HC 939570 - DECISAO
A alteração introduzida pela Lei n. 14.843/2024 restringe de forma mais gravosa o instituto da saída temporária e do trabalho externo (novatio legis in pejus); por força do princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa (CF, art. 5º, XL; CP, art. 2º) e do princípio da individualização da pena na fase executória, a nova restrição não pode retroagir para alcançar execuções formadas antes de sua vigência; houve, assim, coação ilegal na revogação dos benefícios, justificando-se a concessão da ordem, de ofício, para restabelecer as saídas temporárias e o trabalho externo anteriormente autorizados.
- Parties
- Paciente: IAN MENEZES FERNANDES; Órgão Prolator Do Acórdão / Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (não Conhecimento E Concessão Da Ordem, De Ofício)
- Legal Topics
- Saída Temporária, Trabalho Externo, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus, Individualização Da Pena, Habeas Corpus De Ofício
Case Brief
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Parties
IAN MENEZES FERNANDES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Órgão Prolator Do Acórdão / Coator
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (não Conhecimento E Concessão Da Ordem, De Ofício)
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa da Lei n. 14.843/2024 às saídas temporárias e trabalho externo
- 2 Natureza da norma (processual vs. penal) e sua aplicação imediata
- 3 Presença de flagrante ilegalidade para concessão de habeas corpus de ofício
Ratio Decidendi
A alteração introduzida pela Lei n. 14.843/2024 restringe de forma mais gravosa o instituto da saída temporária e do trabalho externo (novatio legis in pejus); por força do princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa (CF, art. 5º, XL; CP, art. 2º) e do princípio da individualização da pena na fase executória, a nova restrição não pode retroagir para alcançar execuções formadas antes de sua vigência; houve, assim, coação ilegal na revogação dos benefícios, justificando-se a concessão da ordem, de ofício, para restabelecer as saídas temporárias e o trabalho externo anteriormente autorizados.
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