REsp 1925596 - DECISAO
Havendo disposição expressa no art. 46 da Lei n. 8.541/1992, a ausência de retenção na fonte no pagamento de precatório conflita com a norma; na prática a instituição financeira efetua a retenção, mas cabe ao órgão do Poder Judiciário indicar na guia, alvará, mandado ou ordem bancária a necessidade de retenção,...
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- Parties
- Recorrente: Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- dou provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Retenção Do Imposto De Renda Na Fonte, Precatório, Cumprimento De Decisão Judicial, Honorários Advocatícios, Ordem De Pagamento
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Parties
Estado do Paraná
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Competência para retenção do imposto de renda na fonte em cumprimento de decisão judicial
- 2 Aplicabilidade do art. 46 da Lei n. 8.541/1992
- 3 Aplicabilidade do art. 27 da Lei nº 10.833/2003
Ratio Decidendi
Havendo disposição expressa no art. 46 da Lei n. 8.541/1992, a ausência de retenção na fonte no pagamento de precatório conflita com a norma; na prática a instituição financeira efetua a retenção, mas cabe ao órgão do Poder Judiciário indicar na guia, alvará, mandado ou ordem bancária a necessidade de retenção, razão pela qual se deu provimento ao recurso para determinar tal especificação.
Court Disposition
dou provimento ao recurso especial
Orders
- Que seja determinado e especificado o desconto do imposto de renda a ser retido na fonte pela instituição bancária responsável por cumprir a ordem.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto pelo Estado do Paraná contra acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível do TJPR assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INDEFERIMENTO DO PLEITO DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA EM FONTE. FORMAL INCONFORMISMO. RETENÇÃO DO IRRF. INDEVIDA. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO PELA CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ NOS AUTOS Nº 2014.0070075-2/000. JUDICIÁRIO NÃO É COMPETENTE OU RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO PELA RETENÇÃO DO IR EM FONTE. RECURSO NÃO PROVIDO. O recorrente indica ofensa ao art. 46 da Lei n. 8.541/1992. Sustenta que cabe ao Poder Judiciário, "desde a ordem de pagamento, especificar a retenção do imposto, antes de qualquer pagamento". Contrarrazões ofertadas. O apelo nobre foi admitido na origem. É o relatório. Segundo entendimento da Segunda Turma, em casos que tais,cabe ao órgão do Poder Judiciário fazer a indicação - na guia, alvará, mandado ou ordem bancária - da necessária retenção da tributação devida. No ponto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL.ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC.NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. RETENÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 46 DA LEI 8.541/1992. PRECEDENTES. 1. Ao afastar a retenção do Imposto de Renda na fonte pelo órgão do Poder Judiciário, por entender que tal tributação caberia ao órgão pagador, no caso o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Paraná, o acórdão recorrido acabou por possibilitar o pagamento do precatório sem a retenção legal da tributação referida, o que confronta com a determinação do art. 46 da Lei nº 8.541/1992, segundo o qual "o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário". Precedentes: AgRg no REsp. 964.389/MG, Rel.Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 29/4/2010; AgInt no AgRg no AREsp 818.622/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 02/08/2019. 2. A ausência de retenção da tributação na fonte não desobriga a declaração dos valores e o recolhimento do Imposto de Renda pelo contribuinte em sua declaração de ajuste. Contudo, a manutenção da obrigação do contribuinte não justifica o recebimento dos valores desonerados da tributação na fonte, mormente porque há expressa determinação legal de retenção. Na prática a retenção do Imposto de Renda é realizada pela instituição financeira responsável pelo efetivo pagamento do precatório ao beneficiário, mas cabe ao órgão do Poder Judiciário fazer a indicação - na guia, alvará, mandado ou ordem bancária - da necessária retenção da tributação devida. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.859.001/PR, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 26/10/2020.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRECATÓRIO.RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.INDICAÇÃO DA NECESSIDADE DE RETENÇÃO NA ORDEM JUDICIAL DE PEGAMENTO.INAPLICABILIDADE DO ART. 27 DA LEI Nº 10.833/2003 AO CASO DOS AUTOS. ACLARATÓRIOS ACOLHIDOS PARCIALMENTE, SEM EFEITOS INFRINGENTES. 1. O acórdão embargado se manifestou de forma clara e fundamentada quanto ao conhecimento do recurso especial em relação ao art. 46 da Lei nº 8.541/1992, consignando expressamente que o afastamento da retenção do Imposto de Renda na fonte quando do cumprimento da decisão judicial configura ofensa ao referido dispositivo. Houve expressa menção de que a retenção do Imposto de Renda é realizada pela instituição financeira responsável pelo efetivo pagamento do precatório ao beneficiário, mas cabe ao órgão do Poder Judiciário fazer a indicação - na guia, alvará, mandado ou ordem bancária - da necessária retenção da tributação devida. 2. O presente feito não discute alíquota de Imposto de Renda; apenas foi afastada a tese defendida pelos embargantes no sentido de que a obrigação da retenção do imposto na fonte seria do próprio devedor, no caso o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Paraná. 3. O art. 27 da Lei nº 10.833/2003 trata de cumprimento de decisão da Justiça Federal, não tendo aplicabilidade no caso dos autos. 4. Embargos de declaração acolhidos em parte, sem efeitos infringentes. (EDcl no AgInt no REsp 1.859.001/PR, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, para que seja determinado e especificado o desconto do imposto de renda a ser retido na fonte pela instituição bancária, responsável por cumprir a ordem. Publique-se. Intimem-se.