REsp 1943083 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça concluiu que o entendimento consolidado na Súmula 345/STJ e no REsp 1648238/RS prevalece sobre a interpretação de que o pagamento voluntário no prazo do art. 523 do CPC/2015 afasta a condenação em honorários em execuções individuais de sentença coletiva; assim, são devidos honorários...
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- Parties
- Appellant: Sindicato dos Professores do Distrito Federal; Respondent: Caixa Econômica Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido.
- Legal Topics
- Honorários Advocatícios, Cumprimento De Sentença, Execução Individual De Sentença Coletiva, Súmula 345/stj, Art. 85 Do Cpc/2015, Art. 523 Do Cpc/2015
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Parties
Sindicato dos Professores do Distrito Federal
Appellant
Caixa Econômica Federal
Respondent
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 cabimento de honorários de sucumbência no cumprimento de sentença individual decorrente de ação coletiva
- 2 compatibilidade entre o art. 85, §7º do CPC/2015 e a Súmula 345/STJ
- 3 incidência do art. 523 do CPC/2015 sobre a condenação em honorários
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça concluiu que o entendimento consolidado na Súmula 345/STJ e no REsp 1648238/RS prevalece sobre a interpretação de que o pagamento voluntário no prazo do art. 523 do CPC/2015 afasta a condenação em honorários em execuções individuais de sentença coletiva; assim, são devidos honorários de sucumbência nas hipóteses discutidas, motivo pelo qual o recurso especial foi provido para determinar o retorno dos autos à origem para fixação dos honorários.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido.
Orders
- Conheço do recurso especial e dou-lhe provimento.
- Determino o retorno dos autos à origem para que sejam fixados os honorários de sucumbência.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado (fls. 758/759): APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE AÇÃO COLETIVA. PRETENSÃO NÃO RESISTIDA. COMPROVADO CUMPRIMENTO DO JULGADO NO PRAZO DO ART. 523 DO CPC/2015. INDEVIDA A CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS DE EXECUÇÃO. INAPLICÁVEL A SÚMULA 345 À CEF. 1. Trata-se de apelação contra sentença que reputou satisfeita a obrigação e julgou extinta a execução, nos termos do art. 924, II, e art. 925, ambos do CPC, entendendo não ser devida a condenação ao pagamento de honorários advocatícios relativos à fase executiva, tampouco o reembolso de custas recolhidas pelos Exequentes. . 2. A demanda consiste em execução individual fundada em título formado em ação coletiva, autuada sob o n. 96.0019387-8 (0019387-71.1996.4.02.5101), ajuizada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (SINPRO-DF), que tramitou perante a 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em que a CEF foi condenada ao pagamento da correção das contas de FGTS dos substituídos do sindicato autor, mediante aplicação de índices de correção monetária - expurgos inflacionários. 3. Em que pesem as alegações dos apelantes a respeito do julgamento do REsp 1648238/RS, sob o regime dos recursos repetitivos (tema 973) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), firmando a tese no sentido de que o art. 85, § 7º, do CPC/2015 não afasta a aplicação do entendimento consolidado na Súmula 345 do STJ, cumpre observar que CEF, parte demandada na ação coletiva originária, não se enquadra como Fazenda Pública, não sendo, portanto, aplicável referido precedente à hipótese em tela. 4. O § 1º, do art. 523 do CPC em vigor, prevê expressamente o acréscimo de honorários advocatícios em caso de não cumprimento do julgado no prazo conferido pe l o caput do mesmo dispositivo. Na mesma linha, o entendimento adotado no Enunciado da Súmula nº 517 do STJ é no sentido de que "são devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, haja ou não impugnação, depois de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a intimação do advogado da parte executada" . In casu, verifica-se que houve o cumprimento do julgado antes de escoado o prazo de 15 dias para tanto, previsto no caput do art. 523 do CPC, não sendo, pois, devidos honorários advocatícios. Nesse sentido: TRF2, 8ª Turma Especializada, AG 0003740-12.2016.4.02.0000, Rel. Des. Fed. GUILHERME DIEFENTHAELER, EDTRF2R 11.6.2019; TRF2, 7ª Turma Especializada, AG 0013524-76.2017.4.02.0000, Rel. Des. Fed. LUIZ PAULO DA SILVA ARAUJO FILHO, EDTRF2R 12.7.2018 . 5. Embora tenha sido julgado extinto o processo, na forma do disposto no art. 924, II, do CPC, por satisfação da obrigação, tendo a ré cumprido o julgado no prazo assinalado para tanto, não havendo partes vencida e vencedora, é cabível a condenação da CEF ao reembolso das custas judiciais despendidas pelos demandantes, considerando que esta deu causa ao ajuizamento da execução individual, nos termos do § 4º do art. 14 da a Lei n. 9.289/1996, segundo o qual "as custas e contribuições serão reembolsadas a final pelo vencido, .. ou suportadas por quem tiver dado causa ao procedimento judicial". 6. Recurso de apelação parcialmente provido. A parte recorrente aponta violação aoart. 85, §§ 1º e 2º, do CPC/2015, ao argumento de que a matéria pacificada pela Súmula 345/STJ foi referendada no REsp 1.648.238/RS, apreciado como recurso especial repetitivo, mostrando-se inequívocoo cabimento de honorários de sucumbência na presente hipótese, em que a Caixa Econômica Federal não apresentou resistênciaao cumprimento de sentença. Afirma, ainda, que a disciplina do novo CPC "NÃO condiciona o cabimento dos honorários advocatícios devidos no cumprimento de sentença à existência de impugnação, ao contrário, RESSALTAM QUE A VERBA HONORÁRIA É DEVIDA COM OU SEM RESISTÊNCIA." (fl. 873). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O debate sobre o cabimento de honorários advocatícios de sucumbência está sendo tratado em execução individual de título executivo coletivo constituído no Processo nº 0019387-71.1996.4.02.5101, em que a CEF foi condenada a efetuar a correção monetária dos resíduos de conta vinculada do FGTS entre 10/11 a 10/12 de 1992. O Tribunal de origem, ao examinar a questão, confirmou sentençaque deixou de fixar honorários advocatícios no cumprimento de sentença, por compreender que houve o pagamento voluntário da obrigação, nos termos do que dispõe o art. 523 do CPC/2015. Entretanto, a Corte Especial deste Sodalício, ao examinar oREsp 1648238/RS, de relatoria do Ministro Gurgel de Faria, submetido ao rito dos recursos especiais repetitivos, fixou a tese de que "O art. 85, § 7º, do CPC/2015 não afasta a aplicação do entendimento consolidado na Súmula 345 do STJ, de modo que são devidos honorários advocatícios nos procedimentos individuais de cumprimento de sentença decorrente de ação coletiva, ainda que não impugnados e promovidos em litisconsórcio". Na ocasião, o eminente relator destacou: Isso sopesado, tenho que a interpretação que deve ser dada ao art. 85, § 7º, do CPC/2015 é a de que, nos casos de cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública em que a relação jurídica existente entre as partes esteja concluída desde a ação ordinária, não caberá a condenação em honorários advocatícios se não houver a apresentação de impugnação. Isso porque o cumprimento de sentença de que trata o referido diploma legal é decorrência lógica do mesmo processo cognitivo. Entretanto, quando o procedimento de cumprimento individual de sentença coletiva, ainda que ajuizado em litisconsórcio, almeja a satisfação de direito reconhecido em decisão judicial condenatória genérica proferida em ação coletiva, ele não pode receber o mesmo tratamento de uma etapa de cumprimento comum, visto que traz consigo a discussão de nova relação jurídica, cuja existência e liquidez será objeto de juízo de valor a ser proferido como pressuposto para a satisfação do direito vindicado. E isso naturalmente decorre do fato de os sujeitos processuais que a compõem não serem os mesmos da ação cognitiva, uma vez que o exequente, logicamente, não fez parte da fase de conhecimento. Em outras palavras, nessas decisões coletivas - lato sensu - não se especifica o quantum devido nem a identidade dos titulares do direito subjetivo, sendo elas mais limitadas do que as que decorrem das demais sentenças condenatórias típicas. Assim, transfere-se para a fase de cumprimento a obrigação cognitiva relacionada com o direito individual de receber o que findou reconhecido no título judicial proferido na ação ordinária. Em face disso, a execução desse título judicial pressupõe cognição exauriente, cuja resolução se deve dar com estrita observância dos postulados da ampla defesa e do contraditório, a despeito do nome dado ao procedimento, que induz a indevida compreensão de se estar diante de mera fase de cumprimento, de cognição limitada. Nessa linha, confira-se o fundamento da Min. Nancy Andrigh, no julgamento do REsp 1.091.044/PR: A partir da condenação proferida na ação coletiva, cada um dos poupadores beneficiados com o comando contido na sentença pôde promover a liquidação e execução individual do julgado, exercendo, a partir de então, um direito próprio ao recebimento do crédito. Mas cada execução individual, ainda que ajuizada em litisconsórcio, como ocorreu nos autos deste processo, não pode ser considerada uma continuação da relação jurídica processual coletiva formada anteriormente. É pertinente, portanto, a comparação feita pelo recorrente: de fato, a exemplo do que ocorre nas hipóteses de sentenças penais, arbitrais ou estrangeiras, uma nova relação jurídica processual é formada no momento da execução individual do julgado, demandando nova citação. (Terceira Turma, DJe 23/11/2011). Tem-se, pois, que a contratação de advogado é indispensável, uma vez que, conforme já demonstrado, também é necessária a identificação da titularidade do direito do exequente em relação ao direito pleiteado, promovendo-se a liquidação do valor a ser pago e a individualização do crédito, o que torna induvidoso o conteúdo cognitivo exauriente dessa específica fase de cumprimento. A imperiosa presença do causídico revela, por consequência, o direito à sua devida remuneração. Nesse sentido, consignou o em. Ministro Felix Fischer: A execução destinada à satisfação do direito reconhecido em sentença condenatória genérica, proferida em ação ordinária de natureza meramente coletiva, não é uma ação de execução comum. É ação de elevada carga cognitiva, pois nela se promove, além da individualização e liquidação do valor devido, também juízo sobre a titularidade do exequente em relação ao direito material. (EREsp 720.839/PR, Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 08/02/2006, DJ 02/10/2006, p. 226). Assim, observa-se que as particularidades processuais da execução individual de sentença coletiva (atual cumprimento de sentença) que motivaram este Sodalício a editar a Súmula 345 do STJ permaneceram inalteradas ao longo do tempo, não se esvaziando diante do novo Código de Processo Civil.(grifei) Desta forma, o acórdão recorrido, ao afastar a incidência de honorários em razão da norma contida no art. 523 do CPC/2015, deixou de observar o conteúdo da Súmula 345/STJ , que assim dispõe: "São devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções individuais de sentença proferida em ações coletivas, ainda que não embargadas". ANTE O EXPOSTO, conheço do recurso especial e dou-lhe provimento para determinar o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam fixados os honorários de sucumbência. Publique-se.