HC 963725 - DECISAO
Não se verificou flagrante ilegalidade no indeferimento das saídas temporárias, uma vez que as instâncias ordinárias motivaram a decisão pela incompatibilidade do benefício com os objetivos da pena e pela exígua adaptação ao regime semiaberto; além disso, substituir tal conclusão exigiria reexame do conjunto...
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- Parties
- Paciente: REGINA FARIAS COSTA PAULA; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão (não Conheço Do Habeas Corpus)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Saída Temporária, Progressão De Regime, Compatibilidade Com Os Objetivos Da Pena, Limites Do Habeas Corpus, Requisitos Da Lei De Execução Penal
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Parties
REGINA FARIAS COSTA PAULA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão (não Conheço Do Habeas Corpus)
Legal Issues
- 1 concessão de saída temporária a apenado em regime semiaberto
- 2 verificação do preenchimento dos requisitos do art. 123 da Lei de Execução Penal
- 3 possibilidade de reexame de fatos e provas em habeas corpus
Ratio Decidendi
Não se verificou flagrante ilegalidade no indeferimento das saídas temporárias, uma vez que as instâncias ordinárias motivaram a decisão pela incompatibilidade do benefício com os objetivos da pena e pela exígua adaptação ao regime semiaberto; além disso, substituir tal conclusão exigiria reexame do conjunto fático-probatório, inviável na via do habeas corpus. Assim, não se conhece do habeas corpus.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o MPF desta decisão.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de REGINA FARIAS COSTA PAULA, em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (agravo em execução n. 5014646-74.2023.8.19.0500). Consta dos autos que o juízo da execução indeferiu o pleito de saída temporária (visita periódica ao lar) à paciente. Inconformada, a defesa recorreu ao Tribunal de origem, não obtendo êxito. Daí o presente habeas corpus, no qual a defesa busca, em suma, a concessão de saída temporária à apenada (para visitar sua família). Sustenta que somente foram utilizadas razões abstratas, como a gravidade do delito e a longevidade da pena, para negar a benesse. Assere que a paciente já cumpriu os requisitos e que possui "um histórico carcerário que ostenta comportamento excepcional desde 15/09/2018 e nada menos que 11 (ONZE ) ELOGIOS em sua Transcrição da Ficha Disciplinar, sendo o mais recente datado de 13/05/2024" (fl. 5) e ainda "uma dezena de elogios" (fl. 7). Requer, inclusive liminarmente, a concessão da ordem para que seja deferida a saída temporária. Tudo a ser confirmado no mérito. É o relatório. DECIDO. A controvérsia consiste em se buscar a concessão de saídas temporárias, negadas na origem. Contudo, no presente caso, da análise dos elementos informativos constantes dos autos, não se verifica qualquer flagrante ilegalidade a legitimar a atuação deste Sodalício. Inicialmente, quanto ao pleito de saída temporária, convém registrar o que dispõem hoje os arts. 122 e 123 da Lei de Execução Penal: Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semiaberto poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos: I - (revogado); II - frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução; III - (revogado). § 1º A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução. § 2º Não terá direito à saída temporária de que trata o caput deste artigo ou a trabalho externo sem vigilância direta o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa. § 3º Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante ou de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes. Art. 123. A autorização será concedida por ato motivado do Juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos: I - comportamento adequado; II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente; III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. Destaca-se que as instâncias ordinárias indeferiram o pedido, em especial, por ser o benefício incompatível com os objetivos da pena, haja vista (fls. 67-73): O benefício da visita periódica ao lar tem como me- ta dar início ao processo de ressocialização do apenado, estreitando seus laços familiares, bem como desenvolver seu senso de responsabilidade para que, no futuro, venha a ingressar no regime aberto. Logo, é imprescindível a aferição da compatibilidade do benefício com os objetivos da pena, conforme dispõe o artigo 123, III, da Lei nº 7.210/84, independente da data do término da san- ção. In casu, trata-se de recorrente condenada a pena total de 52 anos e 6 meses pela prática de crimes patrimoniais (roubo, extorsão, latrocínio), cujo término da pena está previsto para 03/08/2035 (e-doc. 2, fls. 18/28). Verifica-se, na hipótese em testilha, que a agravante progrediu para o regime semiaberto em 09 de março de 2023, sendo certo que a decisão ora impugnada data de 14 de junho de 2023. Assim, forçoso reconhecer que, no caso em comento, não houve tempo hábil para aferir a adaptação da recorrente às regras do novo regime, considerando o exíguo intervalo entre a sua inserção no regime semiaberto e a data do indeferimento do pedido. Como cediço, o pleito defensivo deve ser examinado com muita cautela, a fim de não frustrar a execução penal. .. Desta forma, a meu ver, a douta Magistrada a quo decidiu acertadamente, ao indeferir o benefício pleiteado, mostrando- se prematura, ao menos por ora, a concessão de saídas da unidade prisional, sem vigilância. Pelo exposto, voto pelo conhecimento e desprovi- mento do recurso, mantendo a decisão impugnada. Em situação semelhante, já me manifestei: .. No tocante à saída temporária (para estudo e trabalho externo), as instâncias ordinárias entenderam ser o benefício incompatível com os objetivos da pena. Além de o exame criminológico realizado ter sido inconclusivo, o apenado cometeu novo delito no curso da execução penal, após obter um benefício liberatório anterior. Esta Corte Superior sedimentou que a concessão de saída temporária não é consequência necessária da progressão ao regime semiaberto. Precedentes (AgRg no HC n. 869.383/RJ, Quinta Turma, de minha relatoria, DJe de 2/4/2024). Com efeito, o Tribunal de origem está em consonância com o entendimento desta Corte, no sentido de que a concessão de saídas temporárias exige o preenchimento dos requisitos legais, o que não ocorreu in casu. Veja-se: A concessão da saída temporária para o trabalho externo do preso em cumprimento de pena definitiva em regime inicialmente semiaberto depende do cumprimento de requisitos objetivos e subjetivos a serem avaliados pelo Juízo das execuções no curso do cumprimento da pena (AgRg no HC n. 846.062/SC, Sexta Turma, Rel. Min. Jesuíno Rissato, Des. Convocado do TJDFT, DJe de 30/11/2023). Além do mais, esta Corte Superior assentou que a concessão de saída temporária não é consequência necessária da progressão ao regime semiaberto. Vejamos: Acresça-se que a progressão ao regime semiaberto não assegura automaticamente o direito à visitação periódica ao lar (AgRg no HC n. 690.521/RJ, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 14/2/2022). O fato de o apenado estar em regime semiaberto não lhe garante o benefício da saída temporária, devendo preencher os requisitos previstos na Lei de Execução Penal para obtenção da benesse (AgRg no HC n. 889.383/RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, DJe de 18/4/2024). Assim, deve ser gradual o contato do apenado com a sociedade, a fim de não frustrar os objetivos da execução e de se observar a efetiva compatibilidade de maiores benefícios com os objetivos da pena e o bom comportamento do apenado. Convém registrar, ainda, que a modificação do acórdão vergastado, para concluir pela concessão da benesse, demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos da execução penal, o que é incompatível com os estreitos limites da via do habeas corpus, vejamos: .. In casu, foi realizada análise acerca do atendimento ao requisito previsto no inciso III do art. 123 da Lei de Execução Penal, que preceitua a necessidade de exame da compatibilidade dos benefícios com os objetivos da pena, o que não foi vislumbrado pelas instâncias ordinárias. É firme o posicionamento desta Corte Superior de ser inviável, em habeas corpus, desconstituir a conclusão a que chegaram as instâncias ordinárias sobre o não preenchimento do requisito subjetivo e a incompatibilidade do benefício de saídas temporárias com os objetivos da pena, uma vez que tal providência implica o reexame do conjunto fático-probatório dos autos da execução, procedimento incompatível com os estreitos limites da via eleita. Precedentes (AgRg no HC n. 889.383/RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, DJe de 18/4/2024). .. De outra sorte, modificar tal conclusão, para se entender que estão atendidos os requisitos subjetivos, demandaria aprofundada incursão no acervo fático probatório dos autos da execução penal, providência inviável na via estreita dos habeas corpus (AgRg no HC n. 869.383/RJ, Quinta Turma, de minha relatoria, DJe de 2/4/2024). Corroborando: AgRg no HC n. 817.562/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 30/6/2023; AgRg no HC 812.438/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 29/6/2023; HC n. 704.718/SP, Sexta Turma, Relª. Minª. Laurita Vaz, DJe de 23/5/2023; e AgRg no HC 811.106/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 22/6/2023. Assim, não há que se falar em constrangimento ilegal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o MPF desta decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA