AREsp 2734131 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, por ausência de demonstração da violação alegada e por incidência da vedação ao reexame de fatos e provas, negou-se provimento ao recurso; rejeitou-se a suspensão do feito em razão da liquidação extrajudicial com base em precedentes que temperam a incidência do art. 18...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: PORTOCRED S. A. - CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL; Recorrido: LEANDRO CARVALHO DA ANUNCIACAO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Ação Revisional De Contrato Bancário / Recurso Especial (agravo Conhecido, Recurso Especial Conhecido Em Parte)
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Revisional De Contrato, Repetição De Indébito, Liquidação Extrajudicial E Suspensão Do Processo, Gratuidade Da Justiça, Fundamentação Judicial (art. 489 Cpc), Dissídio Jurisprudencial, Reexame De Fatos E Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PORTOCRED S. A. - CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL
Recorrente
LEANDRO CARVALHO DA ANUNCIACAO
Recorrido
Procedural Posture
Ação Revisional De Contrato Bancário / Recurso Especial (agravo Conhecido, Recurso Especial Conhecido Em Parte)
Legal Issues
- 1 suspensão do feito em razão de liquidação extrajudicial
- 2 concessão de gratuidade da justiça a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial
- 3 violação do art. 489 do CPC (fundamentação)
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, por ausência de demonstração da violação alegada e por incidência da vedação ao reexame de fatos e provas, negou-se provimento ao recurso; rejeitou-se a suspensão do feito em razão da liquidação extrajudicial com base em precedentes que temperam a incidência do art. 18 da Lei 6.024/1974; indeferiu-se a gratuidade por demonstração de recolhimento de custas; entendeu-se inexistente violação do art. 489 do CPC e não demonstrado o dissídio jurisprudencial por ausência de cotejo analítico e similitude fática.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo interposto
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se recurso especial interposto por PORTOCRED S. A. - CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL , fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Ação: revisional de contrato bancário, ajuizada por LEANDRO CARVALHO DA ANUNCIACAO em face de PORTOCRED S. A. - CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL. Sentença: julgou procedentes os pedidos formulados na exordial. Acórdão: deu parcial provimento ao recurso interposto pelo agravante, nos termos assim ementados: "APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. 1. DESACOLHIDO O PEDIDO DE SUSPENSÃO PROCESSUAL. FEITO QUE DEVE PROSSEGUIR ATÉ DECISÃO DEFINITIVA ACERCA DO DIREITO DA PARTE AUTORA. 2. GRATUIDADE PROCESSUAL INDEFERIDA À APELANTE. AUSENTE DEMONSTRAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA DO BANCO EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. 3. NULIDADE DA SENTENÇA NÃO VERIFICADA. AFASTADA A PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO VERIFICADAS AS HIPÓTESES DO ART. 489 DO CPC. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PARTE RÉ QUE, AO SER INTIMADA PARA DIZER SOBRE O INTERESSE NA PRODUÇÃO DE PROVAS, SILENCIOU. 4. NÃO CONHECIDA A ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA NO QUE TANGE A READEQUAÇÃO E SUSPENSÃO DOS DESCONTOS. ALEGAÇÃO FEITA APENAS EM SEDE DE APELAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO SOB PENA DE SUPRESSÃO DE GRAU DE JURISDIÇÃO. 5. ALEGADA ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS AOS ÍNDICES ESTIPULADOS PELO DECRETO Nº 22.626/33, CONFORME SÚMULA 596 DO STF. JUROS SUPERIORES A 12% AO ANO QUE NÃO INDICAM, POR SI SÓ, ABUSIVIDADE (SÚMULA 382 DO STJ). 6. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DAS TAXAS CONTRATADAS NOS CASOS EM QUE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE CONSUMO E CONSTATADA A ABUSIVIDADE. RECURSO ESPECIAL Nº 1.061.530/RS JULGADO COM EFEITO REPETITIVO. 7. RELAÇÃO DE CONSUMO EVIDENCIADA NO CASO CONCRETO. SÚMULA 297 DO STJ. 8. TAXA DE JUROS CONTRATUALMENTE FIXADA QUE EXTRAPOLA SUBSTANCIALMENTE A TAXA MÉDIA DE JUROS DO BACEN. MANIFESTA DESPROPORÇÃO DAS TAXAS DE JUROS FIXADAS EM RELAÇÃO ÀS TAXAS MÉDIAS DE MERCADO SEM A DEMONSTRAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS CAPAZES DE JUSTIFICAR A REFERIDA ASSIMETRIA. 9. DESVANTAGEM EXCESSIVA AO CONSUMIDOR. ABUSIVIDADE CONSTATADA. AFRONTA AO ART. 51, INCISO IV E §1º, INCISO III, DO CDC. CABÍVEL 10. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA DO BACEN CONSIDERADA A DATA DA CONTRATAÇÃO. 11. DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR, NA FORMA SIMPLES. CONFORME CORTE ESPECIAL DO EGRÉGIO STJ. 12. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES A SEREM REPETIDOS/COMPENSADOS. CORREÇÃO MONETÁRIA PELO IPCA, A CONTAR DO DESEMBOLSO. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA SELIC, DESDE A CITAÇÃO, SENDO VEDADA, A PARTIR DE ENTÃO, SUA CUMULAÇÃO COM OUTROS ENCARGOS. 13. INVIÁVEL A MINORAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA FIXADA NA ORIGEM, POSTO QUE ADEQUADA AO CASO EM QUESTÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS, NOS TERMOS DA ORIENTAÇÃO VERTIDA NO RESP Nº 1864633/RS. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E, NA PARTE CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDO." Recurso especial: alega violação dos arts. 51 do CDC e do art. 489, §1º e 927, III, do CPC, bem como dissídio jurisprudencial. Alega que o acórdão foi omisso em relação ao argumento de que não fora observada a jurisprudência do STJ. Argumenta que não foi adotada a jurisprudência deste STJ no sentido de que devem ser observadas as particularidades do contrato para analisar se está configurada a abusividade. Sustenta que o acórdão recorrido violou o art. 51 do CD C porquanto não foram analisadas particularidades do contrato bancário. Requer a suspensão do processo e o benefício da gratuidade da justiça. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da suspensão do feito De início, em suas razões de recurso especial, alega a parte agravante que teve decretada a sua liquidação extrajudicial, através do Ato do Presidente do Banco Central nº 1.360 de 15/02/2023, nomeando como liquidando o Sr. Cornélio Farias Pimentel, e, com base no artigo 18 da Lei 6.024/74, que dispõe sobre a intervenção e liquidação extrajudicial, requerer a suspensão do presente processo. No entanto, acerca do referido pedido em decorrência da decretação de liquidação extrajudicial, a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que a regra contida no art. 18, a, Lei 6.024/1974 deve ser interpretada com temperamento, afastando-se sua incidência nos processos de conhecimento que buscam obter declaração judicial de crédito, a qual interferirá na formação do título executivo, que será passível de habilitação no processo de liquidação, sem implicar a redução do acervo patrimonial da massa objeto de liquidação (REsp 1.298.237/DF, Terceira Turma, DJe 25/05/2015). Ainda nesse sentido: AgInt no REsp 1.969.577/ES, Quarta Turma, DJe 31/03/2023; AgInt no REsp 1.985.667/ES, Quarta Turma, DJe 15/08/2022; AgInt no REsp 1.783.833/SP, Terceira Turma, DJe 27/10/2020; AgInt no AREsp 1.526.212/SP, Terceira Turma, DJe 12/06/2020. Assim, por ora, não merece acolhimento o pedido de suspensão do feito. - Da gratuidade da justiça Segue a parte agravante, em suas razões de recurso especial, e requer o deferimento da Assistência Judiciária Gratuita, alegando que, analisando-se a documentação financeira e contábil acostada aos autos, não restam dúvidas acerca da total incapacidade da parte agravante de arcar as custas processuais em 7000 processos em que é demandada, restando configurada a sua condição de hipossuficiência. Nessa linha, quanto ao pedido de concessão dos benefícios da gratuidade da justiça, está Corte já estabeleceu que a simples decretação de liquidação extrajudicial não tem o condão de, por si só, induzir ao reconhecimento da hipossuficiência financeira da pessoa jurídica. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.978.978/GO, Quarta Turma, DJe 29/04/2022 e AgInt no AREsp 1.323.108/ES, Terceira Turma, DJe 14/06/2019. Além disso, cumpre ressaltar que o benefício da gratuidade da justiça pode ser requerido a qualquer tempo e fase processual, contudo sua concessão não possui efeito retroativo. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.718.508/ES, Terceira Turma, DJe 27/11/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.064.017/SC, Quarta Turma, DJe 20/05/2019; AgInt no AREsp 862.843/PR, Terceira Turma, DJe 28/08/2017. Na espécie, mesmo com as alegações apresentadas pela agravante, houve o recolhimento das custas. Nesse sentido, não há que se falar em concessão do benefício requerido, ante a conduta da agravante que demonstra haver possibilidade de pagamento das custas devidas, mesmo diante da argumentação apresentada. - Da violação do art. 489 do CPC Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito e fundamentado suficientemente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. - Da fundamentação deficiente Os argumentos invocados pela agravante não demonstram como o acórdão recorrido violou o art.927, CPC, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. - Do reexame de fatos e provas e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao fato de que a taxa de juros remuneratórios contratada foi abusiva, exige o reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1.029, § 1º do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, IV, "a", do CPC/2015, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em R$ 1.500,00 (e-STJ fl. 559) para R$ 1.800,00. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. DECRETAÇÃO. SUSPENSÃO. NÃO CABIMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. INDEFERIMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 282/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação revisional de contrato bancário cumulada com repetição de indébito. 2. A regra contida no art. 18, "a" , Lei 6.024/1974 deve ser interpretada com temperamento, afastando-se sua incidência nos processos de conhecimento que buscam obter declaração judicial de crédito. 3. Não há que se falar em concessão da gratuidade requerida, uma vez que a parte possui condições de arcar com o pagamento das custas e dos honorários. 4. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há violação do art. 489 do CPC. 5. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 6. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 7. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 8 . Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido.