AREsp 2811115 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial por deficiência de fundamentação: ausência de indicação de dispositivo infraconstitucional violado (Súmula 284/STF), tentativa de rediscutir matéria fático-probatória e interpretação contratual vedada em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ), e falta de...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS; Agravado: ERONIDES ELVIDIO DE SOUSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Revisão De Contrato Bancário, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Súmulas 5 E 7/stj, Honorários De Sucumbência Recursal, Reexame De Fatos E Provas
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
ERONIDES ELVIDIO DE SOUSA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 deficiência de fundamentação do recurso especial quanto à indicação de dispositivo legal infringido
- 2 incidência da Súmula 284/STF por ausência de indicação de dispositivo infraconstitucional
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas e à interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial por deficiência de fundamentação: ausência de indicação de dispositivo infraconstitucional violado (Súmula 284/STF), tentativa de rediscutir matéria fático-probatória e interpretação contratual vedada em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ), e falta de demonstração do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico e indicação do dispositivo legal, sendo, assim, inviável o conhecimento do recurso especial; majoraram-se os honorários em 1% com fundamento no art.85, §11, CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheço do recurso especial
- Majoro em 1% os honorários fixados anteriormente à agravante, nos termos do art. 85, §11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 4/11/2024. Concluso ao gabinete em: 13/12/2024. Ação: de revisão contratual cumulada com restituição de valores, ajuizada por ERONIDES ELVIDIO DE SOUSA em desfavor da agravante, em virtude de instrumentos de empréstimos pessoais firmados entre as partes. Sentença: julgou improcedente a pretensão autoral. Acórdão: deu parcial provimento à apelação interposta pelo agravado, nos termos da seguinte ementa: DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. LIMITAÇÃO A UMA VEZ E MEIA A TAXA MÉDIA DE MERCADO. POSSIBILIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. CABIMENTO. REPETIÇÃO DO INDÉBIDO EM DOBRO. IMPOSSIBILIDADE. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS MENSAIS. ADMISSIBILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Quando o julgador puder extrair do recurso os fundamentos suficientes e a notória intenção de reforma da sentença, não haverá ofensa ao princípio da dialeticidade. 2. A ausência de anormalidade no ambiente econômico, social, etc., na data da realização do contrato, associado com a inexistência de provas de que o consumidor oferecia alto risco do inadimplemento contratual, afasta a incidência de juros moratórios acima de uma vez e meia a taxa média de mercado. 3. O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios) descaracteriza a mora. 4. É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, desde que, expressamente pactuada, bastando para tal a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal. Desnecessário constar especificamente na avença a expressão capitalização mensal. 5. Descabe a devolução em dobro do indébito, nas revisionais de contratos de da empréstimos bancário, quando não restar caracterizada a má-fé instituição em financeira proceder aos descontos, uma vez que o consumidor reconhece que firmou os contratos. (e-STJ Fls. 573/574) Embargos de declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega dissídio jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que houve a violação de entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, no que concerne ao reconhecimento da abusividade da taxa de juros prevista no contrato livremente pactuado pelas partes, mormente utilizando a taxa média de mercado divulgada pelo BACEN como referência, sem observância das condições específicas do caso concreto. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da fundamentação deficiente Constata-se, da leitura das razões do recurso especial, não obstante a interposição recursal pela alínea "a" do permissivo constitucional, quanto à legitimidade das taxas de juros cobradas no contrato em discussão, que a parte agravante não alega violação de qualquer dispositivo infraconstitucional, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.158.801/RJ, 4ª Turma, DJe 6/11/2023; e AgInt no REsp n. 1.974.581/RS, 3ª Turma, DJe 17/8/2022. - Do reexame de fatos e da interpretação de cláusulas contratuais Ademais, no que se refere à existência de abusividade na taxa de juros remuneratórios, prevista nos contratos celebrados entre as partes, alterar o decidido no acórdão impugnado demanda o reexame fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providências vedadas em sede de recurso especial, nos termos das Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial De outra parte, a falta de indicação do dispositivo legal supostamente violado no recurso especial apresentado com base na alínea "c" revela deficiência em sua fundamentação, o que impede a sua análise por esta Corte Superior. Nesse sentido: REsp n. 2.076.294/PR, Terceira Turma, DJe de 19/12/2023 e AgInt no AREsp n. 2.331.105/GO, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. Por fim, entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1029, §1º do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. Além disso, a incidência da Súmula 7 desta Corte acerca do tema que se supõe divergente impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição da República. Nesse sentido: AgInt no AREsp 821337/SP, 3ª Turma, DJe de 13/03/2017 e AgInt no AREsp 1215736/SP, 4ª Turma, DJe de 15/10/2018. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro em 1% os honorários fixados anteriormente à agravante (e-STJ Fl. 572). Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL COM INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. SÚMULA 284/STF. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. DISSÍDIO PREJUDICADO. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO. 1. Ação de revisão de contrato bancário. 2. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 3. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 4. A falta de indicação do dispositivo legal sobre o qual recai a divergência inviabiliza a análise do dissídio. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 7. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido, com majoração de honorários.