AREsp 2591177 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou a limitação dos juros remuneratórios à taxa média de mercado com base no conjunto probatório e no contrato, de modo que eventual reforma demandaria o reexame do contexto fático-probatório e das cláusulas contratuais,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade/decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; Recurso especial não conhecido; Honorários majorados para 18% sobre o valor atualizado da causa.
- Legal Topics
- Revisão Contratual, Juros Remuneratórios, Abusividade, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade/decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se os juros remuneratórios pactuados são abusivos e podem ser limitados à taxa média de mercado
- 2 Se o reexame de provas e cláusulas contratuais é vedado nesta instância por força das Súmulas 5 e 7 do STJ
- 3 Se é possível conhecer de divergência jurisprudencial fundada em fatos (alínea c do art. 105)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou a limitação dos juros remuneratórios à taxa média de mercado com base no conjunto probatório e no contrato, de modo que eventual reforma demandaria o reexame do contexto fático-probatório e das cláusulas contratuais, providência vedada por aplicação das Súmulas n. 5 e 7 do STJ; a alegada divergência jurisprudencial é prejudicada quando está apoiada em fatos, não havendo identidade fática com os paradigmas indicados.
Court Disposition
Agravo conhecido; Recurso especial não conhecido; Honorários majorados para 18% sobre o valor atualizado da causa.
Orders
- Conhecer do agravo interposto por AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
- Não conhecer do recurso especial interposto
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVE STIMENTO S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 163): APELAÇÃO CÍVEL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. 1. A revogação do benefício da gratuidade de justiça depende da efetiva demonstração da capacidade financeira da parte para efetuar o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios incidentes no feito. 2. Os negócios jurídicos bancários estão sujeitos às normas inscritas no CDC (Súmula n. 297 do STJ), com consequente relativização do ato jurídico perfeito e do princípio pacta sunt servanda. 3. Os juros remuneratórios são abusivos quando pactuados em índice consideravelmente superior à média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil para operações similares na datada contratação (STJ, REsp nº. 1.061.530/RS, Temas 24 a 27). 4. Em face do decaimento substancial recíproco dos litigantes, vai mantida a distribuição dos ônus sucumbenciais fixada na sentença. 5. Majorada a verba honorária devida ao procurador do consumidor (CPC, art. 85, § 11). APELAÇÃO DESPROVIDA. Rejeitados os embargos de declaração (fls. 269-271). No recurso especial, sustenta a recorrente ofensa aos arts. 51 IV, da Lei n. 8.078/1990 , do Código de Defesa do Consumidor, ao se insurgir contra o entendimento do Tribunal de origem que limitou os juros remuneratórios à taxa média de mercado à época da contratação, porquanto configurado desiquilíbrio contratual e abusividade . Alega a ausência de abusividade na taxa pactuada, ou desvantagem exagerada que permita a excepcional revisão dos juros remuneratórios. Aduz que a taxa de juros remuneratórios pode ser livremente estabelecida pelas partes contratantes, e que não houve nos autos qualquer comprovação de ilegalidade praticada pela instituição bancária. Suscitou, outrossim, dissídio jurisprudencial. Sem contrarrazões ao recurso especial . Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 299-702), o que ensejou a interposição do presente agravo. Sem contraminuta ao agravo . É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Não merece prosperar o recurso. De início, consigne-se inviável a apreciação das alegações da recorrente, considerando que a Corte de origem, ao entender por limitar os juros remuneratórios à taxa média de mercado à época da contratação, firmou o entendimento com base no conjunto probatório dos autos e no contrato firmado entre as partes. Confira-se o seguinte excerto do acórdão recorrido (fls. 160-161): Os negócios jurídicos bancários encontram-se sujeitos às disposições do CDC, consoante orientação jurisprudencial consolidada e descrita na Súmula n. 297 do STJ. De outra parte, não há óbice à revisão das cláusulas inscritas em contratos bancários, em caso de abusividade, com consequente relativização do ato jurídico perfeito e do princípio pacta sunt servanda. Quanto aos juros remuneratórios, o Superior Tribunal de Justiça, ao examinar o Recurso Especial nº. 1.061.530/RS, submetido ao regime dos recursos repetitivos (Temas 24 a 27 do STJ), fixou sua orientação jurisprudencial nos seguintes termos: (..) Destaco que esta 14ª Câmara Cível revisou o posicionamento até então adotado, a fim de admitir maior flexibilidade para os juros remuneratórios, quando comparados com a média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil para operações similares na data da contratação, admitindo a sua regularidade quando pactuados em índice equivalente a uma vez e meia aquele referencial, tendo em vista que a própria Corte Superior (ainda no julgamento do REsp nº.1.061.530/RS), não impõe um parâmetro fixo: (..) No caso sob comento, os juros remuneratórios foram pactuados em 46,68% ao ano, conforme o contrato juntado na instância de origem (Evento13, CONTR2), índice consideravelmente superior à média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil para operações similares na data da contratação (26,46% ao ano em fevereiro de 2022), impondo-se sua limitação a este montante. Assim, rever tal entendimento, a eventualmente ensejar novo juízo acerca dos fatos e provas, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos e de cláusulas contratuais. Sendo assim, incide no caso as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. A propósito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N.os 7 E 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal estadual, apreciando o conjunto probatório dos autos, concluiu que a taxa de juros cobrada é abusiva, considerando a significativa discrepância entre o índice estipulado e a taxa média de mercado. Alterar esse entendimento ensejaria reavaliação do instrumento contratual e revolvimento das provas dos autos, circunstâncias vedadas pelas Súmulas n.os 5 e 7 do STJ. 2. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.529.789/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) Outrossim, quanto à alegada divergência jurisprudencial, não é possível o conhecimento do nobre apelo interposto pela alínea "c", na hipótese em que ele está apoiado em fatos, e não na interpretação da lei, assim a necessidade de reexame de matéria fática torna prejudicado o exame da divergência jurisprudencial, considerando a inevitável ausência de similitude fática entre acórdãos. A propósito, confira-se: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALEGADA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA. TESE REJEITADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. MULTA DO ART. 1.021. INVIABILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Considerando que nem todos os fundamentos do acórdão recorrido foram objeto de impugnação específica nas razões do recurso especial, é imperiosa a incidência do óbice da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal à hipótese. 2. Não apontado o dispositivo legal tido por violado, incide o enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 3. A alteração da orientação firmada no aresto impugnado só seria possível mediante o revolvimento do acervo fático-probatório do respectivo processo, providência vedada nesta instância extraordinária em decorrência do disposto na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 4. Consoante iterativa jurisprudência desta Corte, a incidência da Súmula n. 7/STJ impede o conhecimento do recurso lastreado, também, pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática de cada caso. 5. Não incide a multa descrita no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 quando não comprovada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do pedido. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.335.203/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da causa. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. N EGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE VERIFICADA. LIMITAÇÃO À TAXA DE MERCADO. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVAS E DE CLÁUSULA CONTRATUAIS. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.