AREsp 2788169 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial, por falta de prequestionamento acerca da maioria dos dispositivos apontados (impossibilitando o conhecimento do recurso especial) e porque a conclusão do Tribunal de origem sobre a responsabilidade solidária, amparada no art. 5-A, §2º, da Lei 11.442/2007,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PLÁSTICOS DO CARMO LTDA EPP; Agravado: WM BRASIL TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA; Ré: PLÁSTICOS DO CARMO EIRELI; Subcontratada/terceiro Mencionado: SF Express
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária, Contrato De Transporte, Ação Monitória, Subcontratação, Prequestionamento, Honorários Advocatícios, Divergência Jurisprudencial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PLÁSTICOS DO CARMO LTDA EPP
Agravante
WM BRASIL TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA
Agravado
PLÁSTICOS DO CARMO EIRELI
Ré
SF Express
Subcontratada/terceiro Mencionado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ofensa alegada aos arts. 104, 265, 421, 422 e 940 do Código Civil
- 2 interpretação e aplicação do art. 5-A, §2º, da Lei nº 11.442/2007 (responsabilidade solidária entre contratante e subcontratante)
- 3 prequestionamento exigido para conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial, por falta de prequestionamento acerca da maioria dos dispositivos apontados (impossibilitando o conhecimento do recurso especial) e porque a conclusão do Tribunal de origem sobre a responsabilidade solidária, amparada no art. 5-A, §2º, da Lei 11.442/2007, e a apreciação do conjunto fático-probatório não comportam reexame em recurso especial; ademais, a divergência jurisprudencial não foi demonstrada nos termos legais.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Majorado em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte agravada, nos termos do art. 85, §11, do CPC, observados os limites dos §§2º e 3º do mesmo artigo
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por PLÁSTICOS DO CARMO LTDA EPP contra decisão que não admitiu recurso especial manejado, com base nas alíneas "a" e "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, contra acórdão proferido por maioria e assim ementado (e-STJ, fls. 151-161): "Monitória. Contrato de transporte. Chamamento ao processo e denunciação da lide. Impossibilidade. Responsabilidade solidária pelo débito nos termos da Lei nº 11.442/2007. Recurso não provido". Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 164-179), a parte recorrente alega que o acórdão recorrido violou os artigos 104, 265, 421, 422 e 940 do Código Civil e o artigo 5-A, § 2º, da Lei n. 11.442/2007. Quanto à suposta ofensa ao artigo 104 do Código Civil, sustenta que a validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei, o que não estaria presente no caso. Argumenta, também, que o artigo 265 do Código Civil, que trata da solidariedade, não foi respeitado, pois não houve relação jurídica entre as partes que justificasse a responsabilidade solidária. Além disso, teria violado o artigo 421 do Código Civil, ao não reconhecer a liberdade contratual nos limites da função social do contrato. Aduz que os princípios de probidade e boa-fé, previstos no artigo 422 do Código Civil, foram desconsiderados, o que teria sido demonstrado, no caso, por ausência de comunicação sobre a subcontratação. Haveria, por fim, violação ao artigo 940 do Código Civil, uma vez que o Tribunal de origem não reconheceu que a dívida já havia sido paga à SF Express, afastando a responsabilidade da parte recorrente. O recurso também aponta divergência jurisprudencial em torno da responsabilidade solidária em contratos de transporte, citando decisões de outros tribunais que teriam entendimento diverso. Contrarrazões (e-STJ, fls. 211-219), na qual a parte recorrida sustenta que o acórdão está em conformidade com a Lei n. 11.442/2007, que estabelece a responsabilidade solidária, e que não há necessidade de anuência da proprietária da carga quanto à subcontratação. A não admissão do recurso na origem ensejou a interposição do presente agravo. Impugnação (e-STJ, fls. 240-247), na qual a parte recorrida reitera que a responsabilidade solidária está prevista na legislação e que o recurso especial não atende aos requisitos de admissibilidade. Assim delimitada a questão, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do agravo, dele conheço, passando à análise do recurso especial. O recurso não merece provimento. Trata-se de ação monitória proposta por WM BRASIL TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA, que pediu o pagamento de fretes realizados para PLÁSTICOS DO CARMO EIRELI, com base na responsabilidade solidária prevista na Lei nº 11.442/2007. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso de apelação, mantendo a sentença que julgou procedente a demanda, reconhecendo a responsabilidade solidária da recorrente pelo pagamento dos fretes. De início, verifico que os artigos 104, 265, 421, 422 e 940 do Código Civil supostamente violados não foram apreciados pelo Tribunal de origem, o que obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento, a teor das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal e da Súmula 211 do Superior Tribunal de Justiça. Ressalvado o artigo 940 do Código Civil, os demais dispositivos legais não foram sequer suficientemente debatidos no recurso de apelação (e-STJ, fls. 122-135), tanto assim que o acórdão recorrido não foi sequer alvo de embargos de declaração, porque ausente omissão. No mais, o artigo 5-A, §2º, da Lei n. 11.442/2007 estabelece que o "contratante e o subcontratante dos serviços de transporte rodoviário de cargas, assim como o con signatário e o proprietário da carga, são solidariamente responsáveis pela obrigação prevista no caput deste artigo, resguardado o direito de regresso destes contra os primeiros". Fundado no modelo normativo e amparo no conjunto fático-probatório coligido aos autos, o Tribunal de origem concluiu que "referida Lei dispõe sobre a necessidade de existência de responsabilidade solidária entre contratante e subcontratante, bem como não há qualquer ressalva quanto à necessidade de anuência da proprietária da carga quanto à subcontratação. Por fim, não há que se falar em obrigação já cumprida, tendo em vista que o pagamento já efetuado em favor da subcontratante pela proprietária da carga também não elide a responsabilização solidária perante a subcontratada" (e-STJ, fls. 160-161). A revisão das premissas adotadas no acórdão recorrido quanto à responsabilidade solidária da parte recorrente, bem como sobre a ausência de adimplemento da sua obrigação pelo pagamento em favor da subcontratada, demandaria, necessariamente, o reexame de cláusulas contratuais, fatos e provas, providência vedada em recurso especial, nos termos das Súmulas 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, ressalto que a alegada divergência jurisprudencial não foi demonstrada na forma exigida pelos artigos 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que ausente o necessário cotejo analítico entre os julgados comparados, bem como a indispensável demonstração da similitude fática e da divergência na interpretação do direito entre as hipóteses confrontadas. Em face do exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte agravada, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, ônus suspensos no caso de beneficiário da gratuidade de Justiça. Intimem-s e. EMENTA