AREsp 3049355 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão exigia reexame do acervo fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ; ademais, não é cabível fundamento de violação a enunciado de súmula para fins do art. 105, III, "a" (Súmula 518/STJ), e a alegação de dissídio...
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- Parties
- Agravante: LEOS CAR VEICULOS LTDA; Empresa a Ser Incluída No Polo Passivo: ES LIMA ATACADO E VAREJO LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Sucessão Empresarial, Grupo Econômico, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas Do STJ
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Parties
LEOS CAR VEICULOS LTDA
Agravante
ES LIMA ATACADO E VAREJO LTDA.
Empresa a Ser Incluída No Polo Passivo
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 possibilidade de inclusão de nova pessoa jurídica no polo passivo por sucessão empresarial irregular
- 2 aplicabilidade do art. 50, §1º do Código Civil e da Súmula 435 do STJ
- 3 suficiência das provas apresentadas para reconhecer sucessão empresarial ou grupo econômico
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão exigia reexame do acervo fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ; ademais, não é cabível fundamento de violação a enunciado de súmula para fins do art. 105, III, "a" (Súmula 518/STJ), e a alegação de dissídio jurisprudencial via alínea "c" também não se sustenta por ausência de similitude fática que pudesse ser comprovada sem reexame de provas.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por LEOS CAR VEICULOS LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - EMPRESA EXECUTADA - SITUAÇÃO DE INAPTIDÃO JUNTO À RECEITA FEDERAL - CONDIÇÃO QUE NÃO SE EQUIPARA À EXTINÇÃO - PRESUNÇÃO DE DISSOLUÇÃO IRREGULAR - SÚMULA 435 DO STJ - IN APLICABILIDADE - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE SUCESSÃO EMPRESARIAL -GRUPO ECONÔMICO - INCLUSÃO DE OUTRA EMPRESA NO POLO PASSIVO - IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE PROVAS CONTUDENTES - DECISÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz negativa de vigência ao art. 50, § 1º, do Código Civil e à Súmula 435 do STJ, no que concerne à necessidade de reconhecimento da sucessão empresarial irregular para inclusão da nova pessoa jurídica no polo passivo, em razão de continuidade da mesma atividade, no mesmo endereço, com mesmas mercadorias e mesmo núcleo familiar., trazendo a seguinte argumentação: No entanto, diante do conjunto probatório coligido aos autos, vê-se que, está claramente caracterizada a sucessão empresarial, a ensejar a inclusão de nova pessoa jurídica no polo passivo, nos termos do art. 50, §1º, do CC e da súmula 435 do STJ. Foi cabalmente demonstrado que (1) a nova empresa atua no mesmo ramo de atividade empresarial e (2) encontra-se instalada no mesmo local da antecessora, inclusive, (3) utilizando as mesmas mercadorias da empresa executada, e com o (4) mesmo núcleo familiar, elementos suficientemente hábeis e que evidenciam a sucessão empresarial irregular, cumprindo, assim, o disposto na súmula 435 do STJ. (fl. 853)
No presente caso, é evidente que a figura jurídica foi utilizada como meio para viabilizar a inadimplência que originou esta ação monitória e, por conseguinte, o prejuízo do Recorrente, sem colocar em risco o patrimônio pessoal do sócio do Recorrido. Outrossim, foi criada outra pessoa jurídica, no mesmo local e dando seguimento à atividade econômica do Recorrido, em nome da esposa do sócio desta, como tentativa de evitar as consequências dos atos ilícitos praticados. Nesse contexto, o acordão recorrido manteve o indeferimento do pedido de inclusão da empresa ES LIMA ATACADO E VAREJO LTDA., no polo passivo do cumprimento de sentença. No entanto, o conjunto probatório coligidos ao processo está caracterizada a sucessão empresarial, uma vez que (1) a nova empresa atua no mesmo ramo de atividade empresarial, (2) encontra-se instalada no mesmo local da antecessora, inclusive, (3) utilizando as mesmas mercadorias da empresa executada, havendo elementos suficientemente hábeis que evidenciam a sucessão empresarial, a ensejar a inclusão de nova pessoa jurídica no polo passivo, nos termos do art. 50, §1º, do CC e da Súmula 435 do STJ. (fl. 855) Quanto à segunda controvérsia, a parte interpõe o recurso especial também pela alínea c do permissivo constitucional. É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Destarte, conforme bem pontuado pelo Magistrado primevo, os documentos carreados não são suficientes para o reconhecimento de grupo econômico. Além disso, a exequente não se desincumbiu do seu ônus, haja vista que não fez provas, contundentes, de que a executada e a empresa, a qual pretende a inclusão no polo passivo, estejam sobre o mesmo controle, bem como que sua estrutura seja meramente formal. A meu ver, os elementos apresentados pela agravante são apenas indícios, contudo, muito embora a sucessão empresarial não necessite ser formalizada, certo é que ela precisa ser devidamente comprovada, não podendo ser presumida por apenas alguns indícios. A sucessão empresarial acontece quando há a efetiva transferência do fundo de comércio, ou seja, quando uma empresa adquire todo o patrimônio comercial de um estabelecimento, o que não ficou evidente nos autos. Registro que a mera identidade de endereço, de ramo de atividade e de objeto social não é capaz de configurar a existência de sucessão empresarial, certo é que a presunção desta é amplamente admitida a partir da existência de evidências contundentes. Assim, para o reconhecimento da sucessão empresarial é imprescindível a existência de provas convincentes de que a empresa executada foi sucedida, com o intuito de fraudar credores (fls. 817-818). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ( "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ademais, em relação à ofensa da Súmula 435 do STJ, não é cabível Recurso Especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Assim, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Ademais: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/10/2020.) Ainda, os seguintes julgados: ;AgRg no REsp n. 1.990.726/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.518.851/PR, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.683.592/SE, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.927/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.736.901/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt no REsp n. 2.125.846/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 17/2/2025; AgRg no AREsp n. 1.989.885/TO, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 17/2/2025; AgInt no REsp n. 2.098.711/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 10/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.521.353/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AREsp n. 2.763.962/AP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 18/12/2024. Quanto à segunda controvérsia, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas" ;(AgInt no REsp n. 2.175.976/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.037.832/RO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.365.913/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.701.662/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.698.838/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 19/12/2024; AgInt no REsp n. 2.139.773/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt no REsp n. 2.159.019/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA