AREsp 2887597 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a decisão agravada fundamentou corretamente a não admissibilidade do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação, da necessidade de interpretação de cláusulas contratuais e do reexame de contexto fático-probatório e pela ausência de demonstração do dissídio...
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- Parties
- Parte Agravante: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS; Parte Agravada: CATIA ADRIANA DE MATTOS LOPES MELO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 August 2025
- Procedural Posture
- Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno (decisão Colegiada Sessão Virtual)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Revisão Contratual, Danos Morais, Juros Remuneratórios, Reexame De Fatos E Provas, Interpretação De Cláusulas Contratuais, Dissídio Jurisprudencial, Súmulas 284/stf, 5/stj E 7/stj
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Parte Agravante
CATIA ADRIANA DE MATTOS LOPES MELO
Parte Agravada
Procedural Posture
Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno (decisão Colegiada Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 deficiência de fundamentação do recurso especial
- 2 necessidade de interpretação de cláusulas contratuais
- 3 impossibilidade de reexame de provas e fatos no recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a decisão agravada fundamentou corretamente a não admissibilidade do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação, da necessidade de interpretação de cláusulas contratuais e do reexame de contexto fático-probatório e pela ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, nos termos das Súmulas 284/STF e 5 e 7/STJ e do art. 932, III, do CPC.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/08/2025 a 18/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. 1. Ação de revisão contratual cumulada com compensação por danos morais. 2. Agravo interno interposto contra decisão que conheceu do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheceu do recurso especial. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, contra decisão que conheceu do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheceu do recurso especial. Ação: revisão contratual cumulada com compensação pelos danos morais, ajuizada por CATIA ADRIANA DE MATTOS LOPES MELO, em face de CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos, para limitar os juros remuneratórios do contrato de empréstimo à taxa média de mercado à época da contratação (6,81% a. m.) e descaracterizar a mora, condenando a parte agravante à devolução dos valores cobrados em excesso. Assim, diante da sucumbência parcial e recíproca, autorizou a divisão, metade para cada parte, das custas processuais, condenando as partes ao pagamento dos honorários, estes fixados em R$ 1.000,00, suspendendo-se a exigibilidade com relação à parte agravada em razão da gratuidade judiciária. (e-STJ fls. 391/394) Acórdão: afastando as preliminares arguidas, negou provimento à Apelação interposta pela parte agravante e deu parcial provimento à Apelação interposta pela parte agravada, nos termos da seguinte ementa: "Apelação Cível. Ação revisional de contrato bancário. Empréstimo pessoal. Preliminares afastadas. Prescrição decenal. Juros remuneratórios. Abusividade demonstrada. Descaracterização da mora. Repetição do indébito. Possibilidade. Danos morais. Não caracterizados. Honorários de sucumbência. Majoração. 1. Preliminares recursais que se confundem com o mérito. 2. Preliminar de cerceamento de defesa afastada. Matéria exclusivamente de direito, a dispensar a realização de prova pericial. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que nas ações revisionais de contrato de empréstimo pessoal, nas quais se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, a contagem do prazo prescricional decenal tem início a partir da data da assinatura do contrato. Prescrição afastada. 4. Juros remuneratórios. Demonstrada a abusividade dos juros remuneratórios pactuados, impositiva a revisão, com respectiva adequação às taxas médias do mercado. 5. Ausência de demonstração de composição de dívidas vencidas envolvendo diferentes modalidades de empréstimo no contrato anexado com a petição inicial, a amparar a pretensão da utilização da série 25465 do BACEN, relativa a crédito pessoal não consignado - vinculado à composição de dívidas, como parâmetro para a limitação dos juros remuneratórios. Manutenção da utilização da série 25464 do BACEN, relativa a crédito pessoal não consignado. 6. Descaracterização da mora. A abusividade nos encargos exigidos no período de normalidade contratual descaracteriza a mora. 7. Repetição do indébito. Apurado saldo em favor da parte autora após a adequação do contrato, cabível a repetição do indébito de forma simples. 8. Dano moral. O reconhecimento da abusividade, por si só, não possui o condão de ensejar o reconhecimento do abalo moral. 9. Honorários advocatícios. Majorados, em atenção aos parâmetros do artigo 85, § 2º e 8º, c/c § 11º, do CPC. Apelação da parte autora parcialmente provida. Apelo da ré desprovido." (e-STJ fls. 696/697) Embargos de declaração: opostos, pela parte agravante, foram rejeitados. (e-STJ fls. 722/726) Recurso especial: alega violação dos arts. 421, CC, 355, I, II, 356, I, II, 927, CPC, bem como dissídio jurisprudencial, sustentando que: i) houve flagrante violação ao disposto no art. 421 do Código Civil, visto que a Corte local se pautou unicamente na taxa média de mercado, sem se atentar as peculiaridades do caso concreto, as particularidades das contratações firmadas entre as partes e principalmente desconsiderando os altos riscos assumidos pela recorrente, riscos estes que sabidamente não são assumidos pelas demais instituições financeiras, para invalidar um ato jurídico perfeito; e, ii) o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso; e, iii) a Corte local deixou de observar as particularidades que envolvem a contratação e que culminaram na fixação da taxa de juros remuneratórios no patamar em que foi fixada e limitou-se a determinar a substituição com base na taxa média de mercado, sem a adequada análise do patamar mais adequado/viável na situação concreta e sem considerar as particularidades envolvidas; e, iv) apenas um expert no assunto, com o necessário conhecimento técnico e de confiança do juízo pode de fato analisar todas as particularidades e riscos envolvidos e indicar, quando for o caso, o percentual mais adequado a ser estabelecido. (e-STJ fls. 733/759) Decisão unipessoal: conheceu do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheceu do recurso especial. Agravo interno: a parte agravante alega, tão somente, que não é o caso de incidência das Súmulas 284/STF e 5 e 7/STJ. Requer, assim, o provimento do agravo. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. 1. Ação de revisão contratual cumulada com compensação por danos morais. 2. Agravo interno interposto contra decisão que conheceu do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheceu do recurso especial. 3. Agravo interno não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A despeito das alegações aduzidas neste recurso, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. A decisão agravada conheceu do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheceu do recurso especial, em virtude dos seguintes fundamentos: i) deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF); ii) reconhecimento de necessidade de interpretação de cláusulas contratuais e reexame de contexto fático-probatório (Súmulas 5 e 7/STJ); iii) deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial. - Da deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) No recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, a parte agravante deve particularizar os dispositivos de lei federal violados e, sobretudo, fazer acompanhar a devida fundamentação jurídica pertinente, no intuito de viabilizar a abertura da via especial, sendo insuficiente mencionar ofensa genérica, tal qual ocorre na presente hipótese, em que os argumentos apresentados não demonstram como o acórdão recorrido teria violado os arts. 421, CC, 927, CPC. Nesse sentido: AgInt no REsp 2.098.663/PE, Terceira Turma, DJe 20/12/2023; AgInt no AREsp 2.249.995/SP, Quarta Turma, DJe 20/10/2023. - Do reconhecimento da necessidade de interpretação de cláusulas contratuais (Súmula 5/STJ) e do reexame de contexto fático-probatório (Súmula 7/STJ) Da análise das razões do agravo interno, verifica-se que a parte agravante não impugnou a incidência das Súmulas 5 e 7/STJ de forma consistente, pois se limitou a alegar genericamente que pretendia a aplicação do direito à hipótese, assim também como não demonstrou a desnecessidade do revolvimento de fatos e provas, além de não ter demonstrado que a análise do recurso especial prescinde da interpretação das cláusulas do contrato objeto do recurso. Nesse sentido, confira-se: AgInt no AREsp 2.441.269/RS, Terceira Turma, DJe 28/02/2024; AgInt no AREsp 2.417.625/RS, Terceira Turma, DJe 28/02/2024; AgInt no REsp 2.041.442/RN, Quarta Turma, DJe 28/02/2024 e AgInt no AREsp 2.326.551/GO, Quarta Turma, DJe 21/12/2023. - Da deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial A parte agravante não realizou a análise comparativa detalhada entre o acórdão recorrido e o paradigma, de modo a identificar as semelhanças das situações de fato e a existência de interpretações jurídicas diferentes sobre o mesmo dispositivo legal. Ademais, não há, nas razões do recurso especial, o cumprimento dos requisitos formais previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, §§ 1º e 3º, do RISTJ. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.813.194/ES, Terceira Turma, DJe 29/02/2024; AgInt no REsp 2.041.495/RN, Quarta Turma, DJe 20/12/2023. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em recurso especial.