AREsp 2718448 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentou-se na aplicação da teoria do fato consumado (liminar deferida em 26/01/2022, anterior a 30/06/2022), circunstância que afasta a possibilidade de modificação sem reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, e porque...
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- Parties
- Impetrante/agravado: Agravado; Impetrada/autoridade: FUNDAÇÃO UNIRG; Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2024
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Recurso Especial (não Conhecido); Agravo Conhecido
- Legal Topics
- Revalidação De Diploma Estrangeiro, Teoria Do Fato Consumado, Liminar, Honorários Advocatícios, Incidente De Assunção De Competência
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Parties
Agravado
Impetrante/agravado
FUNDAÇÃO UNIRG
Impetrada/autoridade
MINISTÉRIO PÚBLICO
Recorrente
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Recurso Especial (não Conhecido); Agravo Conhecido
Legal Issues
- 1 revalidação de diploma de curso superior concluído no exterior
- 2 aplicação da teoria do fato consumado em razão de liminar concedida antes de 30/06/2022
- 3 vedação ao reexame fático-probatório por força da Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentou-se na aplicação da teoria do fato consumado (liminar deferida em 26/01/2022, anterior a 30/06/2022), circunstância que afasta a possibilidade de modificação sem reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, e porque não houve prequestionamento das matérias de violação legal suscitadas, impedindo o conhecimento do recurso especial.
Full Case Text
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DECISÃO Na origem, trata-se de mandado de segurança impetrado pelo ora Agravado contra ato de autoridade da FUNDAÇÃO UNIRG, requerendo a revalidação de seu diploma estrangeiro de medicina, da forma simplificada. Na sentença, julgou-se procedente o pedido, diante do fato consumado. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.500,00 (Mil e quinhentos reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO INTERNO NA REMESSA NECESSÁRIA. MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. REVALIDAÇÃO DE DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO EM UNIVERSIDADE ESTRANGEIRA. REVALIDA. FUNDAÇÃO UNIRG. LIMINAR DETERMINANDO QUE A UNIRG RECEBA E INSTAURE O PROCEDIMENTO PARA REVALIDAÇÃO DE DIPLOMA DE GRADUAÇÃO, NOS TERMOS DAS PORTARIAS E RESOLUÇÕES PERTINENTES. DECISÃO PROFERIDA ANTES DO DIA 30.06.2022. APLICAÇÃO DA TEORIA DO FATO CONSUMADO. TESE FIXADA EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA 05 DO TJTO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. No caso em apreço, conforme consta nos autos originários, a liminar foi deferida no dia 26 de janeiro de 2022, para determinar a impetrada que receba e instaure o procedimento para "Revalidação de Diplomas de Graduação Obtido no Exterior", ou seja, muito antes do dia 30/06/2022 que é a data limite fixada por este Tribunal de Justiça no Incidente de Assunção de Competência, que tratou do tema acima mencionado, para fins de se admitir a confirmação da segurança concedida aos impetrantes. .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 493 do CPC/2015, e no artigo 53, inciso V, da Lei 9.394/96, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA