REsp 1942407 - DECISAO
O recurso não foi conhecido porque as razões são genéricas e não demonstram, com precisão, quais pontos do acórdão seriam omissos, contraditórios ou obscuros (incidência da Súmula 284/STF por analogia) e porque o tribunal de origem decidiu que a pretensão de ressarcimento se funda em infração ao direito público,...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ILSON PIRES THOME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática De Admissibilidade)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
- Legal Topics
- Ressarcimento De Danos Ao Erário, Impresscritibilidade (art. 37, §5º Da Cf), Prescrição, Fundamentação E Omissão (arts. 489 E 1.022 Do Cpc/2015), Inadmissibilidade Do Recurso (súmulas 283 E 284 Stf)
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Parties
ILSON PIRES THOME
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 se a ação de ressarcimento ao erário está sujeita à imprescritibilidade do art. 37, §5º da CF
- 2 alegada nulidade do acórdão por generalidade e omissão quanto aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 3 aplicabilidade das Súmulas 283 e 284 do STF por analogia
Ratio Decidendi
O recurso não foi conhecido porque as razões são genéricas e não demonstram, com precisão, quais pontos do acórdão seriam omissos, contraditórios ou obscuros (incidência da Súmula 284/STF por analogia) e porque o tribunal de origem decidiu que a pretensão de ressarcimento se funda em infração ao direito público, sujeitando-se à imprescritibilidade do art. 37, §5º da CF; ademais, a insurgência não combateu fundamentos autônomos suficientes do acórdão, atraindo a Súmula 283/STF por analogia.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
Orders
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por ILSON PIRES THOME contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no julgamento de Agravo de Instrumento, assim ementado (fls. 450/452e): Agravo de instrumento. Ação de ressarcimento de danos ao erário. Causa de pedir assentada na irregularidade da realização de despesas pública. Hipótese de pretensão fundada em infração das normas de direito público. Imprescritibilidade reconhecida nos termos do art. 37, § 5o, da CF. Tema no 666 de repercussão geral. Recurso improvido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 467/469e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: (I) Arts. 489, § 1º, 1.022, e 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 - o acórdão integrativo padece de nulidade por sua generalidade, considerando a falta de particularização do julgado e a omissão em apreciar questões relevantes reguladas pelos arts. 141, 492, 489, § 1º, IV e V, do CPC/2015, 206, § 3º, V, do CC e 1º do Decreto n. 20.910/1932; e (II) Arts. 141 e 492 do Código de Processo Civil de 2015, 206, § 3º, V, do Código Civil e 1º do Decreto n. 20.910/1932 - em cerceamento de defesa e ofensa ao regime prescricional de direito privado, o acórdão recorrido extrapolou os limites objetivos da lide, ao olvidar que o pedido de ressarcimento deduzido na inicial está calcado em ilícito civil, e não em ato de improbidade administrativa. Com contrarrazões (fls. 1.114/1.117e), o recurso foi inadmitido (fls. 1.134/1.135e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 1.206e). O Ministério Público Federal manifestou-se, na qualidade de custos iuris, às fls. 1.2010/1.213e, opinando pelo não conhecimento do recurso. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Não obstante impugne acórdão proferido em agravo de instrumento, entendo relevante registrar o cabimento do presente recurso especial, porquanto ausente a possibilidade de modificação do decisum originário, considerando não se tratar de decisão precária. Portanto, a insurgência endereçada à Corte é o caminho apropriado para impedir a preclusão da matéria. De pronto, não se pode conhecer da apontada violação aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o recurso se cinge a alegações genéricas e, por isso, não demonstra, com transparência e precisão, qual seria o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia, o que atrai o óbice da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte. Nesse sentido: RECURSO FUNDADO NO NOVO CPC/2015. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/15. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. ALEGAÇÃO DE INFRINGÊNCIA À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. CANCELAMENTO DA CDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. POSSIBILIDADE. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1022 do CPC se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. No que se refere à alegação de infringência à Súmula, esta Corte firmou entendimento de que enunciado ou súmula de tribunal não equivale a dispositivo de lei federal, restando desatendido o requisito do art. 105, III, a, da CF. 3. A jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que, sobrevindo extinção da execução fiscal em razão do cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação válida do executado, a Fazenda Pública deve responder pelos honorários advocatícios, em homenagem ao princípio da causalidade. Precedentes: AgRg no AREsp 791.465/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/08/2016, DJe 31/08/2016; REsp 1648213/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/03/2017, DJe 20/04/2017. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.134.984/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/02/2018, DJe 06/03/2018). PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. REENQUADRAMENTO. PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO. CARACTERIZAÇÃO. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF. 2. É cediço que o enquadramento ou o reenquadramento de servidor público é ato único de efeitos concretos, o qual não reflete uma relação de trato sucessivo. Nesses casos, a pretensão envolve o reconhecimento de uma nova situação jurídica fundamental, e não os simples consectários de uma posição jurídica já definida. A prescrição, portanto, atinge o próprio fundo de direito, sendo inaplicável o disposto na Súmula 85/STJ. Precedentes. 3. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido. (REsp 1.712.328/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2018, DJe 09/04/2018). De outra parte, o tribunal de origem decidiu a questão afeta ao regime jurídico aplicável à matéria sob julgamento nos seguintes termos, in verbis (fls. 450/451e): Trata-se de recurso de agravo de instrumento tirado da decisão interlocutória que rejeitou a alegação de prescrição em ação na qual a municipalidade pede a condenação do ex-prefeito a repor aos cofres públicos os valores despendidos pela administração com o custeio de despesas médicas próprias geradas por acidente de trânsito, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da lei autorizadora. (..) Concluiu a decisão agravada que a hipótese cuida de reparação de danos ao erário fundada em violação das regras de direito público, e daí a imprescritibilidade conforme a regra do art. 37, § 5o, da Constituição Federal. No RE no 669.069/MG, que dá origem ao Tema no 866 de repercussão geral, decidiu-se que é prescritível a ação de indenização de ilícito civil assemelhado à reparação de danos em acidente de veículos, excluído do âmbito daquele julgamento a pretensão de reparação de danos em virtude de infrações ao direito público, conforme ficou expresso no julgamento dos embargos declaratórios. Logo, não se trata de aplicar ao caso presente o decidido naquele julgamento submetido ao regime da repercussão geral, pois o caso em apreço trata da recomposição de danos fundadas na realização indevida de despesas públicas, ou seja, tem causa de pedir assentada em infração ao regime de direito público. Anote-se que, muito embora a norma do § 5o do art. 37 da Constituição Federal rompa com o regime de prescritibilidade de longeva tradição no direito brasileiro, conforme observam José Afonso da Silva e Marcelo Figueiredo, é de se ponderar que se trata de manifestação do poder constituinte garantidora da plenitude do regime republicano. Portanto, razão não assiste ao recorrente em pretender a declaração da prescrição. Nas razões do Recurso Especial, tal fundamentação não foi refutada, implicando a inadmissibilidade do recurso, visto que esta Corte tem firme posicionamento, segundo o qual a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Na mesma linha, destaco os seguintes julgados de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção desta Corte: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OCUPAÇÃO DE TERRA PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO DE CONSTRUÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. ACÓRDÃO A QUO QUE CONCLUI, COM BASE NOS FATOS E PROVAS DOS AUTOS, PELA IRREGULARIDADE DA EDIFICAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO INATACADO. SÚMULA N. 283 DO STF. ALEGADA VIOLAÇÃO À LEI FEDERAL. DISPOSITIVOS NÃO INDICADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. (..) 4. A argumentação do recurso especial não atacou o fundamento autônomo e suficiente empregado pelo acórdão recorrido para decidir que o Código de Edificações do Distrito Federal autoriza à Administração Pública, no exercício regular do poder de polícia, determinar a demolição de obra irregular, inserida em área pública e de preservação permanente. Incide, no ponto, a Súmula 283/STF. 5. Revelam-se deficientes as razões do recurso especial quando o recorrente limita-se a tecer alegações genéricas, sem, contudo, apontar especificamente qual dispositivo de lei federal foi contrariado pelo Tribunal a quo, fazendo incidir a Súmula 284 do STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 438.526/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 08/08/2014). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. FASE DE EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA POR ATO DE IMPROBIDADE. BENS IMÓVEIS PENHORADOS, LEVADOS A HASTA PÚBLICA E ARREMATADOS. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA, RESCINDINDO O ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DAS ARREMATAÇÕES. NECESSIDADE DE AÇÃO PRÓPRIA. IMÓVEIS QUE TERIAM SIDO ARREMATADOS POR PREÇO VIL. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER BUSCADA EM AÇÃO PRÓPRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO CUJOS FUNDAMENTOS NÃO SÃO IMPUGNADOS PELAS TESES DO RECORRENTE. SÚMULA N. 283 DO STF. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. (..) 4. Com relação ao s demais pontos arguidos pelo recorrente, forçoso reconhecer que o recurso especial não merece conhecimento, porquanto, além da ausência de prequestionamento das teses que suscita (violação dos artigos 687, 698 do CPC e 166, inciso IV, e 1.228 do Código Civil) (Súmula n. 211 do STJ), tem-se que as razões recursais não impugnam, especificamente, os fundamentos do acórdão recorrido, o que atrai o entendimento da Súmula n. 283 do STF. 5. Não sendo possível o retorno ao status quo ante, deve o prejudicado pedir indenização por meio de ação própria, caso entenda que aquela arbitrada pelo juízo da execução é insuficiente para recompor sua indevida perda patrimonial. Recurso especial não conhecido. (REsp 1.407.870/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 19/08/2014). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se.