HC 935146 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a alegada ilegalidade da busca pessoal não é flagrante: a abordagem policial foi amparada por fundadas suspeitas objetivas (motocicleta em alta velocidade em local associado ao tráfico), legitimando a busca e afastando a nulidade pretendida pela defesa.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ANDRE JORGE MENDES GENEROSO; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do mandamus
- Legal Topics
- Revista Pessoal, Busca Pessoal, Fundada Suspeita, Ilegalidade De Prova, Recurso Cabível
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Parties
ANDRE JORGE MENDES GENEROSO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 nulidade da busca pessoal por ausência de fundadas suspeitas
- 2 possibilidade de utilização do habeas corpus como sucedâneo recursal
- 3 requisitos legais para busca pessoal e veicular
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a alegada ilegalidade da busca pessoal não é flagrante: a abordagem policial foi amparada por fundadas suspeitas objetivas (motocicleta em alta velocidade em local associado ao tráfico), legitimando a busca e afastando a nulidade pretendida pela defesa.
Court Disposition
não conheço do mandamus
Orders
- Não conheço do mandamus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ANDRE JORGE MENDES GENEROSO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (Apelação Criminal n. 0257246-30.2021.8.19.0001). No presente writ, sustenta a defesa a nulidade da busca pessoal realizada, pois ausente fundadas suspeitas de que o paciente praticava algum delito. Requer, ao final, seja declarada a nulidade da prova decorrente da ilegal busca pessoal. Com vista dos autos, opinou o Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ (e-STJ fls. 57/61). É o relatório. Decido. De acordo com a nossa sistemática recursal, o recurso cabível contra acórdão do Tribunal de origem que denega a ordem no habeas corpus é o recurso ordinário, consoante dispõe o art. 105, II, "a", da Constituição Federal. Do mesmo modo, o recurso adequado contra acórdão que julga apelação ou recurso em sentido estrito é o recurso especial, nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal. Assim, o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. Busca-se, no presente caso, seja reconhecida a nulidade da busca pessoal realizada pela polícia. A jurisprudência desta Corte Superior tem entendido que a revista pessoal sem autorização judicial prévia somente pode ser realizada diante de fundadas suspeitas de que a pessoa oculte consigo arma proibida, coisas achadas ou obtidas por meios criminosos, instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos; ou objetos necessários à prova de infração, na forma do disposto no § 2º do art. 240 e no art. 244, ambos do Código de Processo Penal. Nessa linha de entendimento, "não satisfazem a exigência legal, por si sós para a realização de busca pessoal/veicular , meras informações de fonte não identificada (e. g. denúncias anônimas) ou intuições e impressões subjetivas, intangíveis e não demonstráveis de maneira clara e concreta, apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tirocínio policial. Ante a ausência de descrição concreta e precisa, pautada em elementos objetivos, a classificação subjetiva de determinada atitude ou aparência como suspeita, ou de certa reação ou expressão corporal como nervosa, não preenche o standard probatório de "fundada suspeita" exigido pelo art. 244 do CPP" (RHC n. 158.580/BA, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 19/4/2022, DJe 25/4/2022). A Corte local, ao analisar a alegação defensiva, considerou que (e-STJ fls. 17/18): Por sua vez, não merecem prosperar os argumentos defensivos no sentido de que não haveria fundadas suspeitas a ensejar a revista pessoal que culminou na apreensão do aparelho furtado, bem como na prisão do recorrente. Muito pelo contrário, extrai-se dos autos que os policiais militares estavam em patrulhamento na Praça Nazaré, na "beirola" da Comunidade do Parque Esperança, local próximo à Comunidade e onde ficam várias motos pertencentes a traficantes estacionadas, sendo certo ainda que essas são utilizadas pelos traficantes para fazer a "travessia" de drogas de um local para outro. Nesta oportunidade ambos os policiais tiveram a atenção voltada para a moto que trafegava em alta velocidade, levantando suspeitas quanto aos seus ocupantes, o que motivou a revista pessoal em ambos, culminando com a prisão em flagrante do recorrente. Tem-se manifesta, dessa forma, a existência de fundadas razões para a abordagem do paciente, uma vez que os policiais estavam realizando prévias diligências, sendo que o paciente estava na garupa de uma motocicleta em alta velocidade, contexto que revela dados concretos, objetivos e idôneos aptos a legitimar as diligências, tanto no condutor da motocicleta quanto no garupa. Desse modo, a busca pessoal traduziu exercício regular da atividade investigativa promovida pela autoridade policial. Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ILEGALIDADE DA BUSCA VEICULAR. INOCORRÊNCIA. FUNDADAS RAZÕES. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Ressalvadas as hipóteses em que o automóvel é utilizado para fins de habitação, equipara-se a busca veicular à busca pessoal, sem exigência de mandado judicial, sendo suficiente a presença de fundada suspeita de crime. 2. Hipótese em que a fundada suspeita reside no fato de os policiais, em patrulhamento, terem avistado o paciente em alta velocidade, tendo realizado "uma curva de foram brusca, fora do normal", de modo em que os policiais resolveram fazer a abordagem no veículo em que estava juntamente com um colega. Ao ser indagado acerca do conteúdo da mochila presente no banco traseiro, o acusado não respondeu, tendo os policias realizado a busca e logrado em aprender no interior da referida mochila 3 peças de maconha (1,745 kg), 2 de cocaína (1,400 kg), além de 1 balança de precisão. Nesse contexto, é justa a busca veicular diante do caso concreto em exame. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 821.264/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023.) Não se vislumbra, portanto, qualquer ilegalidade na atuação dos policiais, "amparados que estão pelo Código de Processo Penal para abordar quem quer que esteja atuando de modo suspeito ou furtivo, não havendo razão para manietar a atividade policial sem indícios de que a abordagem ocorreu por perseguição pessoal ou preconceito de raça ou classe social, motivos que, obviamente, conduziriam à nulidade da busca pessoal, o que não se verificou no caso". (AgRg no HC n. 832.832/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.) De fato, nas palavras do Ministro Gilmar Mendes, "se um agente do Estado não puder realizar abordagem em via pública a partir de comportamentos suspeitos do alvo, tais como fuga, gesticulações e demais reações típicas, já conhecidas pela ciência aplicada à atividade policial, haverá sério comprometimento do exercício da segurança pública" (RHC 229.514/PE, julgado em 28/8/2023). Ante o exposto, não conheço do mandamus. Publique-se. EMENTA