HC 1099188 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso próprio e não há flagrante ilegalidade apta a autorizar o conhecimento de ofício; ademais, a correção do cálculo foi fundamentada na regressão por falta grave com dedução de dias remidos (art.127 LEP) e a jurisprudência permite a...
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- Parties
- Paciente: ROMUALDO DARIO DE ABREU; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Retificação De Cálculo De Pena, Cumprimento Unificado De Penas, Fração De 40% Para Progressão De Regime, Preclusão E Coisa Julgada, Ordem Cronológica De Cumprimento De Penas, Uso Do Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Próprio, Regressão De Regime Por Falta Grave
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Parties
ROMUALDO DARIO DE ABREU
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 existência ou não de ilegalidade flagrante na retificação da guia de execução
- 2 possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 3 incidência da perda de dias remidos em razão de falta grave (art.127 LEP)
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso próprio e não há flagrante ilegalidade apta a autorizar o conhecimento de ofício; ademais, a correção do cálculo foi fundamentada na regressão por falta grave com dedução de dias remidos (art.127 LEP) e a jurisprudência permite a retificação de ofício pelo Juízo da Execução, aplicando-se, na execução de penas de mesma espécie, a ordem cronológica das condenações, não a preferência por hediondez.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de ROMUALDO DARIO DE ABREU em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. Consta dos autos que foi mantido o indeferimento de retificação do cálculo do cumprimento de pena, por considerar que inexiste ordem de preferência por hediondez no cumprimento unificado das penas. O paciente alega que há flagrante ilegalidade documental, evidenciada pelo confronto de relatórios oficiais do SEEU, sem necessidade de revolvimento probatório. Aduz que relatórios anteriores registraram que as penas submetidas ao cumprimento da fração de 40% para a progressão de regime constavam como praticamente integralizadas. Assevera que, após o cometimento de falta grave, com consequente regressão ao regime fechado e elaboração de novo cálculo de execução das penas, passou a constar no relatório da execução que o bloco de 40% não havia iniciado o cumprimento das referidas penas. Afirma que a execução simultânea de penas não autoriza apagar histórico executivo nem duplicar cumprimento de frações já reconhecidas. Entende que há dupla ilegalidade: redução artificial do tempo total de pena cumprida e recomposição indevida do bloco de 40%. Pondera que a prova pré-constituída basta ao controle da legalidade, identificando como essenciais os documentos dos eventos 201.1, 233.1, 519.1 e a liquidação posterior. Requer, liminarmente e no mérito, a retificação do cálculo para resguardar o histórico executivo e afastar a duplicidade no cumprimento da fração de 40%, com preservação do tempo mínimo de pena já reconhecido como cumprido. É o relatório. Inicialmente, quanto ao pedido que versa sobre eventual ausência de "reconhecimento de que o paciente possuía, no mínimo, 12 anos, 10 meses e 20 dias de pena cumprida" (fl. 15), a matéria debatida não foi apreciada no ato judicial impugnado, o que impede o conhecimento do pedido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PROVA DECLARADA NULA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO DE JULGAMENTO. IMPEDIMENTO DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU E DESEMBARGADORES QUE ATUARAM ORIGINARIAMENTE NO FEITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE CONHECIMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O pleito defensivo relativo à declaração de impedimento dos julgadores não foi analisado pelas instâncias ordinárias, o que obsta a análise diretamente por este Tribunal Superior, sob pena de indevida supressão de instância, sendo certo que o incidente de impedimento ou suspeição deve ser requerido junto ao Juízo que conduzirá o processo, mediante demonstração do justo impedimento, a teor do disposto no Código de Processo Penal. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 805.331/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 23/8/2024, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. MATÉRIAS DEDUZIDAS NO WRIT QUE NÃO FORAM APRECIADAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não tendo sido abordada, pelo Tribunal de origem, a nulidade vergastada sob o ângulo pretendido na impetração, resta inviável seu conhecimento per saltum por esta Corte Superior. Supressão de instância inadmissível. 2. Precedentes de que, até mesmo as nulidades absolutas devem ser objeto de prévio exame na origem a fim de que possam inaugurar a instância extraordinária (AgRg no HC n. 395.493/SP, Sexta Turma, rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 25/05/2017). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 906.517/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024, grifei.) Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça entende ser inadmissível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024.) Portanto, não se pode conhecer do presente habeas corpus. Por outro lado, o exame dos autos não indica a existência de ilegalidade flagrante, apta a autorizar a concessão da ordem de ofício. Consoante se extrai dos autos e das informações prestadas, o Juízo da execução negou o pedido de retificação da guia de execução, em decisão assim fundamentada (fls. 76-77): A defesa, por meio da petição apresentada na mov. 471.1, requereu a retificação do tempo de pena cumprido pelo reeducando sustentando que ele já teria cumprido 13 (treze) anos, 04 (quatro) meses e 18 (dezoito) dias. Contudo, após minuciosa análise dos autos, especialmente da decisão exarada na mov. 348.1, verifica-se que houve regressão definitiva do regime para o fechado, com a consequente alteração da data-base para 07/10/2023, em razão de falta grave praticada naquela data, além da declaração de perda dos dias remidos na proporção de 1/3, nos termos do art. 127 da Lei de Execução Penal. Com efeito embora o apenado de fato tenha cumprido o total de 13 (treze) anos) 04 (quatro ) meses e 20 (vinte) dias de pena, foram detraídos desse montante 545 (quinhentos e quarenta e cinco) dias, em razão da homologação de falta grave. Assim, considerando a nova contagem, apurou-se que o reeducando possui, até o marco estabelecido, 12 (doze) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de pena cumprida, conforme registrado no Relatório de Situação Processual Executória (mov. 233.1). Os períodos de prisão provisórias também estão devidamente computados, conforme ponderado pelo Ministério Público em sua manifestação lançada na mov. 513.1. Dessa forma, inexistem vícios nos cálculos promovidos no sistema SEEU que justifiquem acolhimento do pleito defensivo. Por sua vez, o Tribunal de origem negou provimento ao agravo em execução interposto pela defesa, consignando, para tanto, que (fls. 107-109): III - Do mérito - trata-se de agravo em execução interposto por ROMUALDO DARIO DE ABREU contra a decisão que indeferiu o pedido de retificação do cálculo da pena. Pede a retificação do cálculo e a extinção das penas dos crimes hediondos pelo integral cumprimento, para que seja reconhecido como remanescente 18 (dezoito) anos, 06 (seis) meses e 18 (dezoito) dias e fixada nova data-base para progressão de regime. Eis o pronunciamento objurgado: .. Ocorre que a previsão do artigo 76, do Código Penal, diz respeito à definição da ordem de cumprimento sucessivo de penas de naturezas diversas, quais sejam, reclusão e detenção, a fim de que aquela anteceda esta, quando da prolação da sentença condenatória, ante o concurso de crimes, pois impossível a execução simultânea, conforme o artigo 69, do Código Penal. Diversamente, em se tratando de unificação, prevista no artigo 111, da Lei de Execução Penal, os apenamentos são considerados conjunta e simultaneamente, porque da mesma espécie, a saber, privativa de liberdade, assim não havendo qualquer amparo a pretensão defensiva de instituição de ordem de preferência do desconto de pena cumprida, a partir da hediondez ou gravidade delitiva. .. Evidencia-se a confusão conceitual entre detração (desconto de prisão processual) e pena definitiva cumprida, bem como entre a fixação individualizada dos regimes de cumprimento sucessivo das reprimendas de reclusão e detenção na sentença condenatória em concurso de crimes e a cumulação de penas na execução unificada para a definição do regime e resgate simultâneo. Consoante se extrai dos autos e do próprio relato apresentado na inicial, o paciente cometeu falta grave, a qual ensejou em sua regressão ao regime fechado e elaboração de novo cálculo da guia de execução, em que, com base nesse novo cálculo, o conjunto de penas submetidas ao cumprimento da fração de 40% para a progressão de regime passou a registrar cô mputo de pena diversa do que anteriormente registrado. Confira-se o relato defensivo (fl. 8): Após regressão o paciente fora preso em data 26/04/2024, o retorno do paciente ao sistema prisional em regime fechado, após foi elaborada nova liquidação de pena. Senhor Ministro aqui inicia-se o constrangimento ilegal que o paciente vem sofrendo. Na nova laboração pôs regressão, somente fora detraído o período cumprido de 10 anos 2 meses, e zerando 0, o bloco de cumprimento de pena da fração de 40%, como se nunca estivesse cumprindo. Douto Ministro, nessa nova liquidação, além de o bloco submetido à fração de 40% ter sido lançado como se houvesse 0 dia de cumprimento, o sistema também utilizou tempo cumprido inferior ao que já havia sido reconhecido judicialmente. O Juízo da execução, ao indeferir o pedido de retificação, esclarece que "houve regressão definitiva do regime para o fechado, com a consequente alteração da data-base para 07/10/2023, em razão de falta grave praticada naquela data, além da declaração de perda dos dias remidos na proporção de 1/3, nos termos do art. 127 da Lei de Execução Penal" (fl. 76). Assim, "embora o apenado de fato tenha cumprido o total de 13 (treze) anos) 04 (quatro ) meses e 20 (vinte) dias de pena, foram detraídos desse montante 545 (quinhentos e quarenta e cinco) dias" (fl. 76). Nesse contexto, consoante se extrai dos autos, em que pese à alegação defensiva de que "não se pretende instituir ordem de preferência de cumprimento de pena por gravidade do delito" (fl. 3), o paciente requer que "nova liquidação seja elaborada sem recompor a pena submetida à fração de 40% como se houvesse 0 dia cumprido" (fl. 15), aduzindo, portanto, que o cálculo considere o cumprimento do referido bloco de penas, em detrimento de outro. Dessa forma, ainda que em momento pretérito tenha se constatado o registro de desconto de pena calculado de forma diversa do presente, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça define que "a retificação de ofício pelo Juiz da Execução do incorreto atestado de pena não encontra óbice nos institutos da preclusão e da coisa julgada, por não importar em alteração no título executório a ser cumprido pelo sentenciado" (AgRg no HC n. 919.800/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 30/4/2025, DJEN de 7/5/2025). Em idêntica direção: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CÁLCULOS DE PENA. AUSÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus em virtude da ausência de flagrante ilegalidade na retificação do atestado de pena do sentenciado pelo Juízo da Execução, que constatou erro material e o corrigiu de ofício. 2. O Tribunal de origem negou provimento ao agravo em execução, afirmando que a decisão que homologa o cálculo de liquidação de pena não está sujeita à preclusão, podendo ser alterada de ofício pelo Magistrado ou a requerimento do Ministério Público para corrigir erro constatado no cálculo da pena. II. Questão em discussão 3. A discussão consiste em saber se a retificação de cálculo de pena, após homologação, viola os princípios da preclusão e da coisa julgada, configurando reformatio in pejus. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a retificação, de ofício, pelo juiz da execução do incorreto atestado de pena não encontra óbice nos institutos da preclusão e da coisa julgada, por não importar em alteração no título executório a ser cumprido pelo sentenciado. IV. Dispositivo e tese 5. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A retificação de cálculo de pena pelo Juízo da Execução, para corrigir erro material, não viola os princípios da preclusão e da coisa julgada. Dispositivos relevantes citados: Lei n. 8.072/1990, art. 2º, § 2º; Lei n. 13.964/2019, art. 112.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 974.626/SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 9/4/2025; STJ, AgRg no HC n. 919.800/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 30/4/2025; STJ, AgRg no HC n. 786.293/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 3/10/2023; STJ, HC n. 510.376/MS, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 11/6/2019; STJ, HC n. 385.541/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 16/5/2017; STJ, AgRg no REsp n. 2069562/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 25/04/2022. (AgRg no HC n. 984.924/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 20/8/2025, DJEN de 28/8/2025, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. RETIFICAÇÃO DA GUIA DE EXECUÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que a retificação de ofício pelo Juiz da Execução Penal do incorreto cálculo de penas não encontra óbice nos institutos da preclusão e da coisa julgada, por não importar em alteração no título executório a ser cumprido pelo Sentenciado, não configurando, portanto, em reformatio in pejus. Precedentes. 2. No caso, não se mostra ilegal a retificação da guia de execução, nos termos da legislação de regência. Isso porque a Agravante é reincidente, além de ter cometido, enquanto foragida, novo crime doloso, situação que afasta o disposto no art. 112, § 3.º, da Lei de Execução Penal. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 786.293/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 10/10/2023, grifei.) Por fim, ao encontro do que se esclareceu no acórdão de origem, vale destacar, também, que esta Corte Superior de Justiça firmou que "na hipótese de existirem duas ou mais condenações, a todas imposta pena de reclusão, não há falar em reprimenda mais grave em razão da natureza do crime praticado, se hediondo ou comum, devendo ser aplicado o critério cronológico na ordem de cumprimento das penas" (AgRg no HC n. 668.982/MS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/9/2021, DJe de 20/9/2021). Com essa orientação, observem-se julgados cujas ementas seguem transcritas: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. CONDENAÇÃO EM PROCESSOS DIVERSOS. CRIMES DE NATUREZA HEDIONDA E COMUM. ORDEM CRONOLÓGICA DE CUMPRIMENTO DE PENAS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Agravo regimental interposto contra decisão que denegou habeas corpus, no qual se pleiteava a alteração da ordem de cumprimento das penas. 2. A jurisprudência desta Corte estabelece que, em caso de duas ou mais condenações a penas de reclusão, o critério de execução segue a ordem cronológica das guias de recolhimento, uma vez que não se pode considerar uma pena privativa de liberdade mais grave em razão da natureza hedionda ou comum do delito cometido. Não incide o disposto no art. 76 do Código Penal para alterar essa ordem. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 977.376/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 6/5/2025, DJEN de 12/5/2025, grifei.) Direito Penal. Agravo Regimental. Execução Penal. Indulto. Critério cronológico na ordem de cumprimento de penas. Agravo regimental não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, mas concedeu habeas corpus de ofício para determinar ao Juízo da Execução que reexamine a possibilidade de concessão de indulto considerando o critério cronológico na ordem de cumprimento das penas. 2. Fato relevante. O paciente foi condenado pelos crimes de furto qualificado (art. 155, § 4º, do Código Penal) e corrupção de menores (art. 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente), sendo-lhe atribuída a pena de 2 anos pelo crime de furto qualificado e 1 ano pelo crime de corrupção de menores. O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais negou provimento ao agravo em execução interposto pela defesa, mantendo a decisão que indeferiu a concessão de indulto com base no Decreto nº 12.338/2024, fundamentando-se na ausência de cumprimento do requisito objetivo de 2/3 da pena referente ao crime impeditivo. 3. Decisão recorrida. A decisão agravada concluiu que, na execução das penas unificadas, deve ser observada a ordem cronológica das condenações, e não a pena mais grave em razão da natureza comum ou hedionda do delito, considerando que o disposto no art. 76 do Código Penal é irrelevante nas situações em que a reprimenda privativa aplicada aos delitos for de reclusão. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se, na execução das penas unificadas, deve ser aplicado o critério cronológico das condenações para fins de concessão de indulto, independentemente da natureza do delito. III. Razões de decidir 5. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a aplicação do art. 76 do Código Penal se restringe às hipóteses de concurso de crimes (art. 69 do Código Penal), quando as penas privativas de liberdade forem diferentes (detenção e reclusão). 6. Na execução das penas unificadas, deve ser observada a ordem cronológica das condenações, e não a pena mais grave em razão da natureza comum ou hedionda do delito, considerando que o disposto no art. 76 do Código Penal é irrelevante nas situações em que a reprimenda privativa aplicada aos delitos for de reclusão. 7. Tratando-se de duas ou mais condenações em que imposta pena de reclusão, independente da natureza do delito, deve ser aplicado o critério cronológico para fins de resgate de reprimenda. 8. As razões apresentadas pelo agravante são insuficientes para desconstituir os fundamentos da decisão agravada, que encontra amparo na jurisprudência consolidada desta Corte. IV. Dispositivo e tese 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. Na execução das penas unificadas, deve ser observada a ordem cronológica das condenações, e não a pena mais grave em razão da natureza comum ou hedionda do delito. 2. O disposto no art. 76 do Código Penal é irrelevante nas situações em que a reprimenda privativa aplicada aos delitos for de reclusão. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 84, XII; CP, arts. 69 e 76; Decreto nº 12.338/2024, arts. 1º e 7º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 972.937/MT, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 20.03.2025; STJ, AgRg no HC 985.793/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18.03.2025; STJ, AgRg no HC 908.616/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19.03.2025. (AgRg no HC n. 1.007.621/MG, relatora Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, julgado em 25/11/2025, DJEN de 1º/12/2025, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. NÃO CONHECIMENTO DO WRIT POR SER SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. PROGRESSÃO DE REGIME. INTERRUPÇÃO POR FALTA GRAVE. ART. 112, § 6º, DA LEP. INCIDÊNCIA DAS FRAÇÕES SOBRE A PENA REMANESCENTE. ALEGAÇÃO DE BIS IN IDEM EXECUTÓRIO. INEXISTÊNCIA. ORDEM DE CUMPRIMENTO DAS CONDENAÇÕES. CRITÉRIO CRONOLÓGICO. INAPLICABILIDADE DO ART. 76 DO CÓDIGO PENAL A PENAS DE MESMA ESPÉCIE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, ressalvada a hipótese de flagrante ilegalidade, o que não se verificou no caso concreto. 2. A decisão agravada assentou que o cálculo executório observou a data-base fixada em 05/07/2022 e aplicou as frações legais sobre a pena remanescente, nos termos do art. 112, § 6º, da Lei de Execução Penal, inexistindo dupla exigência do mesmo requisito temporal. 3. Não se constatou erro material na alocação do tempo de pena cumprido, pois o período efetivamente resgatado e as remições homologadas foram computados até o novo marco, com recomposição do saldo e recálculo das frações a partir da última falta grave. 4. Na execução das penas unificadas, deve ser observado o critério cronológico das condenações, sendo irrelevante, para fins de ordem de execução de penas de mesma espécie (reclusão), a natureza comum ou hedionda do delito. O art. 76 do Código Penal não autoriza a priorização da pena do crime hediondo quando todas as reprimendas são de reclusão. Precedentes. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 1.087.142/MS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/5/2026, DJEN de 12/5/2026, grifei.) Ante o exposto, nos termos do art. 210 do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA