REsp 2129327 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque não é cabível a via especial fundada em pretensa violação de enunciado de súmula (Súmula 518/STJ) e porque a alegada divergência jurisprudencial não foi demonstrada mediante o cotejo analítico exigido pelos arts. 1.029, §1º, do CPC e 255, §1º, do RISTJ; em decorrência,...
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- Parties
- Recorrente: INDUSTRIA E COMERCIO DE LATICINIOS ARAUCARIA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Revisão Contratual, Capitalização De Juros, Tarifas Bancárias, Divergência Jurisprudencial, Súmula, Honorários Sucumbenciais
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Parties
INDUSTRIA E COMERCIO DE LATICINIOS ARAUCARIA LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 capitalização de juros em conta corrente
- 2 legalidade e comprovação de tarifas bancárias cobradas
- 3 cabimento de recurso especial com fundamento em violação de súmula
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque não é cabível a via especial fundada em pretensa violação de enunciado de súmula (Súmula 518/STJ) e porque a alegada divergência jurisprudencial não foi demonstrada mediante o cotejo analítico exigido pelos arts. 1.029, §1º, do CPC e 255, §1º, do RISTJ; em decorrência, mantém-se a decisão de origem, com a majoração dos honorários sucumbenciais nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários sucumbenciais para o patamar de 17% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por INDUSTRIA E COMERCIO DE LATICINIOS ARAUCARIA LTDA., com fundamento na s alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado: "AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CONTA CORRENTE. SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE AFASTANDO A CAPITALIZAÇÃO DE JUROS E AS TARIFAS BANCÁRIAS. IRRESIGNAÇÃO DO RÉU. ALEGAÇÃO DE INOCORRÊNCIA DE CAPITALIZAÇÃO. REJEIÇÃO. PERÍCIA CONTÁBIL QUE DEMONSTROU A APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE JUROS NA CONTA CORRENTE. OBSERVÂNCIA DA REGRA DA IMPUTAÇÃO AO PAGAMENTO (ART. 354 DO CC) CONFORME CONSIGNADO PELO PERITO. INSTRUMENTO CONTRATUAL NÃO APRESENTADO PELO BANCO. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO DA CAPITALIZAÇÃO. EXPURGO MANTIDO. ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE DAS TARIFAS COBRADAS. REJEIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PACTUAÇÃO DAS TARIFAS OU DE AUTORIZAÇÃO/SOLICITAÇÃO DO CLIENTE. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DA SÚMULA 44 DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TARIFAS INDEVIDAS. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA CÂMARA EM SENTIDO CONTRÁRIO, OU SEJA, QUE AS TARIFAS SÃO DEVIDAS, VENCIDO O RELATOR. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO, POR MAIORIA." (e-STJ fl. 8.057). Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 8.038/8.085). Em suas razões (e-STJ fls. 8.089/8.101), a recorrente aponta a ocorrência de divergência jurisprudencial e de negativa de vigência das Súmulas nº s 44, 477 e 530 do STJ. Sustenta, em síntese, que a perícia identificou a cobrança de tarifas bancárias indevidas, pois desprovidas de identificação de sua origem, da efetiva prestação de serviços ou da sua prévia autorização. Afirma que o fato de os valores cobrados serem codificados e denominados como tarifas bancárias não é suficiente para a verificação da sua legalidade. Ressalta, ainda, que, na ausência da fixação da taxa no contrato, os juros devem ser limitados à média de mercado, salvo se a taxa pactuada for mais vantajosa ao cliente. As contrarrazões foram apresentadas (e-STJ fls. 8.115/8.122). É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece ser acolhida . Quanto suposta negativa de vigência das Súmula s nº s 44, 477 e 530 do STJ, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que para fins do art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de súmula. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. VIOLAÇÃO. VERBETE SUMULAR. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 518/STJ. REEXAME DE PROVAS. CLÁUSULA. INTERPREÇÃO. SÚMULAS Nº 5 E 7/STJ. 1. É inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação quando o recurso especial deixa de indicar especificamente de que forma os dispositivos legais teriam sido violados. Aplicação, por analogia, da Súmula nº 284/STF. 2. A subsistência de fundamento não impugnado apto a manter a conclusão do aresto recorrido impõe o não conhecimento da pretensão recursal. Súmula nº 283/STF. 3. A Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que para fins do art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula (Súmula nº 518/STJ). 4. Na hipótese, acolher a tese pleiteada pela parte agravante exigiria exceder os fundamentos do acórdão impugnado e adentrar no exame das provas e cláusulas contratuais, procedimentos vedados em recurso especial, a teor das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.409.172/SP, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 18/9/2024). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AÇÃO DE DESPEJO CUMULADA COM PAGAMENTO. IMPENHORABILIDADE BEM DE FAMÍLIA. EXCEÇÕES. VIOLAÇÃO DE ENUNCIADO SUMULAR. RECURSO ESPECIAL INCABÍVEL. SÚMULA 518/STJ. PREQUESTIONAMENTO AUSENTE. SÚMULA 282/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da Súmula 518 desta Corte Superior, "para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". 2. A questão afeta à possibilidade de penhora do bem imóvel não foi analisada pelo Tribunal de origem porque prejudicada pelo reconhecimento da coisa julgada. Incidência Súmula 282/STF. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência assentada no sentido de que o prequestionamento ficto só pode ocorrer quando, na interposição do recurso especial, a parte recorrente tiver sustentado violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e esta Corte Superior houver constatado o vício apontado, o que não ocorreu na hipótese. 4. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 2.496.352/SP, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 23/8/2024). Por sua vez, quanto à divergência jurisprudencial, o recurso não merece conhecimento, pois, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a divergência jurisprudencial deve ser comprovada e demonstrada, em qualquer caso, com a transcrição dos trechos dos arestos que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, o que não ocorreu na espécie. Não basta a simples transcrição de ementas e de parte dos votos sem que seja realizado o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. Quanto ao tema:: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ACIDENTE DE TRÂNSITO. CONTRATO DE TRANSPORTE. DINÂMICA DOS FATOS. ÔNUS DA PROVA. DANOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. TERMO INICIAL. JUROS DE MORA. RELAÇÃO CONTRATUAL. DATA DA CITAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE ENUNCIADO DE SÚMULA. SÚMULA N. 518 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. DEFICIÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. 1. Para rever as conclusões do tribunal a quo de que o acidente ocorreu não só em razão das chuvas mas também em razão da negligência do motorista, demanda reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado em recurso especial, por força da incidência da Súmula n. 7 do STJ. 2. A revisão pelo STJ das indenizações arbitradas a título de danos morais e estéticos exige que os valores tenham sido irrisórios ou exorbitantes, fora dos padrões de razoabilidade. Salvo essas hipóteses, incide a Súmula n. 7 do STJ, impedindo o conhecimento do recurso especial. 3. O termo inicial para a incidência dos juros moratórios em caso de relação contratual é a data da citação. 4. O recurso especial não é a via adequada para apreciar ofensa a enunciado de súmula, que não se insere no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, a, da Constituição Federal (Súmula n. 518 do STJ). 5. Não se conhece de recurso especial interposto com base em divergência com súmula de tribunal superior, pois imprescindível a realização do cotejo analítico. 6. A simples transcrição de ementas e de trechos dos acórdãos recorrido e paradigma, sem o correspondente cotejo analítico e a demonstração da identidade ou similitude fática entre eles nos moldes do RISTJ, impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. 7. A transcrição de trechos do acórdão paradigma para fins de cotejo analítico não supre a ausência de juntada do inteiro teor do julgado. 8. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.664.612/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 6/11/2024.) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. FRAUDE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. SIMPLES TRANSCRIÇÃO DE EMENTA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A mera transcrição de ementas e excertos, desprovida da realização do necessário cotejo analítico entre os arestos confrontados, mostra-se insuficiente para comprovar a divergência jurisprudencial ensejadora da abertura da via especial com esteio na alínea c do permissivo constitucional. Incidência da Súmula n. 284 do STF. 2. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.594.332/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 18/9/2024.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 15% (quinze por cento) sobre o valor da condenação, os quais devem ser majorados para o patamar de 17% (dezessete por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA