AREsp 2933080 - ACORDAO
Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial, por entender que as questões relativas à capitalização mensal e à abusividade dos juros remuneratórios dependem de reexame do conjunto fático-probatório e de interpretação contratual, providências vedadas no recurso especial pelas Súmulas 5 e 7/STJ, e porque...
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- Parties
- Recorrente: DENIS ISMAEL MULLER; Recorrente: MAIS Q DELICIA ALIMENTOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão De Não Conhecer Do Recurso Especial (sessão Virtual De 19/08/2025 a 25/08/2025)
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Revisão Contratual, Capitalização De Juros, Juros Remuneratórios, Recursos Repetitivos, Súmulas 5 E 7/stj
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Parties
DENIS ISMAEL MULLER
Recorrente
MAIS Q DELICIA ALIMENTOS LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão De Não Conhecer Do Recurso Especial (sessão Virtual De 19/08/2025 a 25/08/2025)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade da capitalização mensal de juros em contratos celebrados após 31/3/2000
- 2 Possível abusividade dos juros remuneratórios e necessidade de sua demonstração
- 3 Vedação ao reexame do conjunto fático-probatório e de cláusulas contratuais em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial, por entender que as questões relativas à capitalização mensal e à abusividade dos juros remuneratórios dependem de reexame do conjunto fático-probatório e de interpretação contratual, providências vedadas no recurso especial pelas Súmulas 5 e 7/STJ, e porque a jurisprudência consolidada admite a capitalização quando expressamente pactuada e não restou demonstrada abusividade das taxas pactuadas.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Mantida a conclusão de que a capitalização mensal foi expressamente pactuada e que não restou demonstrada abusividade dos juros remuneratórios.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. REVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. 1. No julgamento do REsp nº 973.827/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, restou decidido que, nos contratos firmados após 31/3/2000, data da publicação da Medida Provisória nº 1.963-17, admite-se a capitalização dos juros em periodicidade inferior a 1 (um) ano, desde que pactuada de forma clara e expressa, assim considerada quando prevista a taxa de juros anual em percentual pelo menos 12 (doze) vezes maior do que a mensal. 2. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.061.530/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, submetido ao regime dos recursos repetitivos, firmou posicionamento do sentido de que: a) as instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto nº 22.626/1933) - Súmula nº 596/STF; b) a estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% (doze por cento) ao ano, por si só, não indica abusividade; c) são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591, c/c o art. 406, do CC/2002, e d) é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, haja vista as peculiaridades do julgamento em concreto. 3. Na hipótese, para rever a conclusão do acórdão recorrido acerca dos juros remuneratórios e da capitalização mensal, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação da cláusula contratual, procedimentos vedados pelas Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 4. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em face de inadmissão de recurso especial interposto por DENIS ISMAEL MULLER e MAIS Q DELICIA ALIMENTOS LTDA. O apelo extremo, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina assim ementado: "APELAÇÃO CIVEL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. CAPITAL DE GIRO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DA PARTE AUTORA. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE NO TOCANTE A PRETENSÃO DE REVISÃO DAS TARIFAS ADMINISTRATIVAS. RECURSO NÃO CONHECIDO NESSA PARTE. SENTENÇA OMISSA QUANTO AOS ENCARGOS MORATÓRIOS. VÍCIO SANADO DE OFÍCIO NOS TERMOS DO ARTIGO 1.013, §3º, III DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. JUROS REMUNERATÓRIOS. PEQUENA DISCREPÂNCIA EM RELAÇÃO A TAXA MÉDIA DE MERCADO. ABUSIVIDADE NÃO EVIDENCIADA. CAPITALIZAÇÃO NA PERIODICIDADE DIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ESPECIFICICAÇÃO DAS TAXAS DIÁRIAS NO CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL ADMITIDA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 541 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AFASTAMENTO DA MORA POSSÍVEL. ABUSIVIDADE DOS ENCARGOS NO PERÍODO DA NORMALIDADE. REVOGAÇÃO DA SÚMULA 66 DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA. REDIMENSIONAMENTO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. ARTIGO 86 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS INCABÍVEL. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO" (e-STJ fl. 368). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, os recorrentes sustentam, além da divergência jurisprudencial, violação dos arts. 4º do Decreto nº 22.626/33, 406 e 591 do Código Civil. Pleiteiam pelo afastamento da capitalização mensal de juros e pela limitação dos juros remuneratórios. Contrarrazões às e-STJ fls. 583/595. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. REVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. 1. No julgamento do REsp nº 973.827/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, restou decidido que, nos contratos firmados após 31/3/2000, data da publicação da Medida Provisória nº 1.963-17, admite-se a capitalização dos juros em periodicidade inferior a 1 (um) ano, desde que pactuada de forma clara e expressa, assim considerada quando prevista a taxa de juros anual em percentual pelo menos 12 (doze) vezes maior do que a mensal. 2. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.061.530/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, submetido ao regime dos recursos repetitivos, firmou posicionamento do sentido de que: a) as instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto nº 22.626/1933) - Súmula nº 596/STF; b) a estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% (doze por cento) ao ano, por si só, não indica abusividade; c) são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591, c/c o art. 406, do CC/2002, e d) é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, haja vista as peculiaridades do julgamento em concreto. 3. Na hipótese, para rever a conclusão do acórdão recorrido acerca dos juros remuneratórios e da capitalização mensal, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação da cláusula contratual, procedimentos vedados pelas Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 4. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. Conforme expresso, acerca da capitalização mensal dos juros, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Temas nºs 246 e 247, nos moldes do rito dos recursos repetitivos, consolidou entendimento nos termos do acórdão assim ementado: "CIVIL E PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. AÇÕES REVISIONAL E DE BUSCA E APREENSÃO CONVERTIDA EM DEPÓSITO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. JUROS COMPOSTOS. DECRETO 22.626/1933 MEDIDA PROVISÓRIA 2.170-36/2001. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. MORA. CARACTERIZAÇÃO. 1. A capitalização de juros vedada pelo Decreto 22.626/1933 (Lei de Usura) em intervalo inferior a um ano e permitida pela Medida Provisória 2.170-36/2001, desde que expressamente pactuada, tem por pressuposto a circunstância de os juros devidos e já vencidos serem, periodicamente, incorporados ao valor principal. Os juros não pagos são incorporados ao capital e sobre eles passam a incidir novos juros. 2. Por outro lado, há os conceitos abstratos, de matemática financeira, de "taxa de juros simples" e "taxa de juros compostos", métodos usados na formação da taxa de juros contratada, prévios ao início do cumprimento do contrato. A mera circunstância de estar pactuada taxa efetiva e taxa nominal de juros não implica capitalização de juros, mas apenas processo de formação da taxa de juros pelo método composto, o que não é proibido pelo Decreto 22.626/1933. 3. Teses para os efeitos do art. 543-C do CPC: - "É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a uma no em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada."- "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada". .. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido" (REsp 973.827/RS, relatora p/ acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe de 24/9/2012). Na espécie, o Tribunal local concluiu que "as taxas de juros anuais previstas no contrato são superiores ao duodécuplo da taxa mensal, por aplicação da Súmula 541 do Superior Tribunal de Justiça, deve ser admitida a capitalização na periodicidade mensal" (e-STJ fl. 366). Dessa forma, rever tais fundamentos demandaria reapreciar todo o conjunto fático-probatório dos autos e as cláusulas contratuais, o que encontra óbice nas Súmulas nºs 5 e 7/STJ. A esse respeito: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO BANCÁRIO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA . OCORRÊNCIA. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. MORA EX RE. INCIDÊNCIA A PARTIR DO PARTIR DO VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO. 1. A capitalização mensal de juros é legal em contratos bancários celebrados posteriormente à edição da MP 1.963-17/2000, de 31.3.2000, desde que expressamente pactuada. A previsão no contrato de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. Precedente 2. É inviável a revisão do entendimento do Tribunal de origem que decidiu em sintonia com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao permitir a cobrança da capitalização dos juros porque pactuada. Incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. 3. Conforme sedimentada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tratando-se de obrigação positiva, líquida e com termo certo, a correção monetária e os juros de mora fluem a partir do vencimento. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 4. Agravo interno desprovido" (AgInt nos EDcl no AREsp 1.869.910/DF, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024). Acerca dos juros remuneratórios, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Temas nºs 24 a 27, sob o rito dos recursos especiais repetitivos, consolidou o seguinte entendimento: " .. ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. .. " (REsp 1.061.530/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi , DJe de10/3/2009). Na espécie, o Tribunal local considerou que, " .. Conforme se verifica, não há vedação à utilização das taxas médias como parâmetro para fins de apuração de eventual abusividade das taxas de juros previstas nos contratos bancários. Apenas não é admitida a fixação de um percentual máximo pelo poder judiciário, sendo indispensável na análise de cada caso, se houve a fixação de taxa de juros remuneratórios capaz de colocar o consumidor em desvantagem excessiva e se há nos autos provas de circunstância capaz de justificar a pactuação da taxa de juros questionada. Registro que quando em exercício de substituição na Sexta Câmara de Direito Comercial, em situações como a presente, votei no sentido de considerar que as taxas pactuadas em percentual superior a 10% da taxa média de mercado representam desvantagem excessiva em desfavor do consumidor, especialmente se não demonstrada qualquer circunstância capaz de justificar o estabelecimento do percentual questionado. Contudo, em respeito ao princípio da colegialidade, adiro ao entendimento atual dessa Quarta Câmara no sentido de que pequenas discrepâncias em relação a taxa média de mercado não representam abusividade. Nesse sentido, menciono o voto proferido pelo eminente Desembargador Torres Marques quando do julgamento do agravo interno em apelação de número 5004091-80.2021.8.24.0030, julgado em 30/01/2024, e ainda do eminente Desembargador Túlio Pinheiro, por ocasião do julgamento da apelação de número 5001058-98.2021.8.24.0930, julgada em 20/02/2024. No caso em apreço, não há abusividade a ser sanada uma vez que as taxas de juros pactuadas (29,23% a. a) são pouco superiores a média de mercado (21,52% a. a), circunstância incapaz de representar onerosidade excessiva em desfavor da parte apelante. Desse modo, por não haver abusividade a ser sanada, o recurso não merece provimento no tocante a pretensão de revisão das taxas de juros remuneratórios" (e-STJ fl. 365). Dessa forma, para se concluir em sentido contrário quanto à tese dos juros remuneratórios, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, inviáveis no âmbito desta instância especial, tendo em vista as Súmulas nºs 5 e 7/STJ. Nesse sentido: "AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 5, 7 E 83 DO STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Consoante jurisprudência desta Corte Superior, não implica cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, sem a dilação probatória requerida pela parte, notadamente quando as provas já produzidas são suficientes para a resolução da lide. Incidência da Súmula 83 do STJ. 1.1. Rever o entendimento do Tribunal local acerca da suficiência das provas produzidas demandaria o reexame do contexto fático e probatório dos autos, providencia que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 2. Admite-se a revisão da taxa de juros remuneratórios excepcionalmente, quando ficar caracterizada a relação de consumo e a abusividade for devidamente demonstrada diante das peculiaridades do caso concreto. Precedentes. 2.1. O fato de a taxa contratada de juros remuneratórios estar acima da taxa média de mercado, por si só, não configura abusividade, devendo ser observados, para a limitação dos referidos juros, fatores como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. Precedentes. 2.2. A alteração do decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão acerca da abusividade dos juros remuneratórios, exige o reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais, providências vedadas na via eleita, a teor do óbice das Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. Recurso não provido" (A REsp 2.912.412/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 26/5/2025, DJEN de 29/5/2025). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, ficando cada parte responsável pelo pagamento de 50% (cinquenta por cento) desse valor, em razão da sucumbência recíproca. Assim, em observância ao art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários em 15% (quinze por cento), em favor do patrono da parte recorrida, observado o benefício da justiça gratuita, se for o caso. É o voto.