RMS 66562 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso ordinário porque não se demonstrou de forma cabal a propriedade do veículo pelo impetrante e subsiste a possibilidade de interesse do automóvel no processo penal ou de que tenha sido utilizado na prática de ilícitos, de modo que não se atende aos requisitos legais para restituição...
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- Parties
- Recorrente: MANOEL MISSIAS DE SOUZA; Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Decisão Colegiada Nego Provimento
- Outcome
- NEGO PROVIMENTO ao Recurso Ordinário
- Legal Topics
- Restituição De Coisa Apreendida, Propriedade De Bem, Nomeação De Depositário, Liminar, Taxas De Estadia Em Pátio, Perdimento De Veículo, Prequestionamento, Súmula 7/stj
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Parties
MANOEL MISSIAS DE SOUZA
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Impetrado
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Decisão Colegiada Nego Provimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de restituição de veículo apreendido antes do trânsito em julgado
- 2 Comprovação da propriedade do bem pelo impetrante
- 3 Isenção de taxas de estadia em pátio
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso ordinário porque não se demonstrou de forma cabal a propriedade do veículo pelo impetrante e subsiste a possibilidade de interesse do automóvel no processo penal ou de que tenha sido utilizado na prática de ilícitos, de modo que não se atende aos requisitos legais para restituição previstos no art. 118 do CPP e na jurisprudência desta Corte; a pretensão sobre nomeação como depositário não foi decidida na origem, impedindo seu exame por falta de prequestionamento.
Court Disposition
NEGO PROVIMENTO ao Recurso Ordinário
Orders
- Nego provimento ao Recurso Ordinário.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso ordinário em mandado de segurança, com pedido de liminar, interposto por MANOEL MISSIAS DE SOUZA contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Pauloque denegou a ordem, no julgamento do Mandado de Segurança n. 2286198-27.2020.8.26.0000. Orecorrenteimpetrou o mandamus visando a restituição de veículo apreendido nos autos n. 1500801-13.2020.8.26.0559, de sua propriedade,que não interessava ao deslinde da ação. Afirmou que seu filho foi preso em flagrante pela suposta prática do crime de tráfico de entorpecentesenquanto conduzia o veículo KIA/Sportage, de placas OBO 2620, cor branca, ano/modelo 2013/2014. O Tribunal de Justiça denegou a ordem, em acórdão que restou assim ementado: Mandado de Segurança - Restituição de veículo apreendido.- Impossibilidade - Não comprovada a propriedade do bem- Ademais, nos ermos do artigo 118 do Código de ProcessoPenal, antes de transitar em julgado a sentença final. Ascoisas apreendidas não poderão ser restituídas enquantointeressarem aoprocesso Pretensão à nomeação dedepositário do bem Postulação que deve ser formuladaperante o Juízo de Primeiro Grau inicialmente Ausênciade Constrangimento ilegal Segurança denegada. No presente recurso, o recorrente sustenta que haveria prova inquestionável da propriedade do bem, que foi ignorada pelo Juízo; que está com dificuldades de locomoção e de continuar pagando as parcelas do veículo eque o documento está dentro do carro. Afirma que os artigos 119 e 120 do Código de Processo Penal são uníssonos ao reconhecer que a restituição de coisas apreendidas é plenamente possível quando pertencerem ao lesado ou terceiro de boa-fé e não restarem dúvidas quanto ao direito do reclamante. Alega que as taxas de estadia em pátio devem ser isentas, posto que o estabelecido no art. 262, caput, e parágrafo 2º, do CTB só pode ser estendido às hipóteses de apreensão em processo criminal. Afirma que os fatos resultantes da concessão da presente medida são facilmente reversíveis na hipótese de se provar a participação do impetrante na prática delituosa. Pugna, assim, seja deferida liminar para a liberação imediata do veículo, sem pagamento das taxas em pátio, ainda que mediante o compromisso de permanecer como fiel depositário do bem relacionado. É o relatório. Decido. O Tribunal a quo baseou seu entendimento de denegação da ordem na dúvida quanto à propriedade do bem, existência de interesse do veículo no processo e sua possível utilizaçãopara o cometimento de ilícitos. Logo, não se podendo asseverar que o automóvel não mais serve ao processo,seja como meio de prova ou para assegurar a eficácia de futura decisão judicial, não há como ser concedida a restituição ou liberação pretendida, nos termos do artigo 118 do Código de Processo Penal. No sentido, confiram-se: PROCESSO PENAL E PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.CABIMENTO DO RECURSO. DECRETAÇÃO DE PERDIMENTO DE VEÍCULO UTILIZADO NO TRÁFICO DE DROGAS. TERCEIRO DE BOA-FÉ QUE ALEGA SER O VERDADEIRO PROPRIETÁRIO DO BEM. DISTRATO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA CELEBRADO COM A RÉ QUE CONDUZIA O VEÍCULO NO MOMENTO DO FLAGRANTE PENAL. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA PROPRIEDADE DO BEM. RECURSO IMPROVIDO. 1. É cabível, em tese, o manejo do mandado de segurança por terceiro alheio ao processo criminal em que é determinada a apreensão de veículo de sua propriedade, se demonstrado que ele não tinha como ter tido ciência em tempo hábil da decisão judicial, para contra ela se insurgir por meio da apelação prevista no art. 593, II, do CPP, restando-lhe, assim, apenas a via do mandado de segurança para proteger seus interesses. Caso dos autos. 2. Como regra geral, a restituição das coisas apreendidas, mesmo após o trânsito em julgado da ação penal, está condicionada tanto à ausência de dúvida de que o requerente é seu legítimo proprietário, quanto à licitude de sua origem e à demonstração de que não foi usado como instrumento do crime, conforme as exigências postas nos arts. 120, 121 e 124 do Código de Processo Penal c/c o art. 91, II, do Código Penal. 3. A apreensão e a imposição da pena de perdimento a veículo apreendido em flagrante de tráfico de drogas obedecem, ainda, às regras específicas da Lei 11.343/2006 (arts. 60, 62 e 63). 4. Não se presta a demonstrar a propriedade do bem o distrato de contrato de compra e venda de automóvel em parcelas, se tal distrato somente foi celebrado após a decretação do perdimento do bem e após o veículo ter sido transferido para o nome da compradora no órgão de trânsito competente, valendo o documento apenas como uma confissão de dívida que poderá, eventualmente, ser cobrada na esfera cível. 5. Recurso Ordinário a que se nega provimento. (RMS 54.243/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 25/08/2017). AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO. APREENSÃO DE HELICÓPTERO UTILIZADO NO TRANSPORTE DE ENTORPECENTES. RESTITUIÇÃO DE COISA APREENDIDA. POSSIBILIDADE. TERCEIRO DE BOA-FÉ. PERÍCIA REALIZADA PELAS AUTORIDADES POLICIAIS. ACÓRDÃO A QUO FIRMADO EM MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. 1. É possível a restituição de bens apreendidos antes do trânsito em julgado da sentença final, contudo a devolução depende do fato de os bens apreendidos não interessarem ao processo e de não haver dúvidas quanto ao direito sobre eles reivindicado (arts. 118 e 120 do CPP). 2. Desconstituir a conclusão a que chegaram as instâncias ordinárias implica necessariamente a incursão no conjunto probatório dos autos, revelando-se inadequada a análise da pretensão recursal em razão do óbice da Súmula 7/STJ. 3. O agravo regimental não merece prosperar, porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes de infirmar o entendimento assentado na decisão agravada. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1.541.017/ES, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, DJe de 10/11/2015). A jurisprudência desta corte também tem a orientaçãode que "Como regra geral, a restituição das coisas apreendidas, mesmo após o trânsito em julgado da ação penal, está condicionada tanto à ausência de dúvida de que o requerente é seu legítimo proprietário, quanto à licitude de sua origem e à demonstração de que não foi usado como instrumento do crime, conforme as exigências postas nos arts. 120, 121 e 124 do Código de Processo Penal c/c o art. 91, II, do Código Penal."(RMS 54.243/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,DJe 25/08/2017). Já a questão da sua nomeação como depositário do veículo apreendido deixou de ser solucionada pelo Tribunal de Justiça porque não analisada pelo Juízo de origem, razão pela qual também não pode nesta Corte ser analisada, diante da ausência de prequestionamento. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA. QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELO EG. TRIBUNAL DE ORIGEM. INVIABILIDADE DE EXAME POR ESTA CORTE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE JURÍDICA CONFIGURADA. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. RECALCITRÂNCIA E CAPACIDADE DA EMPRESA DEMONSTRADAS. RECURSO A QUE SE NEGOU PROVIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - O mandado de segurança somente terá cabimento para a proteção de direito líquido e certo, compreendendo-se tal expressão, em sentido processual, como "direito comprovável documentalmente, sem necessidade de instrução dilatória." (GRINOVER, Ada Pelegrini, 7ª ed. pág. 310). II - "Conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o prequestionamento das teses jurídicas constitui requisito de admissibilidade da via, inclusive em se tratando de matérias de ordem pública, sob pena de incidir em indevida supressão de instância e violação da competência constitucionalmente definida para esta Corte" (RHC 81.284/DF, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 30/8/2017). III - É de conhecimento amplo que a recorrente é representante no Brasil de seu grupo empresarial, do qual faz parte o WhatsApp Inc. Em se tratando de conglomerado econômico, eventuais questões acerca da independência das empresas, que sequer foi comprovada nos autos, e notadamente o fato de não existir no Brasil sede de uma delas, não podem ser utilizadas como fundamento para que o grupo, na pessoa de seu representante, se exima de cumprir as leis vigentes no país, notadamente a Lei n. 12.965/14. IV - Configurado o descumprimento de ordem judicial, a Quinta e a Sexta Turma desta Corte sedimentaram que "a imposição de astreintes à empresa responsável pelo cumprimento de decisão de quebra de sigilo, determinada em inquérito, estabelece entre ela e o juízo criminal uma relação jurídica de direito processual civil", cujas normas são aplicáveis subsidiariamente no Processo Penal, por força do disposto no art. 3º do CPP. V - Desta forma, "a solução do impasse gerado pela renitência da empresa controladora passa pela imposição de medida coercitiva pecuniária pelo atraso no cumprimento da ordem judicial, a teor dos arts. 461, § 5.º, 461-A, do Código de Processo Civil, c.c. o art. 3.º do Código de Processo Penal" (RMS 44.892/SP,Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 15/04/2016). VI - O art. 139, IV, do CPC/2015 autoriza o Juiz a "determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária". VII - No que diz respeito ao argumento de que a questão acerca da criptografia está sendo discutida pelo col. Supremo Tribunal Federal, determinada a quebra, a criptografia ou qualquer outro meio utilizado para garantir o sigilo, devem ser afastados, uma vez que, até que o col. Supremo Tribunal profira decisão em contrário, vige o disposto na Lei n. 12.965/14, que no seu art. 10, § 1º, excepciona a privacidade, à vista de decisão judicial. Não há que se falar, portanto, em suspensão do feito até que o col. STF profira decisão definitiva sobre a questão. VIII - Não resta configurada afronta ao princípio da proporcionalidade quando demonstradas nos autos a recalcitrância da empresa em cumprir a determinação judicial e o seu poder econômico, conhecida que é como "a maior rede social virtual em todo o mundo" (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Facebook). IX - No que concerne à alegação de que ocorreu a desconstituição da personalidade jurídica, inviável análise da matéria somente trazida à discussão em sede de agravo regimental, providência vedada pela jurisprudência deste Tribunal Superior, por revelar nítida inovação recursal. X - No presente agravo regimental não se aduziu qualquer argumento apto a ensejar a alteração da decisão agravada, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RMS 56.706/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA,DJe 11/06/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 932, IV, do Código de Processo Civil de 2015 e art. 34, XVIII, b, do Regimento Interno desta Corte, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. Publique-se. Intimem-se