AREsp 2780027 - DECISAO
Deferiu-se a justiça gratuita sem efeitos retroativos e conheceu‑se o agravo apenas em parte, negando‑se provimento ao recurso especial, porque o tribunal de origem agiu corretamente ao recusar reexaminar os critérios de revisão dos juros remuneratórios em razão de a instituição financeira não ter recorrido...
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- Parties
- Agravante/recorrente: PORTOCRED S.A. - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- agravo conhecido em parte; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento; justiça gratuita deferida sem efeitos retroativos
- Legal Topics
- Revisão De Juros Remuneratórios, Justiça Gratuita, Prequestionamento, Negativa De Prestação Jurisdicional, Súmulas E Jurisprudência
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Parties
PORTOCRED S.A. - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Agravante/recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Tribunal a Quo
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do artigo 18 da Lei nº 6.024/1974 a ações de conhecimento
- 2 possibilidade de concessão de justiça gratuita a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial
- 3 prequestionamento para conhecimento do recurso especial (Súmula 211/STJ)
Ratio Decidendi
Deferiu-se a justiça gratuita sem efeitos retroativos e conheceu‑se o agravo apenas em parte, negando‑se provimento ao recurso especial, porque o tribunal de origem agiu corretamente ao recusar reexaminar os critérios de revisão dos juros remuneratórios em razão de a instituição financeira não ter recorrido oportunamente (vedação ao conhecimento de matéria não impugnada e non reformatio in pejus), não havendo omissão apta a ensejar acolhimento dos embargos de declaração, e faltou prequestionamento quanto aos dispositivos do CDC invocados, além de ocorrer deficiência na fundamentação recursal.
Court Disposition
agravo conhecido em parte; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento; justiça gratuita deferida sem efeitos retroativos
Orders
- Defiro o pedido de gratuidade da justiça, sem efeitos retroativos.
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
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DECISÃO Trata-se de agravo (e-STJ fls. 907/925) interposto por PORTOCRED S.A. - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL contra a decisão que inadmitiu seu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, impugna acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. REJULGAMENTO DETERMINADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO RECURSO DE APELAÇÃO. INVIABILIDADE DE REEXAME. "REFORMATIO IN PEJUS". Não há como analisar, no caso em apreço, os critérios ensejadores da revisão dos juros remuneratórios, uma vez que a instituição financeira requerida não recorreu da sentença. Dessa forma, em se cuidando de apelo interposto apenas pela parte consumidora contra a sentença de parcial procedência, é vedado ao Tribunal conhecer de matérias não impugnadas (art. 1.013, "caput", do CPC). Desse modo, como não se trata de matéria cognoscível de ofício, deve ser mantido o provimento do recurso interposto pela parte autora, sob pena de "reformatio in pejus". MANTIDO O PROVIMENTO DO RECURSO" (e-STJ fl. 637). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 659/663). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 858/881), a recorrente postula, incialmente, a suspensão do feito, tendo em vista a decretação de sua liquidação extrajudicial, bem como a gratuidade de justiça. Aponta ofensa aos artigos 1.022, parágrafo único, I e II, c/c o artigo 489, § 1º, III, IV e VI, ambos do Código de Processo Civil, afirmando que o Tribunal estadual, em novo julgamento do feito, manteve-se omisso quanto à análise dos requisitos necessários ao reconhecimento da abusividade dos juros remuneratórios contratados entre os litigantes, conforme determinado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Alega, ainda, violação da preclusão hierárquica decorrente do julgamento do AREsp nº 2.443.304/RS. Indica, além de divergência jurisprudencial, contrariedade ao artigo 51, IV, § 1º, III, do Código de Defesa do Consumidor, sustentando, em síntese, que no mútuo bancário, os juros remuneratórios não podem ser considerados abusivos apenas se comparadas as taxas dos juros contratados e da média de mercado. Contrarrazões às e-STJ fl. 886/893. O recurso especial foi inadmitido da origem, o que deu ensejo ao presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. De início, quanto ao pedido suspensivo, conforme jurisprudência desta Corte Superior, o artigo 18 da Lei nº 6.024/1974 não alcança as ações de conhecimento voltadas à obtenção de provimento relativo à certeza e à liquidez do crédito. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.783.833/SP, Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 19/10/2020, DJe de 27/10/2020, e AgInt no REsp 1.669.141/MG, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 26/6/2018, DJe de 1º/8/2018. No caso, a ação revisional de contrato demanda quantia ilíquida, motivo pelo qual não se justifica a suspensão do processo. Relativamente à justiça gratuita, assiste razão à recorrente. O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de que é possível a concessão da justiça gratuita a pessoas jurídicas, desde que efetivamente comprovada a insuficiência de recursos: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PESSOAJURÍDICA EM REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO COMPROVADA. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta eg. Corte entende que é possível a concessão da gratuidade da justiça à pessoa jurídica somente quando comprovada a precariedade de sua situação financeira, não havendo falar em presunção de miserabilidade. 2. O direito à gratuidade da justiça da pessoa jurídica em regime de liquidação extrajudicial ou de falência depende de demonstração de sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais, o que não ficou afigurado na espécie. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp 1.619.682/RO, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 15/12/2016, DJe 7/2/2017) A jurisprudência desta Corte Superior, no entanto, orienta que os artigos 6º e 9º da Lei nº 1.060/1950 devem ser interpretados de forma restritiva, isto é, abrangendo apenas os atos de concessão do benefício legal até a decisão final da causa. Assim, a concessão da gratuidade judiciária pode ser requerida no curso da ação, mas não tem efeitos retroativos. Na hipótese dos autos, comprovada a impossibilidade do pagamento das custas, o deferimento da justiça gratuita não tem o condão de isentar a agravante de arcar com os ônus sucumbenciais já fixados pelas instâncias ordinárias. Na sequência, a irresignação não merece acolhida. No tocante à alegada negativa de prestação jurisdicional, o tribunal de origem ao decidir os embargos de declaração, concluiu que os critérios indicados pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para revisão dos juros remuneratórios não tinham como ser apreciados no caso concreto pelos seguintes fundamentos: "Conforme se verifica do relatório, o Superior Tribunal de Justiça deu parcial provimento ao recurso especial interposto pela instituição financeira requerida, determinando que sejam analisados os critérios ensejadores da revisão dos juros remuneratórios. Feitas tais considerações, impõe-se a manutenção do julgamento proferido por este Colegiado em 26.06.2023 (evento 9), por ser inviável, no caso em apreço, o exame dos critérios indicados pelo Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Isso porque, a partir dos autos originários, constata-se que, após o Juízo de origem ter reconhecido a abusividade dos juros remuneratórios (evento 56), somente a parte autora interpôs recurso de apelação (evento 62), ocasião em que pugnou pela limitação à taxa média, afastando-se o acréscimo de 50% determinado pela Magistrada sentenciante. Ou seja, a matéria devolvida ao exame deste Colegiado restringia-se à possibilidade, ou não, de limitação com o acréscimo de 50% fixado na sentença, vindo a ser provido o apelo da parte consumidora, ao efeito de limitar os juros remuneratórios às respectivas médias de mercado. Trata-se, aliás, do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.112.880/PR, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/1973), conforme ementa abaixo reproduzida: (..) Da fundamentação adotada pela Ministra Nancy Andrighi, extrai-se que "a taxa média somente não deverá prevalecer nas hipóteses em que o efetivo índice praticado pelo banco se mostrar inferior a ela e, portanto, mais vantajoso para o cliente". Portanto, na esteira do entendimento pacífico deste Colegiado e da Corte Superior, restou provido o apelo, ao efeito de afastar a limitação com o acréscimo de 50% determinada pela Julgadora "a quo". Nesse contexto, como a instituição financeira requerida não interpôs o recurso cabível oportunamente, não há como reexaminar os critérios que deram azo à revisão dos juros remuneratórios, por ser vedado ao Tribunal conhecer de matérias não impugnadas (art. 1.013, "caput", do CPC1). Desse modo, não se cuidando de matéria cognoscível de ofício, em rejulgamento, deve ser mantido o provimento do recurso de apelação interposto pela parte autora, sob pena de reformatio in pejus" (e-STJ fls. 635/636 - grifou-se). Nesse contexto, no que diz respeito à alegada negativa de prestação jurisdicional, agiu corretamente o tribunal de origem ao rejeitar os embargos declaratórios por inexistir omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado, ficando patente, em verdade, o intuito infringente da irresignação, que objetivava a reforma do julgado por via inadequada. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE PARCELAS PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENCERRAMENTO DO PLANO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Ação de devolução de parcelas previdenciárias. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC/15, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, inexiste a violação do art. 489 do CPC/15. 4. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. A incidência das Súmulas 5 e 7/STJ prejudicam a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.183.495/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022 - grifou-se) Registra-se que, mesmo à luz do artigo 489 do CPC, o órgão julgador não estaria obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). A motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo julgador, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios. No que se refere à ofensa ao artigo 51, IV, § 1º, III, do Código de Defesa do Consumidor, verifica-se que o tribunal de origem não analisou a demanda sob o enfoque dos referidos dispositivos, embora opostos embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento, incide o disposto na Súmula nº 211/STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". De mais a mais, não há impropriedade em afirmar a falta de prequestionamento e afastar a negativa de prestação jurisdicional, haja vista o julgado estar devidamente fundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos suscitados pela recorrente. Observe-se, ainda que, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, nem sequer se pode admitir ser hipótese de prequestionamento ficto em recurso especial, previsto no artigo 1.025 do CPC, pois para sua ocorrência exige-se que no mesmo recurso seja reconhecida a existência de violação do artigo 1.022 do CPC, o que, como visto, não é o caso dos autos. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO NÃO CONFIGURADO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC QUE SEQUER FOI ARGUIDA. APLICAÇÃO DE MULTA COM FUNDAMENTO NO ART. 1.026, § 2º, DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. Não pode ser conhecido o agravo interno na parte relativa ao dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de impugnação específica ao fundamento adotado na decisão agravada. Inteligência do art. 1.021, § 1º, do CPC. 2. Ausente o prequestionamento quando o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor acerca do dispositivo legal apontado como violado. Aplicação da Súmula 211/STJ. 3. Prequestionamento ficto que pressupõe não apenas a oposição de embargos de declaração na origem, mas também a alegação, perante este Superior Tribunal, da ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC, o que não ocorreu no presente caso. 4. O exame do recurso especial, para afastar a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC, demandaria a incursão no acervo fático dos autos, o que não se mostra possível nesta instância especial. Aplicação da Súmula 7/STJ. 5. AGRAVO INTERNO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO." (AgInt no REsp 1.839.004/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022) De qualquer forma, o acórdão recorrido entendeu que a questão dos juros remuneratórios não poderia ser revista em respeito ao princípio do "non reformatio in pejus" e a recorrente não impugnou tal fundamento, se limitando a apresentar razões dissociadas do que foi decidido. Desse modo, incide , por analogia, o óbice da Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. RAZÕES DISSOCIADAS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É deficiente o recurso especial quando suas razões estão dissociadas dos fundamentos do acórdão impugnado, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula n. 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". (..) 5. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 2.156.599/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. TÍTULO EXTRAJUDICIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. OFENSA A TESE REPETITIVA. CONVERSÃO DA EXECUÇÃO EM AÇÃO DE CONHECIMENTO. RAZÕES DISSOCIADAS. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULAS 283 E 284/STF. EMENDA À INICIAL. COMPLEMENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NÃO ALTERAÇÃO DO PEDIDO OU DA CAUSA DE PEDIR. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. APRECIAÇÃO POSTERGADA. FUNDAMENTO SUFICIENTE. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COTEJO ANALÍTICO NÃO EFETUADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Tendo o Tribunal de origem se manifestado expressamente e com adequada fundamentação, ainda que em sentido oposto ao pretendido pela agravante, sobre a alegada nulidade da execução devido à existência de decisões que impedem qualquer pagamento à autora, não há violação ao art. 1.022 do CPC/2015, nem negativa de prestação jurisdicional. 2. A apresentação de razões recursais dissociadas daquilo que ficou decidido pelo Tribunal de origem configura deficiência da fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. (..) 7. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp 1.844.790/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023 - grifou-se) Ante o exposto, defiro o pedido de gratuidade da justiça, sem efeitos retroativos e, no mais, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recorrente não foi condenado ao pagamento de honorários sucumbencias nas instâncias ordinárias. Publique-se. Intimem-se. EMENTA