AREsp 1766019 - ACORDAO
As razões recursais da agravante são insuficientes para reconsideração; a jurisprudência do STJ e o acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás reconheceram vício no veículo e direito do consumidor à substituição por outro zero-quilômetro; além disso, a aplicação da multa do art. 1.021, §4º, do CPC/2015 não é...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: KASA MOTORS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito: Agravo Interno Julgado (negado Provimento) Em Sessão Virtual
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Substituição De Produto Defeituoso, Súmula 83/stj, Multa Do Art. 1.021, §4º, Cpc/2015, Litigância De Má Fé
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
KASA MOTORS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito: Agravo Interno Julgado (negado Provimento) Em Sessão Virtual
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 18, §1º, inciso I, do CDC à substituição por veículo novo
- 2 Obrigatoriedade de substituição por produto novo quando houver vício não sanado
- 3 Aplicabilidade automática da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
As razões recursais da agravante são insuficientes para reconsideração; a jurisprudência do STJ e o acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás reconheceram vício no veículo e direito do consumidor à substituição por outro zero-quilômetro; além disso, a aplicação da multa do art. 1.021, §4º, do CPC/2015 não é automática, razão pela qual se nega provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno interposto por KASA MOTORS LTDA.
- Ficam as partes cientificadas de que a oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão poderá ensejar a imposição da multa prevista no art. 1.026, §2º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. 1. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO ZERO-QUILÔMETRO. PRODUTO DEFEITUOSO. SUBSTITUIÇÃO POR UM CARRO NOVO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA 83/STJ. 2. MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. 3. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O entendimento desta Corte Superior firmou-se no sentido de que, "na hipótese de responsabilidade pelo vício, a substituição do produto "por outro da mesma espécie" - prevista no inciso I, do § 1º, do art. 18, do CDC - implica a substituição por outro produto novo na data da substituição" (REsp n. 1.982.739/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/3/2022, DJe de 21/3/2022). 2. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa do art. 1.021, § 4º, do CPC, devendo ser analisado caso a caso. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interno interposto por KASA MOTORS LTDA. contra decisão proferida por esta relatoria nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 872): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS.1. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DESTA RELATORIA PARA NOVA ANÁLISE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.2. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO ZERO-QUILÔMETRO. PRODUTO DEFEITUOSO. SUBSTITUIÇÃO POR UM CARRO NOVO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ.3. AGRAVO CONHECIDO, MEDIANTE JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. Nas razões recursais (e-STJ, fls. 881-900), postula a insurgente pelo afastamento do óbice da Súmula 83 desta Corte, sob o argumento de que o fornecedor deve substituir o bem por outro da mesma espécie, não havendo nenhuma determinação para que o bem viciado seja substituído por outro novo. Pleiteia pela reforma da decisão agravada ou o encaminhamento do feito para julgamento pelo órgão colegiado. Impugnação apresentada às fls. 904-914 (e-STJ), com pedido de aplicação das multas previstas nos arts. 80 e 1.021, § 4º, do CPC/2015. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. 1. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO ZERO-QUILÔMETRO. PRODUTO DEFEITUOSO. SUBSTITUIÇÃO POR UM CARRO NOVO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA 83/STJ. 2. MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. 3. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O entendimento desta Corte Superior firmou-se no sentido de que, "na hipótese de responsabilidade pelo vício, a substituição do produto "por outro da mesma espécie" - prevista no inciso I, do § 1º, do art. 18, do CDC - implica a substituição por outro produto novo na data da substituição" (REsp n. 1.982.739/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/3/2022, DJe de 21/3/2022). 2. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa do art. 1.021, § 4º, do CPC, devendo ser analisado caso a caso. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O recurso não comporta provimento, porquanto as razões expendidas são insuficientes para a reconsideração da decisão. Consoante asseverado na decisão agravada, o entendimento desta Corte Superior firmou-se no sentido de que, "na hipótese de responsabilidade pelo vício, a substituição do produto "por outro da mesma espécie" - prevista no inciso I, do § 1º, do art. 18, do CDC - implica a substituição por outro produto novo na data da substituição" (REsp n. 1.982.739/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/3/2022, DJe de 21/3/2022; sem grifo no original). Na hipótese dos autos, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás concluiu que o consumidor tem direito à substituição do veículo defeituoso por outro novo, sob os seguintes fundamentos (e-STJ, fls. 497-498; sem grifo no original): No presente caso, constata-se que o autor/apelado adquiriu um veículo novo, modelo Hilux, em 16/01/2015 (fl. 20), mas em menos de um mês o bem apresentou barulhos anormais. Em razão disso, o proprietário levou o veículo à concessionária em 03/02/2015 (fl. 22), ficando o bem em revisão até o dia 06/02/2015. Como o barulho persistiu, o consumidor retornou à concessionária em 20/02/2015 (fl. 23). Novamente, em 21/03/2015, retornou para revisar o veículo, dada a persistência do problema alegado, ocasião em que foram trocadas algumas peças. Em 26/03/2015, o veículo foi outra vez levado ao estabelecimento da ré, por guincho (fl. 25), segundo o autor com o mesmo problema. De conformidade com a conclusão do laudo pericial, com base nas ordens de serviço realizadas nessas datas e na vistoria do bem, os defeitos relatados pelo autor persistiram até o dia da perícia, ou seja, ainda não foram solucionados. Logo, induvidosos os vícios e a falha da concessionária na prestação de seus serviços, tenho que deve ser mantida a sentença que determinou a substituição do veículo descrito na inicial, por um zero quilômetro, porquanto dispõe o §1º inciso I do artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor que: "não sendo o vício sanado no prazo máximo de 30 dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro de mesma espécie, em perfeitas condições de uso". A substituição do automóvel por outro, diante da relação de consumo travada é a medida preconizada pela lei, já que insuficientes as inúmeras tentativas do autor/apelado em sanar os problemas, como se vê das ordens de serviços jungidas aos autos. Desse modo, provado que o veículo possui vício de fabricação ou montagem que lhe diminui o valor e não foi solucionado dentro do prazo legal, é direito do consumidor optar pela substituição do produto.( ) Nesse ponto, não há que se falar em depreciação ou desvalorização do bem, haja vista que o problema perdurou por tantos anos por culpa exclusiva das requeridas, que não solucionaram os problemas apontados no veículo. Destarte, não há como se afastar a incidência do óbice da Súmula 83 desta Corte. Acerca da pretensão do agravado de ver aplicada à recorrente a pena por litigância de má-fé, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das hipóteses autorizadoras previstas no art. 80 do CPC/2015, a ensejar o arbitramento da penalidade prevista no art. 81 do CPC/2015. Outrossim, não merece guarida tal insurgência, pois, conforme entendimento desta Corte, a interposição de recursos cabíveis não implica "litigância de má-fé nem ato atentatório à dignidade da justiça, ainda que com argumentos reiteradamente refutados pelo Tribunal de origem ou sem alegação de fundamento novo" (REsp n. 1.953.212/RJ, Relatora Ministra Nancy Andrighi, em 26/10/2021, DJe 3/11/2021). Por fim, a aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação da agravante ao pagamento da aludida multa - a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada - pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que não ocorre na hipótese dos autos. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO INEXISTENTE. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA Nº 7/STJ. ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 3. Tendo o tribunal de origem decidido a questão após minuciosa análise de provas e circunstâncias fáticas dos autos, não há como rever tal posicionamento em virtude do óbice da Súmula nº 7/STJ. 4. Excetuadas as hipóteses em que o valor afigura-se manifestamente ínfimo ou exorbitante, o que não se verifica na espécie, a majoração ou redução dos honorários advocatícios, igualmente, atrai a incidência da Súmula nº 7/STJ. 5. A aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, visto não se tratar de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno. Precedente. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.616.329/SP, relator ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 25/5/2022). Diante do exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.