ExSusp 298 - DECISAO
A exceção foi rejeitada liminarmente por inépcia, pois o excipiente não demonstrou de forma clara e objetiva fatos concretos que enquadrem hipótese de suspeição prevista no art.145 do CPC/2015, limitando-se a alegações genéricas; por isso, com apoio no art.277, §1º do RISTJ, a exceção foi indeferida e o agravo...
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- Parties
- Excipiente: José Leonardo Mulser; Excepta: Ministra Nancy Andrighi
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Exceção De Suspeição / Decisão Interlocutória Rejeição Liminar Da Exceção De Suspeição
- Outcome
- Exceção de suspeição rejeitada liminarmente; agravo declarado prejudicado.
- Legal Topics
- Suspeição, Imparcialidade Do Julgador, Preclusão, Procedimento Da Exceção De Suspeição, Indeferimento Liminar
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Parties
José Leonardo Mulser
Excipiente
Ministra Nancy Andrighi
Excepta
Procedural Posture
Exceção De Suspeição / Decisão Interlocutória Rejeição Liminar Da Exceção De Suspeição
Legal Issues
- 1 arguição de suspeição
- 2 ônus da prova da suspeição
- 3 inépcia da petição inicial da exceção
Ratio Decidendi
A exceção foi rejeitada liminarmente por inépcia, pois o excipiente não demonstrou de forma clara e objetiva fatos concretos que enquadrem hipótese de suspeição prevista no art.145 do CPC/2015, limitando-se a alegações genéricas; por isso, com apoio no art.277, §1º do RISTJ, a exceção foi indeferida e o agravo declarado prejudicado.
Court Disposition
Exceção de suspeição rejeitada liminarmente; agravo declarado prejudicado.
Orders
- Rejeito liminarmente a exceção de suspeição.
- Declaro prejudicado o agravo interposto em face de decisões anteriores.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o relatório de fls. 100-105: Trata-se de exceção de suspeição oposta por José Leonardo Mulser (fls. 05 e ss., e-STJ), com fundamento no art. 145, IV, do CPC/2015 c/c art. 272 e ss. do RI/STJ, em face, ao que se entende, da atuação da Ministra Nancy Andrighi nos autos do Agravo em Recurso Especial n. 2.569.145/GO. Após discorrer sobre fatores que, a seu juízo, justificariam tal pleito, requer o excipiente a procedência do presente incidente, com a consequente anulação de todos os atos praticados no âmbito do aludido agravo em recurso especial. Não reconhecida a arguida suspeição pela Ministra apontada como excepta, nos termos do despacho de fls. 01/02, e-STJ, foi o feito regularmente distribuído (fl. 85, e- STJ). O Ministério Público se manifestou pela "rejeição da presente exceção de suspeição." (e-STJ fls. 100-105). É o relatório. DECIDO. O incidente de exceção de suspeição representa instrumento processual de natureza eminentemente constitucional, destinado a preservar a imparcialidade do julgador e a legitimidade das decisões judiciais. No plano infraconstitucional, o Código de Processo Civil de 2015 disciplina a matéria em seus artigos 144 a 148, estabelecendo tanto as hipóteses configuradoras de suspeição quanto as de impedimento, bem como o procedimento aplicável à apuração da razões elencadas. O legislador estabeleceu no artigo 145 do Código de Processo Civil as hipóteses específicas que caracterizam a suspeição judicial e o processamento da exceção de suspeição segue procedimento específico estabelecido no artigo 146 do Código de Processo Civil, cujos termos são especificados pelo Regimento Interno desta corte (arts. 272 a 282 do RISTJ). O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal firmaram orientação no sentido de que a suspeição deve ser arguida na primeira oportunidade em que a parte tome conhecimento do fato que a motiva, sob pena de preclusão. Além disso, estabeleceu-se que não se presume suspeição, devendo ser demonstrada inequivocamente através de fatos concretos e objetivos, não bastando meras alegações genéricas ou suposições. Além disso, os Tribunais têm entendido que a mera discordância da parte com o conteúdo de decisões proferidas pelo magistrado não caracteriza suspeição, sendo necessário demonstrar circunstâncias objetivas que comprometam a imparcialidade. Diante disso, incumbe à parte excipiente demonstrar, de forma clara e objetiva, como os fatos narrados se enquadram nas previsões do artigo 146 do Código de Processo Civil, evidenciando o comprometimento da imparcialidade objetiva ou subjetiva do magistrado. No presente feito, a exceção encontra-se baseada em afirmações de que ação de prestação de contas e ação de usucapião teriam sido influenciados por um esquema de venda de acórdãos e sentenças envolvendo desembargadores e advogados, com o objetivo de beneficiar Murilo Soares de Castro, filho do Desembargador José Soares de Castro. O excipiente afirma, nessa esteira, que a Ministra Nancy Andrighi deveria ter se declarado suspeita, conforme solicitado na Pet. 8788167, mas não o fez. Ocorre, contudo, que a suspeição é pessoal do julgador e, como dito, deve se apoiar em fatos objetivos e provas que lhe deem sustentação. Daí porque, como apontado pelo Ministro Moura Ribeiro: "Esta Corte Superior possui entendimento de que não é possível conhecer da exceção de suspeição que se limitou a fazer alegações genéricas de suposta parcialidade dos julgadores (AgRg na ExSusp nº 123/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Seção, j. 9/4/2014, DJe de 15/4/2014)." No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NA EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DA HIPÓTESE LEGAL DE CABIMENTO DA EXCEÇÃO. PRESSUPOSTOS DO ART. 145 DO CPC/15. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. AUSÊNCIA. MERO INCONFORMISMO COM O RESULTADO DO JULGAMENTO. 1. A excipiente não apontou, de modo objetivo e articulado, em sua inicial, qual das situações elencadas no art. 145 do CPC/15 evidenciaria a suspeição alegada. 2. A ausência de demonstração inequívoca da irregularidade no exercício das funções jurisdicionais enseja a rejeição da exceção de suspeição. Precedentes. 3. A via processual eleita não pode ser utilizada para manifestação de mero inconformismo com o resultado do julgamento. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (AgInt na ExSusp 218/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 30/03/2021, DJe 07/04/2021. Grifo Acrescido) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. FATOS APENAS ALEGADOS E NÃO COMPROVADOS DA IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO. REJEIÇÃO LIMINAR. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. 1. A alegação de existência de amizade ou inimizade do julgador para com uma das partes ou para com seus advogados (art. 145 do CPC) deve ser devidamente comprovada. Precedentes. 2. No caso, o excipiente não indicou em qual das hipóteses de suspeição taxativamente previstas no referido dispositivo legal, a Ministra excepta teria incorrido, limitando-se a acoima-la de julgadora parcial em virtude de intervenções pretéritas em outros feitos por ela relatados. 3. Agravo interno não provido, com aplicação de multa. (AgInt na ExSusp 194/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/08/2019, DJe 21/08/2019. Grifo Acrescido) Dessa forma, presente manifesta inépcia da petição que suscita a suspeição, faz-se necessário seu indeferimento liminar. Ante o exposto, com apoio no art. 277, § 1º do RISTJ, rejeito liminarmente a presente exceção. Considerando o julgamento do mérito, declaro prejudicado o agravo interposto em face de decisões anteriores. Publique-se. Intimem-se. EMENTA