AREsp 2189122 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 1.420.691 (Tema 1.262), declarou-se a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente em mandado de segurança, devendo a repetição do indébito ocorrer por compensação, em observância ao...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade (agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e provido para declarar a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente na ação mandamental.
- Legal Topics
- Restituição Administrativa Do Indébito, Compensação Tributária, Mandado De Segurança, Contribuição Previdenciária, Aviso Prévio Indenizado, Precatórios (art. 100 Cf)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade (agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido em via judicial
- 2 Incidência de contribuição previdenciária patronal sobre aviso prévio indenizado e valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento por incapacidade
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 1.420.691 (Tema 1.262), declarou-se a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente em mandado de segurança, devendo a repetição do indébito ocorrer por compensação, em observância ao regime de precatórios previsto no art. 100 da Constituição Federal.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e provido para declarar a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente na ação mandamental.
Orders
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e provido para declarar a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente na ação mandamental.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que não admitiu o recurso especial pelo qual a FAZENDA NACIONAL se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (fls. 231/232): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. REEXAME NECESSÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (COTA PATRONAL) SAT/RAT E CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AUXÍLIO-DOENÇA/ACIDENTE. COMPENSAÇÃO. 1. O entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957, representativo de controvérsia, sedimentou orientação no sentido de que o aviso prévio indenizado e os valores pagos pelo empregador nos primeiros 15 dias de afastamento do empregado em razão de incapacidade possuem natureza indenizatória/compensatória, não constituindo ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre tais verbas não é possível a incidência de contribuição previdenciária patronal. 2. As conclusões referentes às contribuições previdenciárias também se aplicam às contribuições ao SAT e a terceiros, uma vez que a base de cálculo destas também é a folha de salários. 3. As contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, atualizadas pela taxa SELIC, podem ser objeto de compensação, após o trânsito em julgado, obedecendo-se ao disposto no art. 74, da Lei 9.430/96 e o disposto no art. 26-A da Lei 11.457/07, com a redação conferida pela Lei nº 13.670/18. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 258/259). Em suas razões recursais, a parte recorrente alega: (1) violação aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do Código de Processo Civil (CPC), visto que o Tribunal de origem não se manifestou sobre as questões invocadas nos embargos de declaração; (2) violação aos arts. 66 da Lei 8.383/1991, 74 da Lei 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pela lei 10.637/2002, 165 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 100 da Constituição Federal (CF) ao argumento de que o indébito tributário reconhecido na via mandamental não pode ser objeto de restituição administrativa. A parte adversa não apresentou contrarrazões (fl. 321). É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. A parte recorrente opôs embargos de declaração na origem com estes argumentos (fls. 248): No caso em apreço, observa-se que o indébito tributário não resultou de pedido formulado em âmbito administrativo, hipótese em que seria possível a restituição na via administrativa e o acórdão se OMITIU de apreciar a questão à luz do art. 100 da CRFB/88. Desta forma, ante o reconhecimento do descabimento do pedido de restituição nos autos do mandado de segurança, diante da impossibilidade de efeitos patrimoniais pretéritos, cabível a supressão da omissão para reconhecer a impossibilidade de restituição administrativa. Ao apreciar o recurso integrativo, o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO decidiu o seguinte (fl. 259): No caso concreto não se verifica a ocorrência de quaisquer das hipóteses ensejadoras dos embargos de declaração previstas no art. 1.022 do CPC. A decisão está devidamente fundamentada, com a apreciação dos pontos relevantes e controvertidos da causa. Verifica-se que, em verdade, o embargante pretende rediscutir o mérito da decisão, objetivo ao qual não se prestam os embargos de declaração (art. 1.022 do Código de Processo Civil - Lei nº 13.105, de 2015). O inconformismo quanto à interpretação dos fatos e ao direito aplicável ao caso deve ser suscitado na via recursal adequada. Ademais, quanto ao prequestionamento, estando evidenciada a tese jurídica em que se sustenta a decisão proferida nesta instância, com resolução das questões devolvidas ao seu conhecimento (art. 1.013 CPC), não é necessária a menção, no julgado, de cada dispositivo legal invocado pelas partes em suas razões recursais. Importa é que a questão de fundo, relacionada à matéria que é objeto dos normativos, integre a lide julgada, até porque, segundo o disposto no art. 1.025 do CPC, consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou para esse fim, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados. A Corte de origem apreciou, de forma clara e fundamentada, o tema referente à restituição administrativa em espécie do indébito tributário reconhecido em mandado de segurança. Vê-se que inexiste a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. É importante destacar que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa aos dispositivos de lei invocados. Quanto à alegada afronta ao art. 100 da Constituição Federal (CF), é incabível o recurso especial quanto ao ponto por se tratar de matéria a ser veiculada em recurso extraordinário, cuja apreciação é da competência do Supremo Tribunal Federal; o contrário implicaria usurpação de competência (art. 102, III, da CF). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCORRÊNCIA. REINTERPRETAÇÃO DO ALCANCE DA TESE FIRMADA EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. .. IV - Não compete a este Superior Tribunal a análise de suposta violação a dispositivos constitucionais, ainda que para efeito de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. .. VI - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.836.774/PR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 10/8/2020, DJe de 14/8/2020, sem destaques no original.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO MILITAR. FILHA. REQUISITOS DO ART. 7º DA LEI 3.765/60 C/C LEI 8.216/91. ALEGADA OMISSÃO ACERCA DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ALEGADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE, EM TESE, TERIA RECEBIDO INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DAQUELA FIRMADA POR OUTROS TRIBUNAIS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF, APLICADA POR ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, SOB PENA DE USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. V. Do exame do julgado combatido e das razões recursais, verifica-se que a solução da controvérsia possui enfoque eminentemente constitucional. Dessa forma, compete ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido, no mérito, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. Precedentes do STJ (AgRg no AREsp 584.240/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/12/2014; AgRg no REsp 1.473.025/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/12/2014). VI. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.377.313/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 18/4/2017, DJe de 26/4/2017, sem destaques no original.) No mais, a pretensão merece prosperar. O acórdão recorrido adotou a orientação de que seria admissível, em mandado de segurança, que a repetição do indébito se fizesse mediante compensação ou restituição na via administrativa. Essa linha de entendimento ficou superada após o Supremo Tribunal Federal (STF), em repercussão geral, nos autos do RE 1.420.691/SP - Tema 1.262, julgar pela impossibilidade de formulação de pedido de restituição administrativa do indébito reconhecido judicialmente, fixando a seguinte tese: "Não se mostra admissível a restituição administrativa do indébito reconhecido na via judicial, sendo indispensável a observância do regime constitucional de precatórios, nos termos do art. 100 da Constituição Federal". Consoante entendimento da Suprema Corte, a restituição administrativa do indébito viola o regime cronológico de precatórios, instituído pelo art. 100 da Constituição Federal, de modo que o único meio de reaver o crédito tributário na esfera administrativa é por via da compensação diante da eficácia declaratória do provimento jurisdicional. Aliado a isso, a Súmula 213 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) enuncia que "o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária", de modo que essa declaração tem efeitos prospectivos, em atenção ao que preceituam as Súmulas 269 e 271 do STF. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nesta extensão, a ele dar provimento de modo a declarar a impossibilidade de restituição administrativa do indébito tributário reconhecido judicialmente na ação mandamental. Publique-se. Intimem-se. EMENTA