AREsp 2505779 - DECISAO
O Tribunal concluiu que, no caso concreto, a recorrente limitou-se à intermediação e ao gerenciamento de pagamentos na venda de passagens aéreas e, segundo a jurisprudência do STJ, as empresas que atuam na hipótese de simples intermediação de venda de passagens aéreas não respondem solidariamente pela má prestação...
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- Parties
- Recorrente: PAYU BRASIL INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA.; Corré: Passaredo Transportes Aéreos S/A; Corré: Kiwi.com; Recorrida: autores
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Do Agravo Em Recurso Especial, Com Reconhecimento De Ilegitimidade Passiva
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; recurso especial provido para reconhecer a ilegitimidade passiva da recorrente
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária, Intermediação De Venda De Passagens Aéreas, Ilegitimidade Passiva, Cancelamento De Voo, Honorários Advocatícios
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Parties
PAYU BRASIL INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA.
Recorrente
Passaredo Transportes Aéreos S/A
Corré
Kiwi.com
Corré
autores
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Do Agravo Em Recurso Especial, Com Reconhecimento De Ilegitimidade Passiva
Legal Issues
- 1 se a empresa intermediadora e gestora de pagamentos integra a cadeia de consumo e responde solidariamente por cancelamento de voo
- 2 alcance da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços prevista no art. 14 do CDC
- 3 distinção entre simples intermediação de venda de passagens e comercialização de pacotes turísticos quanto à solidariedade entre fornecedores
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que, no caso concreto, a recorrente limitou-se à intermediação e ao gerenciamento de pagamentos na venda de passagens aéreas e, segundo a jurisprudência do STJ, as empresas que atuam na hipótese de simples intermediação de venda de passagens aéreas não respondem solidariamente pela má prestação do serviço de transporte aéreo; assim, reconheceu-se a ilegitimidade passiva da recorrente e deu-se provimento ao recurso especial, invertendo a sucumbência e fixando honorários advocatícios em 10% sobre o valor atualizado da causa.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial provido para reconhecer a ilegitimidade passiva da recorrente
Orders
- Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial para reconhecer a ilegitimidade da recorrente para figurar no polo passivo da demanda.
- Inverter a sucumbência e fixar a verba honorária em favor do patrono da recorrente em 10% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC/2015, observado eventual benefício da assistência judiciária gratuita pelas instâncias de origem.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PAYU BRASIL INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA. contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, contra v. acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), assim ementado: "APELAÇÃO. Ação de indenização de danos morais. Sentença de procedência. Prestação de serviço. Passagens adquiridas em sítio eletrônico. Transporte aéreo nacional. Cancelamento de voo sem comunicação. Responsabilidade solidária. Cadeia de fornecedores. Solidariedade reconhecida, eis que integra a cadeia de fornecedores e lucrou com a operação. Passageiros que tiveram que fazer a viagem em via terrestre. Recurso provido para reconhecer a legitimidade passiva." (fl. 246) Nas razões do recurso especial (fls. 254/261), a parte recorrente alega ofensa ao artigo 14, §3º, do Código de Defesa do Consumidor, sustentando, em síntese, que não pode ser responsabilizada pelo cancelamento de voo, uma vez que não integra a cadeia de fornecedores do serviço, atuando apenas na intermediação e gerenciamento de pagamentos decorrentes de compras e vendas de produtos e serviços realizadas por meio não presencial. Apresentadas contrarrazões às fls. 266/280. É o relatório. Decido. A controvérsia jurídica se limita a verificar a responsabilidade da parte recorrente pelo cancelamento do voo adquirido pela consumidor, ora recorrida. De fato, é entendimento firme desta Corte Superior que todos os integrantes da cadeia de consumo respondem solidariamente pelos danos causados ao consumidor. Nesse sentido: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO CONFIGURAÇÃO. AGÊNCIA DE TURISMO. CANCELAMENTO DE PASSAGEM. REEMBOLSO. SOLIDARIEDADE. CADEIA DE CONSUMO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em omissão, falta de fundamentação e/ou negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, a questão que lhe foi submetida, apreciando a controvérsia posta nos autos. 2. Nos termos do caput do artigo 14 do CDC, o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. 3. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp n. 2.113.297/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023, g.n.) "RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS AJUIZADA EM FACE DA BANCORBRÁS. DEFEITO DE SERVIÇO PRESTADO POR HOTEL CONVENIADO. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. 1. O "Clube de Turismo Bancorbrás" funciona mediante a oferta de títulos aos consumidores, que, após o pagamento de taxas de adesão e de manutenção mensal, bem como a observância de prazo de carência, adquirem o direito não cumulativo de utilizar 7 (sete) diárias, no período de um ano, em qualquer um dos hotéis pré-selecionados pela Bancorbrás no Brasil e no exterior ("rede conveniada"). 2. Em se tratando de relações consumeristas, o fato do produto ou do serviço (ou acidente de consumo) configura-se quando o defeito ultrapassar a esfera meramente econômica do consumidor, atingindo-lhe a incolumidade física ou moral, como é o caso dos autos, em que a autora, no período de lazer programado, fora - juntamente com seus familiares (marido e filha de quatro meses) - submetida a desconforto e aborrecimentos desarrazoados, em virtude de alojamento em quarto insalubre em resort integrante da rede conveniada da Bancorbrás. 3. Nos termos do caput do artigo 14 do CDC, o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. Cuida-se, portanto, de hipótese de responsabilidade civil objetiva, baseada na teoria do risco da atividade, que alcança todos os agentes econômicos que participaram do colocação do serviço no mercado de consumo, ressalvados os profissionais liberais, dos quais se exige a verificação da culpa. 4. Sob essa ótica e tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigo 7º e no § 1º do artigo 25 do CDC, sobressai a solidariedade entre todos os integrantes da cadeia de fornecimento de serviços, cabendo direito de regresso (na medida da participação na causação do evento lesivo) àquele que reparar os danos suportados pelo consumidor. 5. Nada obstante, é consabido que a responsabilidade civil objetiva do fornecedor de serviços pode ser elidida se demonstrada: (i) a ocorrência de força maior ou caso fortuito externo (artigo 393 do Código Civil); (ii) que, uma vez prestado o serviço, o defeito inexiste (inciso I do § 3º do artigo 14 do CDC); e (iii) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (inciso II do § 3º do retrocitado dispositivo consumerista). 6. Extrai-se do contexto fático delineado pelas instâncias ordinárias que a Bancorbrás não funciona como mera intermediadora entre os hotéis e os adquirentes do título do clube de turismo. Isso porque a escolha do adquirente do título fica limitada aos estabelecimentos previamente credenciados e contratados pela Bancorbrás, que, em seu próprio regimento interno, prevê a necessidade de um padrão de atendimento e de qualidade dos serviços prestados. Ademais, na campanha publicitária da demandada, consta a promessa da segurança e conforto daqueles que se hospedarem em sua rede conveniada. 7. Desse modo, evidencia-se que os prestadores de serviço de hospedagem credenciados funcionam como verdadeiros prepostos ou representantes autônomos da Bancorbrás, o que atrai a incidência do artigo 34 do CDC. Mutatis mutandis: REsp 1.209.633/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14.04.2015, DJe 04.05.2015. 8. O caso, portanto, não pode ser tratado como culpa exclusiva de terceiro, pois o hotel conveniado integra a cadeia de consumo referente ao serviço introduzido no mercado pela Bancorbrás. Em verdade, sobressai a indissociabilidade entre as obrigações de fazer assumidas pela Bancorbrás e o hotel credenciado. A oferta do titulo de clube de turismo com direito à diárias de hospedagem com padrão de qualidade vincula-se à atuação do estabelecimento previamente admitido como parceiro pela Bancorbrás. Assim, a responsabilidade objetiva e solidária não pode ser afastada. 9. De outra parte, a hipótese em exame não se identifica com a tese esposada em precedentes desta Corte que afastam a responsabilidade solidária das agências de turismo pela má prestação dos serviços na hipótese de simples intermediação. Ao contrário, o presente caso assemelha-se aos julgados que reconhecem a solidariedade das agências que comercializam pacotes turísticos, respondendo, em tese, pelos defeitos ocorridos por atos dos parceiros contratados. 10. Recurso especial provido." (REsp n. 1.378.284/PB, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 8/2/2018, DJe de 7/3/2018, g.n.) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CONJUGADA COM DEVOLUÇÃO DE QUANTIAS PAGAS E DANOS MORAIS. CADEIA DE PRESTADORES DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIO. ART. 1.026, § 2º, DO CPC/2015. MULTA . APLICAÇÃO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que todos os integrantes da cadeia de consumo respondem solidariamente pelos danos causados ao consumidor. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório, ante a reiteração, em novos declaratórios, de questões já apreciadas, impõe-se a aplicação da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Código de Processo Civil de 2015. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp n. 1.829.185/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 5/5/2022, g.n.) No caso, contudo, trata-se de situação diversa em que a ora recorrente não se insere na cadeia de consumo, já que seu serviço se esgota na efetiva compra da passagem, e não em outros serviços como o seria em caso de empresa que fosse contratada para pacote turístico, por exemplo. Sobre o tema, há jurisprudência firme do STJ de que não respondem solidariamente pela má prestação dos serviços as empresas que atuam na hipótese de simples intermediação de venda de passagens aéreas. Confira-se: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. AGÊNCIA DE TURISMO. INTERMEDIAÇÃO. PASSAGEM AÉREA. VENDA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSALIBILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que as agências de turismo não respondem solidariamente pela má prestação dos serviços na hipótese de simples intermediação de venda de passagens aéreas, como é o caso dos autos. 3. Agravo interno não provido." (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.066.248/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024, g.n.) "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. TRANSPORTE AÉREO. CANCELAMENTO DE VOO. NÃO OCORRÊNCIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SOLIDÁRIA DA AGÊNCIA DE TURISMO. CULPA EXCLUSIVA DE TERCEIRO. ILEGITIMIDADE PASSIVA RECONHECIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO. VALOR DA CAUSA. DECISÃO MANTIDA. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que as agências de turismo não respondem solidariamente pela má prestação dos serviços na hipótese de simples intermediação de venda de passagens aéreas. 2. Para fixação dos honorários sucumbenciais, deve-se observar "a seguinte ordem de preferência: (I) primeiro, quando houver condenação, devem ser fixados entre 10% e 20% sobre o montante desta (art. 85, § 2º); (II) segundo, não havendo condenação, serão também fixados entre 10% e 20%, das seguintes bases de cálculo: (II. a ) sobre o proveito econômico obtido pelo vencedor (art. 85, § 2º); ou (II. b) não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 2º); por fim, (III) havendo ou não condenação, nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou em que o valor da causa for muito baixo, deverão, só então, ser fixados por apreciação equitativa (art. 85, § 8º)" (REsp 1746072/PR, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/02/2019, DJe 29/03/2019). 3 . Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.174.760/MS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023, g.n.) Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem considerou que a parte recorrente seria responsável pelo cancelamento do voo da parte recorrida, por entender que restou configurada a falha na prestação dos serviços, mesmo que seja mera intermediadora na venda de passagens aéreas. É o que se observa do trecho do v. acórdão recorrido, in verbis: "Inicialmente, insta deixar consignado que a relação estabelecida entre a transportadora aérea que disponibilizou a passagem e os autores é de consumo, prevendo, o Código de Defesa do Consumidor, responsabilidade objetiva e solidária pela falha na prestação de serviços (artigos 14 e 18). É fato incontroverso que os autores adquiriram passagens aéreas de Ribeirão Preto para o Rio de Janeiro, ida e volta, pela corré Passaredo Transportes AéreosS/A, cuja aquisição ocorreu pelo sítio da corré Kiwi.com (reservas 2Z2324, AD4752 e AD4488) e o pagamento pela corré Payu Brasil Intermediação de Negócios Ltda. Os autores, na data da viagem, ao se dirigirem ao aeroporto, foram informados de que o voo havia sido cancelado e tiveram que realizar a viagem pela via terrestre. As passagens foram adquiridas no sítio eletrônico kiwi.com, mas o pagamento foi realizado pela empresa Payu, em verdadeira cadeia de fornecedores. Sendo assim, não há razão para afastar a aplicação do artigo 7º, parágrafo único do CDC, que determina a responsabilidade solidária dos fornecedores integrantes da cadeia de consumo. Inegável a falha na prestação do serviço de transporte aéreo, devendo a empresa intermediadora do pagamento responder pelos danos causados data maxima venia. Nesta toada, a responsabilização da empresa deve decorrer da proteção ao consumidor, revelada mormente pelo art. 7º, parágrafo único, somado aos art. 14, 20, 21, 23 e 25, § 1º, todos do CDC. É que a responsabilização, neste caso, independe de haver culpa, como determina o caput do art. 14, CDC: "O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, (..)" (grifo nosso). Ora, é fato incontroverso que houve cancelamento do voo, tendo, os autores, que realizar a viagem pela via terrestre, sofrendo danos materiais e morais." (fls. 248/250) Verifica-se, portanto, que o entendimento adotado pelo Tribunal de origem está em dissonância com a orientação jurisprudencial desta Corte Superior, que admite a responsabilidade solidária apenas na comercialização de pacotes de viagens, o que não teria sido o caso, tendo em vista que a parte recorrente atuou apenas na intermediação e gerenciamento de pagamentos decorrentes de compras e vendas de passagens aéreas adquiridas em meio eletrônico. Logo, não existindo defeito na prestação do serviço da parte recorrente e não lhe incumbindo a responsabilidade pelo efetivo cumprimento do contrato de transporte aéreo, fica evidenciada a sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da ação de reparação de danos movida pela recorrida. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, para reconhecer a ilegitimidade da recorrente para figurar no pólo passivo da presente demanda. Dessa forma, inverto a sucumbência para que, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC/2015, seja fixada a verba honorária em favor do patrono da ora recorrente em 10% sobre o valor atualizado da causa, observada eventual concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita pelas instâncias de origem . Publique-se. EMENTA