REsp 2143248 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento porque, embora o acórdão do Tribunal de origem tenha limitado os juros por excederem em 10% a taxa média do Banco Central, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que tal fato isolado não basta para declarar abusividade; devem ser...
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- Parties
- Recorrente: CREFISA S/A CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido E Parcialmente Provido, Com Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento À Luz Do Entendimento Desta Corte
- Outcome
- recurso especial conhecido e parcialmente provido
- Legal Topics
- Revisão De Cláusulas Contratuais, Juros Remuneratórios, Repetição De Indébito, Honorários Advocatícios, Cerceamento De Defesa, Contratos De Adesão
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Parties
CREFISA S/A CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido E Parcialmente Provido, Com Determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento À Luz Do Entendimento Desta Corte
Legal Issues
- 1 cabimento de revisão da taxa de juros remuneratórios em contratos de consumo
- 2 critérios para aferir abusividade dos juros remuneratórios
- 3 necessidade ou não de prova pericial para instrução
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento porque, embora o acórdão do Tribunal de origem tenha limitado os juros por excederem em 10% a taxa média do Banco Central, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que tal fato isolado não basta para declarar abusividade; devem ser examinados elementos concretos (custo de captação, spread, risco de crédito etc.). Ante a ausência de elementos no acórdão para análise integral da controvérsia, determinou-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que julgue a questão à luz do entendimento desta Corte.
Court Disposition
recurso especial conhecido e parcialmente provido
Orders
- Conheço do recurso especial e dou-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para julgar a controvérsia à luz do entendimento desta Corte
- Ficam prejudicadas as demais alegações
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, interposto por CREFISA S/A CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, com amparo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, no intuito de reformar o acórdão exarado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado (fls. 399/400, e-STJ): REVISÃO. EMPRÉSTIMO PESSOAL. PROCEDÊNCIA. APELO DA DEMANDADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRETENDIDA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. Não ocorre cerceamento de defesa na hipótese em que o magistrado entende que o feito está suficientemente instruído e julga a causa sem a produção de prova documental ou pericial, pois os princípios da livre admissibilidade da prova e do livre convencimento permitem ao julgador determinaras provas que entende necessárias à instrução. INCIDÊNCIA DAS NORMAS PROTETIVAS DO CONSUMIDOR, NOS TERMOS DA SÚMULA N.297 DO STJ. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE MITIGADO NA HIPÓTESE. Em atenção ao art. 6º, inciso V e ao art. 51, ambos previstos no Código de Defesa do Consumidor, é patente a possibilidade de revisão, pelo Poder Judiciário, das cláusulas contidas nos contatos que instrumentalizam as relações de consumo, especialmente com o fim de aniquilar as arbitrariedades comumente inseridas nos contratos de adesão, tal como nos contratos de natureza bancária. Ademais, a revisão das cláusulas contratuais é permitida também sob à ótica do Código Civil, à luz dos princípios da função social do contrato (art. 421) e da boa-fé objetiva (art. 422), que estatuem que o acordo de vontades (pacta sunt servanda) não pode ser transformado num instrumento de práticas abusivas e deve ser mitigado para possibilitar a revisão das cláusulas e condições contratuais abusivas e iníquas. JUROS REMUNERATÓRIOS. VERIFICAÇÃO DA ABUSIVIDADE QUE SE PAUTA NA TAXAMÉDIA DE MERCADO, ADMITIDA CERTA VARIAÇÃO. ORIENTAÇÃO DO STJ. PRECEDENTESDESTA CÂMARA. ABUSIVIDADE EVIDENCIADA NA HIPÓTESE. Na esteira do entendimento delineado pelo STJ - que admite a revisão do percentual dos juros remuneratórios quando aplicável o CDC ao caso e quando exista abusividade no pacto -, esta Câmara julgadora tem admitido como parâmetro para aferir a abusividade a flexibilização da taxa de juros remuneratórios até o percentual de 10% (dez por cento) acima da taxa média divulgada pelo Banco Central. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCINDIBILIDADE DE PROVA DO ERRO. DEVOLUÇÃOSIMPLES. É pacífico o entendimento de que a repetição do indébito independe de prova do erro, conforme se extrai do teor da Súmula n. 322, editada pelo Superior Tribunal de Justiça: "para repetição de indébito, nos contratos de abertura de crédito em conta corrente, não se exige a prova do erro". Outrossim, é devida a devolução dos valores referentes à cobrança abusiva dos encargos por parte do banco, não só para restringir o ilícito detectado, como também para prostrar o enriquecimento sem causa, tal qual previsto no art. 884 do Código Civil: "aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente aferido, feita a atualização dos valores monetários". Em atenção ao entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, a restituição dos valores deve se dar de forma simples. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO NOS TERMOS DOS § 8º E 8º-A DO ART. 85 DOCPC. APELO PROVIDO NO PONTO. APELO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados (fls. 509/513, e-STJ). Em suas razões de recurso especial, a recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação ao artigo 421 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que a taxa de juros remuneratórios pactuada deve ser observada, não havendo falar em abusividade. Contrarrazões às fls. 707/718, e-STJ. É o relatório. Decide-se. A irresignação merece prosperar em parte. 1. Na hipótese, a Corte local, ao reconhecer a abusividade dos juros remuneratórios, consignou (fl. 396, e-STJ): Na esteira do entendimento acima delineado, esta Câmara julgadora tem considerado como parâmetro para aferir a abusividade a flexibilização da taxa de juros remuneratórios até o percentual de 10% (dez por cento) acima da taxa média divulgada pelo Banco Central. In casu, a tabela colacionada abaixo compara a taxa de juros remuneratórios fixada no contrato firmado entre as partes e a taxa de juros estipulada pelo BACEN para o mesmo período e modalidade contratual. (..) Como se vê, porque excede em 10% a taxa média de mercado, mantém-se a sentença que limitou os juros remuneratórios no caso em tela. Apelo desprovido, portanto. Não obstante, conforme entendimento desta Corte Superior, o fato de a taxa contratada de juros remuneratórios estar acima da taxa média de mercado, por si só, não configura abusividade, devendo ser observados, para a limitação dos referidos juros, fatores como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO. ABUSIVIDADE DA TAXA CONTRATADA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Admite-se a revisão da taxa de juros remuneratórios excepcionalmente, quando caracterizada a relação de consumo e a abusividade ficar devidamente demonstrada diante das peculiaridades do caso concreto. 2. O fato de a taxa contratada de juros remuneratórios estar acima da taxa média de mercado, por si só, não configura abusividade, devendo ser observados, para a limitação dos referidos juros, fatores como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. 3. É inviável a limitação da taxa de juros remuneratórios pactuada no contrato na hipótese em que a corte de origem não tenha considerado cabalmente demonstrada sua abusividade com base nas peculiaridades do caso concreto. Incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.093.714/MS, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 24/3/2023.) Assim, ante a ausência de elementos no acórdão para a análise integral da controvérsia, os autos devem retornar ao Tribunal de origem para o julgamento da questão à luz do citado entendimento desta Corte. 2. Do exposto, com fundamento no art. 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do recurso especial e lhe dou parcial provimento a fim de determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para julgar a controvérsia à luz do entendimento desta Corte, como entender de direito. Ficam prejudicadas as demais alegações. Publique-se. Intimem-se. EMENTA