AREsp 2633908 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de conformação e aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015, em observância da tese fixada pelo STF no Tema 1.011 e para...
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- Parties
- Agravante: CAIXA SEGURADORA S.A.; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Da Presidência Que Não Conheceu Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Decisão reconsiderada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para aplicação do art. 1.040 do CPC/2015 e demais providências
- Legal Topics
- Seguro Habitacional, Vícios Construtivos, Competência Da Justiça Federal, Interesse Da Caixa Econômica Federal/fcvs, Repercussão Geral, Remessa Ao Tribunal De Origem, Art. 1.040 Do Cpc/2015
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Parties
CAIXA SEGURADORA S.A.
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Da Presidência Que Não Conheceu Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial por falta de impugnação específica de todos os fundamentos
- 2 incidência da tese do STF no Tema 1.011 sobre interesse jurídico da CEF e competência da Justiça Federal
- 3 aplicação do art. 1º da MP 513/2010 e regras da Lei 12.409/2011 no tempo
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de conformação e aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015, em observância da tese fixada pelo STF no Tema 1.011 e para evitar ofensa ao princípio da unirrecorribilidade; somente após essa providência o recurso especial deverá ser encaminhado ao STJ.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para aplicação do art. 1.040 do CPC/2015 e demais providências
Orders
- Reconsidera a decisão às e-STJ fls. 2.196/2.198, tornando-a sem efeito
- Determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto pela CAIXA SEGURADORA S.A. contra decisão da Presidência desta Corte de Justiça, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. O recurso especial inadmitido desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 1.871): SEGURO HABITACIONAL. VÍCIOS CONSTRUTIVOS. DISCUSSÃO ACERCA DA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA, DA INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL, DA FALTA DO INTERESSE DE AGIR, DA ILEGITIMIDADE DAS PARTES E DA PRESCRIÇÃO JÁ DELIBERADAS ANTERIORMENTE. PRECLUSÃO. ALEGAÇÃO DE QUE A REALIZAÇÃO DE REPAROS PELOS MORADORES É CAUSA DE EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA NÃO VENTILADA ANTERIORMENTE. INOVAÇÃO RECURSAL. RECURSO NÃO CONHECIDO NESTES PONTOS. COBERTURA PARA VÍCIOS CONSTRUTIVOS. ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA QUE EXCLUI ESSE RISCO. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA DEVIDA COM BASE NO ORÇAMENTO APURADO EM PERÍCIA. MULTA DECENDIAL PREVISTA EM CONTRATO. LIMITAÇÃO DA PENALIDADE AO VALOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APELAÇÃO PARCIALMENTE CONHECIDA E, NA PARTE CONHECIDA, PROVIDA EM PARTE. Passo a decidir. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da "controvérsia relativa à existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para ingressar como parte ou terceira interessada nas ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação e, consequentemente, à competência da Justiça Federal para o processamento e o julgamento das ações dessa natureza" (Tema 1.011). Em sessão realizada em 19/06/2020, o Pretório Excelso fixou a seguinte tese: 1) Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1.) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei n. 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença; e 2) Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei n. 12.409/2011. Nesse contexto, julgado o tema pela sistemática da repercussão geral, esta Corte Superior orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõe o art. 34, XXIV, do RISTJ. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado para esta Corte Superior, para serem analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Registre-se que essa medida busca evitar eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, RECONSIDERO a decisão às e-STJ fls. 2.196/2. 198, tornando-a sem efeito, e DET ERMINO a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015, conforme o caso. Publique-se. Intimem-se EMENTA