HC 909393 - DECISAO
O pedido liminar foi indeferido por inexistir demonstração suficiente de fumus boni iuris e periculum in mora, não estando caracterizada flagrante ilegalidade apta a superar o óbice da Súmula 691/STF, especialmente diante da alteração legislativa introduzida pela Lei 14.843/2024, cuja aplicação imediata veda os...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: Paciente; Impetrante: Defesa; Coatora: Juízo da Vara de Execução Penal da Comarca de Ipatinga/MG; Interessado: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Indeferido o pedido liminar
- Legal Topics
- Saída Temporária, Trabalho Externo, Aplicação Da Lei Penal No Tempo, Súmula 691/stf, Lei 14.843/2024
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Paciente
Paciente
Defesa
Impetrante
Juízo da Vara de Execução Penal da Comarca de Ipatinga/MG
Coatora
Ministério Público
Interessado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 possibilidade de impetração de habeas corpus contra indeferimento de liminar à luz da Súmula 691/STF
- 2 aplicabilidade imediata da Lei 14.843/2024 às saídas temporárias e ao trabalho externo
- 3 necessidade de demonstrar flagrante ilegalidade ou teratologia para superar o óbice sumular
Ratio Decidendi
O pedido liminar foi indeferido por inexistir demonstração suficiente de fumus boni iuris e periculum in mora, não estando caracterizada flagrante ilegalidade apta a superar o óbice da Súmula 691/STF, especialmente diante da alteração legislativa introduzida pela Lei 14.843/2024, cuja aplicação imediata veda os benefícios pleiteados, cabendo ao Tribunal de origem a análise do mérito.
Court Disposition
Indeferido o pedido liminar
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus, com fulcro no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em face de decisão que indeferiu a liminar no writ de origem. Consta dos autos que o sentenciado foi condenado ao regime inicial semiaberto pela prática do crime de homicídio qualificado e, posteriormente, foi autorizado a desempenhar trabalho externo e gozar de saída temporária. Ocorre que, "Os benefícios, contudo, foram revogados pelo magistrado singular, sob o fundamento de que a Lei 14.843/2024 veda a concessão do benefício, haja vista que o reeducando cumpre pena por crime hediondo" (fl. 4). Inconformada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de Justiça de Minas Gerais requerendo, liminarmente, a suspensão dos efeitos da decisão prolatada pelo magistrado singular, restabelecendo o trabalho externo do paciente. Todavia, o pleito liminar foi indeferido. Neste writ, a parte impetrante sustenta que deve ser superado o óbice da Súmula 691/STF, haja vista a existência de flagrante ilegalidade ou teratologia, haja vista a "contrariedade a dispositivos constitucionais, tal como o artigo 5º, inciso XL da Constituição Federal que dispõe que "a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu"" (fl. 5). Aduz que "o paciente se encontra em cumprimento de pena em regime semiaberto e fez jus à às saídas temporárias e o trabalho externo, nos termos da antiga redação dada à Lei de Execução Penal" (fl. 6). Requer, liminarmente, sejam suspensos os efeitos da decisão do Juízo da Vara de Execução Penal da Comarca de Ipatinga/MG e autorizada a continuidade do trabalho externo do sentenciado até o julgamento do mérito do presente habeas corpus. No mérito, pede que seja cassada a decisão do juízo, restabelecendo ao paciente os benefícios do trabalho externo e saída temporária, porquanto inaplicável, no presente caso, a Lei 14.843/2024, sobretudo no que tange aos benefícios supracitados. Nos termos da Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal, em regra, não se admite a impetração de habeas corpus contra decisão que indefere a liminar na origem, sob pena de indevida supressão de instância, ressalvadas as hipóteses em que evidenciada decisão teratológica ou desprovida de fundamentação. A decisão que indeferiu a liminar no writ de origem está assim fundamentada (fls. 10/11): Vistos. Trata-se de habeas corpus em que o paciente sustenta estar sofrendo constrangimento ilegal por parte da autoridade indigitada coatora. Foi requerida a concessão de medida liminar para afastar o alegado constrangimento. Data vênia, não é o caso de deferimento. Isso porque a concessão de liminar na precária via do habeas corpus só é possível quando inegavelmente demonstrados o perigo na demora e a fumaça do bom direito, o que não é o caso, data vênia. Se o periculum in mora parece sempre existir quando se trata do remédio heroico, fato é que não foi aqui cabalmente demonstrado o fumus boni iuris ensejador da ordem precária. A precariedade de informações, em que pese a inicial ter descrito a ilegalidade e ter vindo acompanhada de documentos, não autoriza desde logo a conclusão de que o juízo a quo agiu arbitrária e ilegalmente. É certo que a liminar, que nem sequer tem previsão legal, só poderia ser deferida se o paciente demonstrasse a coação desmedida por parte da autoridade impetrada de forma plena e induvidosa. Não sendo o caso, a prudência recomenda sejam colhidas informações do juízo a quo para que melhor se apure o fato e, então, se decida sobre a existência de constrangimento ilegal que deva ser sanado na presente via. Assim, INDEFIRO O PEDIDO LIMINAR. Por sua vez, a decisão do juízo da execução assim dispôs (fl. 20): Saídas temporárias e trabalho externo Acerca do tema, a LEP, no §2º do artigo 122, com a nova redação conferida pela Lei 14.843/2024, publicada em 11/04/2024 estabeleceu que "Não terá direito à saída temporária deque trata o caput deste artigo ou a trabalho externo sem vigilância direta o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa". Entretanto, diferente do alegado pelo Ministério Público, o entendimento firmado por este juízo é o de que a nova lei que disciplina a vedação das saídas temporárias e trabalho externo aos condenados por crimes hediondos e com violência ou grave ameaça tem aplicação imediata, por se tratar de norma processual, nos termos do artigo 2º do CPP. In casu, verifico que o sentenciado cumpre pena por crime de homicídio qualificado (hediondo), de forma que é vedada a concessão dos benefícios. Ante o exposto, REVOGO a saída temporária concedida pela decisão de seq. 264.1. e a autorização de trabalho externo sem vigilância concedida pelo seq. 237.1. Da análise da documentação acostada aos autos, verifica-se que não está caracterizada flagrante ilegalidade suficiente para superar o óbice do referido enunciado sumular, sobretudo diante da recente alteração legislativa promovida pela Lei n. 14.843/2024, de 11/04/2024, que, dentre as modificações promovidas na Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/1984 - LEP), determinou que o 122, §2º da LEP passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 122. § 2º Não terá direito à saída temporária de que trata o caput deste artigo ou a trabalho externo sem vigilância direta o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa. Assim, não obstante os fundamentos apresentados pela defesa, é imprescindível uma análise mais aprofundada dos elementos de convicção constantes dos autos, para se aferir a existência de constrangimento ilegal. Assim, tendo em vista o exposto na decisão que indeferiu o pedido de liminar, não vejo manifesta ilegalidade apta a autorizar a mitigação da Súmula 691/STF, uma vez ausente flagrante ilegalidade, cabendo ao Tribunal de origem a análise da matéria meritória. Além disso, a medida antecipatória postulada confunde-se com o próprio mérito da impetração, o qual deverá ser apreciado em momento oportuno, por ocasião do julgamento definitivo do habeas corpus pela Corte de origem. Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus, com fulcro no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA