REsp 2125686 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente não demonstrou claramente a violação de dispositivos de lei federal exigida para a admissibilidade do recurso, e o acórdão recorrido assentou em fundamento constitucional suficiente, sem interposição de recurso extraordinário, aplicando-se a Súmula 126/STJ;...
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- Parties
- Recorrente: BRUNA DE KACIA MAIA SOUSA; Corte De Origem: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecido
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Revalidação De Diploma Médico, Opção Pelo REVALIDA (lei 13.959/2019), Autonomia Didático Científica Das Universidades, Admissibilidade De Recurso Especial, Competência Do Supremo Tribunal Federal, Súmula 126/stj, Resolução CNE
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Parties
BRUNA DE KACIA MAIA SOUSA
Recorrente
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
Corte De Origem
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecido
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial por falta de indicação clara de violação de lei federal
- 2 se atos administrativos normativos (resoluções) se enquadram como 'lei federal' para fins do art. 105, III, a, da CF
- 3 autonomia universitária para optar pelo REVALIDA e dispensar revalidação simplificada
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente não demonstrou claramente a violação de dispositivos de lei federal exigida para a admissibilidade do recurso, e o acórdão recorrido assentou em fundamento constitucional suficiente, sem interposição de recurso extraordinário, aplicando-se a Súmula 126/STJ; ademais, não se pode tratar resoluções do CNE como 'lei federal' para fins do art. 105, III, a, da CF.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Sem condenação em honorários advocatícios recursais
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto por BRUNA DE KACIA MAIA SOUSA contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. DIPLOMA ESTRANGEIRO DE MEDICINA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ. OPÇÃO PELO REVALIDA (LEI 13.959-2019) EM DETRIMENTO DA TRAMITAÇÃO SIMPLIFICADA. DISCRICIONARIDADE DA UNIVERSIDADE DECORRENTE DE SUA AUTONOMIA DIDÁTICO-CIENTÍFICA. ARTS. 53, V, DA LEI 9.394-96 E 207 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ILEGALIDADE NÃO DEMONSTRADA. Os embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões recursais, a recorrente sustenta, em síntese, violação aos arts. 489, § 1º, e 1.022, I e II, e parágrafo único, do CPC/2015, alegando negativa de prestação jurisdicional, bem como afronta ao art. 53, V, da Lei 9.394/1996, Argumenta que, "dentro de sua autonomia, são asseguradas às universidades, elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes". Aduz que "um ato administrativo será ilegal todas as vezes em que contrariar as normas gerais da Resolução 01/2022 do CNE" (fl. 478). Afirma que o art. 6º, §§ 1º e 2º, do Decreto-Lei n. 4.657/1942, os arts. 1º e 48, § 2º da Lei 12.016/2009, e os arts. 1º, 11, §§ 4º e 5º e 12 da Resolução 1, de 25 de julho de 2022 do Conselho Nacional de Educação - CNE foram maculados. Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, quanto à violação aos arts. 1º, 11, §§ 4º e 5º, e 12 da Resolução 1, de 25 de julho de 2022, do Conselho Nacional de Educação - CNE, o conceito de tratado ou lei federal, previsto no art. 105, III, a, da Constituição Federal, deve ser considerado em seu sentido estrito, não compreendendo atos administrativos normativos, como resoluções e instruções normativas, o que impede o exame da questão nessa via estreita. No mais, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial, tanto pela alínea a quanto pela alínea c do permissivo constitucional, exige a clareza na indicação dos dispositivos de lei federal supostamente violados, assim como a demonstração efetiva da alegada contrariedade, sob pena de incidência da Súmula 284 do STF. Nas razões do recurso especial, de fato, a parte recorrente deixou de indicar precisamente como os dispositivos de lei federal - art. 6º, §§ 1º e 2º, do Decreto-Lei 4.657/1942 e arts. 1º e 48, § 2º, da Lei 12.016/2009 - teriam sido violados, caracterizando, assim, deficiência na fundamentação recursal, o que impede a análise da controvérsia. Nesse sentido: "O recurso excepcional possui natureza vinculada, exigindo, para o seu cabimento, a imprescindível demonstração do recorrente, de forma clara e precisa, dos dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida juntamente com argumentos suficientes à exata compreensão da controvérsia estabelecida, sob pena de inadmissão" (AgInt no AREsp n. 2.372.506/PB, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 26/10/2023). Com efeito, a Corte de origem dirimiu a controvérsia a respeito , utilizando-se de fundamentos constitucionais e infraconstitucionais, suficientes e autônomos à preservação do acórdão recorrido. Entretanto, a parte recorrente não cuidou de interpor o devido recurso extraordinário, o que enseja a aplicação da Súmula 126 deste STJ, segundo a qual "é inadmissível Recurso Especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta Recurso Extraordinário". A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. ARTS. 489 E 1022 NÃO VIOLADOS. ANÁLISE DE PROVAS. SÚMULA 7 E 83/STJ. INCIDÊNCIA. SÚMULA 126/STJ APLICAÇÃO. .. 3. Não houve interposição do devido Recurso ao Supremo Tribunal Federal. Quanto ao argumento de que o princípio da unicidade sindical impede a agravante de ser representada por ambos os sindicatos (fundamento constitucional - CF, art. 8, II), incide a Súmula 126/STJ: "é imprescindível a interposição de recurso extraordinário quando o acórdão recorrido possui, além de fundamento infraconstitucional, fundamento de natureza constitucional suficiente por si só para a manutenção do julgado"). 4. Agravo Interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.367.621/MA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 19/4/2024). No mais, observa-se que, embora a recorrente aponte a existência de violação a normas infraconstitucionais, o acórdão recorrido apreciou a questão sob o enfoque predominantemente constitucional, requerendo análise de dispositivos constitucionais e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Confira-se os seguintes excertos do aresto de origem (fl. 458): Com a edição da Lei n.º 13.959/2019, ficou instituído o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por instituição de ensino superior estrangeira, conhecido como REVALIDA, ao qual a UFRJ, com base em sua autonomia didático-científica (art. 207 da CF e art. 53 da Lei 9.394/96), expressamente aderiu, de modo que a esta universidade não se aplica mais o processo de revalidação simplificada quanto aos diplomas de faculdades estrangeiras de medicina. Mas, antes mesmo da edição da referida lei, a própria Resolução nº 03/2016 do CNE/CES, já previa a possibilidade de substituição ou complementação do procedimento simplificado pela aplicação de provas ou exames (art. 8º). Desta forma, portanto, não compete o exame da pretensão recursal na via do apelo especial por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de usurpação dos poderes conferidos à Suprema Corte. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior: PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. JUROS DE MORA ENTRE A DATA DA EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO E A DATA DO DEPÓSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Em relação à incidência de juros de mora entre a expedição do precatório e o seu efetivo pagamento, verifica-se que o fundamento adotado pelo Corte a quo é eminentemente constitucional, com amparo na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no art. 100 da Carta Magna e na Súmula Vinculante 17. 2. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça examinar a questão, porquanto reverter o julgado significaria usurpar competência que, por expressa determinação do art. 102, III, da Constituição Federal, pertence ao Supremo Tribunal Federal. 3. Recurso Especial não conhecido (REsp n. 1.814.286/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/6/2019, DJe de 1/7/2019). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PRECATÓRIOS. EC 30/2000. COISA JULGADA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. 1. Inexiste contrariedade ao art. 535 do CPC/1973 quando a Corte de origem decide clara e fundamentadamente todas as questões postas a seu exame. Ademais, não se deve confundir decisão contrária aos interesses da parte com ausência de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido entendeu pela inexistência de violação da coisa julgada a partir da interpretação de dispositivos constitucionais (ADCT, art. 78, e EC 30/2000). 3. A análise da fundamentação constitucional do acórdão recorrido é de competência da Suprema Corte, por reserva expressa da Constituição Federal. Precedentes. 4. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (AREsp 729.156/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/02/2018, DJe 16/02/2018). Isso posto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Sem condenação em honorários advocatícios recursais em razão da ausência de fixação de honorários advocatícios sucumbenciais pela Corte de origem. Intimem-se. EMENTA