AREsp 2938965 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque a questão relativa à necessidade de perícia contábil não foi suscitada de forma oportuna no tribunal de origem (incidência da Súmula 211/STJ), permanecendo válida a conclusão do acórdão que reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios à luz da comparação entre as taxas...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos Contra Decisão De Inadmissão De Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Decisão De Mérito Colegiada (negado Provimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Revisão De Contrato Bancário, Juros Remuneratórios, Taxa Média De Mercado Do Banco Central, Prova Pericial Contábil, Súmulas Do STJ, Honorários Advocatícios
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos Contra Decisão De Inadmissão De Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Decisão De Mérito Colegiada (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 abusividade dos juros remuneratórios
- 2 necessidade de produção de prova pericial contábil
- 3 aplicação da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central como referencial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque a questão relativa à necessidade de perícia contábil não foi suscitada de forma oportuna no tribunal de origem (incidência da Súmula 211/STJ), permanecendo válida a conclusão do acórdão que reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios à luz da comparação entre as taxas contratadas e a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central, e por ser vedado ao STJ reexaminar matéria fática e probatória (Súmulas 5 e 7).
Court Disposition
Negado provimento ao agravo.
Orders
- Nega-se provimento ao agravo nos próprios autos.
- Mantida a decisão que reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios e a adequação ao parâmetro da taxa média de mercado do Banco Central.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 7, 83 e 211 do STJ e 282 do STF (fls. 1.327-1.330). Após decisão desta Corte determinando o retorno dos autos (fls. 796-798), o acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 852): JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ORDEM DE REEXAME EMANADA DO STJ PARA ADEQUAR O JULGAMENTO COLEGIADO À JURISPRUDÊNCIA DA CORTE SUPERIOR. REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. REEXAME DA MATÉRIA REFERENTE À ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. BANCO QUE NÃO APRESENTA ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A PREVISÃO DE PERCENTUAL DE JUROS SUPERIOR À TAXA MÉDIA DE MERCADO, DIVULGADA PELO BANCO CENTRAL, EM RELEVANTE PERCENTUAL. AUSÊNCIA DE QUAISQUER INFORMAÇÕES DANDO CONTA DE EVENTUAL INADIMPLEMENTO CONTUMAZ DA PARTE AUTORA OU CIRCUNSTÂNCIA OUTRA QUE PUDESSE AUTORIZAR A FIXAÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS DE FORMA ELEVADA. ABUSIVIDADE EVIDENCIADA ANTE AS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. ACÓRDÃO RATIFICADO. JU ÍZO DE RETRATAÇÃO NEGATIVO. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 971-975). Nas razões do recurso especial (fls. 994-1.029), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação: (i) do art. 421 do CC, pois (fl. 1.003): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. (ii) dos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC/2015, porque (fls. 1.014-1.017): .. entende a Recorrente ser imprescindível a realização da prova pericial contábil para se concluir pela abusividade da taxa de juros remuneratórios definida em contrato e/ou substituição por outro percentual, principalmente considerando que na prática os julgadores estão, em sua maioria, limitando-se a seguir com a utilização da "taxa média de mercado" como ferramenta de aferição quanto a suposta abusividade da taxa de juros fixada e para definir o novo percentual a ser aplicado. .. ao julgar o feito antecipadamente, sem possibilitar a produção da prova pericial contábil expressamente requerida, o D. Juízo a quo violou o disposto no art. 355, incisos I e II e no art. 356, incisos I e II, ambos do CPC/2015, impossibilitando o exercício do contraditório e da ampla defesa e, por conseguinte, CERCEANDO O DIREITO DE DEFESA DA ORA RECORRENTE. No agravo (fls. 1.337-1.353), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada (fl. 1.361 ). É o relatório. Decido. Constata-se que, apesar de opostos embargos de declaração, a tese de necessidade de realização de perícia contábil não foi expressamente indicada nas razões do recurso, nem enfrentada pelo Tribunal. Assim, o Tribunal de origem não foi instado, no momento oportuno, a se manifestar acerca do tema. Portanto, é inafastável a incidência da Súmula n. 211/STJ. Ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios (fl. 850): Do trecho acima transcrito, denoto que as taxas pactuadas nos contratos superaram sobremaneira as taxas médias de mercado, em montante muito superior. Além disso, a Instituição Financeira em nenhum momento indicou a circunstância que justificasse o percentual dos juros remuneratórios previstos contratualmente superarem a média de mercado divulgada pelo Banco Central. Não há nos autos qualquer alegação de que a Autora se trata de devedora contumaz ou de que seu nome estivesse inscrito nos órgãos de proteção ao crédito à época de celebração do contrato objeto da presente demanda. Desse modo, considerando as peculiaridades do caso em apreço, após a reanálise do feito, conforme determinado pela Corte Superior de Justiça, mantenho a decisão que reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios no caso em tela. O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Ainda, desconstituir a convicção formada pelas instâncias de origem quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente, para assim acolher os argumentos do recurso especial, é inviável em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se EMENTA