AREsp 2928568 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por incidência da Súmula 7 do STJ, ante a necessidade de reexame de provas para modificar o juízo de absolvição proferido pelo Tribunal de Justiça, e por não se demonstrar vício apto a violar o art. 619 do CPP nos embargos de declaração.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ; Réu: JAMES ALVES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Roubo Qualificado (art. 157, §3º Do Cp), Reconhecimento Fotográfico (art. 226 Do CPP / Tema 1258), Súmula 7 Do STJ (impossibilidade De Reexame De Provas), Princípio Do in Dubio Pro Reo, Embargos De Declaração (art. 619 Do Cpp)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ
Agravante
JAMES ALVES DA SILVA
Réu
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Violação ao art.157, §3º do CP (discussão sobre autoria e prova)
- 2 Violação ao art.619 do CPP (ausência de omissão, contradição ou obscuridade)
- 3 Admissibilidade do recurso especial e aplicação da Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por incidência da Súmula 7 do STJ, ante a necessidade de reexame de provas para modificar o juízo de absolvição proferido pelo Tribunal de Justiça, e por não se demonstrar vício apto a violar o art. 619 do CPP nos embargos de declaração.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo de MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 0011270-60.2013.8.18.0140. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática do delito tipificado no art. 157, §3º, do Código Penal (roubo com lesão grave), à pena de 8 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e 11 dias-multa (fl. 334). Recurso de apelação interposto pela defesa foi provido para absolver o acusado (fl. 411/425). O acórdão ficou assim ementado: "APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO QUALIFICADO. PEDIDO DE A B S O L V I Ç Ã O . V I A B I L I D A D E . F R A G I L I D A D E P R O B A T Ó R I A V I S L U M B R A D A . I N S U F I C I Ê N C I A D E P R O V A S P A R A A CONDENAÇÃO. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. 1. A materialidade restou comprovada através do auto de apresentação e apreensão, pelo laudo de exame pericial de lesão corporal da ofendida e pela prova oral colhida nos autos, dentre elas as declarações da vítima. Por outro lado, a prova colhida nos autos não logrou êxito em apontar a autoria delitiva, sendo precária para ensejar a condenação do acusado pelo crime de roubo qualificado. 2. Não existindo a certeza necessária para embasar um juízo condenatório e considerando que não é possível, no processo penal, a condenação com base apenas em indícios e suposições, impõe-se a aplicação do princípio do in dubio pro reo e, consequente, absolvição do apelante. 3. Recurso conhecido e provido." (fl. 411/412) Embargos de declaração opostos pela acusação foram rejeitados (fl. 468/482). O acórdão ficou assim ementado: "EMBARGOS DECLARATÓRIOS NA APELAÇÃO CRIMINAL. O B S C U R I D A D E , C O N T R A D I Ç Ã O E O M I S S Ã O N Ã O D E M O N S T R A D A S . R E D I S C U S S Ã O D A M A T É R I A . INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS IMPROVIDOS." (fl. 482) Em sede de recurso especial (fls. 488/451), a acusação apontou violação ao art. 157, §3º do CP e art. 619 do CPP, porque o TJ absolveu o acusado por insuficiência de provas. Requer a condenação do acusado. Contrarrazões do JAMES ALVES DA SILVA, LUCAS ÍTALO DOS SANTOS (fls. 505/518). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão de óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça (fls. 520/525). Em agravo em recurso especial, a acusação impugnou os referidos óbices (fls. 528/540). Não consta contraminuta da defesa. Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal, este opinou pelo provimento do recurso especial (fls. 565/569). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Sobre a violação ao art. 157, §3º do CP, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ absolveu o acusado nos seguintes termos do voto do relator: "A vítima, portanto, narrou toda a ação criminosa e indicou que o apelante seria a pessoa que estava pilotando a motocicleta utilizada no delito. Ao ser indagada sobre como se deu o reconhecimento do acusado, informou que foi através de fotografias mostradas na delegacia (auto de reconhecimento inválido). A ofendida ressaltou, ainda, que "entregou na delegacia o DVD com a filmagem pois tinha uma câmera na casa da paciente da depoente; que dava para ver as duas pessoas" que praticaram o crime. Ocorre que a mídia indicada não foi juntada aos autos, além disso não ficou claro se a vítima conseguiu identificar os autores pelas filmagens ou se apenas dava para visualizar a ação criminosa. Anote-se que a vítima não realizou o reconhecimento presencial do acusado na audiência de instrução e julgamento. O réu, ouvido apenas em juízo, negou a autoria delitiva. Assim, não obstante a materialidade tenha sido comprovada, a prova colhida nos autos não logrou êxito em apontar a autoria delitiva, sendo precária para ensejar a condenação do acusado pelo crime de roubo qualificado. Não existindo, pois, a certeza necessária para embasar um juízo condenatório e considerando que não é possível, no processo penal, a condenação com base apenas em indícios e suposições, impõe-se a aplicação do princípio do in dubio pro reo e, consequente, absolvição do acusado James Alves da Silva." (fl. 416/417). Extrai-se do trecho acima que a sentença havia condenado o acusado com base no reconhecimento feito na Delegacia através de fotografias. Todavia, o acórdão considerou que esta prova é inválida uma vez que não obedeceu às formalidades legais. Ausentes quaisquer outras provas que indicassem com a certeza necessária que o acusado tivesse sido o autor do delito, o Tribunal de Justiça, pautado no benefício da dúvida em favor do réu, fez por bem em absolver o mesmo. Primeiramente, importante esclarecer que a invalidade do reconhecimento por fotografia feito na Delegacia está correto e em consonância com o que tem decidido esta Corte Superior. Nesse sentido o Tema 1258 que firmou como tese: "As regras postas no art. 226 do CPP são de observância obrigatória tanto em sede inquisitorial quanto em juízo, sob pena de invalidade da prova destinada a demonstrar a autoria delitiva, em alinhamento com as normas do Conselho Nacional de Justiça sobre o tema. O reconhecimento fotográfico e/ou pessoal inválido não poderá servir de lastro nem a condenação nem a decisões que exijam menor rigor quanto ao standard probatório, tais como a decretação de prisão preventiva, o recebimento de denúncia ou a pronúncia". Pautado em tais premissas, o Tribunal de Justiça entendeu que a prova restante, no que diz respeito à autoria, não era suficiente para a condenação vez que não ficou suficientemente esclarecido no depoimento da vítima. Portanto, absolveu o acusado diante da análise da prova. Por certo que não é possível nova análise das provas, depoimentos nesta fase recursal. Tal entendimento encontra amparo na jurisprudência desta Corte, pois , de fato, para se concluir de modo diverso, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. No mesmo sentido, citam-se precedentes (grifos nossos): PENAL. PROCESSO PENAL AGRAVOREGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.TRÁFICO DE DROGAS. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 156 E 386, VII, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. PLEITO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA ACONDUTADO ART. 28 DA LEI N. 11.343/06. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DO ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA N. 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg noAREsp 2316455 /SP Ministro JOEL ILAN PACIORNIK QUINTA TURMA DJe 29/11/2023) "Nos termos da Súmula 7 do STJ, não se conhece do recurso especial na hipótese em que a pretensão recursal é dependente do reexame de provas" (AgInt nos E Dcl no R Esp n.º 1.904.313-SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 17/5/2021, D Je de 19/5/2021.). Sobre a violação ao art. 619 do CPP, o TJ não reconheceu qualquer vício no acórdão, nos seguintes termos do voto do relator: "É fácil verificar, pois, que o embargante busca exatamente rediscutir matéria decidida no corpo da decisão embargada, pretendendo, assim, ver modificado o julgado que lhe foi desfavorável. Portanto, os embargos declaratórios não constituem recurso idôneo para julgar novamente a causa. Ausente qualquer vício a ser sanado no acórdão proferido, não há como dar guarida aos presentes embargos." (fl. 474) Extrai-se do trecho acima que o Tribunal não reconheceu qualquer vício no acórdão passível de ataque pelos embargos de declaração. Outrossim, o acórdão que absolveu o acusado foi claro quanto aos argumentos utilizados no sentido da ausência de provas suficientes para a condenação, não sendo necessário expor mais do que foi exposto. Tal entendimento encontra amparo na jurisprudência desta Corte. No mesmo sentido, citam-se precedentes: "Inexiste omissão e, consequentemente, violação do art. 619 do CPP quando desenvolvida fundamentação suficiente a respeito de questão controvertida" (AgRg nos E Dcl nos E Dcl no AR Esp n.º 1.727.976-DF, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 7/6/2022, D Je de 10/6/2022.). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA