HC 775641 - DECISAO
Habeas corpus não conhecido porque não se mostra meio adequado para substituir recurso próprio ou revisão criminal na ausência de flagrante ilegalidade, não havendo nos autos constrangimento ilegal demonstrado e aplicando-se a jurisprudência de que não é recomendável substituir pena corporal por multa quando o...
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- Parties
- Paciente: JULIO CESAR POROSKI; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Substituição De Pena, Prescrição, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio Ou Revisão Criminal, Flagrante Ilegalidade
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Parties
JULIO CESAR POROSKI
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 possibilidade de substituição da pena privativa por multa nos termos do art. 44, § 2º do Código Penal
- 3 reconhecimento da prescrição retroativa e aplicação dos prazos prescricionais às penas restritivas
Ratio Decidendi
Habeas corpus não conhecido porque não se mostra meio adequado para substituir recurso próprio ou revisão criminal na ausência de flagrante ilegalidade, não havendo nos autos constrangimento ilegal demonstrado e aplicando-se a jurisprudência de que não é recomendável substituir pena corporal por multa quando o preceito secundário já prevê multa, além da aplicação do parágrafo único do art. 109 do Código Penal aos prazos prescricionais das penas restritivas.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Liminar indeferida.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de JULIO CESAR POROSKI, em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0004335-59.2018.8.24.0011). O paciente foi condenado às penas de 1 ano de reclusão em regime aberto, substituída por uma restritiva de direitos, e de 10 dias-multa, como incurso nas sanções do art. 180, caput, do Código Penal. A impetrante sustenta que o acusado faria jus à substituição pela multa prevista no art. 44, § 2º, do Código Penal, para, em sequência, ser reconhecida a prescrição retroativa. A liminar foi indeferida. As informações foram prestadas e o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ ou pela denegação da ordem. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei n. 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. O entendimento das instâncias ordinárias reflete a orientação desta Corte Superior no sentido de "não ser recomendável a substituição da pena corporal por multa quando o preceito secundário do tipo penal já comina tal sanção" (AgRg no REsp n. 2.007.181/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023). Além disso, conforme o disposto no parágrafo único do art. 109 do Código Penal, aplicam-se às penas restritivas (são substitutivas) os mesmos prazos prescricionais previstos para as privativas de liberdade. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA