AREsp 2963696 - DECISAO
O Tribunal entendeu que o acórdão de origem está em conformidade com a jurisprudência consolidada no Tema 885 e na Súmula 581/STJ, segundo a qual a recuperação judicial do devedor principal não suspende nem novará automaticamente as ações ou execuções contra coobrigados; assim, conheceu-se do agravo e não se...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: REBECA BASTOS DE OLIVEIRA DE SOUZA; Agravante: TIAGO LOURENÇO DE SOUZA; Devedora Principal: Eyejoy Soluções Interativas Ltda. EPP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Suspensão Da Execução, Novação, Responsabilidade De Coobrigados, Súmula 581/stj, Tema 885
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
REBECA BASTOS DE OLIVEIRA DE SOUZA
Agravante
TIAGO LOURENÇO DE SOUZA
Agravante
Eyejoy Soluções Interativas Ltda. EPP
Devedora Principal
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Suspensão da execução em razão da recuperação judicial do devedor principal
- 2 Aplicabilidade da novação prevista no plano de recuperação aos coobrigados
- 3 Admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que o acórdão de origem está em conformidade com a jurisprudência consolidada no Tema 885 e na Súmula 581/STJ, segundo a qual a recuperação judicial do devedor principal não suspende nem novará automaticamente as ações ou execuções contra coobrigados; assim, conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial, com fundamento no art. 932 do CPC c/c Súmula 568/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por REBECA BASTOS DE OLIVEIRA DE SOUZA E TIAGO LOURENÇO DE SOUZA, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 61): AGRAVO DE INSTRUMENTO embargos à execução devedora principal em recuperação judicial e coobrigados que também integram o polo passivo da ação de execução suspensão da ação deferida apenas em relação à pessoa jurídica - alegação de que a suspensão abrange a todos STJ que já consolidou o entendimento em sede de precedente repetitivo e que culminou com a Súmula 581 no sentido de que a suspensão não abrange os coobrigados, podendo a ação individual seguir normalmente - justiça gratuita - indeferimento em 1º Grau impossibilidade error in procedendo - descumprimento do art. 99, § 2º do CPC ausência de qualquer documento juntado pelos agravantes e ausência de determinação para a necessária prova da situação de necessidade decisão anulada - recurso não provido na parte conhecida, anulando-se a decisão no que se refere ao indeferimento da gratuidade, tendo em vista o descumprimento do art. 99, § 2º do CPC, com determinação. Opostos embargos declaratórios (fls. 85-92), foram rejeitados, nos termos do acórdão de fls. 94-101. Nas razões de recurso especial (fls. 73-84), a parte recorrente aponta violação aos arts. 6º, 47, 49, 59, 62 e 172 da Lei nº 11.101/05. Sustenta, em síntese, o crédito executado estar sujeito aos efeitos da recuperação judicial da devedora principal Eyejoy, e que, com a homologação do plano de recuperação judicial, o crédito pretendido restará novado, extinguindo-se a dívida anterior. Contrarrazões apresentadas às fls. 105-110. Em juízo de admissibilidade (fls. 118-119), negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 122-132). Contraminuta às fls. 135-138. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. A parte recorrente sustenta, em síntese, violação aos arts. 6º, 47, 49, 59, 62 e 172 da Lei nº 11.101/05, ao argumento de que, diante da recuperação judicial pela qual passa a devedora principal Eyejoy, deve ser suspensa a execução. No particular, o Tribunal de origem consignou que (fl. 68): A cédula que embasa a execução é a de nº 15.883.606, tendo como devedora principal Eyejoy Soluções Interativas Ltda. EPP e como avalistas os embargantes Tiago e Rebeca. A própria decisão recorrida indica que a ação de execução foi suspensa em relação à pessoa jurídica, mas que deve permanecer em curso em relação aos coobrigados, já que sequer foi comprovada a apresentação do plano de recuperação judicial e, muito menos, a efetiva aprovação em assembleia de credores e a homologação judicial. Assim, não há mesmo motivos que justifiquem a pretendida suspensão em relação aos coobrigados, já que a alegação dos agravantes não passa de mera hipótese, fato futuro que nem mesmo pode se concretizar, a depender do trâmite da ação de recuperação judicial. O aresto recorrido encontra-se alinhado à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firmada no julgamento, sob o rito dos recursos repetitivos, do REsp nº 1.333.349-SP (Tema nº 885), posteriormente consolidada no enunciado da Súmula nº 581/STJ: "A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória". Salienta-se que o plano de recuperação judicial opera novação das dívidas a ele submetidas, preservando, em regra, as garantias reais ou fidejussórias, podendo o credor exercer seus direitos contra terceiros garantidores, impondo-se, assim a manutenção das ações e execuções aforadas contra fiadores, avalistas ou coobrigados em geral. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO RECLAMO - INSURGÊNCIA DA AGRAVANTE. 1. A Segunda Seção do STJ firmou entendimento no sentido de que a cláusula do plano de recuperação judicial que prevê a supressão de garantias somente é eficaz em relação aos credores que com ela anuíram. 1.1 A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei n. 11.101/2005. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.010.442/CE, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 23/3/2023.) RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXTENSÃO AUTOMÁTICA DA NOVAÇÃO AOS COOBRIGADOS. INEFICÁCIA. SUPRESSÃO OU SUBSTITUIÇÃO AUTOMÁTICA DE GARANTIAS. INEFICÁCIA. CONSENTIMENTO. NECESSIDADE. TEMA 885. SÚMULA 581/STJ. PRECEDENTES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. 1. Segundo a tese firmada no Tema 885/STJ, seguida da Súmula 581/STJ, "A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei n. 11.101/2005" (REsp 1.333.349/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 2/2/2015). 2. A novação dos créditos operada pela recuperação judicial deve seguir a forma dos arts. 49, § 1º, e 50, § 1º, todos da Lei nº 11.101/2005. Tais cláusulas, embora aptas no plano da validade, são eficazes apenas, no caso da extensão da novação aos coobrigados, em relação aos credores que aprovaram o plano de recuperação sem nenhuma ressalva (excluídos os ausentes, os abstinentes e os contrários à cláusula); e, no caso da previsão de supressão ou substituição de garantias da dívida, em relação aos respectivos credores expressamente anuentes. (REsp 1.794.209/SP, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 29/6/2021). 3. Recurso especial conhecido e provido para determinar o retorno dos autos à origem para juízo de conformação ao Tema 885/STJ. (REsp n. 1.970.131/AC, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/6/2025, DJEN de 7/7/2025.) O entendimento firmado pela Corte de origem, no sentido de que a recuperação judicial da devedora principal não impede o prosseguimento das execuções, tampouco enseja a suspensão ou extinção da ação de execução proposta contra os coobrigados não merece reparos. Portanto, estando o entendimento adotado pela instância de origem em harmonia com a orientação jurisprudencial firmada por esta Colenda Corte sobre a matéria, é de rigor a incidência do enunciado contido na Súmula 83/STJ. 2. Ante o exposto, com fulcro no art. 932 do CPC/2015 c/c Súmula 568/STJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Deixo de aplicar o § 11 do art. 85 do CPC, por ser a questão oriunda de agravo de instrumento, no âmbito do qual não foram arbitrados honorários advocatícios. Publique-se. Intimem-se. EMENTA