REsp 1948671 - DECISAO
O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte no sentido de que o Conselho Deliberativo da entidade de previdência complementar pode deliberar sobre a utilização do superávit e a reversão da reserva especial, não havendo ilegalidade demonstrada na deliberação que custeou o BET com o Fundo...
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- Parties
- Recorrente: HAROLDO GUIMARAES ZICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Recurso Negado Provimento
- Outcome
- recurso especial negado provimento
- Legal Topics
- Reversão Da Reserva Especial, Benefício Especial Temporário (bet), Superávits Sucessivos, Revisão Do Plano De Benefícios, Litisconsórcio Necessário, Prescrição
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Parties
HAROLDO GUIMARAES ZICA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Recurso Negado Provimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de reversão da reserva especial em favor do patrocinador
- 2 prescrição quinquenal para pretensão de pagamento de benefício previdenciário
- 3 hipótese de litisconsórcio necessário nos termos do art.114 do CPC
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte no sentido de que o Conselho Deliberativo da entidade de previdência complementar pode deliberar sobre a utilização do superávit e a reversão da reserva especial, não havendo ilegalidade demonstrada na deliberação que custeou o BET com o Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes; inexistindo divergência jurisprudencial relevante e incidindo o óbice da Súmula 83/STJ, nega-se provimento ao recurso especial.
Court Disposition
recurso especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios devidos aos recorridos em 10% sobre o valor da sucumbência fixada na origem, com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por HAROLDO GUIMARAES ZICA com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado: "DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. AÇÃO QUE TEM POR OBJETO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. UNIÃO. PRESSUPOSTOS LEGAIS NÃO CONFIGURADOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. SUPERÁVITS SUCESSIVOS. REVISÃO DO PLANO DE BENEFÍCIOS. FORMAÇÃO DE RESERVA ESPECIAL. REVERSÃO DE PARCELA AO PATROCINADOR. POSSIBILIDADE. PARIDADE NO CUSTEIO E NOS RESULTADOS. SENTENÇA MANTIDA. I. Só há litisconsórcio necessário, ante o disposto no artigo 114 do Código de Processo Civil, quando a lei impõe a sua formação ou quando a relação jurídica, por ser incindível, determinar solução única e uniforme em relação a todos os seus figurantes. II. Pretensão ao pagamento de benefício previdenciário prescreve em 5 (cinco) anos, na forma do artigo 75 da Lei Complementar 109/2001. III. De acordo com o artigo 20 da Lei Complementar 109/2001, a revisão do plano de benefícios é imperativa depois de três exercícios consecutivos sem o uso da reserva especial constituída para essa finalidade. IV. Dentro do contexto da revisão do plano de benefícios, a redução das contribuições ou a instituição de outro benefício a participantes e assistidos é uma das possibilidades deixadas à franquia regulatória e deliberatória dos órgãos competentes e das próprias entidades de previdência complementar. V. A reversão da reserva especial a participantes, assistidos e patrocinador, na forma da Resolução CGPC/MPS 26/2008, está em conformidade com a matriz isonômica prevista no artigo 6º, §§ 1º e 3º, da Lei Complementar 108/2001, e no artigo 202, § 3º, da Constituição Federal. VI. Atendida a proporcionalidade entre os integrantes da cadeia contributiva do plano de benefícios, não há qualquer ilegalidade na instituição Benefício Especial Temporário (BET) em proveito de participantes com aportes exclusivos do Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes. VII. Recurso conhecido e desprovido." (fls. 599-600) Os embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, o recorrente aponta violação aos arts. 19, 20 e 21 da Lei Complementar 109/2001, sustentando, em síntese, inviabilidade de reversão de valores, decorrente de superávit, ao patrocinador. Apresentada contrarrazões às fls. 698-717 e 805-873. É o relatório. Decido. O eg. Tribunal de Justiça reconheceu a regularidade no pagamento do Benefício Especial Temporário e a inexistência de direito à diferença do referido benefício conforme pleiteado pelo ora recorrente, nos seguintes termos: "A realidade fática e jurídica dos autos denota que a destinação da reserva especial foi aprovada em conformidade com os ditames legais, regulamentares e estatutários, não havendo qualquer indicativo de ilegalidade no procedimento de deliberação ou na forma de reversão dos valores acumulados, ou seja, de que o primeiro Apelado tenha se beneficiado irregularmente em detrimento de participantes e assistidos, restando devidamente observado o disposto no artigo 83, caput, do Regulamento do Plano de Benefícios 01: Art. 83. Os valores oriundos da Reserva Especial passíveis de destinação aos participantes e assistidos e aos patrocinadores serão apropriados no Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes, de um lado, e no Fundo de Destinação da Reserva Especial de Patrocinador, de outro, na proporção contributiva prevista no plano de custeio deste Plano de Benefícios, conforme a legislação aplicável. Atendida essa proporcionalidade, o Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes foi utilizado justamente para o custeio do Benefício Especial Temporário (BET) instituído em proveito dos participantes, nos moldes do artigo 89 do Regulamento, que assim dispõe: Art. 89. O Benefício Especial Temporário será custeado mensalmente pelo Fundo de Destinação da Reserva Especial de Participantes, referido no artigo 83. Conclui-se, assim, pela inexistência do direito subjetivo invocado pelo Apelante, que passa pela utilização, em benefício dos participantes, do Fundo de Destinação da Reserva Especial de Patrocinador, cuja destinação, não é demasiado assinalar, aproveita ao próprio plano de benefícios. " (fls. 609-610) Nessas condições, verifica-se que o v. acórdão estadual está em consonância com o entendimento desta Corte Superior, no sentido de que o Conselho Deliberativo da entidade de previdência privada pode deliberar acerca do superávit, que pode ser feito das mais diversas formas, sendo possível a reversão da reserva especial em favor do patrocinador. A propósito: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ACÓRDÃOS EMBARGADOS E PARADIGMA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. DISSÍDIO. NÃO COMPROVAÇÃO. PLANO PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. SUPERÁVITS SUCESSIVOS. RESERVA ESPECIAL. REVERSÃO. PARTICIPANTES E PATROCINADOR. POSSIBILIDADE. APROVAÇÃO. ÓRGÃO FISCALIZADOR. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. SÚMULA Nº 168/STJ. 1. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados impõe a inadmissão dos embargos de divergência. Nos termos dos arts. 1.043, § 4º, do CPC/2015 e 266, § 4º, do RISTJ, o cabimento dos embargos de divergência restringe-se às hipóteses em que restar configurada a diversidade de tratamento jurídico aplicado por esta Corte Superior a situações fáticas semelhantes. 2. Na revisão de plano previdenciário superavitário, é possível a reversão da reserva especial tanto aos participantes e assistidos quanto ao patrocinador, sendo inviável a pretensão de revisão unilateral do plano de benefícios pelo próprio participante, visto que é condicionada à apreciação e aprovação do órgão fiscalizador (PREVIC). 3. É possível, com base na Súmula nº 168/STJ, inadmitir embargos de divergência quando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estiver no mesmo sentido do acórdão combatido. 4. Agravo interno não provido." (AgInt nos EREsp 1.877.995/DF, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 25/10/2022, DJe de 10/11/2022, g.n.) "PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUPERÁVIT. FORMA DE UTILIZAÇÃO. PRETENSÃO DE RECEBIMENTO DA VERBA DE MODO ALHEIO À PARTICIPAÇÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO E DO ÓRGÃO PÚBLICO FISCALIZADOR. MANIFESTA IMPOSSIBILIDADE. REVERSÃO AO PATROCINADOR. RESOLUÇÃO MPS/CGCP Nº 26/08. VALIDADE. PRECEDENTES. 1. As razões do agravo interno não enfrentam adequadamente o fundamento da decisão agravada. 2. "A Segunda Seção, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo, REsp 1.564.070/MG, pontuou que o superávit pode ser utilizado das mais diversas formas que acaso delibere o Conselho Deliberativo da entidade previdenciária. Dessarte, evidentemente, não cabe ao assistido definir unilateralmente como será feita a revisão do plano de benefícios - ademais, suprimindo a atribuição da Previc, que deverá previamente anuir com a eventual alteração que implique na reversão de verba aos participantes, assistidos e ao patrocinador, consoante disciplinado no art. 26 da Resolução n. 30 do Conselho Nacional de Previdência Complementar, de 10 de outubro de 2018" (AgInt na TutPrv no REsp 1.742.683/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 12/3/2019, DJe de 19/3/2019). 3. Nos termos dos artigos 26 e 27 da Resolução nº 30 do Conselho Nacional de Previdência Complementar, de 10 de outubro de 2018, bem como da Lei Complementar 109/2001, não há vedação para que a Resolução MPS/CGPC 26/2008 preveja a reversão da reserva especial aos participantes, assistidos e ao patrocinador, sendo incabível a pretensão de revisão unilateral do plano de benefícios pelo participante, que é condicionada à apreciação e aprovação do órgão fiscalizador, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.874.908/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 1/3/2021, DJe de 4/3/2021, g.n.) Assim, estando o acórdão recorrido em harmonia com a orientação firmada nesta Corte Superior, incide, na espécie, o óbice previsto na súmula 83/STJ. Diante do exposto, nos termos do art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro os honorários advocatícios devidos aos recorridos em 10% sobre o valor da sucumbência fixada na origem. Publique-se. EMENTA