REsp 2127336 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque os recorrentes não refutaram o fundamento autônomo e suficiente utilizado pelo acórdão recorrido (de que a suspensão prevista no art. 982 cessa após um ano da admissão do IRDR, nos termos do art. 980 do CPC/2015), justificando-se, por analogia à Súmula 283/STF, a...
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- Parties
- Recorrentes: LÚCIA REGINA LEMOS RIBEIRO E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (inadmissão)
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Suspensão De Processos, IRDR (tema 40), Honorários Advocatícios Recursais, Inadmissibilidade Por Fundamentos Autônomos, Aplicação Do Cpc/2015
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Parties
LÚCIA REGINA LEMOS RIBEIRO E OUTROS
Recorrentes
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (inadmissão)
Legal Issues
- 1 se cabia sobrestamento do feito até o julgamento do IRDR nº 0018263-85.2020.8.26.0000 (Tema 40)
- 2 se a suspensão prevista no art. 982 do CPC/2015 cessa após um ano da admissão do IRDR (art. 980)
- 3 se o recurso especial deve ser inadmitido por não impugnar fundamento autônomo e suficiente do acórdão recorrido (Súmula 283/STF)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque os recorrentes não refutaram o fundamento autônomo e suficiente utilizado pelo acórdão recorrido (de que a suspensão prevista no art. 982 cessa após um ano da admissão do IRDR, nos termos do art. 980 do CPC/2015), justificando-se, por analogia à Súmula 283/STF, a inadmissibilidade; tal decisão foi proferida monocraticamente com amparo no art. 932, III, do CPC/2015 e no RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- Não conheço do Recurso Especial
- Fixação de honorários recursais em desfavor dos recorrentes, majorando em 10% o valor arbitrado pelas instâncias ordinárias, na forma do art. 85, §§ 3º e 11, do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por LÚCIA REGINA LEMOS RIBEIRO E OUTROS contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no julgamento de apelação e reexame necessário, assim ementado (fl. 366e): APELAÇÃO e REEXAME NECESSÁRIO Ação condenatória Servidores públicos do Tribunal de Justiça Adicional de qualificação Correção da base de cálculo e pagamento retroativo Parcial procedência do pedido Pretensão de reforma Possibilidade, em parte Comunicado nº 263/2015 que não pode estabelecer forma de pagamento diversa da lei Ofensa ao princípio da legalidade Base de cálculo que se restringe ao salário-base, acrescido dos décimos incorporados na forma do artigo 133 da Constituição do Estado de São Paulo Pagamento retroativo à data do protocolo administrativo Questões decididas pelo Órgão Especial deste Eg. Tribunal de Justiça no Mandado de Segurança nº 2160813-79.2014.8.26.0000 e no IRDR nº 0018263-85.2020.8.26.0000 (Tema nº 40) Correção monetária que deve incidir a contar do vencimento de cada parcela e juros de mora, a partir da citação Necessidade de observância do artigo 3º da EC 113/21 a partir de sua entrada em vigor Verba honorária que constitui direito do advogado e não admite compensação Artigo 85, § 14 , do CPC Arbitramento de rigor mesmo na hipótese de sucumbência recíproca Recurso dos autores e reexame necessário parcialmente providos. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 379/382e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos arts. 982, I, § 5º, e 987, § 1º, do Código de Processo Civil, alegando-se, em síntese, que deve haver a suspensão do presente feito até o julgamento definitivo dos recursos de natureza extraordinária interpostos no IRDR 0018263-85.2020.8.26.0000 (Tema 40 TJSP). Com contrarrazões (fls. 426/438e), o recurso foi inadmitido (fl. 441e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fls. 497/498e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. O tribunal de origem, fundado no art. 980 do CPC/2015, rejeitou o pedido de sobrestamento do feito, concluindo que a suspensão dos processos prevista no art. 982 cessa após o transcurso de um ano da admissão do IRDR, conforme se extrai dos seguintes excertos do acórdão recorrido (fl. 381e): Inicialmente, não tem cabimento o pedido de suspensão do andamento processual até o trânsito em julgado do IRDR nº 0018263-85.2020.8.26.0000 (Tema 40), uma vez que o artigo 980 do Código de Processo Civil dispõe que, superado o prazo de um ano contado da admissão do IRDR, "cessa a suspensão dos processos prevista no artigo 982, salvo decisão fundamentada do relator em sentido contrário". E, na hipótese, já houve o transcurso desse prazo. Nas razões do Recurso Especial, tal fundamentação não foi refutada, implicando a inadmissibilidade do recurso, visto que esta Corte tem firme posicionamento, segundo o qual a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nessa linha, destaco os seguintes julgados de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção desta Corte: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OCUPAÇÃO DE TERRA PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO DE CONSTRUÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. ACÓRDÃO A QUO QUE CONCLUI, COM BASE NOS FATOS E PROVAS DOS AUTOS, PELA IRREGULARIDADE DA EDIFICAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO INATACADO. SÚMULA N. 283 DO STF. ALEGADA VIOLAÇÃO À LEI FEDERAL. DISPOSITIVOS NÃO INDICADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. (..) 4. A argumentação do recurso especial não atacou o fundamento autônomo e suficiente empregado pelo acórdão recorrido para decidir que o Código de Edificações do Distrito Federal autoriza à Administração Pública, no exercício regular do poder de polícia, determinar a demolição de obra irregular, inserida em área pública e de preservação permanente. Incide, no ponto, a Súmula 283/STF. 5. Revelam-se deficientes as razões do recurso especial quando o recorrente limita-se a tecer alegações genéricas, sem, contudo, apontar especificamente qual dispositivo de lei federal foi contrariado pelo Tribunal a quo, fazendo incidir a Súmula 284 do STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 438.526/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 08/08/2014); ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. FASE DE EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA POR ATO DE IMPROBIDADE. BENS IMÓVEIS PENHORADOS, LEVADOS A HASTA PÚBLICA E ARREMATADOS. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA, RESCINDINDO O ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DAS ARREMATAÇÕES. NECESSIDADE DE AÇÃO PRÓPRIA. IMÓVEIS QUE TERIAM SIDO ARREMATADOS POR PREÇO VIL. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER BUSCADA EM AÇÃO PRÓPRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO CUJOS FUNDAMENTOS NÃO SÃO IMPUGNADOS PELAS TESES DO RECORRENTE. SÚMULA N. 283 DO STF. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. (..) 4. Com relação aos demais pontos arguidos pelo recorrente, forçoso reconhecer que o recurso especial não merece conhecimento, porquanto, além da ausência de prequestionamento das teses que suscita (violação dos artigos 687, 698 do CPC e 166, inciso IV, e 1.228 do Código Civil) (Súmula n. 211 do STJ), tem-se que as razões recursais não impugnam, especificamente, os fundamentos do acórdão recorrido, o que atrai o entendimento da Súmula n. 283 do STF. 5. Não sendo possível o retorno ao status quo ante, deve o prejudicado pedir indenização por meio de ação própria, caso entenda que aquela arbitrada pelo juízo da execução é insuficiente para recompor sua indevida perda patrimonial. Recurso especial não conhecido. (REsp 1.407.870/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 19/08/2014). No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR, acórdãos pendentes de publicação), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18.05.2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Nessa linha a compreensão da Corte Especial deste Tribunal Superior (v.g.: AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 07.03.2019). Assim, tratando-se de recurso sujeito ao Código de Processo Civil de 2015 e configurada a hipótese de não conhecimento do recurso, de rigor a fixação de honorários recursais em desfavor dos Recorrentes, majorando em 10% (dez por cento) o valor arbitrado pelas instâncias ordinárias, a teor do art. 85, § 3º, I a V, § 4º, II, e § 11, do codex, observados os percentuais mínimos e máximos de acordo com o montante a ser apurado em liquidação. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA