AREsp 1855150 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque a jurisprudência do STJ e o regime legal (LC 109/2001 e resoluções do setor) assentam que a destinação do superávit é matéria de deliberação do Conselho Deliberativo da entidade de previdência complementar, não cabendo ao assistido impor unilateralmente a forma de utilização ou...
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- Parties
- Agravante: ANA MARIA DA COSTA STAMATO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Juízo Prévio De Admissibilidade
- Outcome
- Nega-se provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Superávit Do Plano Previdenciário, Reversão De Valores Do Superávit, Revisão Do Plano De Benefícios, Admissibilidade Do Recurso Especial
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Parties
ANA MARIA DA COSTA STAMATO
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Juízo Prévio De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Se o superávit do plano pode ser revertido ao patrocinador ou assistidos sem revisão do plano e aprovação do órgão fiscalizador
- 2 Se cabe ao assistido definir unilateralmente a forma de utilização do superávit
- 3 Se a destinação do superávit é matéria de deliberação do Conselho Deliberativo da entidade previdenciária
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque a jurisprudência do STJ e o regime legal (LC 109/2001 e resoluções do setor) assentam que a destinação do superávit é matéria de deliberação do Conselho Deliberativo da entidade de previdência complementar, não cabendo ao assistido impor unilateralmente a forma de utilização ou reversão de valores, sendo necessária, quando for o caso, a revisão do plano e a aprovação do órgão fiscalizador (PREVIC); desse modo, manteve-se a inadmissão do recurso especial, com respaldo no art. 932 do CPC/2015 e na Súmula 568/STJ.
Court Disposition
Nega-se provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15) interposto por ANA MARIA DA COSTA STAMATOem face da decisão acostada às fls. 1398-1404 e-STJ, que, em juízo prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial manejado pela ora agravante. O apelo extremo, fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, fora deduzido em desafio ao acórdão de fls. 949-958e-STJ, proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA.PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PEVI. SUPERÁVIT.BENEFÍCIO ESPECIAL TEMPORÁRIO - BET.SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES.IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. O julgamento em primeiro grau de Ação Civil Pública não atinge a demanda individual, salvo se o autor da mesma requerer a suspensão do processo, o que não ocorreu no caso dos autos. Inteligência do artigo 104, do CDC. Distribuição da reserva especial em razão do superávit constatado no Plano de Benefícios nº 1. Entidade previdenciária providenciou a alteração de seu regulamento, estabelecendo a suspensão temporária do pagamento das contribuições e instituindo o pagamento do Benefício Especial Temporários - BET. Redução de contribuições, que levou em consideração a proporção existente entre as contribuições dos patrocinadores e dos participantes e dos assistidos. Resolução do Conselho de Gestão da Previdência Complementar nº 26/2008 devidamente aprovado pelo Conselho Deliberativo do qual faz parte representantes de todas as classes, inclusive dos assistidos. Princípio da isonomia que não pode ser considerado de forma geral e indiscriminada. Possibilidade de suspensão das contribuições do s patrocinadores, ante a previsão do art. 21 da LC nº 109/2001. Precedente do E. TJRJ.Recurso conhecido e improvido, nos termos do voto do Desembargador Relator. Opostos embargos declaratórios (fls. 992-996e-STJ), restaram desacolhidos na origem (fls. 1049-1057 e-STJ). Nas razões de recurso especial (fls. 1099-1127e-STJ), alegou a insurgente, além de dissídio jurisprudencial,que o acórdão recorrido violou os artigos 19, 20,capute § 1º, 2º, 3º, 21, § 3º, da Lei Complementar n. 109/01. Sustenta, em síntese, a impossibilidade de reversão de valores decorrentes de superávit ao patrocinador. Contrarrazões às fls. 1194-1216 e 1261-1275e-STJ. Em juízo prévio de admissibilidade, a Corte de origem inadmitiu o apelo nobre, o que ensejou a interposição do presente agravo (art. 1.042 do CPC/15), cuja minuta está acostada às fls. 1461-1483e-STJ, por meio do qual pretende ver admitido o recurso especial. Contraminuta às fls. 1545-1557 e 1567-1573e-STJ. É o relatório. Decide-se. A pretensão recursal não merece prosperar. 1. Conforme decidido pela Segunda Seção do STJ, quando do julgamento do recurso repetitivo, REsp 1.564.070/MG, o superávit pode ser utilizado das mais diversas formas que acaso delibere o Conselho Deliberativo da entidade previdenciária. Logo, não cabe ao assistido definir unilateralmente como será feita a revisão do plano de benefícios. Veja-se: AGRAVO INTERNO. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. SUPERÁVIT. FORMA DE UTILIZAÇÃO. MATÉRIA PARA DELIBERAÇÃO NO ÂMBITO INTERNO DA ENTIDADE PREVIDENCIÁRIA. PRETENSÃO DE RECEBIMENTO DA VERBA DE MODO ALHEIO À PARTICIPAÇÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO E DO ÓRGÃO PÚBLICO FISCALIZADOR. MANIFESTA INVIABILIDADE. 1. No regime fechado de previdência privada, a entidade não opera com patrimônio próprio - sendo-lhe vedada até mesmo a obtenção de lucro -, tratando-se tão somente de administradora do fundo formado pelas contribuições da patrocinadora e dos participantes e assistidos, havendo um mutualismo, com explícita submissão ao regime de capitalização. 2. Com efeito, o artigo 34, I, da Lei Complementar n. 109/2001 deixa límpido que as entidades fechadas de previdência privada apenas administram os planos, havendo gestão compartilhada entre representantes dos participantes e assistidos - eleitos por seus pares -, e dos patrocinadores nos conselhos deliberativo (órgão máximo da estrutura organizacional, a quem incumbe, dentre outras atribuições relevantes, definir a alteração de estatuto e regulamentos dos planos de benefícios, nomeação e exoneração dos membros da diretoria- executiva, contratação de auditor independente atuário, avaliador de gestão) e fiscal (órgão de controle interno). 3. "Como a entidade de previdência fechada é apenas administradora do fundo formado pelas contribuições da patrocinadora e dos participantes e assistidos - que participam da gestão do plano -, os desequilíbrios atuariais verificados no transcurso da relação contratual, isto é, a não confirmação da premissa atuarial decorrente de fatores diversos - até mesmo exógenos, como a variação da taxa de juros que remunera seus investimentos -, os superavit e deficit verificados, repercutem para o conjunto de participantes e beneficiários". (REsp 1384432/SE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 26/03/2015) 4. Com efeito, é improcedente a pretensão, exposta na exordial, de que a alteração do Regulamento teria de ocorrer, necessariamente, para que seja revertida verba em forma pecúnia, ou para beneficiar apenas os assistidos - que já gozam de situação privilegiada com relação aos participantes que, por expressa disposição do art. 21, § 1º, da Lei Complementar 109/2001 poderão, em cas o de desequilíbrio atuarial, inclusive ver reduzido o benefício (a conceder). 5. A Segunda Seção, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo, REsp 1.564.070/MG, pontuou que o superávit pode ser utilizado das mais diversas formas que acaso delibere o Conselho Deliberativo da entidade previdenciária. Dessarte, evidentemente, não cabe ao assistido definir unilateralmente como será feita a revisão do plano de benefícios - ademais, suprimindo a atribuição da Previc, que deverá previamente anuir com a eventual alteração que implique na reversão de verba aos participantes, assistidos e ao patrocinador, consoante disciplinado no art. 26 da Resolução n. 30 do Conselho Nacional de Previdência Complementar, de 10 de outubro de 2018. 6. Agravo interno não provido. (AgInt na TutPrv no REsp 1742683/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe 19/03/2019). Em igual sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. SUPERÁVIT DO PLANO PREVIDENCIÁRIO. DESTINAÇÃO. REVERSÃO EM FAVOR DO PATROCINADOR. POSSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. A Segunda Seção do STJ, por ocasião do julgamento do REsp n.1.564.070/MG, sob o rito dos recursos repetitivos, decidiu que o superávit do plano previdenciário pode ser utilizado das mais diversas formas, consoante deliberação do Conselho Deliberativo da entidade previdenciária. Nessa linha, ambas as Turmas de Direito Privado do STJ entendem pela possibilidade de reversão de valores do superávit em favor do patrocinador. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1931493/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 27/09/2021, DJe 30/09/2021) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISTRIBUIÇÃO DE SUPERÁVIT EM FAVOR DO AUTOR. REVISÃO DO PLANO DE BENEFÍCIOS. NECESSIDADE. PEDIDO NÃO ACOLHIDO NA ORIGEM. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem concluiu, com fundamento nos arts. 20 e 33 da Lei Complementar 109/2001 e na Resolução MPS/CGPC 26/2008, que os assistidos vinculados à entidade fechada de previdência complementar ora recorrida não teriam direito à reversão dos valores decorrentes do superávit do plano de benefícios, enquanto não fosse realizada a revisão do referido plano, condicionada à apreciação e aprovação do órgão fiscalizador, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC. 2. Esta colenda Quarta Turma, julgando demanda similar à dos presentes autos, considerou "improcedente a pretensão, exposta na exordial, de que a alteração do Regulamento teria de ocorrer, necessariamente, para que seja revertida verba em forma pecúnia, ou para beneficiar apenas os assistidos - que já gozam de situação privilegiada com relação aos participantes que, por expressa disposição do art. 21, § 1º, da Lei Complementar 109/2001 poderão, em caso de desequilíbrio atuarial, inclusive ver reduzido o benefício (a conceder)". Ademais, "a Segunda Seção, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo, REsp 1.564.070/MG, pontuou que o superávit pode ser utilizado das mais diversas formas que acaso delibere o Conselho Deliberativo da entidade previdenciária. Dessarte, evidentemente, não cabe ao assistido definir unilateralmente como será feita a revisão do plano de benefícios - ademais, suprimindo a atribuição da Previc, que deverá previamente anuir com a eventual alteração que implique na reversão de verba aos participantes, assistidos e ao patrocinador, consoante disciplinado no art. 26 da Resolução n. 30 do Conselho Nacional de Previdência Complementar, de 10 de outubro de 2018" (AgInt na TutPrv no REsp 1.742.683/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe de 19/03/2019). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1683023/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 11/04/2019, DJe 08/05/2019) 2. Do exposto, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a Súmula 568/STJ, nega-se provimento ao agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se.