AREsp 2725113 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do Recurso Especial, porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do conjunto fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ) e porque não foi comprovado o dissídio jurisprudencial exigido pela alínea c do art. 105, III, da CF, ante a ausência de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VOETUR TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão De Não Admissão De Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária Na Cadeia De Consumo, Art. 14 Do CDC, Art. 14, §3º, Incisos I E II Do CDC, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial (alínea C Do Art. 105, III, Cf)
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Parties
VOETUR TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão De Não Admissão De Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do Recurso Especial diante da necessidade de reexame de prova (Súmula 7/STJ)
- 2 responsabilidade objetiva e solidária de integrantes da cadeia de consumo
- 3 aplicação do art. 14, §3º, I e II, do CDC (excludentes de responsabilidade)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do Recurso Especial, porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do conjunto fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ) e porque não foi comprovado o dissídio jurisprudencial exigido pela alínea c do art. 105, III, da CF, ante a ausência de cotejo analítico e identidade fática entre os paradigmas e o acórdão recorrido; ademais, as rés não se desincumbiram do ônus de provar as excludentes de responsabilidade previstas no art. 14, §3º do CDC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por VOETUR TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. CANCELAMENTO DE VOO INTERNACIONAL. AUSÊNCIA DE ASSISTÊNCIA DA RÉ. ATRASO DE 48 HORAS. PASSAGEIRO IDOSO. DANO MATERIAL DECORRENTE DE DESPESAS COM HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO. DANO MORAL CONFIGURADO E DEVIDAMENTE ARBITRADO. APELAÇÃO DAS RÉS. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte aduz violação e interpretação divergente do art. 14, § 3º, I e II, do CDC, no que concerne à ilegitimidade da recorrente de figurar no polo passivo da demanda, tendo em vista a responsabilidade exclusiva da companhia aérea e que o serviço prestado se operou sem nenhum defeito, trazendo a seguinte argumentação: 15. De acordo com a acórdão recorrido, "as rés se inserem na cadeia de consumo, na forma do artigo 7º, parágrafo único, da Lei 8.078/90, e na qualidade de fornecedoras, respondem solidariamente, na forma do artigo 14 da mesma lei, pelos danos decorrentes de falha na prestação dos serviços que lhe incumbem. Assevere-se que, no bilhete eletrônico adquirido pelo autor junto à segunda ré, consta a primeira como emissora (indexador 52500203), o que torna inconteste a pertinência subjetiva de ambas com a res in iudicium deducta." (g.n.) 16. Ao contrário do que concluiu o acórdão a quo, não se trata de hipótese de responsabilização solidária e objetiva dos integrantes da cadeia de fornecimento com base no CDC. De fato, o Código consumerista é aplicável ao caso, mas não para se concluir pela responsabilização objetiva e solidária da Voetur Turismo, e sim para reconhecer a culpa exclusiva da companhia aérea conforme art. 14, §3º, incisos I e II, do CDC. 17. Por oportuno, vale transcrever o teor do referido dispositivo, segundo o qual o fornecedor de serviços não será responsabilizado objetiva e solidariamente nas hipóteses em que prestou o serviço sem qualquer defeito e que houve culpa exclusiva de terceiro, senão vejamos: .. 18. No caso, a Voetur Turismo concluiu a prestação dos seus serviços com a emissão dos bilhetes aéreos compartilhados com o Recorrido, tanto que o acórdão recorrido refere ao conteúdo do bilhete, e o cancelamento superveniente do voo se deu por culpa exclusiva da companhia aérea. .. 30. Realizado o cotejo analítico, resta evidente a similitude fática e jurídica entre os casos e a interpretação divergente conferida pelo acórdão recorrido. Daí porque a Voetur Turismo interpõe o presente Recurso Especial a fim de que o STJ reforme o acórdão recorrido, reconhecendo a culpa exclusiva da Companhia aérea, eximindo a Recorrente de responsabilização, haja vista que concluiu a prestação dos seus serviços (emissão e envio dos bilhetes aéreos ao consumidor) sem qualquer falha. 31. Portanto, fica demonstrada a necessidade de harmonização do acórdão do TJRJ com a jurisprudência do STJ, no tocante à interpretação do art. 14, §3º, incisos I e II, do CDC, aplicável à hipótese, para que se declare a ausência de responsabilidade objetiva e solidária da Voetur Turismo, até para que se harmonize com a jurisprudência do STJ (fls. 329-334). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Disso se conclui que houve falha na prestação do serviço. Da responsabilidade pelos danos dela decorrentes as fornecedoras só se eximem se provarem a ocorrência de alguma das causas excludentes previstas no artigo 14, § 3º, da Lei 8.078/90, a saber, a inexistência do defeito ou a culpa exclusiva de terceiro ou da vítima. Instadas a se manifestarem em provas, contudo, não se desincumbiram de tal ônus, na medida em que a primeira demandada disse que não havia outras provas a produzir que não as constantes dos autos - documentos juntados pelo autor - e a segunda demandada quedou-se inerte (fl. 315). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ademais, quanto à alínea "c", não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados , não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22.5.2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19.12.2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26.9.2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13.4.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA