AREsp 2628729 - DECISAO
O Tribunal concluiu que a Corte de origem aplicou corretamente o direito: execuções fiscais não se suspendem automaticamente com o plano recuperacional; o juízo da recuperação judicial tem competência exclusiva apenas para substituir atos de constrição sobre bens de capital essenciais, não impedindo a realização da...
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- Parties
- Agravante: Agravante; Executada: Parte executada; Exequente: Exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento (execução Fiscal) / Recurso Especial Interposto Ao STJ Não Conhecido; Agravo Conhecido Quanto À Matéria Não Repetitiva
- Outcome
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Suspensão Da Execução Fiscal, Penhora De Ativos Financeiros, Substituição De Atos De Constrição, Preclusão, Menor Onerosidade Do Devedor, Prequestionamento E Súmulas
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Parties
Agravante
Agravante
Parte executada
Executada
Exequente
Exequente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento (execução Fiscal) / Recurso Especial Interposto Ao STJ Não Conhecido; Agravo Conhecido Quanto À Matéria Não Repetitiva
Legal Issues
- 1 Competência do juízo da recuperação judicial para determinar substituição de atos de constrição sobre bens de capital essenciais
- 2 Possibilidade de substituição de penhora por penhora de ativos financeiros a pedido da exequente
- 3 Suspensão das execuções fiscais em razão de recuperação judicial
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que a Corte de origem aplicou corretamente o direito: execuções fiscais não se suspendem automaticamente com o plano recuperacional; o juízo da recuperação judicial tem competência exclusiva apenas para substituir atos de constrição sobre bens de capital essenciais, não impedindo a realização da constrição pelo juízo da execução; a substituição da penhora por ativos financeiros é possível a pedido da exequente em qualquer fase (art.15 II LEF); o recurso especial não pode conhecer de questões que demandem reexame de provas (Súmula 7 STJ) e não foi demonstrado prequestionamento ou dissídio jurisprudencial apto a autorizar o conhecimento do recurso especial, razão pela...
Court Disposition
Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria não repetitiva
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto pelo ora Agravante contra decisão que, em execução fiscal, indeferiu o pedido de suspensão do feito executivo e deferiu o pedido de penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira da parte executada, até o limite do débito. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO FISCAL - DECISÃO QUE INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DO FEITO EXECUTIVO E DEFERIU O PEDIDO FAZENDÁRIO DE PENLIORA DE DINHEIRO EM DEPÓSITO OU APLICAÇÃO FINANCEIRA DA PARTE EXECUTADA, ATÉ O LIMITE DO VALOR DO DÉBITO IRRESIGNAÇÃO DA EXECUTADA DESCABIMENTO - EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL - NO BOJO DO RECURSO ESPECIAL Nº 1.712.484/SP (TEMA 987), O STJ HAVIA DECIDIDO PELA AFETAÇÃO AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS E PELA SUSPENSÃO DO PROCESSAMENTO DE TODOS OS FEITOS PENDENTES, INDIVIDUAIS OU COLETIVOS, QUE VERSASSEM SOBRE A QUESTÃO E TRAMITASSEM NO TERRITÓRIO NACIONAL ENTRETANTO, EM DECISÃO PUBLICADA EM 23.04.2021, O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESAFETOU O MENCIONADO PROCESSO EM RAZÃO DA PERDA DE SEU OBJETO INSERÇÃO DO § 7º-B AO ART. 6O DA LEI Nº 11.101/2005 (PELA LEI Nº 14.112/2020) - COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL SOMENTE PARA DETERMINAR A SUBSTITUIÇÃO DOS ATOS DE CONSTRIÇÃO QUE RECAIAM SOBRE BENS DE CAPITAL ESSENCIAIS À MANUTENÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL, O QUE NÀO PREJUDICA A SUA REALIZAÇÃO EM SI PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO PRECEDENTES PEDIDO SUBSIDIÁRIO - POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENLIORA, A PEDIDO DA EXEQUENTE E COM O FIM DE VIABILIZAR A SATISFAÇÃO DO CRÉDITO, QUE PODE SER FEITA "EM QUALQUER FASE DO PROCESSO" SEM QUE SE COGITE EM PRECLUSÃO ART. 15, INCISO II, DA LEI Nº 6.830/80 PRECEDENTES DECISÃO MANTIDA RECURSO DESPROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Com referida alteração legislativa, não restam dúvidas de que, a despeito do regular e legítimo prosseguimento das execuções fiscais (que não se suspendem com o deferimento do plano recuperacional), compete exclusivamente ao juízo da recuperação judicial determinar a substituição dos atos de constrição que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial, nos exatos termos do referido art. 6º, §7º-B, da Lei nº 11.101/2005. .. A respeito do pedido subsidiário, não há ilegalidade na substituição de bens já penhorados pela penhora de ativos financeiros, já que essa é uma faculdade atribuída à exequente a fim de viabilizar a satisfação do crédito, a qual pode ser feita "em qualquer fase do processo" sem que se cogite em preclusão, nos termos do art. 15, inciso II, da Lei nº 6.830/80, a Lei de Execuções Fiscais: .. Na espécie, ainda, a penhora ocorrida às fls. 102/103dos autos de origem já foi levantada, conforme decisão de fls. 215/216, de modo que o juízo não está mais garantido, podendo a ação executiva prosseguir regularmente. Em arremate, quanto à alegação de que deve ser observado o princípio da menor onerosidade do devedor, o exame dos autos revela que a parte executada não demonstrou a viabilidade de satisfação do débito fiscal de forma mais eficaz e menos onerosa, razão pela qual cabível a penhora da forma pretendida pela exequente, conforme dicção do artigo 805, parágrafo único, do novo Código de Processo Civil CPC/15("Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados"), aplicável subsidiariamente. .. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (art. 6º, § 7º-B e 47 da Lei n. 11.101/2.005), verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA