REsp 1927294 - DECISAO
Verificando-se jurisprudência dominante do STJ de que a legitimidade passiva para as contribuições destinadas a terceiros arrecadadas pela RFB é da Fazenda Nacional e que o FNDE não arrecada diretamente a contribuição salário-educação, reconheceu-se a legitimidade passiva da Fazenda Nacional, declarou-se a...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL; Recorrente: O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDA; Parte: FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FNDE; Parte: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2021
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Recurso Especial Decisão Monocrática
- Outcome
- Conheço e dou provimento aos recursos especiais
- Legal Topics
- Salário Educação, Legitimidade Passiva, Ilegitimidade, Embargos De Declaração, Competência Para Cobrança De Contribuições
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDA
Recorrente
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FNDE
Parte
UNIÃO
Parte
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Recurso Especial Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 legitimidade passiva ad causam para a cobrança/repetição de indébito da contribuição salário-educação
- 2 ilegitimidade passiva do FNDE
- 3 omissão nos embargos de declaração e requisitos do art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Verificando-se jurisprudência dominante do STJ de que a legitimidade passiva para as contribuições destinadas a terceiros arrecadadas pela RFB é da Fazenda Nacional e que o FNDE não arrecada diretamente a contribuição salário-educação, reconheceu-se a legitimidade passiva da Fazenda Nacional, declarou-se a ilegitimidade do FNDE para figurar no polo passivo e determinou-se o retorno dos autos à origem para prosseguimento, sendo indevida a suposta omissão alegada nos embargos de declaração conforme critérios do art. 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço e dou provimento aos recursos especiais
Orders
- Reconhecer a legitimidade passiva da Fazenda Nacional
- Declarar a ilegitimidade do FNDE para figurar no polo passivo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de RecursosEspeciaisinterpostos pelaFAZENDA NACIONAL e O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDAcontra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Regiãono julgamento de apelação, assim ementado (fls. 265/266e): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. EMENDA CONSTITUCIONAL 33/2001. ART. 149, § 2º, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO RECONHECIDA DE OFICIO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. CITAÇÃO FNDE. (9) 1. O entendimento jurisprudencial do egrégio Superior Tribunal de Justiça, é firme no sentido de que: "(..) o INSS e o FNDE têm legitimidade passiva nos feitos que versem sobre a contribuição ao salário-educação, legitimidade passiva esta que não se estende à União". (AgRg no REsp 1546558/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2015, DJe 09/10/2015). 2. Em observância ao princípio da economia e da celeridade processual, deve o processo ser encaminhado à origem para citação do FNDE, por ser parte legitima para responder a presente demanda. 3. Ilegitimidade da União reconhecida de ofício. Apelação prejudicada. 4. Retorno dos autos à origem. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 296/302e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, a FAZENDA NACIONALapontaofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: - Arts. 2º e 3º, §6º, da Lei n. 11.457/2007 - "(..) em consonância com a Lei nº 11.457, de 2007, as contribuições sociais de salário-educação constituem, hoje, dívida ativa da União, cuja defesa judicial, por expressa disposição legal, cabe à PGFN. Assim, como se trata de tributo cuja capacidade tributária ativa é da União e cuja representação judicial dos autos é atribuição da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, é a União parte legitimidade para defender a exação questionada nos autos" (fl. 315e). Com contrarrazões (fls. 352/363e), o recurso foi admitido (fls. 364/365e). Por outro lado,O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDA,com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República,aponta ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: I. Art. 1.022, II, do Código de Processo Civil - "(..) ao opor os Embargos de Declaração em face do acórdão que julgou prejudicado o recurso de apelação e determinou o retorno dos autos para incluir o FNDE no polo passivo e entendeu pela ilegitimidade da União Federal, as Recorrentes objetivaram sanar as seguintes omissões no que se refere aos artigos 2º, §§3º e 4º, 3º e 16 §1º, todos da Lei 11.457/07, os quais tratam sobre a competência da União Federal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais a partir de 2 de abril de 2008. No entanto, ao analisar os Embargos de Declaração das Recorrentes, o Tribunal de origem os rejeitou, sem, contudo, emitir juízo de valor a respeito da alegada violação, por entender não haver omissão, obscuridade e/ou contradição no acórdão embargado" (fl. 323e); e II. Arts. 2º, §§ 3º e 4º, 3º e 16, §1º, da Lei n. 11.457/2007 e 119 do Código Tributário Nacional - "(..) tendo em vista que a presente ação é de natureza mandamental - mandado de segurança - e que, portanto, combate-se o ato coator de exigir a contribuição em comento, imperioso figurar no polo passivo da demanda o Delegado da Receita Federal do Brasil, representado pela União Federal (Fazenda Nacional)" (fl. 329e). Com contrarrazões (fls. 340/350e), o recurso foi admitido (fls. 364/365e). O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 375/379e. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo,in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e ii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O TELHAR AGROPECUÁRIA LTDA,sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). E depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1.431.157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.104.181/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1.334.203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). No mais, os recursos podem ser examinados conjuntamente. Quanto àlegitimidade da Fazenda Nacional , a1ª Seção deste Superior Tribunal firmou posicionamento segundo o qual impõe-se reconhecer a ilegitimidade passiva da APEX, da ABDI e das entidades do Sistema "S" para figurarem no polo passivo ao lado da União, nas ações em que se questionam as contribuições sociais a eles destinadas, visto que alegitimidadepassiva em tais demandas está vinculada à capacidade tributária ativa, ilegitimidade essa que se aplica aoFNDE,quando se discute a contribuição para osalário-educação,como o demonstra o julgado assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO -FNDE. LEGITIMIDADEPASSIVA. INEXISTÊNCIA. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos EREsp n. 1.619.954/SC, firmou entendimento no sentido de reconhecer a ilegitimidade passiva do SEBRAE, da APEX e da ABDI para figurarem no polo passivo ao lado da União, nas ações em que se questionam as contribuições sociais a eles destinadas, visto que alegitimidadepassiva em tais demandas está vinculada à capacidade tributária ativa. Entendimento que se aplica à hipótese dos autos, em que se trata da contribuição para osalário-educação,razão por que é de se reconhecer a ilegitimidade passiva doFNDE. 2. A exclusão do FNDE da lide impõe a inversão do ônus da sucumbência, relativamente à parcela em que condenada a autarquia. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1595696/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2020, DJe 06/05/2020) RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA EM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. COBRANÇA PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - RFB EM FAVOR DO FNDE. LEGITIMIDADE PASSIVA EXCLUSIVA DA FAZENDA NACIONAL. 1. Ausente a alegada violação ao art. 1.022, do CPC/2015, posto que o acórdão proferido pela Corte de Origem se manifestou de forma suficiente a respeito dos fundamentos relevantes para a solução da demanda. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça firmou no julgamento dos EREsp n. 1.619.954/SC (Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10.04.2019) posição no sentido de que a legitimidade passiva ad causam para a repetição de indébito das contribuições destinadas a terceiros arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB é exclusiva da FAZENDA NACIONAL. 3. Do precedente, pode-se concluir que: 3.1.) a jurisprudência do STJ reconhece a legitimidade ativa ad causam das entidades destinatárias para propor ações de cobrança de contribuições de terceiro, nas hipóteses em que a legislação específica admite a arrecadação direta de tais contribuições e, por consequência, 3.2.) em havendo arrecadação direta, as entidades terceiras possuem legitimidade e interesse processual para figurarem no polo passivo de ações em que se questionam as respectivas contribuições e, por fim 3.3.) após o advento da Lei n. 11.457/2007, a FAZENDA NACIONAL passou a ter legitimidade exclusiva para responder às ações que visam a declaração de inexigibilidade e repetição de indébito apenas das contribuições de terceiros arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. 4. Para o caso, não há notícia nos autos de que a contribuição em questão é arrecadada diretamente pelo FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FNDE. Desta forma, é de se adotar o entendimento de que a autarquia federal não tem legitimidade passiva para responder pelo indébito. 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1822596/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2020, DJe 27/11/2020) Posto isso, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, b e c, e 255, I e III, do RISTJ, CONHEÇO EDOUPROVIMENTO AOS RECURSOS ESPECIAISpara reconhecer a legitimidade passivada Fazenda Nacional, declarar a ilegitimidade do FNDE e determinaro retorno dos autos,a fim de que o tribunal a quoprossiga no julgamento do feito. Publique-se e intimem-se.