SLS 3469 - DECISAO
Ausentes os requisitos do art. 4º da Lei 8.437/1992 — não havendo demonstração cabal de grave lesão à ordem, saúde, segurança ou economia públicas — e considerando-se a probabilidade de reiteração de condutas ímprobas e o risco à instrução processual que justificaram o afastamento cautelar nos termos do art. 20 da...
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- Parties
- Requerente (prefeita Afastada Do Município De Paço Do Lumiar Ma): Maria Paula Azevedo Desterro; Prolator Da Decisão Impugnada: Desembargador Relator da Primeira Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2024
- Procedural Posture
- Suspensão De Liminar E De Sentença / Decisão Sobre Pedido De Suspensão
- Outcome
- Pedido de suspensão indeferido.
- Legal Topics
- Suspensão De Liminar, Afastamento Cautelar De Prefeito, Efeito Suspensivo, Periculum in Mora, Fumus Boni Juris, Contracautela, Sucedâneo Recursal
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Parties
Maria Paula Azevedo Desterro
Requerente (prefeita Afastada Do Município De Paço Do Lumiar Ma)
Desembargador Relator da Primeira Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
Prolator Da Decisão Impugnada
Procedural Posture
Suspensão De Liminar E De Sentença / Decisão Sobre Pedido De Suspensão
Legal Issues
- 1 existência de grave lesão à ordem, saúde, segurança ou economia públicas
- 2 necessidade e proporcionalidade do afastamento cautelar com fundamento no art. 20 da Lei n. 8.429/1992
- 3 risco à instrução processual e probabilidade de reiteração de condutas ímprobas
Ratio Decidendi
Ausentes os requisitos do art. 4º da Lei 8.437/1992 — não havendo demonstração cabal de grave lesão à ordem, saúde, segurança ou economia públicas — e considerando-se a probabilidade de reiteração de condutas ímprobas e o risco à instrução processual que justificaram o afastamento cautelar nos termos do art. 20 da Lei 8.429/92, bem como a impossibilidade de usar a suspensão como sucedâneo recursal, deve ser indeferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo e a suspensão pretendida.
Court Disposition
Pedido de suspensão indeferido.
Orders
- Indefiro o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso.
- Indefiro o pedido de suspensão de liminar e de sentença.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de suspensão de liminar e de sentença formulado por Maria Paula Azevedo Desterro, prefeita afastada do Município de Paço do Lumiar - MA, contra decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 0815417-67.2024.8.10.0000 pelo Desembargador Relator da Primeira Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Colhe-se do caderno processual que, na origem, foi ajuizada Ação de Improbidade Administrativa contra a ora requerente, na qual foi deferida tutela de urgência para determinar o afastamento provisório do cargo de Prefeita do Município de Paço do Lumiar pelo prazo de 90 (noventa) dias. Interposto Agravo de Instrumento, restou indeferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso. Daí o presente pedido de contracautela, em que afirma a requerente que a ação de improbidade foi ajuizada pelo gestor interino do município, que tem evidente interesse em permanecer na condução do Poder Executivo enquanto a requerente está afastada do cargo. Alega que a decisão impugnada causa grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública, além de configurar cassação branca do mandato da prefeita. Sustenta que há risco de sucateamento e desmonte da estrutura de prestação de serviços de saúde em razão de possível suspensão de contrato com o instituto responsável a pretexto de que a ora requerente teria praticado ato de improbidade. Aponta, também, risco à ordem pública e à segurança jurídica tendo em vista que o gestor interino exonerou dezenas de servidores públicos, o que pode afetar a continuidade dos serviços públicos. Argumenta que "o gestor interino continua a perseguir a sua opositora política, fazendo menoscabo de sua gestão, pois o desmonte da máquina pública também se faz quando se utiliza para fins pessoais ou de autopromoção -cujo resultado é lesão à segurança jurídica e à economia pública". Destaca que a decisão impugnada não demonstra quais são os riscos concretos à instrução processual, sendo certo que "o próprio gestor interino que oferece risco à instrução processual, pois este se utiliza da máquina pública para se auto promover e ainda perseguir a Peticionante - sua opositora política". Salienta que "o afastamento cautelar da Peticionante, mesmo com ausência concreto de riscos à instrução processual ofende a ordem pública e a segurança jurídica". Acentua que "não há prova inequívoca de que há desvio de valores ou efetiva prática de atos de improbidade. O que há são presunções que devem ser provadas ao longo da tramitação processual". Assevera, pois, que "claro está que há afronta à ordem pública e à segurança jurídica, pois a ação de primeira instância e o agravo de instrumento a que se quer suspender os efeitos da decisão ignoram aspectos fáticos essenciais e conduzem o Município ao caos administrativo e, por consequência, realização de procedimentos licitatórios açodados sob o pretexto de que as licitações realizadas na gestão da Peticionante seriam fraudulentas". Pontua, ainda, "que o afastamento provisório da Peticionante, detentora de mandato eletivo, equivale a uma cassação branca de mandato, o que não pode ser admitido, sob pena de grave violação da ordem pública e administrativa nos termos do já compreendido pelo Tribunais Superiores". Requer, assim, a suspensão dos efeitos da decisão hostilizada de modo a permitir o imediato retorno da requerente ao cargo de Prefeita do Município de Paço do Lumiar - MA. É o relatório. Nos termos do artigo 4º da Lei n. 8.437/1992, cabe a suspensão de execução da liminar em ações movidas contra o Poder Público quando houver manifesto interesse público ou flagrante ilegitimidade e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas. A suspensão dos efeitos do ato judicial é providência excepcional, cumprindo ao requerente a efetiva demonstração da alegada ofensa grave aos bens jurídicos tutelados pela legislação de regência, quais sejam: a ordem, a saúde, a segurança e/ou a economia públicas, não bastando, para tanto, alegações genéricas de prejuízo ao erário. No presente caso, foi indeferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao agravo de instrumento interposto contra decisão que determinou o afastamento cautelar da prefeita do cargo porque a medida foi considerada indispensável diante da probabilidade de reiteração na prática de condutas ímprobas, além da possibilidade de prejuízo para a instrução processual. Por oportuno, confira-se o seguinte trecho: Dito isso, sigo ao exame da tese recursal liminar atinente ao desacerto do juízo a quo ao depreender da postulação inicial do ente municipal o preenchimento dos requisitos para concessão de medida de urgência de afastamento cautelar da prefeita (agravante) ora impugnada. Como é cediço, o art. 20, parágrafo único, da Lei n. 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) estabelece que "(a) autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução processual." Na hipótese, vislumbro, do exame perfunctório dos autos, que não incorreu em erro o juízo de origem ao antever o risco efetivo à instrução processual se a chefa do poder executivo local se mantiver no exercício da função pública na fase inicial da instrução do feito, haja vista seu poder de, em tese, vir a ocultar documentos essenciais à perquirição da materialidade dos atos ímprobos alegados. Com efeito, extraio do decisum vergastado - em fundamento que passa a compor a "ratio decidendi" da presente decisão - que "há um contexto de reiteração de conduta pela existência de outras investigações e ações em curso, o que sinaliza que o erário municipal passa por grave risco de se tornar insolvente e não cumprir sua função constitucional, caso o Poder Judiciário permita a continuidade do exercício do cargo público por parte Maria Paula Azevedo Desterro, que poderá perpetuar a prática de dilapidação do patrimônio público." (ID 37129740) Eis por que, igualmente, não se afigura desarrazoado ou desproporcional o afastamento do cargo pelo prazo de 90 (noventa) dias - o qual, por previsão legal, pode ser inclusive prorrogado uma única vez por igual prazo, mediante decisão motivada (LIA, art. 20, § 2º) -, pois seria o tempo mínimo necessário para, repise-se, aprofundar a apuração acerca da materialidade dos atos de improbidade administrativa alegados e evitar a concretização do risco de utilização, repito, da "condição de chefe do poder executivo para forjar ou omitir documentos públicos com o fim de obstruir as investigações que pesam contra a gestora", tal como externado no decisum a quo (ID 37129740). (..) Assentadas essas premissas, não vislumbro o preenchimento do requisito da probabilidade de provimento do recurso ("fumus boni juris"), tampouco do requisito do "periculum in mora" porquanto a agravante não demonstrou, de modo preciso e cabal, a grave lesão a direito, "sendo insuficiente a mera alegação de que o afastamento cautelar do cargo de prefeito teria o condão de provocar prejuízos ao Poder Público. Precedente do STJ." (STJ, AgRg naSLS n. 1.854/ES, relator Ministro Felix Fischer, Corte Especial, julgado em 13/3/2014, DJe de 21/3/2014.) (..) Em verdade, observo que a decisão a quo de afastamento cautelar da prefeita agravante também deve ter seus efeitos mantidos no presente momento da instrução processual porquanto, no que concerne ao requisito do periculum in mora inverso, o risco de dano vislumbra-se mais em detrimento da administração pública, máxime porque não se mostra desarrazoado ou desproporcional o afastamento do cargo pelo prazo de 90 (noventa) dias, pois seria, repita-se, o tempo mínimo necessário para verificar a alegada "materialidade dos atos de improbidade administrativa", e, a fortiore, o "afastamento temporário de prefeito municipal decorrente de investigação por atos de improbidade administrativa (art. 20,parágrafo único, da Lei n. 8.429/1992) não tem o potencial de, por si só, causar grave lesão aos bens jurídicos protegidos pela Lei n. 8.437/1992." (STJ, AgInt na SLS n. 2.790/ES, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 1/12/2020, DJe de 14/12/2020.) Ante o exposto, ausentes os requisitos legais para a concessão da medida de urgência pleiteada, INDEFIRO o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso. Como se vê, levou-se em consideração que a requerente responde - além da Ação de Improbidade que motivou o afastamento - a outras duas ações de improbidade, o que indica grave risco ao erário diante da possibilidade de dilapidação do patrimônio público. De outra parte, não demonstrou a requerente, de forma inequívoca, qual é a grave e efetiva lesão aos interesses albergados pela legislação de regência. Vale dizer, não comprovou concretamente a alcaide como a determinação de seu afastamento afeta o interesse público, com repercussão direta na coletividade. Na verdade, o presente incidente veicula a irresignação da requerente com a decisão que a afastou do cargo de prefeito. Ocorre, todavia, que a via excepcional da Suspensão não constitui sucedâneo recursal apto a propiciar o exame do acerto ou do desacerto da decisão impugnada. Sobre o tema, confiram-se: AGRAVO INTERNO. SUSPENSÃO DE LIMINAR. DECISÃO QUE NEGA EFEITO SUSPENSIVO A AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DEFERIMENTO DE TUTELA ANTECEDENTE PARA AFASTAR CAUTELARMENTE PREFEITO, COM FULCRO NO ART. 20, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N.º 8.429/92. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA LESÃO AOS BENS TUTELADOS NO ART. 4.º DA LEI N.º 8.437/92. AFASTAMENTO DE PREFEITO. ATO QUE NÃO CONFIGURA, POR SI SÓ, LESÃO À ORDEM PÚBLICA. ARGUMENTOS QUE ATACAM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO A SER SUSPENSA. PRETENSÃO INVIÁVEL DEDUZIDA NA VIA SUSPENSIVA. PEDIDO DE CONTRACAUTELA. SUCEDÂNEO RECURSAL. INVIABILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. De acordo com o art. 4.º da Lei n.º 8.437/1992, art. 15 da Lei n.º 12.016/2009 e art. 25 da Lei n.º 8.038/1990, o Requerente da medida suspensiva deve demonstrar de forma cabal que a manutenção dos efeitos da liminar que busca suspender põe em risco a ordem, a segurança, a saúde ou a economia públicas. 2. No caso, as razões apresentadas na inicial nem mesmo tangenciam a necessária sustentação de grave lesão aos referidos bens capaz de justificar a suspensão da decisão proferida pelo Tribunal a quo. A pretensão veiculada, em verdade, caracteriza-se como um pleito individual do Requerente de retornar ao cargo de Prefeito, o que não é possível fazê-lo na via do instituto da suspensão de liminar e sentença. 3. Limitando-se o Requerente a atacar os fundamentos da decisão cautelar que o afastou do exercício do cargo de prefeito, deve ser aplicada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que é inviável, no estreito e excepcional instituto de suspensão de liminar, o exame do acerto ou desacerto da decisão impugnada, na medida em que este não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt na SLS n. 2.186/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 7/12/2016, DJe de 15/12/2016.) AGRAVO REGIMENTAL NA SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA. GRAVE LESÃO À ORDEM PÚBLICA. INEXISTÊNCIA. INDEVIDA UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. PRAZO DE AFASTAMENTO DE PREFEITO SUPERIOR A 180. PECULIARIDADES CONCRETAS. PEDIDO DE SUSPENSÃO INDEFERIDO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - Na linha da jurisprudência desta Corte, não se admite a utilização do pedido de suspensão exclusivamente no intuito de reformar a decisão atacada, olvidando-se de demonstrar concretamente o grave dano que ela poderia causar à saúde, segurança, economia e ordem públicas. II - Consoante a legislação de regência (v.g. Lei n. 8.437/1992 e n.12.016/2009) e a jurisprudência deste Superior Tribunal e do c. Pretório Excelso, somente é cabível o pedido de suspensão quando a decisão proferida contra o Poder Público puder provocar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. III - In casu, o agravante não demonstrou, de modo preciso e cabal, a grave lesão à ordem e à economia pública, sendo insuficiente a mera alegação de que o afastamento cautelar do cargo de prefeito teria o condão de provocar prejuízos ao Poder Público. Precedente do STJ. IV - Não se desconhece o parâmetro temporal de 180 (cento e oitenta) dias concebido como razoável por este eg. Superior Tribunal de Justiça para se manter o afastamento cautelar de prefeito com supedâneo na Lei de Improbidade Administrativa. Todavia, excepcionalmente, as peculiaridades fáticas, como a existência de inúmeras ações por ato de improbidade e fortes indícios de utilização da máquina administrativa para intimidar servidores e prejudicar o andamento das investigações, podem sinalizar a necessidade de alongar o período de afastamento, sendo certo que o juízo natural da causa é, em regra, o mais competente para tanto. V - A suspensão das ações na origem não esvaziam, por si só, a alegação de prejuízo à instrução processual, porquanto, ainda que a marcha procedimental esteja paralisada, mantêm-se intactos o poder requisitório do Ministério Público, que poderá juntar novas informações e documentos a serem posteriormente submetidos ao contraditório, bem assim a possibilidade da prática de atos urgentes pelo Juízo, a fim de evitar dano irreparável, nos termos do art. 266 do CPC. Agravo regimental desprovido. (AgRg na SLS n. 1.854/ES, relator Ministro Felix Fischer, Corte Especial, julgado em 13/3/2014, DJe de 21/3/2014.) O simples afastamento de prefeito do cargo, substituído pelo vice-prefeito, não é apto a ocasionar grave lesão aos interesses protegidos pela Lei 8.437/1992, senão aos interesses do próprio gestor removido, quanto mais se tratando de medida temporária (90 dias, prorrogável por igual período). Pelo exposto, indefiro o pedido. Publique-se. Intimem-se. EMENTA SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA. PREFEITA. AFASTAMENTO DO CARGO. GRAVE LESÃO NÃO DEMONSTRADA. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO INDEFERIDO.