REsp 2218954 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento apenas para determinar que os juros de mora fixados pelo Tribunal de origem incidam desde a data de cada recebimento indevido, em conformidade com o entendimento de que, em responsabilidade extracontratual, os juros moratórios têm termo inicial no...
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- Parties
- Recorrente: DISTRITO FEDERAL; Recorrido: servidor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido Parcialmente E Provido Em Parte (decisão)
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dou-lhe provimento para que os juros de mora fixados pelo Tribunal de origem incidam desde a data de cada recebimento indevido.
- Legal Topics
- Ressarcimento Ao Erário, Juros Moratórios, TIDEM (tempo Integral E Dedicação Exclusiva), Decadência, Prescrição, Honorários Sucumbenciais, Correção Monetária
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Parties
DISTRITO FEDERAL
Recorrente
servidor
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido Parcialmente E Provido Em Parte (decisão)
Legal Issues
- 1 Termo inicial dos juros moratórios em responsabilidade extracontratual (evento danoso vs. notificação)
- 2 Taxa aplicável de juros moratórios (SELIC vs. 1% ao mês)
- 3 Obrigatoriedade de abatimento dos descontos compulsórios no ressarcimento ao erário
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento apenas para determinar que os juros de mora fixados pelo Tribunal de origem incidam desde a data de cada recebimento indevido, em conformidade com o entendimento de que, em responsabilidade extracontratual, os juros moratórios têm termo inicial no evento danoso; mantidas as demais conclusões do acórdão quanto à obrigação de restituição, abatimento de descontos compulsórios e regime de atualização (IPCA-E/poupança até 08/12/2021 e SELIC a partir de 09/12/2021).
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dou-lhe provimento para que os juros de mora fixados pelo Tribunal de origem incidam desde a data de cada recebimento indevido.
Orders
- Determinar que os juros de mora incidam desde a data de cada recebimento indevido (cada pagamento irregular).
- Manter demais dispositivos do acórdão de origem relativos à restituição, abatimento de descontos compulsórios e índices de correção aplicados.
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo DISTRITO FEDERAL com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, o servidor ajuizou ação ordinária tendo como objetivo a condenação do ente público para que se abstenha de realizar qualquer desconto nos seus vencimentos, em decorrência do recebimento, supostamente indevido, de gratificação pelo regime de tempo integral e dedicação exclusiva do magistério píblico, com valor da causa atribuído em R$ R$ 157.193,64 (cento e cinquenta e sete mil, cento e noventa e três reais e sessenta e quatro centavos), em setembro de 2023. Após sentença que julgou parcialmente procedente o pedido, foram interpostas apelações, as quais foram improvidas pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS em acórdão assim ementado: ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. AÇÃO DE CONHECIMENTO. PROFESSOR DA REDE PÚBLICA DE ENSINO. GRATIFICAÇÃO EM ATIVIDADE DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA EM TEMPO INTEGRAL AO MAGISTÉRIO - TIDEM. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. REJEITADAS. COMPROVADO EXERCÍCIO REMUNERADO CONCOMITANTE. DEVOLUÇÃO DE VALORES. RECEBIMENTO DE MÁ-FÉ. RESTITUIÇÃO DEVIDA. ABATIMENTO DE DESCONTOS COMPULSÓRIOS. FORMA DE DEVOLUÇÃO. IPCA-E. SELIC. EC 113/2021. SENTENÇA MANTIDA. NÃO SE APLICA A MAJORAÇÃO DO ART. 85, §11, DO CPC QUANDO OS RECURSOS DE AMBAS AS PARTES SÃO IMPROVIDOS. APELAÇÕES IMPROVIDAS. 1. Apelações contra sentença, proferida nos autos da ação de conhecimento, a qual determinou a devolução de valores ao erário. 1.1. Em seu apelo, o autor alega que não houve recebimento de má-fé dos valores, devendo ser reconhecido recebimento da gratificação como de boa-fé, não podendo ser punido por erro administrativo ou má interpretação da lei por parte do ente público, motivo pelo qual seria indevida a devolução das verbas recebidas. 1.2. Em seu apelo, o Distrito Federal pede a reforma da sentença para que se: a) determine a incidência de juros de mora de 1% ao mês e correção monetária sobre o montante devido pelo servidor a partir da data do evento danoso até 09/12/2021; b) afaste a condenação do ente público em abater os valores referentes aos descontos de imposto de renda e previdência social, incidentes sobre o valor bruto da gratificação indevidamente recebida; e c) condene o recorrido a arcar integralmente com os ônus de sucumbência. 2. Da decadência - afastada. 2.1. Tratando-se de restituição dos valores recebidos pela servidora a título de gratificação de dedicação exclusiva (TIDEM) em concomitância com o exercício de atividade remuneratória, sendo, contudo, a prática vedada pela legislação distrital, não há como afastar a má-fé do servidor quanto ao recebimento da verba, pois inviável alegar o desconhecimento da lei e das normas do órgão provedor. 2.2. Com efeito, alegação da requerida de que se aplica o prazo decadencial de cinco anos previsto no artigo 54 da Lei nº 9.784/1999 não merece prosperar, pois o mesmo artigo ressalva as hipóteses de comprovada má-fé. 3. Da prescrição - afastada. 3.1. Não configurado nos autos qualquer ilícito decorrente de improbidade administrativa ou ilícito penal, forçoso reconhecer que a presente ação está sob o crivo da prescrição. 3.2. Todavia, o termo inicial para contagem do prazo prescricional começa a partir do momento em que o Distrito Federal teve conhecimento de que o pagamento da gratificação ao servidor ocorreu de forma irregular. 3.3. Precedente: "O início do prazo prescricional se dá com a ciência inequívoca do dano, neste caso em 2013, quando o Distrito Federal tomou ciência de que o pagamento da gratificação TIDEM, entre janeiro de 2007 e janeiro de 2009, era indevido à autora. Assim, não há se falar em prescrição, tampouco decadência do direito, uma vez que o réu notificou a apelante para promover a reposição ao erário em fevereiro de 2016, menos de 5 anos após a identificação do pagamento indevido. (..) 10. Sentença cassada. Pedido julgado improcedente (Art. 1.013, § 3º, II, do CPC)". (20160110266937APC, Relator: Sandoval Oliveira, 2ª Turma Cível, DJE: 17/05/2017.) 4. Do mérito. A gratificação intitulada TIDEM - Regime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva da Carreira de Magistério Público do Distrito Federal - prevista na Lei Distrital nº 356/1992, foi concedida aos professores integrantes da Carreira de Magistério da Rede Oficial de Ensino do Distrito Federal, que atendessem aos requisitos legais, quais sejam, regime de 40 horas semanais e impedimento de exercício de outra atividade remunerada, pública ou privada. 4.1. Posteriormente, a Lei nº 3.318/2004, que dispõe sobre a reestruturação da Carreira de Magistério Público, assegurou, de maneira definitiva, o pagamento da gratificação TIDEM aos professores que optarem pelo regime de tempo integral e dedicação exclusiva ao magistério público do DF, inacumulável com outra atividade remunerada pública ou privada. 4.2. O objetivo do legislador foi garantir aos professores um incentivo do magistério em caráter de dedicação exclusiva, vedando, expressamente, o exercício de outra atividade remunerada, pública ou privada. 5. No período objeto de apuração (02/2005 a 12/2007),recebeu a TIDEM sem ter a dedicação exclusiva, pois integrou, na mesma data, os quadros da Associação Religiosa e Beneficente Jesus Maria José, inscrita no CNPJ nº 62.103.619/0006-93, conforme carteira de trabalho. 5.1. Assim, durante o período de fevereiro/2005 a dezembro/2007, o servidor recebeu indevidamente a gratificação devida aos professores que exercem o magistério no âmbito do Distrito Federal com exclusividade, embora tenha optado pelo regime de dedicação exclusiva e afirmado preencher os requisitos legais exigidos para perceber a gratificação correspondente. 5.2. Evidenciada, no caso, a má-fé no recebimento da TIDEM, impõe-se a obrigação de restituição ao erário dos valores indevidamente auferidos pelo autor. 5.3. Precedente: "A Gratificação de Atividade de Dedicação Exclusiva (TIDEM) somente pode ser paga ao professor com dedicação exclusiva consoante a Lei Distrital n. 3.318/2004. 2. O servidor que omite atividade concomitante com o recebimento da Gratificação de Atividade de Dedicação Exclusiva (TIDEM) e assina declaração de não exercício de outra atividade age de má-fé. 3. Ficam afastadas a decadência e a prescrição dos valores cobrados a título de ressarcimento ao erário quando comprovada a má-fé do servidor público". (07106645720228070018, Relator(a): Hector Valverde Santanna, 2ª Turma Cível, DJE: 5/5/2023). 6. Da forma de ressarcimento. 6.1. O servidor que recebeu a gratificação de forma indevida deve ressarcir o erário apenas no valor que efetivamente lhe foi acrescido, de modo que os descontos compulsórios como imposto de renda e previdência social que incidiram sobre a gratificação devem ser abatidos do cálculo, uma vez que foram retidos pela Administração. 6.2. Correta a sentença quanto à condenação do pagamento dos valores devidos ao ente público pelo IPCA-E, desde cada pagamento irregular até 08/12/2021, e os juros de mora pelo índice de remuneração da caderneta de poupança, no período compreendido entre 12/04/2021 (data da notificação extrajudicial) a 08/12/2021; e,a partir de 09/12/2021, deve ser utilizada a SELIC (que engloba correção e juros de mora), por força do artigo 3º da Emenda Constitucional n. 113/2021. 7. Não se aplica a majoração do art. 85, §11, do CPC, quando os recursos de ambas as partes são improvidos. 7.1. Precedente: "(..) É indevida a majoração da verba sucumbencial, com a fixação dos honorários recursais, quando os dois polos da demanda recorrem e ambas as irresignações não são conhecidas ou acolhidas, como ocorreu na espécie em que o recurso de apelação da parte autora não foi conhecido e da parte ré, ora Embargante, em que pese conhecido, restou improvido, mantendo-se inalterada a sentença. 2.1 Logo, muito embora o artigo 85, §11, do CPC estabeleça que o tribunal, ao julgar o recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, certo é que se os demandantes (autor e réu) sucumbiram em grau recursal, não há que se falar em majoração da verba honorária fixada na origem. (..)" (7ª Turma Cível, 00438634620148070001, relª. Desª. Gislene Pinheiro, DJe 24/05/2019). 8. Recursos improvidos. (Acórdão 1911309, 0711606-55.2023.8.07.0018, Relator(a): JOÃO EGMONT, 2ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 21/08/2024, publicado no DJe: 06/09/2024.) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No presente recurso especial, o recorrente aponta violação dos arts. 86, 187, 398, 406 e 927 do CC; e 161, §1º, do CTN, à luz das Súmulas nº 43 e 54 do STJ. Sustenta, em síntese, além da ocorrência de omissão que, em se tratando de responsabilidade civil extracontratual por dano ao erário, os juros moratórios fluem a partir do evento danoso e não da notificação, no percentual de 1%. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. A respeitos dos juros o Tribunal de origem assim se manifestou (fl. 699): Assim, correta a sentença quanto à condenação do pagamento dos valores devidos ao ente público pelo IPCA-E, desde cada pagamento irregular até 08/12/2021, e os juros de mora pelo índice de remuneração da caderneta de poupança, no período compreendido entre 12/04/20 21 (data da notificação extrajudicial) a 08/12/2021; e, a partir de 09/12/2021, deve ser utilizada a SELIC (que engloba correção e juros de mora), por força do artigo 3º da Emenda Constitucional n. 113/2021. A respeito dos juros de mora, esta Corte Superior, pacificou o entendimento no sentido de que, em se tratando de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros moratórios deverão incidir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54 do STJ. Confira-se: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. Nesse mesmo sentido: ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL. JUROS DE MORA. AFETAÇÃO DO TEMA. DIREITO PRIVADO. RESPONSABILIDADE ESTATAL. DIREITO PÚBLICO. TERMO INICIAL. EVENTO DANOSO. SÚMULA 54 DO STJ. 1. A questão relativa ao termo inicial do juros moratórios, afetada à Corte Especial sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, no REsp n. 1.479.864/SP, encontra-se assentada em controvérsia de cunho eminentemente civil, cujo eventual julgamento não acarretará modificações na jurisprudência firmada por esta Corte no âmbito do Direito Público. 2. Cuidando-se de responsabilidade extracontratual estatal, os juros de mora incidem desde a data do evento danoso e não do arbitramento da verba indenizatória. Inteligência da Súmula 54 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 410.097/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/12/2016, DJe 10/02/2017). PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DO TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS. ART. 120 DA LEI N. 8.213/1991. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. NEGLIGÊNCIA DA EMPREGADORA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO - PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO INSS. JUROS DE MOR. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA N. 54/STJ. I - Na origem, cuida-se de ação regressiva ajuizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS em desfavor da empresa Masisa do Brasil Ltda. objetivando o ressarcimento das despesas causadas à Previdência Social com o pagamento de benefícios acidentários. II - Impõe-se o afastamento de alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a questão apontada como omitida pelo recorrente foi examinada de modo fundamentado no acórdão recorrido, caracterizando o intuito revisional dos embargos de declaração. III - A jurisprudência do STJ é no sentido de que a contribuição ao SAT não exime o empregador da sua responsabilização por culpa em acidente de trabalho, conforme art. 120 da Lei n. 8.213/1991. Precedentes: AgInt no REsp n. 1.677.388/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7/6/2018, DJe 20/6/2018; e REsp n. 1.666.241/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2017, DJe 30/6/2017. IV - Havendo o Tribunal de origem, em vasta decisão e com fundamento nos fatos e provas dos autos, concluído que o acidente que vitimou os segurados decorreu de negligência da empresa quanto ao cumprimento das normas de segurança do trabalho em relação a risco específico da atividade industrial, de explosão e incêndio, a inversão do julgado demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, o que é vedado na instância especial ante o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - De acordo com a jurisprudência do STJ, entende-se que, por se tratar de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, nas ações regressivas ajuizadas pelo INSS, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, nos termos do enunciado n. 54 da Súmula do STJ: "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". Precedentes: REsp n. 1.673.513/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 1º/12/2017; AgInt no REsp n. 1.373.984/DF, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 9.8.2017; e AgInt no AREsp n. 410.097/PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe 10.2.2017. VI - Recurso especial da empresa parcialmente conhecido e improvido; Recurso especial do INSS provido para fixar o evento danoso como termo inicial dos juros de mora. (REsp 1745544/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 18/12/2018) Em relação à taxa de juros, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça definiu que a SELIC é a taxa de juros aplicável às dívidas de natureza civil, conforme se extrai do seguinte julgado: CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INTERPRETAÇÃO DO ART. 406 DO CÓDIGO CIVIL. RELAÇÕES CIVIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA LEGAL. APLICAÇÃO DA SELIC. RECURSO PROVIDO. 1. O art. 406 do Código Civil de 2002 deve ser interpretado no sentido de que é a SELIC a taxa de juros de mora aplicável às dívidas de natureza civil, por ser esta a taxa "em vigor para a atualização monetária e a mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional". 2. A SELIC é taxa que vigora para a mora dos impostos federais, sendo também o principal índice oficial macroeconômico, definido e prestigiado pela Constituição Federal, pelas Leis de Direito Econômico e Tributário e pelas autoridades competentes. Esse indexador vigora para todo o sistema financeiro-tributário pátrio. Assim, todos os credores e devedores de obrigações civis comuns devem, também, submeter-se ao referido índice, por força do art. 406 do CC. 3. O art. 13 da Lei 9.065/95, ao alterar o teor do art. 84, I, da Lei 8.981/95, determinou que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios "serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente". 4. Após o advento da Emenda Constitucional 113, de 8 de dezembro de 2021, a SELIC é, agora também constitucionalmente, prevista como única taxa em vigor para a atualização monetária e compensação da mora em todas as demandas que envolvem a Fazenda Pública. Desse modo, está ainda mais ressaltada e obrigatória a incidência da taxa SELIC na correção monetária e na mora, conjuntamente, sobre o pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, sendo, pois, inconteste sua aplicação ao disposto no art. 406 do Código Civil de 2002. 5. O Poder Judiciário brasileiro não pode ficar desatento aos cuidados com uma economia estabilizada a duras penas, após longo período de inflação galopante, prestigiando as concepções do sistema antigo de índices próprios e independentes de correção monetária e de juros moratórios, justificável para uma economia de elevadas espirais inflacionárias, o que já não é mais o caso do Brasil, pois, desde a implantação do padrão monetário do Real, vive-se um cenário de inflação relativamente bem controlada. 6. É inaplicável às dívidas civis a taxa de juros moratórios prevista no art. 161, § 1º, do CTN, porquanto este dispositivo trata do inadimplemento do crédito tributário em geral. Diferentemente, a norma do art. 406 do CC determina mais especificamente a fixação dos juros pela taxa aplicável à mora de pagamento dos impostos federais, espécie do gênero tributo. 7. Tal entendimento já havia sido afirmado por esta Corte Especial, por ocasião do julgamento do EREsp 727.842/SP, no qual se deu provimento àqueles embargos de divergência justamente para alinhar a jurisprudência dos Órgãos Colegiados internos, no sentido de que "a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais" (Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 8/9/2008 e publicado no DJe de 20/11/2008). Deve-se reafirmar esta jurisprudência, mantendo-a estável e coerente com o sistema normativo em vigor. 8. Recurso especial provido. (REsp n. 1.795.982/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, relator para acórdão Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em 21/8/2024, DJe de 23/10/2024.) No caso concreto, a pretensão recursal quanto a taxa de juros, vai de encontro ao entendimento desta Corte Superior, assim porque o recorrente pugna pela fixação da taxa de juros em 1%, no período anterior a vigência da EC. n. 113/2021. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e III, do RISTJ, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dou-lhe provimento para que os juros de mora fixados pelo Tribunal de origem, incidam desde a data de cada recebimento indevido. Publique-se. Intimem-se. EMENTA