AREsp 1801622 - DECISAO
DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por MTX COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA E OUTROScontra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO Pretensão à suspensão da...
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- Parties
- Agravante: MTX COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Em Agravo Interposto Contra Não Admissão De Recurso Especial
- Legal Topics
- Suspensão De Inscrições Em Cadastros De Inadimplentes, Protestos, Novação, Homologação Do Plano De Recuperação, Stay Period
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Parties
MTX COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA E OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Em Agravo Interposto Contra Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de suspensão da publicidade de protestos e inscrições em cadastros de inadimplentes antes da aprovação do plano de recuperação judicial
- 2 efeito da novação decorrente do plano de recuperação judicial e sua sujeição a condição resolutiva
- 3 se a suspensão do prazo prescricional afasta a mora e justifica a suspensão de apontamentos cadastrais
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por MTX COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA E OUTROScontra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO Pretensão à suspensão da publicidade dos protestos e das restrições nos cadastros de proteção ao crédito existentes em nome da recuperanda Indeferimento na origem Plano de recuperação recém apresentado e ainda não deliberado pelos credores Atender à pretensão das recuperandas configuraria afronta ao princípio da transparência Até a data da aprovação do plano (para que os credores entendam a situação de crise econômico -financeira da empresa e como ela vinha se conduzindo em relação aos seus negócios) não há possibilidade de afastar a publicidade dos desabonos comerciais Precedentes desta C. Corte Decisão mantida Agravo improvido. Dispositivo: negam provimento. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, aponta a parte recorrente, além de dissídio jurisprudencial, ofensa ao disposto nos arts.62, 47 e 49, caput e §3º, 52, § 1º, e59da Lei 11.101/05. Alega dever sersuspensaa publicidade de todos os apontamentos existentes em nome das Recuperandas oriundos de toda a dívida sujeita aos efeitos da Recuperação Judicial. Defende que o efeito de suspensãodo lapso prescricional das ações e execuções movidas em face da recuperanda, decorrente da aprovação do plano s Recorrentes, determina a ausência de mora que justifique a publicidade de protestos e outras restrições cadastraisem nome das Recorrentes. Argumenta que tal publicidadeprejudicae restringe aoperação da recuperanda e que não sepretendeo cancelamento ou baixa dos apontamentos, mas tão somentea suspensão. Sem contrarrazões, consoante certidão à fl. 75. É o relatório. DECIDO. 2. A irresignação não prospera. O aresto acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte no sentido deque a suspensão ou o cancelamento das inscrições nos cadastros restritivos e cartórios de protesto somente é possível com a aprovação do plano de recuperação judicial. A propósito: RECUPERAÇÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. DÍVIDAS COMPREENDIDAS NO PLANO. NOVAÇÃO. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES.PROTESTOS. BAIXA, SOB CONDIÇÃO RESOLUTIVA. CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PRVISTAS NO PLANO DE RECUPERAÇÃO. 1. Diferentemente do regime existente sob a vigência do DL nº 7.661/45, cujo art. 148 previa expressamente que a concordata não produzia novação, a primeira parte do art. 59 da Lei nº 11.101/05 estabelece que o plano de recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores ao pedido. 2. A novação induz a extinção da relação jurídica anterior, substituída por uma nova, não sendo mais possível falar em inadimplência do devedor com base na dívida extinta. 3. Todavia, a novação operada pelo plano de recuperação fica sujeita a uma condição resolutiva, na medida em que o art. 61 da Lei nº 11.101/05 dispõe que o descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da recuperação em falência, com o que os credores terão reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito da recuperação judicial. 4. Diante disso, uma vez homologado o plano de recuperação judicial, os órgãos competentes devem ser oficiados a providenciar a baixa dos protestos e a retirada, dos cadastros de inadimplentes, do nome da recuperanda e dos seus sócios, por débitos sujeitos ao referido plano, com a ressalva expressa de que essa providência será adotada sob a condição resolutiva de a devedora cumprir todas as obrigações previstas no acordo de recuperação. 5. Recurso especial provido.(REsp 1.260.301/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/8/2012, DJe 21/8/2012) DIREITO EMPRESARIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DE PROCESSAMENTO. SUSPENSÃO DAS AÇÕES E EXECUÇÕES. STAY PERIOD. SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO, MANTIDO O DIREITO MATERIAL DOS CREDORES. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES E TABELIONATO DE PROTESTOS.POSSIBILIDADE. EN. 54 DA JORNADA DE DIREITO COMERCIAL I DO CJF/STJ. 1. Na recuperação judicial, apresentado o pedido por empresa que busca o soerguimento, estando em ordem a petição inicial - com a documentação exigida pelo art. 51 da Lei n. 11.101/2005 -, o juiz deferirá o processamento do pedido (art. 52), iniciando-se em seguida a fase de formação do quadro de credores, com apresentação e habilitação dos créditos. 2. Uma vez deferido o processamento da recuperação, entre outras providências a serem adotadas pelo magistrado, determina-se a suspensão de todas as ações e execuções, nos termos dos arts. 6º e 52, inciso III, da Lei n. 11.101/2005. 3. A razão de ser da norma que determina a pausa momentânea das ações e execuções - stay period - na recuperação judicial é a de permitir que o devedor em crise consiga negociar, de forma conjunta, com todos os credores (plano de recuperação) e, ao mesmo tempo, preservar o patrimônio do empreendimento, o qual se verá liberto, por um lapso de tempo, de eventuais constrições de bens imprescindíveis à continuidade da atividade empresarial, impedindo o seu fatiamento, além de afastar o risco da falência. 4. Nessa fase processual ainda não se alcança, no plano material, o direito creditório propriamente dito, que ficará indene - havendo apenas a suspensão temporária de sua exigibilidade - até que se ultrapasse o termo legal (§ 4º do art. 6º) ou que se dê posterior decisão do juízo concedendo a recuperação ou decretando a falência (com a rejeição do plano). 5. Como o deferimento do processamento da recuperação judicial não atinge o direito material dos credores, não há falar em exclusão dos débitos, devendo ser mantidos, por conseguinte, os registros do nome do devedor nos bancos de dados e cadastros dos órgãos de proteção ao crédito, assim como nos tabelionatos de protestos. Também foi essa a conclusão adotada no Enunciado 54 da Jornada de Direito Comercial I do CJF/STJ.6. Recurso especial não provido." (REsp 1.374.259/MT, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 2/6/2015, DJe 18/6/2015) 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Publique-se. Intimem-se.