AREsp 2306223 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão anterior e, após nova análise, conheceu-se do agravo em recurso especial e deu-lhe provimento, declarando a exigibilidade da contribuição do salário-educação em relação ao produtor rural pessoa física inscrito no CNPJ, por se enquadrar no conceito de empresa previsto no art. 15 da Lei...
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- Parties
- Agravante: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração E Provimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Reconsidero a decisão e conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, para declarar a exigibilidade do salário-educação.
- Legal Topics
- Salário Educação, Contribuição Social, Produtor Rural Pessoa Física, CNPJ, Conceito De Empresa, Súmula 7/stj, Admissibilidade Recursal
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração E Provimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Incidência da contribuição do salário-educação sobre produtor rural pessoa física com inscrição no CNPJ
- 2 Aplicabilidade da Súmula 7/STJ como óbice ao recurso especial
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão anterior e, após nova análise, conheceu-se do agravo em recurso especial e deu-lhe provimento, declarando a exigibilidade da contribuição do salário-educação em relação ao produtor rural pessoa física inscrito no CNPJ, por se enquadrar no conceito de empresa previsto no art. 15 da Lei 9.424/96 e consolidado na jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Reconsidero a decisão e conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, para declarar a exigibilidade do salário-educação.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo interno, interposto pela FAZENDA NACIONAL, em face de decisão que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial, com fundamento na aplicação do óbice da Súmula 7/STJ. Alega o agravante que a matéria é exclusivamente de direito e a moldura fática está delineada no acórdão recorrido, no sentido de que o contribuinte possui CNPJ. Requer, por fim, que seja reconsiderada a decisão agravada ou que o feito seja submetido a julgamento pela Turma. Assiste razão ao agravante. Portanto, reconsidero a decisão impugnada e passo a nova análise do agravo em recurso especial. Trata-se de agravo em recurso especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, em face de decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim ementado: TRIBUTÁRIO. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. 1. A contribuição somente é devida pela empresa, assim entendida a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. O produtor rural, pessoa física, não se enquadra no conceito de empresa. Ademais, a contribuição para o salário-educação é indevida pelo empregador rural que contribui para a Seguridade Social sobre o valor da comercialização da produção rural e não sobre a folha de salários. 2. A Turma, no julgamento da Apelação/Remessa necessária nº500017- 62.2018.4.04.7006/PR, de que foi Relator o Desembargador Federal Rômulo Pizozolatti, decidiu pelo afastamento da alegação de planejamento fiscal abusivo, em razão de não ter sido demonstrado nos autos anterior atuação fiscalizadora e repressora da Administração, de maneira a que, a partir daí, pudesse o Poder Judiciário decidir acerca da referida atuação estatal. A parte agravante alega ofensa aos arts. 15 da Lei 9.424/96 e 1º, § 3º, da Lei 9.766/98, sustentando, em síntese, que, demonstrado que o empregador rural possui inscrição perante o CNPJ, deve ele submeter-se ao recolhimento da contribuição ao Salário-Educação, nos termos do art. 15 da Lei 9.424/96 e 1º, § 3º, da Lei 9.766/98 (fls. 153/158 e-STJ). O recurso especial não foi admitido pelo Tribunal de origem (fls. 235/238 e-STJ), o que ensejou a interposição do agravo em recurso especial. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se à análise do próprio recurso especial que não merece prosperar. Com efeito, é entendimento pacífico deste Tribunal que a atividade do produtor rural pessoa física, com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), enquadra-se no conceito de empresa, para fins de incidência da contribuição do salário-educação. Neste sentido: "TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO - PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. 1. A contribuição do salário-educação tem destinação específica e não está incluída nas atribuições da Previdência. 2. Em verdade, é o INSS mero arrecadador e repassador do salário-educação ao FNDE. 3. Embora tenham natureza jurídica idêntica, visto que ambas são contribuições, a contribuição previdenciária destina-se à manutenção da Previdência e a do salário-educação destina-se ao desenvolvimento do ensino fundamental. 4. A Lei 9.494/96 atribui como sujeito passivo do salário-educação as empresas, assim definidas pelo respectivo regulamento como qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. 5. O produtor-empregador rural pessoa física, desde que não esteja constituído como pessoa jurídica, com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ, não se enquadra no conceito de empresa, para fins de incidência do salário-educação. 6. Recurso especial improvido" (STJ, REsp 711.166/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJU de 16/05/2006). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SALÁRIO-EDUCAÇÃO. LEGITIMIDADE DO FNDE. PRODUTOR RURAL. PESSOA FÍSICA COM REGISTRO NO CNPJ. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. I - O feito decorre de ação ajuizada para obter a restituição da contribuição do salário-educação cobrado de produtor rural, pessoa física, com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ, como contribuinte individual. II - A contribuição do salário-educação é devida pelo produtor rural, pessoa física, que possui registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ, ainda que contribuinte individual, pois somente o produtor rural que não está cadastrado no CNPJ está desobrigado da incidência da referida exação. Precedentes: AgInt no AREsp n. 821.906/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe 4/2/2019; AgInt no REsp n. 1.719.395/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 27/11/2018. III - O Superior Tribunal de Justiça vinha entendendo que o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) deve integrar a lide que tem como objeto a contribuição ao salário-educação, conforme decidido nos REsp n. 1.658.038/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 30/6/2017 e AgInt no REsp n. 1.629.301/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 13/3/2017. Entretanto, em recente julgamento, no EREsp n. 1.619.954/SC, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça declarou a ilegitimidade passiva do SEBRAE, da APEX e da ABDI, nas ações nas quais se questionam as contribuições sociais a eles destinadas. Tal entendimento foi fundamentado na constatação de que a legitimidade passiva em tais demandas está vinculada à capacidade tributária ativa. Assim, sendo as entidades referidas meras destinatárias da referida contribuição, são ilegítimas para figurar no polo passivo ao lado da União. O mesmo raciocínio se aplica na hipótese dos autos, apontando a ilegitimidade passiva do FNDE, porquanto a arrecadação da denominada contribuição salário-educação tem sua destinação para a autarquia, com os valores, entretanto, sendo recolhidos pela União, por meio da Secretaria da Receita Federal. IV - Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Recurso Especial do FNDE provido para declarar sua ilegitimidade passiva" (STJ, REsp 1.743.901/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/06/2019). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. INSCRIÇÃO NO CADASTRO NACIONAL DE PESSOA JURÍDICA (CNPJ). ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE EMPRESA PARA EFEITO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SALÁRIO-EDUCAÇÃO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Esta Corte firmou posicionamento, em recurso repetitivo, segundo o qual a contribuição para o salário-educação é devida pelas empresas em geral e pelas entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendo-se como tais, para fins de incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, conforme estabelece o art. 15 da Lei n. 9.424/96, combinado com o art. 2º do Decreto n. 6.003/06. III - O produtor rural pessoa física, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), enquadra-se no conceito de empresa para efeito de incidência da contribuição para o salário-educação. Precedentes. IV - Os Agravantes não apresentaram argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI - Agravo Interno desprovido" (STJ, AgInt no REsp 1.786.468/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 26/06/2019). Isso posto, reconsidero a decisão de fls. 282/286 e-STJ, e, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, para declarar a exigibilidade do salário-educação. Intimem-se. EMENTA