HC 956693 - DECISAO
Indeferi liminarmente o habeas corpus porque a matéria objeto da impetração não foi examinada pelo Tribunal estadual, sendo vedado ao Superior Tribunal de Justiça conhecer diretamente de questão não apreciada pela corte de origem em razão da supressão de instância e do princípio do duplo grau de jurisdição.
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- Parties
- Impetrante: DAVID RODOLFO BOLANHA; Impetrado: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Indeferimento Liminar
- Outcome
- Indefiro liminarmente este habeas corpus.
- Legal Topics
- Retificação De Cálculos De Pena, Progressão De Regime, Supressão De Instância, Princípio Do Duplo Grau De Jurisdição, Competência, Decisão Liminar
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Parties
DAVID RODOLFO BOLANHA
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 pedido de retificação dos cálculos de pena para permitir progressão de regime
- 2 possibilidade de exame, pelo STJ, de matéria não apreciada pelo Tribunal de origem (supressão de instância)
- 3 declinação de competência pelo STF para o STJ
Ratio Decidendi
Indeferi liminarmente o habeas corpus porque a matéria objeto da impetração não foi examinada pelo Tribunal estadual, sendo vedado ao Superior Tribunal de Justiça conhecer diretamente de questão não apreciada pela corte de origem em razão da supressão de instância e do princípio do duplo grau de jurisdição.
Court Disposition
Indefiro liminarmente este habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado de próprio punho por DAVID RODOLFO BOLANHA, contra ato supostamente praticado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Requer, em suma, a retificação dos cálculos de pena, pois a forma atual o está impedindo de progredir de regime. Consta às e-STJ, fls. 13-15 decisão prolatada pelo STF declinando a competência a esta Corte Superior. Às e-STJ, fls. 25-26, proferi decisão solicitando informações, ante a ausência de documentos nos autos que pudessem viabilizar o exame do mandamus, bem como a abertura de vista ao MPF, para parecer. Informações prestadas, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ. É o relatório. Decido. Ao que tudo indica das peças anexadas pelas instâncias de origem, a matéria contida nesta impetração não foi examinada pelo Tribunal Estadual. Desse modo, a análise deste habeas corpus é obstada por afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição e incabível supressão de instância. Nesse sentido, esta Corte Superior já decidiu que, "em face do obstáculo da supressão de instância, não é possível o exame, por esta Corte, de discussão não apreciada no Tribunal de origem" (HC n. 376.650/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 14/2/2017, DJe de 22/2/2017). A respeito, confiram-se: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. TRAFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. "OPERAÇÃO WALTER WHITE". FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELA CORTE ESTADUAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EXCESSO DE PRAZO PARA A FORMAÇÃO DA CULPA. TRÂMITE REGULAR. COMPLEXIDADE. AÇÃO PENAL NA FASE DE ALEGAÇÕES FINAIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 52 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A prolação de decisão unipessoal pelo Ministro Relator não representa violação do princípio da colegialidade, pois está autorizada pelo art. 34, inciso XX, do Regimento Interno desta Corte em entendimento consolidado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça por meio do enunciado n. 568 de sua Súmula. 2. A tese de ausência de fundamentação idônea para a manutenção da prisão preventiva dos agravantes não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, tendo em vista que se tratava de mera reiteração de pedido formulado em habeas corpus anteriormente impetrado, ao qual a Corte estadual denegou a ordem. Por esse motivo, a referida alegação não pode ser apreciada no presente recurso pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de configurar indevida supressão de instância. 3. Como é cediço, "Matéria não enfrentada na Corte de origem não pode ser analisada diretamente neste Tribunal Superior, sob pena de supressão de instância" (HC n. 378.585/SP, Relator Ministro NEFI CORDEIRO, Sexta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 20/4/2017). .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento." (AgRg no RHC n. 184.921/RR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22/8/2023, DJe de 28/8/2023). "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA. MATÉRIA NÃO ANALISADA PERANTE A CORTE A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. DESCRIÇÃO SUFICIENTE. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA. NÃO RECONHECIMENTO. CONTEÚDO PROBATÓRIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O pleito de desclassificação da imputação para o tipo previsto no art. 147 do Código Penal não foi objeto de cognição pela Corte estadual porque não foi analisado pelo magistrado de 1º grau. Tal situação obsta o exame da matéria diretamente por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. .. 7. Agravo desprovido." (AgRg no HC n. 701.916/SP, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 8/3/2022, DJe de 14/3/2022). Ante o exposto, indefiro liminarmente este habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA