AREsp 2808987 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque a insurgência pretende rediscutir avaliação de fatos e provas realizada pelas instâncias ordinárias — em especial a conclusão de abusividade das taxas comparadas à taxa média de mercado do BACEN — matéria vedada em recurso especial pela incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e...
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- Parties
- Agravante: CREFISA; Agravada: Francisca Donizete Bueno de Souza
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo denegado (nego provimento ao agravo).
- Legal Topics
- Revisional De Contrato De Empréstimo Pessoal, Juros Remuneratórios, Inadmissão De Recurso Especial, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Honorários Advocatícios
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Parties
CREFISA
Agravante
Francisca Donizete Bueno de Souza
Agravada
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 abusividade da taxa de juros remuneratórios em comparação com a taxa média de mercado do Banco Central
- 2 inadmissão do recurso especial em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e do art. 1.030, I, "b", do CPC/2015
- 3 apreciação das provas e das peculiaridades do contrato pelas instâncias ordinárias
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque a insurgência pretende rediscutir avaliação de fatos e provas realizada pelas instâncias ordinárias — em especial a conclusão de abusividade das taxas comparadas à taxa média de mercado do BACEN — matéria vedada em recurso especial pela incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e pelo art. 1.030, I, "b", do CPC/2015; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo denegado (nego provimento ao agravo).
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoro os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e da aplicação do art. 1.030, I, "b", do CPC/2015 (e-STJ fls. 942/946). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fls. 645/646): BANCÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVIS IONAL DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL, CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. FEITO QUE SE SUBMETE AO PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL (CC, ARTIGO 205). PRECEDENTES DO STJ E DESTE TRIBUNAL. 2. PEDIDO DE EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO AO NUMOPEDE, À OAB E À DELEGACIA DE POLÍCIA E INTIMAÇÃO DA PARTE PARA CONFIRMAR CONTRATAÇÃO DO ADVOGADO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADES AFERÍVEIS E SEQUER INDÍCIOS DE MÁ-FÉ, DOLO OU ATUAÇÃO TEMERÁRIA. EVENTUAL CONDUTA DE MÁ-FÉ DO ADVOGADO QUE DEVE SER APURADA EM AÇÃO PRÓPRIA 3. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. NÃO APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 22.626/1933 (LEI DE USURA). SÚMULA 596 DO STF. ESTIPULAÇÃO EM LIMITE SUPERIOR A 12% AO ANO QUE, POR SI SÓ, NÃO REFLETE ABUSIVIDADE. PRECEDENTE DO STJ NO RESP Nº 1.061.530/RS, JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ABUSIVIDADE VERIFICADA EM RELAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO DISPONIBILIZADA PELO BACEN NO MESMO PERÍODO REFERENTE À CONTRATO DE EMPRÉSTIMO NÃO CONSIGNADO. LIMITAÇÃO DOS JUROS À TAXA MÉDIA DE MERCADO CONFORME PEDIDO DO RECURSO DE APELAÇÃO (2). 4. COBRADOS INDEVIDAMENTE. RESTITUIÇÃO DOS VALORES PRINCÍPIOS DE VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO, BOA- FÉ E EQUIDADE. 5. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS EM RAZÃO DO DESPROVIMENTO DO RECURSO (CPC, ART. 85, § 2º,). RECURSO DE APELAÇÃO (1) DA CREFISA DESPROVIDO. RECURSO DE APELAÇÃO (2) DE FRANCISCA PROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 765/771). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 777/812), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte alegou dissídio jurisprudencial e violação do art. 421 do CC, pois (e-STJ fl. 787): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. No agravo (e-STJ fls. 1.006/1.015), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 1.024/1.038). É o relatório. Decido. Ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios no caso concreto (e-STJ fl . 658): Verifica-se que as taxas de juros contratadas superam em mais de uma vez e meia a taxa média de mercado disponibilizada pelo Banco Central em relação ao mesmo período e mesma espécie de contrato, evidenciada, portanto a abusividade .. Não merece prosperar a alegação da quinto lugar apelante Crefisa de que realiza empréstimo para inadimplentes e negativados e que a remuneração cobrada no mercado financeiro deverá ser maior quanto maior foi o risco de inadimplência e de demora na recuperação do valor emprestado, a fim de justificar as altas taxas de juros cobradas. 25. A apelante Crefisa não comprovou, no presente caso, que o autor estava com o nome negativado nos cadastros de inadimplentes na época da contratação do empréstimo ou ainda que existia um maior risco de inadimplência no negócio jurídico em questão que justificasse a cobrança de juros excessivamente maiores do que a taxa média de mercado. Dessa forma, em conformidade com o entendimento majoritário dessa Câmara, merece ser provido o recurso de apelação (2) de Francisca Donizete Bueno de Souza para determinar que a redução da taxa de juros remuneratórios para a taxa média de mercado. 26. Também não restou demonstrado que essa informação foi claramente explicada ao cliente no momento da assinatura do contrato, para que ele pudesse ter consciência de que a apelante cobra juros remuneratórios em taxa muito superior à taxa média de mercado pelo fato de atender clientes com perfil diferenciado. Desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente, e, assim, acolher os argumentos do recurso especial é inviável, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA