AREsp 2596547 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para cassar o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de origem que julgou improcedente o pedido revisional, por entender que a alteração do índice contratual (substituição do IGP-M) não pode ser decretada apenas em razão da pandemia sem demonstração...
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- Parties
- Agravante: CCG EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para cassar o acórdão recorrido, restabelecendo a sentença de origem que julgou improcedente o pleito revisional.
- Legal Topics
- Revisão Contratual, Teoria Da Imprevisão, Teoria Da Onerosidade Excessiva, Correção Monetária (igp M Vs Ipca), Súmula 7/stj
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Parties
CCG EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de substituição do indexador contratual (IGP-M) por decisão judicial em razão da pandemia
- 2 interpretação e aplicação do art. 317 do Código Civil (teoria da imprevisão)
- 3 alcance da revisão contratual em face da pandemia da COVID-19
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para cassar o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de origem que julgou improcedente o pedido revisional, por entender que a alteração do índice contratual (substituição do IGP-M) não pode ser decretada apenas em razão da pandemia sem demonstração concreta de onerosidade excessiva e desequilíbrio contratual para ambas as partes, sendo a pandemia, por si só, insuficiente para justificar a revisão do índice pactuado quando a causa de pedir está restrita a esse fundamento.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para cassar o acórdão recorrido, restabelecendo a sentença de origem que julgou improcedente o pleito revisional.
Orders
- Cassação do acórdão recorrido.
- Restabelecimento da sentença de origem que julgou improcedente o pedido revisional, inclusive quanto aos honorários sucumbenciais arbitrados.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CCG EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA contra decisão que não admitiu recurso especial apresentado em face de acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 237): RECURSO - Conhecimento - Presença dos pressupostos do art. 1.010, II a IV, do CPC. CERCEAMENTO DE DEFESA - Situação não ocorrente - Desnecessidade da produção doutras provas. REVISIONAL - INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA DE LOTE - Juros remuneratórios - Abuso não verificado - Legalidade na utilização da Tabela Price para a amortização da dívida - Saldo devedor - Índice de atualização monetária IGPM - Possibilidade de substituição pelo IPCA - Primeiro índice que se elevou excessivamente em comparação com os demais, notadamente durante o período da pandemia Covid-19 - Aplicação da teoria da imprevisão contratual Recurso parcialmente provido. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 256/260). Nas razões do especial, aponta a recorrente violação do artigo 317 do Código Civil; argumentando, em síntese, que a pactuação de índice de correção monetária com base no IGPM expressa o princípio da liberdade contratual, sendo vedada a substituição por decisão judicial. De toda forma, defende que o índice de correção substituído só incide após o ajuizamento da ação judicial, não sendo aplicável às parcelas anteriores do valor devido pelo promitente adquirente. Contra-arrazoado (fls. 291/305), o recurso especial não foi admitido na origem (fls. 306/308), contra o que se manifesta a parte agravante na presente via. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. No caso, extraio do acórdão recorrido que a alteração do índice de correção monetária decorre de fato imprevisível ocorrido na fase de execução contratual, referente à pandemia da COVID-19, aplicando-se a teoria da imprevisão. A propósito (fls. 240/241): Em relação ao índice de reajuste (previsão para aplicação do IGPM fl. 36, cláusula segunda, parágrafo primeiro), em princípio poder-se-ia argumentar não se apresentar ilegal, porquanto o indexador foi validamente pactuado, sendo amplamente utilizado em contratos de natureza similar àquele aqui em análise. Porém, nas especiais circunstâncias, é o caso de permitir a substituição do IGPM por outro indexador monetário, com fundamento na teoria da imprevisão porque, aqui, está comprovada onerosidade excessiva e desequilíbrio contratual, em prejuízo de uma das partes, por conta de ocorrência superveniente à celebração da avença em 2012. É fato incontroverso que o IGP-M teve alta significativa, com acumulado de 23,13% no ano de 2020, em comparação com o IPCA, que teve acúmulo do 4,52% no mesmo período. Portanto, a crise sanitária, como de sabença comum, resultou no aumento exagerado do custo de vida, o que provocou elevação considerável no IGPM, tido como principal indexador de muitos contratos. Em tais condições, a jurisprudência tem admitido modificação de tal índice, principalmente em face do período de pandemia. (grifo acrescido) Feita essa breve contextualização, ressalto que este Tribunal tem reconhecido que, a despeito da gravidade da pandemia decorrente da Covid-19, a revisão de contratos pelo Poder Judiciário não constitui decorrência lógica ou automática desse evento, devendo ser analisada a partir da natureza do contrato e da conduta das partes, a partir do exame de cada caso específico. A propósito: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. ART. 489 DO CPC. NÃO CONFIGURADA. DIREITO CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE ALUGUÉIS E OUTROS ENCARGOS. EQUILÍBRIO ECONÔMICO CONTRATUAL. ARTS. 317, 397 E 478, TODOS DO CÓDIGO CIVIL. GRAVE CRISE EM DECORRÊNCIA DA PANDEMIA DA COVID. MOTIVO INSUFICIENTE. CONCESSÃO ANTERIOR DE ISENÇÕES E PARCELAMENTOS. INEXISTÊNCIA DE DESEQUILÍBRIO CONTRATUAL, CONFORME TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Em síntese, na origem, trata-se de ação declaratória com pedido de consignação de valores, visando à redução temporária dos aluguéis e encargos de locação, em razão da pandemia da Covid-19. 2. Não incorre em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, apenas não acatando a tese defendida pela recorrente. 3. As vertentes revisionistas no âmbito das relações privadas, embora encontrem fundamento em bases normativas diversas, a exemplo da teoria da onerosidade excessiva (art. 478 do CC) ou da quebra da base objetiva (art. 6º, inciso V, do CDC), apresentam como requisito necessário a ocorrência de fato superveniente capaz de alterar - de maneira concreta e imoderada - o equilíbrio econômico e financeiro da avença, situação não evidenciada no caso concreto. Precedentes. 4. Por mais grave que seja a pandemia decorrente da Covid-19, com inequívoca interferência na vida patrimonial de grande parte dos brasileiros, esse fato, por si só, não importa na alteração da balança do contrato, ainda mais se a parte contratada se comprometeu a reequilibrar o contrato, como aconteceu no caso em questão. 5. Nesse contexto, a revisão dos contratos em razão da pandemia não constitui decorrência lógica ou automática, devendo ser analisadas a natureza do contrato e a conduta das partes - tanto no âmbito material como na esfera processual. 6. Na hipótese, o Tribunal recorrido demonstrou que não existiu o desequilíbrio contratual alegado até mesmo em decorrência do êxito da parte em mitigar os efeitos da pandemia, ao reduzir e até mesmo isentar o valor do aluguel em determinados meses. 7. Não se mostra razoável em sede de recurso especial ocorrer a intervenção do Poder Judiciário para revisar o contrato firmado entre as partes, sob a justificativa de "motivos imprevisíveis" e "eventual onerosidade excessiva", se nem ao menos houve essa comprovação pela agravante em instâncias inferiores. 8. Modificar tal conclusão, portanto, demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que seria inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 9. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.167.162/SP, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 25/5/2023 - grifou-se.) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE ALUGUEL ENTRE SHOPPING CENTER E LOJISTA. SUPERVENIÊNCIA DA PANDEMIA DECORRENTE DA COVID-19. CONTRATOS PARITÁRIOS. REGRA GERAL. PRINCÍPIO DO PACTA SUNT SERVANDA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO. HIPÓTESES EXCEPCIONAIS. PREVISÃO DO ART. 317 DO CÓDIGO CIVIL. TEORIA DA IMPREVISÃO. ART. 478 DO CÓDIGO CIVIL. TEORIA DA ONEROSIDADE EXCESSIVA. RESOLUÇÃO. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA DO DISPOSITIVO QUE AUTORIZA TAMBÉM A REVISÃO. PANDEMIA DA COVID-19 QUE CONFIGURA, EM TESE, EVENTO IMPREVISÍVEL E EXTRAORDINÁRIO APTO A POSSIBILITAR A REVISÃO DO CONTRATO DE ALUGUEL, DESDE QUE PREENCHIDOS OS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. 1. Ação revisional de contrato de aluguel entre shopping center e lojista, ajuizada em 20/4/2020, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 30/8/2022 e concluso ao gabinete em 20/10/2022. 2. O propósito recursal consiste em decidir se é cabível a revisão de contrato de aluguel firmado entre shopping center e lojista, com fundamento nas teorias da imprevisão (art. 317 do CC) e onerosidade excessiva (art. 478 do CC), em razão da superveniência da pandemia do coronavírus. 3. Nos contratos empresariais deve ser conferido especial prestígio aos princípios da liberdade contratual e do pacta sunt servanda, diretrizes positivadas no art. 421, caput, e 421-A do Código Civil, incluídas pela Lei nº 13.874/2019. 4. Nada obstante, o próprio diploma legal consolidou hipóteses de revisão e resolução dos contratos (317, 478, 479 e 480 do CC). Com amparo doutrinário, verifica-se que o art. 317 configura cláusula geral de revisão da prestação contratual e que a interpretação sistêmica e teleológica dos arts. 478, 479 e 480 autorizam também a revisão judicial do pactuado. 5. A Teoria da Imprevisão (art. 317 do CC), de matriz francesa, exige a comprovação dos seguintes requisitos: (I) obrigação a ser adimplida em momento posterior ao de sua origem; (II) superveniência de evento imprevisível; (III) que acarrete desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. A pedido da parte, o juiz poderá corrigir o valor da prestação, de modo a assegurar, quanto possível, o seu valor real. 6. A Teoria da Onerosidade Excessiva (art. 478 do CC), de origem italiana, pressupõe (I) contratos de execução continuada ou diferida; (II) superveniência de acontecimento extraordinário e imprevisível; (III) que acarrete prestação excessivamente onerosa para uma das partes; (IV) extrema vantagem para a outra; e (V) inimputabilidade da excessiva onerosidade da prestação ao lesado. Possibilidade de flexibilização da "extrema vantagem". .. 8. A situação de pandemia não constitui, por si só, justificativa para o inadimplemento da obrigação, mas é circunstância que, por sua imprevisibilidade, extraordinariedade e por seu grave impacto na situação socioeconômica mundial, não pode ser desprezada pelos contratantes, tampouco pelo Poder Judiciário. Desse modo, a revisão de contratos paritários com fulcro nos eventos decorrentes da pandemia não pode ser concebida de maneira abstrata, mas depende, sempre, da análise da relação contratual estabelecida entre as partes, sendo imprescindível que a pandemia tenha interferido de forma substancial e prejudicial na relação negocial. 9. A superveniência de doença disseminada mundialmente, que, na tentativa de sua contenção, ocasionou verdadeiro lockdown econômico e isolamento social, qualifica-se como evento imprevisível, porquanto não foi prevista, conhecida ou examinada pelos contratantes quando da celebração do negócio jurídico, e extraordinário, pois distante da álea e das consequências ínsitas e objetivamente vinculadas ao contrato. 10. Conclui-se que a pandemia ocasionada pela Covid-19 pode ser qualificada como evento imprevisível e extraordinário apto a autorizar a revisão dos aluguéis em contratos estabelecidos pelo shopping center e seus lojistas, desde que verificados os demais requisitos legais estabelecidos pelo art. 317 ou 478 do Código Civil. 11. Na mesma linha de raciocínio, esta Corte permitiu a revisão proporcional de aluguel em razão das consequências particulares da pandemia da Covid-19 em relação à empresa de coworking, cujo faturamento foi drasticamente reduzido no período pandêmico (REsp 1.984.277/DF, Quarta Turma, DJe 9/9/2022). 12. Hipótese em que o contexto fático delineado pelo Tribunal de origem, soberano no exame do acervo fático-probatório, demostra não estar caracterizado o desequilíbrio na relação locatícia no contrato estabelecido entre o shopping center (recorrido) e o lojista (recorrente), pois não verificada a desproporção (art. 317) ou a excessiva onerosidade (art. 478) na prestação in concreto. Ao contrário, o acórdão estadual afirma que o recorrido concedeu desconto substancial no valor do aluguel em razão do cenário pandêmico de suspensão das atividades econômicas. Ausentes os requisitos legais, não há possibilidade de revisão do contrato. Necessidade de manutenção da decisão. 13. Recurso especial conhecido e desprovido. (REsp n. 2.032.878/GO, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 18/4/2023, DJe de 20/4/2023 - grifou-se.) RECURSO ESPECIAL. REVISÃO CONTRATUAL. PANDEMIA DA COVID-19. CDC. REDUÇÃO DO VALOR DAS MENSALIDADES ESCOLARES. SUPRESSÃO DE DISCIPLINAS E VEICULAÇÃO DAS AULAS PELO MODO VIRTUAL. SERVIÇO DEFEITUOSO E ONEROSIDADE EXCESSIVA. INEXISTÊNCIA. QUEBRA DA BASE OBJETIVA DO NEGÓCIO JURÍDICO. ART. 6º, INCISO V, DO CDC. EXIGÊNCIA DE DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO IMODERADO. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO FORNECEDOR. IRRELEVÂNCIA. OBSERVÂNCIA AOS POSTULADOS DA FUNÇÃO SOCIAL E DA BOA-FÉ CONTRATUAL. SITUAÇÃO EXTERNA. REPARTIÇÃO DOS ÔNUS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO APTO À REVISÃO DO CONTRATO NA HIPÓTESE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. As vertentes revisionistas no âmbito das relações privadas, embora encontrem fundamento em bases normativas diversas, a exemplo da teoria da onerosidade excessiva (art. 478 do CC) ou da quebra da base objetiva (art. 6º, inciso V, do CDC), apresentam como requisito necessário a ocorrência de fato superveniente capaz de alterar - de maneira concreta e imoderada - o equilíbrio econômico e financeiro da avença, situação não evidenciada no caso concreto. Precedentes. 2. O STJ de há muito consagrou a compreensão de que o preceito insculpido no inciso V do art. 6º do CDC exige a "demonstração objetiva da excessiva onerosidade advinda para o consumidor" (REsp n. 417.927/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 21/5/2002, DJ de 1/7/2002, p. 339.) 3. Nesse contexto, a revisão dos contratos em razão da pandemia não constitui decorrência lógica ou automática, devendo ser analisadas a natureza do contrato e a conduta das partes - tanto no âmbito material como na esfera processual -, especialmente quando o evento superveniente e imprevisível não se encontra no domínio da atividade econômica do fornecedor. 4. Os princípios da função social e da boa-fé contratual devem ser sopesados nesses casos com especial rigor a fim de bem delimitar as hipóteses em que a onerosidade sobressai como fator estrutural do negócio - condição que deve ser reequilibrada tanto pelo Poder Judiciário quanto pelos envolvidos, - e aquelas que evidenciam ônus moderado ou mesmo situação de oportunismo para uma das partes. 5. No caso, não houve comprovação do incremento dos gastos pelo consumidor, invocando-se ainda como ponto central à revisão do contrato, por outro lado, o enriquecimento sem causa do fornecedor - situação que não traduz a tônica da revisão com fundamento na quebra da base objetiva dos contratos. A redução do número de aulas, por sua vez, decorreu de atos das autoridades públicas como medida sanitária. Ademais, somente foram inviabilizadas as aulas de caráter extracurricular (aulas de cozinha experimental, educação física, robótica, laboratório de ciências e arte/música). Nesse contexto, não se evidencia base legal para se admitir a revisão do contrato na hipótese. 6. Recurso especial não provido. (REsp n. 1.998.206/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 4/8/2022 - grifou-se.) Assim, mesmo que o surgimento da pandemia causado pelo coronavírus tenha levado a consequências drásticas nos contratos, não há que se olvidar que os efeitos negativos influíram tanto na agravante como no agravado. Nessa perspectiva, cabia ao Tribunal de origem avaliar os efeitos da pandemia para ambas as partes. Ocorre que, na hipótese dos autos, o acórdão recorrido considerou apenas a anômala variação do índice contratual como fundamento para a aplicação da teoria da imprevisão em favor do agravado, sem verificar se houve, de maneira concreta, manifesta desproporção nos valores das prestações por ele devidas. De toda forma, constatado o erro de julgamento no acórdão recorrido, não haveria razão para justificar o retorno dos autos à origem, para análise da satisfação dos pressupostos da teoria da imprevisão sob a ótica de ambos os contratantes, pois a controvérsia de fato está delimitada, viabilizando a aplicação do direito na espécie (Súmula 456/STF). Com efeito, extraio da inicial que a causa de pedir da revisional, quanto à aplicação da teoria da imprevisão, está fundamentada, única e exclusivamente, na COVID-19 (fls. 6/9); ao passo que na contestação a parte agravada limita-se a requerer a improcedência da demanda com base no descumprimento do ônus da prova (fls. 137/138). Diante desse contexto, como a demanda estabilizada na sincronia entre a situação pandêmica e a pretensão revisional - o que, por si só, não configura motivo imprevisível apto a justificar a revisão do índice livremente pactuado pelas partes - o pleito revisional deve mesmo ser julgado improcedente, conforme decidido pelo juízo de origem (fls. 179/181). Em face do exposto, conheço do agravo, e dou provimento ao recurso especial para cassar o acórdão recorrido, restabelecendo a sentença de origem que julgou improcedente o pleito revisional (fls. 179/181); inclusive em relação aos honorários sucumbenciais arbitrados. As demais questões ficam prejudicadas. Intimem-se. EMENTA