REsp 2168471 - DECISAO
A cobertura de IPA, tal como conceituada pela Resolução/CNSP nº 117/2004 e pela Circular/Susep nº 302/2005, não abrange as doenças, inclusive profissionais; portanto, a incapacidade por doença ocupacional, ainda que agravada pelo trabalho, não se enquadra na definição securitária de acidente pessoal autorizadora da...
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- Parties
- Agravante: FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA; Recorrente: UNIMED SEGURADORA S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo E Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial E Agravo Interno
- Outcome
- Provimento do recurso especial interposto por UNIMED SEGURADORA S/A para julgar improcedentes os pedidos formulados na petição inicial; agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA declarado prejudicado.
- Legal Topics
- Seguro De Pessoas, Invalidez Permanente Por Acidente (ipa), Doença Ocupacional Vs Acidente Pessoal, Dever De Informação Da Estipulante, Exclusões Contratuais De Cobertura
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Parties
FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA
Agravante
UNIMED SEGURADORA S/A
Recorrente
Procedural Posture
Agravo E Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial E Agravo Interno
Legal Issues
- 1 se doença ocupacional se equipara a acidente pessoal para fins de cobertura IPA
- 2 validade de cláusula contratual que exclui doenças da cobertura IPA
- 3 incidência do dever de informação em seguro de grupo e identificação do sujeito obrigado (estipulante vs seguradora)
Ratio Decidendi
A cobertura de IPA, tal como conceituada pela Resolução/CNSP nº 117/2004 e pela Circular/Susep nº 302/2005, não abrange as doenças, inclusive profissionais; portanto, a incapacidade por doença ocupacional, ainda que agravada pelo trabalho, não se enquadra na definição securitária de acidente pessoal autorizadora da indenização por IPA, e aplicando-se a jurisprudência da Corte, deve ser julgada improcedente a pretensão inicial, cabendo à estipulante o dever de informação em seguro de grupo quando pertinente.
Court Disposition
Provimento do recurso especial interposto por UNIMED SEGURADORA S/A para julgar improcedentes os pedidos formulados na petição inicial; agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA declarado prejudicado.
Orders
- Julgar improcedentes os pedidos da petição inicial.
- Declarar prejudicado o agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA contra a decisão que inadmitiu o seu recurso especial, fundado no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, e de recurso especial interposto por UNIMED SEGURADORA S/A, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, por meio dos quais insurgem-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul assim ementado: "EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO - SEGURO DE VIDA COLETIVO - INVALIDEZ PERMANENTE POR ACIDENTE EQUIPARADA - INDENIZAÇÃO DEVIDA - SEGURADA ACOMETIDA POR DOENÇA DEGENERATIVA PERMANENTE AGRAVADA PELAS ATIVIDADES LABORAIS DESEMPENHADAS - QUANTUM INDENIZATÓRIO - APLICAÇÃO DA TABELA DA SUSEP - CIÊNCIA AO AUTOR DOS TERMOS DO CONTRATO - DEVER DE INFORMAÇÃO QUANTO ÀS CLÁUSULAS CONTRATUAIS - EXCLUSIVAMENTE DA ESTIPULANTE (TEMA 1.112/STJ) - PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - INDENIZAÇÃO DEVIDA DE FORMA PROPORCIONAL AO CAPITAL BÁSICO SEGURADO - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. I. Tendo a atividade laboral desempenhada pela autora contribuído para o agravamento da patologia atestada, atuando como concausa para sua incapacidade para o trabalho habitualmente desempenhado, deve a lesão ser equiparada a acidente de trabalho, nos termos do artigo 20, da Lei nº 8.213/91, porquanto o risco encontra-se devidamente contemplado no contrato de seguro. II. Tratando-se de seguro de vida em grupo, cuja característica é a contratação entre o estipulante e a seguradora, tendo como beneficiário uma terceira pessoa (empregado), notadamente não há a participação direta deste último na elaboração dos termos e condições contratuais. Infere-se, portanto, que o dever de informação incumbe à empresa estipulante e não à seguradora. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema nº 1.112, em sede de recurso repetitivo, firmou o posicionamento no sentido de que cabe à estipulante o dever de informar aos seus empregados quais são as disposições contratuais. Assim, não se pode dizer que a seguradora tenha descumprido o dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor. Havendo previsão nas condições gerais do seguro sobre a aplicação da tabela da SUSEP em caso de invalidez parcial por acidente, a indenização deve ser calculada de forma proporcional ao grau de invalidez atestado pelo laudo pericial. III. Recurso provido em parte." (e-STJ fl. 395). Os embargos de declaração opostos por ambos os insurgentes foram rejeitados (e-STJ fls. 462/467). No recurso especial, a recorrente UNIMED SEGURADORA S/A alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos artigos 489, § 1º, IV, e 1.022, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil; 757 e 760 do Código Civil. Ademais da negativa de prestação jurisdicional, sustenta a recorrente que o aresto recorrido a condenou ao pagamento de cobertura por invalidez decorrente de doença ocupacional, não prevista na apólice de seguro. Defende a tese de que a doença ocupacional não pode ser equiparada ao acidente de trabalho para fins securitários. Argumenta que é válida a previsão contratual que exclui as doenças da cobertura de Invalidez Permanente ou Total por Acidente, inexistindo afronta aos arts. 6º, 47 e 51 do Código de Defesa do Consumidor e 422 do Código Civil. Em seu apelo nobre, a recorrente FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA aponta a vulneração da tese repetitiva firmada no Tema nº 1.112/STJ. Aduz que, no caso, não foi realizada a análise das características da apólice para distinguir entre estipulação própria e imprópria, o que, na espécie, resultaria na conclusão de que a seguradora era responsável por prestar os esclarecimentos a respeito dos limites da cobertura, que não foram informados ao segurado. Pleiteia, assim, a condenação da seguradora ao pagamento integral da cobertura por invalidez permanente por acidente. As contrarrazões foram apresentadas (e-STJ, fls. 513/532 e 5 68/594), tendo sido inadmitido o recurso especial de FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA, o que deu ensejo à interposição do agravo. É o relatório. DECIDO. A insurgência veiculada no recurso da UNIMED SEGURADORA S/A merece prosperar. Com efeito, a cobertura de Invalidez Permanente por Acidente (IPA) garante o pagamento de uma indenização relativa à perda, à redução ou à impotência funcional definitiva, total ou parcial, de um membro ou órgão por lesão física, causada por acidente pessoal coberto (art. 11 da Circular/Susep nº 302/2005; art. 2º, I. da Resolução/CNSP nº 439/2022). Por sua vez, o Conselho Nacional de Seguros Privados, por meio da Resolução/CNSP nº 117/2004, vigente à época dos fatos, assim define acidente pessoal: "Art. 5º Considerar-se-ão, para efeitos desta Resolução, os conceitos abaixo: I - acidente pessoal: o evento com data caracterizada, exclusivo e diretamente externo, súbito, involuntário, violento, e causador de lesão física, que, por si só e independente de toda e qualquer outra causa, tenha como conseqüência direta a morte, ou a invalidez permanente, total ou parcial, do segurado, ou que torne necessário tratamento médico, observando-se que: a) incluem-se nesse conceito: a.1) o suicídio, ou a sua tentativa, que será equiparado, para fins de indenização, a acidente pessoal, observada legislação em vigor; a.2) os acidentes decorrentes de ação da temperatura do ambiente ou influência atmosférica, quando a elas o segurado ficar sujeito, em decorrência de acidente coberto; a.3) os acidentes decorrentes de escapamento acidental de gases e vapores; a.4) os acidentes decorrentes de seqüestros e tentativas de seqüestros; e a.5) os acidentes decorrentes de alterações anatômicas ou funcionais da coluna vertebral, de origem traumática, causadas exclusivamente por fraturas ou luxações, radiologicamente comprovadas. b) excluem-se desse conceito: b.1) as doenças, incluídas as profissionais, quaisquer que sejam suas causas, ainda que provocadas, desencadeadas ou agravadas, direta ou indiretamente por acidente, ressalvadas as infecções, estados septicêmicos e embolias, resultantes de ferimento visível causado em decorrência de acidente coberto; b.2) as intercorrências ou complicações conseqüentes da realização de exames, tratamentos clínicos ou cirúrgicos, quando não decorrentes de acidente coberto; b.3) as lesões decorrentes, dependentes, predispostas ou facilitadas por esforços repetitivos ou microtraumas cumulativos, ou que tenham relação de causa e efeito com os mesmos, assim como as lesões classificadas como: Lesão por Esforços Repetitivos - LER, Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho - DORT, Lesão por Trauma Continuado ou Contínuo - LTC, ou similares que venham a ser aceitas pela classe médico-científica, bem como as suas conseqüências pós-tratamentos, inclusive cirúrgicos, em qualquer tempo; e b.4) as situações reconhecidas por instituições oficiais de previdência ou assemelhadas, como "invalidez acidentária", nas quais o evento causador da lesão não se enquadre integralmente na caracterização de invalidez por acidente pessoal, definido no inciso I deste artigo." (grifou-se) Desse modo, no que tange à cobertura por Invalidez Permanente Total ou Parcial por Acidente (IPA), apesar de contratada, tal garantia não abrange as doenças, inclusive as classificadas como profissionais, ainda quando consideradas acidentes do trabalho pela legislação previdenciária, a exemplo daquelas decorrentes ou não de microtraumas de repetição. Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. SEGURO DE PESSOA. SEGURADA DIAGNOSTICADA COM LER/DORT. APÓLICE COLETIVA. CLÁUSULA DE INVALIDEZ POR ACIDENTE PESSOAL (IPA). EXCLUSÃO EXPRESSA DA COBERTURA DE ACIDENTE/DOENÇA PROFISSIONAL. ABUSIVIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES ESPECÍFICOS DO STJ. REEXAME DE PROVAS. INCORRÊNCIA. APLICAÇÃO IMEDIATA DO ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL FIRAMDO POR ESTA CORTE SUPERIOR. 1. Controvérsia de fundo pertinente à cobertura do evento invalidez decorrente de doença profissional (no caso, LER/DORT), na hipótese em que a apólice foi contratada com a cláusula de cobertura de invalidez por acidente pessoal (IPA). 2. Validade da cláusula que exclui as doenças profissionais da cobertura do seguro de pessoa contratado com a cobertura IPA (Invalidez por Acidente Pessoal). Precedentes. 3. Aplicação imediata dos referidos precedentes, uma vez que não houve modulação de efeitos. 4. Desnecessidade de reexame de provas, porque não há controvérsia nos autos sobre a existência da lesão por esforço repetitivo e sobre a invalidez daí decorrente. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO." (AgInt no REsp nº 1.956.117/TO, relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 11/5/2022 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO DIREITO DE INFORMAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. COMPROVAÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DA AUTORA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS MÍNIMOS DO FATO ALEGADO. SITUAÇÃO NÃO CONFIGURADA. FALTA DE DESTAQUE DAS CLÁUSULAS LIMITATIVAS. TESE NÃO PREQUESTIONADA. SÚMULAS 282 E 356/STF. DOENÇA PROFISSIONAL E ACIDENTE PESSOAL. AUSÊNCIA DE EQUIPARAÇÃO. ENTENDIMENTO DA TERCEIRA TURMA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. COBERTURA POR INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE POR DOENÇA. EXIGÊNCIA DE IRREVERSÍVEL INVIABILIDADE DO PLENO EXERCÍCIO DAS RELAÇÕES AUTONÔMICAS DO SEGURADO. VALIDADE DA REFERIDA PREVISÃO. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA AO POSICIONAMENTO DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não há nenhuma carência de fundamentação a ser sanada no julgamento estadual no tocante ao dever de informação, tendo a Corte de origem apresentado adequadamente as razões pelas quais rechaçou a tese jurídica apresentada pela ora insurgente. 2. A derruição da convicção formada, para concluir pela afronta ao direito de informação, não prescindiria do reexame de fatos e provas, providência obstada pelo verbete n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 3. O ônus da prova cabe a quem alega, razão pela qual incumbiria à ora agravante comprovar que não obteve prévio acesso ao teor do contrato; mesmo que seja possível ao juízo da causa inverter o ônus probatório, cumpre registrar que, para tanto, a autora deve apresentar indícios mínimos do fato, o que não ocorreu no caso concreto. 4. A matéria relativa à suposta violação ao art. 54, § 4º, do CDC, não foi objeto de apreciação pelo Colegiado estadual, não tendo sido sequer aventada nos embargos declaratórios opostos na origem, configurando-se a ausência de prequestionamento, a atrair a incidência dos enunciados n. 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 5. O posicionamento da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a modalidade de seguro IPA (Invalidez por Acidente Pessoal) não estende sua cobertura à doença profissional, não sendo suficiente, para afastar a aplicação do referido entendimento, a existência de eventual decisão monocrática em sentido diverso. 6. Consoante compreensão da Segunda Seção desta Corte Superior, firmada no âmbito dos recursos repetitivos, é válido o condicionamento da cobertura securitária de Invalidez Funcional Permanente Total por Doença (IFPD) à constatação da perda da existência independente do segurado. 7. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp nº 1.950.665/RJ, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 29/11/2021, DJe de 2/12/2021 - grifou-se) "CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE COBRANÇA DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. AUSÊNCIA DE EQUIPARAÇÃO ENTRE DOENÇA PROFISSIONAL E ACIDENTE PESSOAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. LIMITES DA APÓLICE E REEXAME DE PROVAS. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N.os 5 E 7, AMBAS DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Segundo a jurisprudência da Terceira Turma, a modalidade de seguro IPA (invalidez por acidente pessoal) não estende sua cobertura à doença profissional (REsp 1.502.201/SC, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, DJe 24/3/2015). 3. Tendo a Corte estadual, com base nas provas e na interpretação de cláusulas contratuais, concluído que não seria possível, no caso, equiparar a doença ocupacional sofrida pela agravante com o conceito de acidente pessoal coberto pela apólice, bem como que foi observado o dever de informação, não há como alterar tais entendimentos em recurso especial, ante os óbices das Súmulas nºs 5 e 7, ambas do STJ. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp nº 1.834.354/MS, relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 4/10/2021, DJe de 6/10/2021 - grifou-se) "RECURSO ESPECIAL. CIVIL. DIREITO SECURITÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA Nº 284/STF. SEGURO DE PESSOAS. GARANTIA DE INVALIDEZ TOTAL OU PARCIAL POR ACIDENTE. TROMBOSE E INFECÇÃO DECORRENTES DE TRAUMA FÍSICO. ACIDENTE PESSOAL. CARACTERIZAÇÃO. MULTA PROTELATÓRIA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. Ação de cobrança em que se busca o pagamento de indenização decorrente de contrato de seguro com cobertura de invalidez total ou parcial por acidente, visto que a incapacidade permanente do segurado adveio de trombose originada de infecção surgida de lesão de acidente de trabalho, de modo que caracterizaria acidente pessoal e não doença para fins securitários. 2. A cobertura de invalidez permanente por acidente (IPA) garante o pagamento de uma indenização relativa à perda, à redução ou à impotência funcional definitiva, total ou parcial, de um membro ou órgão por lesão física, causada por acidente pessoal coberto (art. 11 da Circular/Susep nº 302/2005). 3. Apesar de as doenças (profissionais ou não) estarem excluídas da definição de acidente pessoal, inserem-se nesse conceito as infecções, os estados septicêmicos e as embolias, resultantes de ferimento visível causado em decorrência de acidente coberto (art. 5º, I, "b.1", da Resolução/CNSP nº 117/2004). 4. Constatada a incapacidade permanente, total ou parcial, do segurado, derivada de infecção, estado septicêmico ou embolia, resultante de ferimento visível causado em decorrência de acidente coberto (evento externo, súbito, involuntário, violento e lesionante), é de ser reconhecido o direito à indenização securitária decorrente da garantia de invalidez por acidente. 5. Não evidenciado o caráter protelatório dos embargos de declaração, impõe-se a inaplicabilidade da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do Código de Processo Civil. Incidência da Súmula nº 98/STJ. 6. Recurso especial parcialmente provido, apenas para afastar a multa processual." (REsp nº 1.502.201/SC, relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 17/3/2015, DJe de 24/3/2015) No caso concreto, segundo consta do aresto recorrido, "Denota-se das conclusões expostas pelo perito que a apelada está acometido por doença ocupacional - Dor articular no ombro direito (CID10 M 25.5) / Tendinite do supra espinhal (CID10 M 65) / alterações crônicoinflamatórias dos tendões musculares de longa duração, de difícil controle clínico e recuperação - notadamente agravada pelo desempenho de sua atividade laborativa, a qual lhe exigia a prática de movimentos repetitivos. No que se refere à cobertura prevista no contrato de seguro para o caso de invalidez permanente por acidente, importante destacar o disposto em suas condições gerais (p. 135): .. Em que pese haver exclusão de cobertura contratual do risco relativo à doença degenerativa e às lesões decorrentes de esforços repetitivos (Cláusula 2. b, à p. 111), entendo por bem adotar o entendimento firmado por este Tribunal de Justiça, no sentido de ser devida a indenização securitária, quando constatado que a incapacidade do segurado advém de patologia degenerativa agravada pela atividade laborativa desempenhada, que atua como verdadeira concausa na espécie. Assim, a invalidez parcial e permanente que acomete ao autor, coaduna-se com a cobertura do contrato de seguro firmado entre as partes, haja vista que se trata de sequelas de origem ocupacional que afeta segmento tóraco-lombo-sacro da coluna vertebral, como concluiu o perito, sendo equiparada a acidente pessoal, situação esta abrangida pelo seguro coletivo em discussão." (e-STJ fls. 401/402). Logo, como a invalidez da autora (doença ocupacional) não se enquadra na definição securitária de invalidez por acidente (IPA), merece reparos o acórdão recorrido, para que sejam julgados improcedentes os pedidos da inicial. Prejudicado o exame da alegada ocorrência de negativa de prestação jurisdicional, nos termos do art. 282, § 2º, do Código de Processo Civil. Ademais, com o provimento do especial de UNIMED SEGURADORA S/A e a consequente improcedência dos pedidos da inicial, fica igualmente prejudicado o agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial de UNIMED SEGURADORA S/A, a fim de julgar improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, e declaro prejudicado o agravo interposto por FABIANA DOMINGOS OLIVEIRA. Deve a parte autora arcar com as custas processuais e honorários advocatícios, fixados em 10% (dez por cento) do valor da causa atualizado, observada eventual gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA