AREsp 2109939 - DECISAO
Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, por entender que o art. 81, §2º, do Código Penal determina a prorrogação automática do período de prova da suspensão condicional da pena enquanto o beneficiário estiver sendo processado por outro crime, de modo que a extinção da punibilidade reconhecida pelo...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Ministério Público do Estado de Minas Gerais; Recorrida: Defensoria Pública; Apenado/recorrido: Cleber de Oliveira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, reconhecer a prorrogação do período de prova do sursis e determinar o restabelecimento da decisão do Juízo da execução que indeferiu o pedido de extinção da punibilidade.
- Legal Topics
- Suspensão Condicional Da Pena, Prorrogação Automática Do Período De Prova, Extinção Da Punibilidade, Revogação Do Sursis, Admissibilidade De Recurso Especial, Art. 81, §2º Do Código Penal, Art. 82 Do Código Penal, Art. 162 Da Lei De Execução Penal, Súmula 83 Do STJ
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Parties
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Agravante/recorrente
Defensoria Pública
Recorrida
Cleber de Oliveira
Apenado/recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se a instauração de outra ação penal durante o período de prova acarreta a prorrogação automática do prazo da suspensão condicional da pena
- 2 Se, apesar da prática de novo crime, deveria ser reconhecida a extinção da punibilidade por decurso do prazo
- 3 Se o acórdão do Tribunal de origem é manifestamente discrepante com o entendimento do STJ afastando a incidência da Súmula 83
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, por entender que o art. 81, §2º, do Código Penal determina a prorrogação automática do período de prova da suspensão condicional da pena enquanto o beneficiário estiver sendo processado por outro crime, de modo que a extinção da punibilidade reconhecida pelo Tribunal de origem foi inadequada; determinou-se o restabelecimento da decisão do Juízo da execução que indeferiu o pedido de extinção da punibilidade.
Court Disposition
Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, reconhecer a prorrogação do período de prova do sursis e determinar o restabelecimento da decisão do Juízo da execução que indeferiu o pedido de extinção da punibilidade.
Orders
- Reconhecer a prorrogação do período de prova do sursis e determinar o restabelecimento da decisão do Juízo da execução que indeferiu o pedido de extinção da punibilidade
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO A controvérsia tratada nos autos foi devidamente sintetizada no parecer ministerial acostado às e-STJ fls. 194/206, cujo relatório ora transcrevo: Trata-se de agravo manejado pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais que procura reverter e obter o processamento do seu recurso especial não admitido pela Vice-Presidência do Tribunal de Justiça local. Na origem, o Juízo das Execuções Penais da Comarca de Governador Valadares/MG, nos autos da execução penal nº 0391340-03.2014.8.13.0105, negou pedido da Defensoria Pública de extinção da punibilidade em relação à Guia de Execução 0395069- 37.2014.8.13.0105, por suposto transcurso do período de prova sem revogação, uma vez que o apenado Cleber de Oliveira praticara novo crime no transcurso do sursis, aguardando-se o trânsito em julgado da nova condenação por crime doloso para os efeitos da revogação obrigatória. A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, por maioria dos seus integrantes, acolheu agravo da Defensoria Pública e desfez a decisão do Juízo das Execuções Penais, extinguindo a punibilidade para o apenado Cleber de Oliveira (e- STJ fls. 93-101). Consta na ementa do acórdão combatido (e-STJ fl. 94): AGRAVO EM EXECUÇÃO - SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA - PRÁTICA DE NOVO DELITO SEM A SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO - EXTINÇÃO DA PENA - POSSIBILIDADE. Segundo dispõem os artigos 82 do Código Penal e 162 da Lei de Execução Penal, decorrido o lapso temporal sem a revogação do benefício, imperioso o reconhecimento da extinção da punibilidade do agente. Provimento ao recurso é medida que se impõe. AGRAVO EM EXECUÇÃO - SURSIS - PRÁTICA DE NOVO CRIME DURANTE SUA VIGÊNCIA - PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA DO PERÍODO DE PROVA - EXEGESE DO ART. 81, §2o, DO CP - PRECEDENTES DO STJ. Praticado novo delito durante a vigência do sursis, prorroga-se automaticamente o período de prova até o trânsito em julgado da ação penal relativa ao novo delito, conforme precedentes desta Corte e do STJ. Após embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 120-122), o Ministério Público do Estado de Minas Gerais interpôs recurso especial, com fulcro no artigo 105, III, a da Constituição, em que sustenta negativa de vigência aos artigos 81, § 2º, do Código Penal e 162 da Lei nº 7.210/84, bem como ferimento aos artigos 1.022 e 1.025 do Código de Processo Civil (e-STJ fls. 126-143). Em resumo, o recorrente pontua que, no caso dos autos, não deveria ter sido extinta a punibilidade da pena que estava suspensa, pois o recorrido iniciou sursis de dois anos em 06.03.2015, tendo cometido novo delito em 21.03.2016, com a consequente a prorrogação automática do período de prova, nos termos do ordenamento de regência. Com contrarrazões (e-STJ fls. 147-159), o Terceiro Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais não admitiu o recurso especial, ainda que tempestivo (e-STJ fl. 128), porque esbarraria no enunciado da Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça (e-STJ fls. 161-164). Nas razões de agravo (e-STJ fls. 168-174), o Ministério Público do Estado de Minas Gerais alega que, ao contrário do que dito no juízo de admissibilidade, o acórdão impugnado é que está, de forma manifesta, discrepante com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual deve ser afastada a incidência do enunciado da Súmula 83 do STJ. Com contrarrazões (e-STJ fls. 177-181), o Terceiro Vice-Presidente do Tribunal de Justiça determinou a remessa dos autos ao Superior Tribunal de Justiça (e-STJ fl. 182). Ao final, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo provimento do recurso especial. É o relatório. Decido. Presentes os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. A controvérsia diz respeito à prorrogação da suspensão condicional da pena em virtude da instauração de outra ação penal contra o sentenciado. Inicialmente, transcrevo os fundamentos expostos pelo Tribunal de origem para dar provimento ao agravo em execução defensivo e reconhecer a extinção da punibilidade (e-STJ fls. 94/97): Exsurge do presente recurso, que o agravante fora condenado nos autos do processo nº 0395069-37.20l4.8.13, por infração ao artigo 316 do Código Penal Militar, à pena privativa de liberdade de 02 (dois) anos de reclusão, sendo-lhe concedido da suspensão condicional da pena 06.052015. A douta defesa de primeiro grau requereu a extinção da punibilidade por este delito, aduzindo que encerrou-se o lapso temporal do período estabelecido, sem a prorrogação ou suspensão do benefício. Conclusos os autos de execução, o MM. Juiz "a quo" indeferiu o pedido, aduzindo que "o apenado praticou novo delito no curso do período de provas da suspensão condicional da pena, cuja condenação ainda é provisória, motivo pela qual não incide, por hora, nas hipóteses de revogação previstas no artigo 81, incisos 1, II, e III, do CP." (fI. 19-v). Em que pesem os argumentos trazidos pelo magistrado da execução, verifica-se, no caso em análise, que necessária a reforma da decisão para extinguir a punibilidade do agravante, em relação à GE nº 0395069-37.2014.8.13.0105. Com efeito, dispõe o art. 81, §1º do Código Penal que: "Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, consídera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo." No entanto, este dispositivo não pode ser aplicado isoladamente, devendo ser interpretado em confronto com o artigo 82 do Código Penal e 162 da Lei 7.21011 990, que determinam a extinção da pena privativa de liberdade, se transcorrido o prazo determinado, sem que tenha ocorrido prorrogação ou suspensão do beneficio, como ocorre in casu. Nesse sentido, deve se aplicar, por analogia, o cediço entendimento jurisprudencial, que entende ser imperioso o reconhecimento do livramento condicional na hipótese de término do período de prova sem a revogação do benefício. .. Logo, considerando-se que durante o período provas ocorrido de 0610512015 à 0610712017 não houve suspensão ou revogação da suspensão condicional da pena, imperioso o reconhecimento da extinção da punibilidade quanto à condenação pelo delito previsto no ad. 316, do CPM. Em relação ao instituto da suspensão condicional da pena, o Código Penal estabelece, em seu art. 81, § 2º, que, "se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo". Portanto, ao contrário do que se concluiu no acórdão recorrido, não é possível a aplicação analógica do entendimento acerca do livramento condicional às hipóteses de suspensão condicional da pena, em virtude da letra expressa da lei, que indica a prorrogação automática do prazo de suspensão nas hipóteses em que o beneficiário estiver sendo processado pela prática de outro delito ou contravenção. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INSURGÊNCIA CONTRA A DENEGAÇÃO DA ORDEM. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA. BENEFICIÁRIO PROCESSADO PELA PRÁTICA DE NOVO DELITO DURANTE O PERÍODO DE PROVA. ART. 81, § 2º, DO CÓDIGO PENAL. CAUSA DE PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA. EXTINÇÃO DA PENA. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. De acordo com o disposto no art. 81, § 2º, do Código Penal, se o condenado já estava sendo processado por outro crime ou se cometeu outro delito após ter iniciado o período de prova da suspensão condicional da pena, tal fato fará com que esse período seja prorrogado automaticamente até o julgamento definitivo do novo processo. 2. No presente caso, o Juízo a quo foi comunicado, em 05/06/2017, que havia sido oferecida denúncia em face do Agravante em outro processo por delito supostamente perpetrado em 27/08/2017, quando não havia ainda expirado o período de prova. Portanto, houve a prorrogação automática do sursis, a qual foi meramente declarada pelo Juízo em 25/09/2019. 3. Já o art. 82 do Código Penal afirma que a pena será extinta nas hipóteses em que não houver havido a revogação do benefício, se referindo, portanto, aos casos de revogação. De toda forma, não seria aplicável ao caso em comento, uma vez que houve a prorrogação automática, como acima esclarecido. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no HC n. 765.751/MG, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 18/3/2024.) HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA. COMETIMENTO DE CRIME APÓS FINDO O PERÍODO DE PROVA. INEXISTÊNCIA DE SENTENÇA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE. PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA DO PERÍODO DE PROVA. REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA. PRECEDENTES. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. ORDEM DENEGADA. 1. Inexiste constrangimento ilegal quanto à revogação do benefício da suspensão condicional da pena em razão de condenação pelo cometimento de outro crime durante o período de prova, desde que não tenha sido extinta a punibilidade do agente mediante sentença transitada em julgado, nos termos do inciso I do art. 81 do Código Penal. 2. Esta Corte tem firmado o entendimento no sentido de que o período de prova do sursis fica automaticamente prorrogado quando o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, bem como que a superveniência de sentença condenatória irrecorrível é caso de revogação obrigatória do benefício, mesmo quando ultrapassado o período de prova. 3. Ordem denegada. (HC n. 175.758/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 4/10/2011, DJe de 14/10/2011.) Ante o exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de reconhecer a prorrogação do período de prova do sursis e determinar o restabelecimento da decisão do Juízo da execução na qual foi indeferido o pedido de extinção da punibilidade formulado pela defesa (e-STJ fls. 36/38). Publique-se. Intimem-se. EMENTA