a mesma cadeia de fornecimento e são, portanto, responsáveis solidários perante a autora. Em outras palavras, todos os réus são legitimados a responder pelo pleito de repetição dos juros de obra e indenização de danos morais. Claro que nem todas as obrigações são solidárias. Eventual indenização por atraso de obra é imputável somente à incorporadora/construtora. A repetição dos juros de obra cobrados durante o período de atraso, contudo, é devida por todos os integrantes da cadeia de fornecedores. O recurso, entretanto, não impugna ofundamento do acórdão recorrido para reconhecer sua legitimidade para responder pelo prejuízos gerados ao consumidor, que é sua posição de integrantena cadeia de fornecimento. Incide, portanto, o enunciado n. 283 da Súmula do STF. Ademais, a revisão das premissas que ensejaram a conclusão do acórdão recorridoexigiria o reexame de fatos e provas, providência vedada em recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. Intimem-se.