AREsp 1900993 - DECISAO
O Tribunal de origem concluiu que a agravante não comprovou que a substituição da penhora seria menos onerosa e não causaria prejuízo ao exequente, diante das avaliações que indicaram difícil comercialização do imóvel oferecido em Angra dos Reis e de sua localização em outro Estado; assim, o exame da pretensão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CATHARINA COLASUONNO PICCIONI; Recorrido: Recorridos Exequentes
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Substituição De Penhora, Penhora, Execução, Admissibilidade De Recurso Especial, Valoração De Prova Pericial, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CATHARINA COLASUONNO PICCIONI
Agravante
Recorridos Exequentes
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a substituição da penhora deve ser deferida quando o executado comprova a venda do bem constrito e oferece outro imóvel como garantia
- 2 Se o acolhimento do pedido de substituição exige reexame de prova pericial e factual, atraindo a Súmula 7/STJ
- 3 Prevalência do interesse do exequente quando há risco de difícil comercialização do bem oferecido em substituição
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem concluiu que a agravante não comprovou que a substituição da penhora seria menos onerosa e não causaria prejuízo ao exequente, diante das avaliações que indicaram difícil comercialização do imóvel oferecido em Angra dos Reis e de sua localização em outro Estado; assim, o exame da pretensão exigiria reexame do quadro fático-probatório, sendo impedido pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o STJ conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CATHARINA COLASUONNO PICCIONI contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C COBRANÇA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA SUBSTITUIÇÃO DE PENHORA Descabimento Imóvel indicado a substituição que pode ser de difícil comercialização Não demonstrada a ausência de prejuízo ao credor - Embora haja notícia de venda do bem, a penhora persiste, independentemente de ter havido o reconhecimento de fraude à execução, porque ainda constitui o patrimônio da executada Circunstâncias que inviabilizam o acolhimento do pedido Decisão mantida Recurso desprovido. Sustenta a parte recorrente, pela alínea "a" do permissivo constitucional, violação do art. 847 do CPC, no que concerne à substituição da penhora, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): A Recorrente, tão logo foi informada sobre a penhora do imóvel de Guarujá, comunicou ao Juízo de 1ª Instância, que tal imóvel já havia sido vendido, em Novembro de 2018, à terceiro. Apresentou o compromisso de compra e venda, informando que devido ao pagamento ser realizado em parcelas, ainda não ocorrera o registro da venda na matrícula do imóvel. Tratava-se do imóvel de sua residência, que ela vendeu após ser acometida por um AVC (acidente vascular cerebral), aos 77 (setenta e sete) anos de idade, em Janeiro de 2018.. Vendeu o imóvel porque não havia mais condições nem autonomia para residir sozinha e, necessitava de dinheiro pra fazer frente ao tratamento a que deveria se submeter até o final de seus dias. A Recorrente ofereceu outro imóvel à penhora, situado em Angra dos Reis, RJ. Apresentou a documentação necessária, bem como três avaliações comprovando que os Recorridos Exequentes não sofreriam qualquer prejuízo financeiro. O imóvel teria valor de mercado suficiente para quitar o débito além de capacidade média de valorização. Foi quando os Exequentes deram a sua negativa à substituição da penhora, alegando que o imóvel em Angra seria, ao seu ver, de mais difícil comercialização. .. . De um lado temos a Recorrente, que em explícita demonstração da boa fé objetiva, informou ao Juízo de 1ª Instância sobre a venda a terceiro do imóvel que deveria ser penhorado, trazendo aos autos outro imóvel para substituir a penhora e comprovando que não haveria qualquer prejuízo material aos Recorridos. Além disso, a Recorrente, idosa, vendeu o imóvel onde residia para poder enfrentar as sequelas de grave doença de que foi acometida. De outro lado, temos os Recorridos, cessionários, que foram sub-rogados no direito de receber os valores devidos na execução somente em Julho de 2019, que pagaram ao credor anterior um valor e pretendiam cobrar nos autos da execução o dobro, visando o ganho financeiro. A Recorrente opôs exceção de pré-executividade e o MM Juízo corrigiu os valores pleiteados pelos ora Recorridos que ainda tentaram manter o lucro em sede de Agravo, que foi improvido. Só isso, o simples interesse no lucro financeiro fácil. Este é o argumento dos Recorridos. (fls. 176/177). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: O imóvel constrito trata-se de um apartamento situado no Condomínio Vila Romana, no município do Guarujá, cujo valor venal foi determinado em R$ 466.783,55 (fls. 50). Com efeito, a lei possibilita ao executado requerer a substituição da penhora, em 10 dias quando intimado do ato. Ocorre que a agravante deveria ter comprovado que lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente. Prova alguma se fez nesse sentido, em inobservância ao comando previsto no artigo 847 do CPC: O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias contado da intimação da penhora, requerer a substituição do bem penhorado, desde que comprove que lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente. Cumpre observar que de acordo com as avaliações trazidas pela agravante, referente ao bem situado em Angra dos Reis, trata-se de terreno sem nenhuma construção, infraestrutura, difícil acesso por servidão ou estrada com alta vegetação por todo condomínio até a conclusão da avaliação (fls 60). Em outra avaliação, descreveu-se que o imóvel está localizado em uma ilha, em área de média valorização imobiliária, por se tratar de área pouco aproveitada para o mercado da região (fls. 62). Ora, pelas descrições dos imóveis, não se pode impor ao exequente aceitar a penhora sobre aquele que possa ter difícil comercialização, sem olvidar que está localizado em outro Estado. Diante de tal cenário, o que prevalece é o interesse do exequente e não a mera conveniência ou comodidade dos devedores, não havendo justificativa para acolhimento do pedido (fls. 143/144). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.