EAREsp 2145600 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque modificar o entendimento do Tribunal de origem quanto à existência de doença preexistente e à má-fé do segurado exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula n. 7 (e pela Súmula n. 5) do STJ, prevalecendo, assim, a...
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- Parties
- Agravante: ÂNGELA SIMONE DE OLIVEIRA STEFENON
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Seguro Prestamista, Doença Preexistente, Má Fé Do Segurado, Cobertura Securitária, Reexame Do Acervo Fático Probatório, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula N. 609 Do STJ
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Parties
ÂNGELA SIMONE DE OLIVEIRA STEFENON
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula n. 7 do STJ sobre a vedação ao reexame de provas em recurso especial
- 2 Caracterização de doença preexistente e necessidade de demonstração de má-fé para afastar cobertura securitária
- 3 Aplicação da Súmula n. 609/STJ quando não exigidos exames médicos prévios
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque modificar o entendimento do Tribunal de origem quanto à existência de doença preexistente e à má-fé do segurado exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula n. 7 (e pela Súmula n. 5) do STJ, prevalecendo, assim, a manutenção da decisão agravada.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO PRESTAMISTA. CONTRATO DE MÚTUO HABITACIONAL. COBERTURA SECURITÁRIA. OCORRÊNCIA. DOENÇA PREEXISTENTE. MÁ-FÉ DO SEGURADO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A revisão do entendimento do tribunal de origem acerca de doença preexistente à contratação do seguro e da má-fé da parte contratante demanda o reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em recurso especial, tendo em vista a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 2 . Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO ÂNGELA SIMONE DE OLIVEIRA STEFENON interpõe agravo interno contra julgado da Presidência que, com amparo no art. 21-E, V, do RISTJ, conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (fls. 1.050-1.053). Defendendo não serem aplicáveis à espécie os referidos óbices sumulares, pugna pela aplicação da jurisprudência do STJ, pois o Tribunal de origem afastou a cobertura securitária pelo simples fato de a doença ser preexistente, sem analisar critérios objetivos, entre eles, a inexistência de má-fé do segurado e a não realização de exame médico antes da assinatura do contrato. Requer, assim, o provimento do presente recurso. Impugnação às fls. 1.068-1.075. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO PRESTAMISTA. CONTRATO DE MÚTUO HABITACIONAL. COBERTURA SECURITÁRIA. OCORRÊNCIA. DOENÇA PREEXISTENTE. MÁ-FÉ DO SEGURADO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A revisão do entendimento do tribunal de origem acerca de doença preexistente à contratação do seguro e da má-fé da parte contratante demanda o reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em recurso especial, tendo em vista a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 2 . Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não reúne condições de prosperar. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, "a recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado" (Súmula n. 609 do STJ). No caso, o Tribunal de origem concluiu pela caracterização de má-fé, visto que, no preenchimento dos formulários do contrato de financiamento habitacional, o segurado omitira doença preexistente. Confiram-se trechos do acórdão da apelação (fls. 748-750, destaquei): É incontroverso nos autos o fato que a doença que ocasionou a morte do mutuário era preexistente à assinatura da avença. O contrato de financiamento habitacional foi assinado em 13/09/2013 e o mutuário faleceu em 12/07/2016, em decorrência de "morte natural, tendo como causa insuficiência respiratória - múltiplas metástase pulmonares - melanoma metastático - metástese ósseas cerebrais cutâneas e hepáticas", conforme consta no Atestato de Óbito apresentado no Evento 1 CERTOB7. .. No caso dos autos, não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação do seguro e, à época da assinatura do contrato, o mutuário já era portador de doença, tendo pleno conhecimento do diagnóstico, muito embora no momento da assinatura do contrato pudesse estar assintomático. .. O que se conclui é que a finalidade do prévio exame médico é o diagnóstico de doença pre-existente à assinatura do contrato e não conhecida pelo mutuário. Se a doença já é conhecida pelo mutuário, este tem a obrigação de comunicar o fato no preenchimento dos formulários, o que não ocorreu no caso dos autos, pois o mutuário deixou em branco o questionário. Tenho que dessa omissão, resta caracterizada a má-fé do mutuário, ao contrário do entendimento do juiz sentenciante. O Autor não preencheu nenhuma das alternativas sobre doenças pré-existentes. Ou seja, não falou que desconhecia, tampouco disse que possuía condições patológicas pré-existentes. Observe-se (ev 1, contr12) Ressalte-se que a jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que, "não comprovada a má-fé do segurado quando da contratação do seguro saúde e, ainda, não exigida, pela seguradora, a realização de exames médicos, não pode a cobertura securitária ser recusada com base na alegação da existência de doença pré-existente" (AgInt no REsp n. 1.280.544/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 2/5/2017, DJe de 9/5/2017). Dessa forma, embora a parte agravante defenda que a análise do recurso especial não demanda a reapreciação de provas, pois pugna apenas pela aplicação da jurisprudência do STJ, já que o Tribunal de origem teria afastado a cobertura securitária pelo simples fato de a doença ser preexistente, sem analisar critérios objetivos, entre eles, a inexistência de má-fé e a não realização de exame médico antes da assinatura do contrato, conclui-se que, de fato, incide na espécie o óbice da Súmula n. 7 do STJ, porquanto, para aferir se não ficou caracterizad a a má-fé do segurado, seria necessário novo exame do conjunto fático-probatório dos autos. Assim, não há como alterar o entendimento do Tribunal a quo senão promovendo profunda incursão no conjunto fático dos autos, o que é vedado pelo referido óbice sumular. Nesse sentido: DIREITO CIVIL. CONTRATOS. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA INDEVIDA. MÁ-FÉ COMPROVADA. NECESSIDADE DE REEXAME DE CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos ou a reanálise de cláusulas contratuais (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 2. O Tribunal a quo entendeu que a parte segurada não faria jus à indenização securitária, pois ficou demonstrada sua má-fé ao contratar a apólice, momento no qual omitiu informações sobre o estado de saúde do segurado, apesar de ter conhecimento dessa condição. Alterar esse entendimento exigiria reexame do acervo probatório dos autos, bem como nova interpretação dos termos pactuados, providências vedadas em recurso especial. 3. "A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado" (Súmula 609, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 11/4/2018, DJe 17/4/2018). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.175.543/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 27/6/2023, destaquei.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DE VIDA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. MÁ-FÉ DA SEGURADA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. 1. O acórdão recorrido abordou, de forma fundamentada, todos os pontos essenciais para o deslinde da controvérsia, razão pela qual não há falar na suscitada ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC. 2. A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado. Súmula n. 609/STJ. 3. A desconstituição das premissas a que chegou o Tribunal de origem que concluiu pela má-fé da segurada em razão da ausência de informação sobre doença preexistente, demandaria nova incursão no conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.974.195/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023, destaquei.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. Nos termos da Súmula 609/STJ, "a recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado". 2. A revisão do aresto impugnado exigiria derruir a convicção formada nas instâncias ordinárias acerca da inexistência de má-fé por parte do segurado e do cabimento da condenação ao pagamento de danos morais no caso dos autos. Incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.022.106/SC, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 30/6/2022, destaquei.) Portanto, a parte agravante não logrou êxito em demonstrar situação superveniente que justificasse a alteração da decisão agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.