AREsp 2757335 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para, por ausência de prequestionamento quanto à renovação da sustentação oral, não conhecer do recurso especial nesse ponto, e, quanto ao mérito, manteve-se que o tribunal de origem aplicou o Tema 629/STJ por inexistir conteúdo probatório eficaz sobre a qualidade de segurado, sendo tal...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ADEMAR MONTEIRO DE BORBA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Sustentação Oral, Prequestionamento, Prova Da Qualidade De Segurado, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj, Súmula 283/stf, Tema 629/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
ADEMAR MONTEIRO DE BORBA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 indeferimento de sustentação oral em razão de troca de relator
- 2 faltou prequestionamento acerca da matéria apontada (art. 7º da OAB e art. 942 do CPC)
- 3 necessidade de comprovação da qualidade de segurado e insuficiência probatória
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para, por ausência de prequestionamento quanto à renovação da sustentação oral, não conhecer do recurso especial nesse ponto, e, quanto ao mérito, manteve-se que o tribunal de origem aplicou o Tema 629/STJ por inexistir conteúdo probatório eficaz sobre a qualidade de segurado, sendo tal fundamento autônomo suficiente à manutenção do acórdão (Súmula 283/STF), além da vedação ao reexame de matéria fática pelo Superior Tribunal de Justiça (Súmula 7/STJ). Foi majorado o percentual dos honorários advocatícios em 2% com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do recurso especial
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em 2% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC
- Intimem-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por ADEMAR MONTEIRO DE BORBA, com fundamento na incidência da Súmula 7 deste STJ. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta que houve o cerceamento de defesa pelo indeferimento de sustentação oral de seu advogado, pois: Durante o trâmite da demanda perante o egrégio TRF, houve a troca do julgador relator, assumindo a cadeira o Excelentíssimo Desembargador Federal Dr. Victor Luiz dos Santos Laus, que por sua vez, não acompanhou a primeira sessão de julgamento, a qual, por fim, foi retirada de pauta na oportunidade. Nesse teor, há duas razões para que o direito do advogado de sustentação oral fosse renovado: 1. Pela troca de voto do primeiro relator, apesar da retirada da pauta; e 2. Pela troca de julgador não presente na tribuna no momento da sustentação oral. Ocorrendo em grave equívoco legal, quando indeferido a realização de sustentação pela advogada presente na tribuna no dia 19/03/2024 (fl. 271). Assevera, ainda, que durante a instrução processual não houve questionamento sobre a questão envolvendo a sua qualidade de segurado, que fora levantada apenas na fase de sentença, e que não lhe fora dada a oportunidade de produzir provas acerca de sua qualidade se segurado (fls. 272-273). Sem contraminuta. É o relatório. Passo a decidir. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. De início, quanto à apontada violação aos arts. 7º da Lei 8.906/1994 e do art. 942, do CPC, em que a parte recorrente sustenta que o direito do advogado de sustentação oral deveria ter sido renovado pela troca de relator, o exame dos autos revela que a questão não foi objeto de exame pelas instâncias ordinárias. Por essa razão, à falta do indispensável prequestionamento, não pode ser conhecido o Recurso Especial, no ponto, incidindo o teor da Súmula 211 do STJ ("inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição dos embargos declaratórios, não foi apreciado pelo Tribunal a quo"). Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATOS JURÍDICOS. ERRO MATERIAL. REVER A CONCLUSÃO A QUE CHEGOU A COTE DE ORIGEM PARA ENTENDER QUE HOUVE ERRO QUANTO A CONCLUSÃO DO ARESTO DEMANDA O REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 14, 18, 109 E 933 DO CPC. MATÉRIA SEM PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUNDAMENTO NÃO REFUTADO PELAS RAZÕES DO ESPECIAL. SÚMULA 283/STF. VIOLAÇÃO DA LINDB. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. Rever a conclusão a que chegou o Tribunal de origem para entender que houve erro material quanto a origem do imóvel em questão, ou seja, que a venda foi feita diretamente pelo ora recorrente, demanda o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. 2. Quanto ao mérito, no que concerne a suposta violação ao art. 1211 do CPC/73 e aos arts. 14, 18, 109 e 933 do CPC/2015 verifica- se, da leitura do acórdão recorrido, que o Tribunal de origem - apesar de opostos embargos declaratórios pela parte Recorrente - não se manifestou acerca dos mencionados argumentos trazidos nas razões do recurso especial, motivo que inviabiliza o requisito do prequestionamento, indispensável ao conhecimento do recurso especial. Incide, à espécie, o óbice disposto na Súmula 211 do Superior Tribunal de Justiça. 3. A subsistência de fundamento inatacado, apto a manter a conclusão do aresto impugnado, impede a admissão da pretensão recursal, a teor do entendimento da Súmula nº 283/STF: "é inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 4. Não possível a análise de suposta violação ao art. 6º, §1º, da LINDB, pois "o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a matéria contida no art. 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga LICC) tem caráter nitidamente constitucional, razão pela qual é inviável sua apreciação em recurso especial" (AgInt no REsp n. 1.970.807/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 28/9/2022.). 5. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO (AgInt no AREsp n. 2.177.415/SC, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 27/4/2023). Sobre a necessidade de comprovar a qualidade de segurado, o Tribunal de origem entendeu que não havia conteúdo probatório eficaz para instruir a inicial e aplicou ao caso o Tema 629/STJ, nos seguintes termos (fls. 210-211): Não participei da sessão do dia 19-12 em que a sustentação oral foi realizada, porém assisti ao vídeo respectivo (evento 70, VIDEO1) e me sinto em condições de proferir o voto. É irrelevante que não tenha havido controvérsia acerca da qualidade de segurado no âmbito administrativo, pois compete ao Poder Judiciário analisar todos os requisitos para a concessão do benefício. A solução poderia ser diferente se fosse o caso de ação de revisão ou se o INSS expressamente tivesse declarado a existência daquela qualidade. O autor exerceu atividade urbana no intervalo de 03/1990 a 11/2001. Após, inexistem no CNIS registros de vínculos de emprego, de recolhimentos de contribuição previdenciária como contribuinte individual ou de exercício de atividade como segurado especial (período de segurado especial positivo) - evento 13, DEC2. De outro lado, para comprovar o exercício de atividade rural o autor limitou-se a apresentar contrato particular de parceria agrícola firmado com José André da Silva, em 30/03/2014, com prazo de duração de 10 anos, relativo a arrendamento de dois hectares de terreno rural para o plantio de rama de mandioca (evento 1, DEC12). Tal documento comprova apenas o arrendamento da terra, não se prestando a demonstrar o efetivo trabalho rural alegado. Com efeito, não foram colacionadas notas fiscais de venda da produção rural ou de compra de insumos agrícolas - documentos de fácil obtenção e comumente apresentados em demandas similares. Sequer o registro imobiliário da propriedade rural arrendada consta dos autos. Na verdade, nada há vinculando o autor às lides campesinas. Ao contrário, o histórico laboral anotado no CNIS denota somente o exercício de atividade urbana. À míngua de prova material suficiente ao reconhecimento da qualidade de segurado no período anterior ao início da incapacidade para o trabalho, não há que se falar na concessão de benefício por incapacidade. Por fim, aplica-se a tese firmada no Tema 629 do Superior Tribunal de Justiça, de que a ausência de conteúdo probatório eficaz para instruir o pedido implica a carência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo, impondo sua extinção sem o julgamento do mérito e a consequente possibilidade de a parte autora intentar novamente a ação, caso reúna os elementos necessários. Assim, constata-se a ausência de impugnação, nas razões do recurso especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão recorrido, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 283 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SENTENÇA QUE DECLAROU A EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. PRECLUSÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. CONDENAÇÃO DA UNIÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. NÃO CABIMENTO. ART. 85, § 7º, DO CPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, ao decidir a controvérsia, o Tribunal a quo estabeleceu que "não merece reparo a sentença declaratória de extinção da execução, ora guerreada, não havendo que se falar na alvitrada necessidade de intimação "para comprovar a implantação da revisão objeto do pedido exordial, antes da extinção da execução", por tratar-se de matéria superada pela preclusão consumativa, à míngua de manifestação oportuna da parte interessada a esse respeito, por ocasião do despacho do evento 348, DESPADEC96/JFRJ". 2. A recorrente, por sua vez, deixou de impugnar tal fundamento, que é apto, por si só, para manter o acórdão recorrido. Aplica-se à espécie, por analogia, o óbice do enunciado n. 283 da Súmula do STF. 3. Segundo a jurisprudência desta Corte, "não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada" (AgInt no REsp n. 2.062.255/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 26/4/2024). 4. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp n. 2.132.773/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 14/10/2024). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO IMOBILIÁRIO CUMULADA COM PERDAS E DANOS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. INDEFERIMENTO DE PROVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS DA LIVRE ADMISSIBILIDADE DA PROVA E DA PERSUASÃO RACIONAL. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO PRO JUDICATO EM MATÉRIA PROBATÓRIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. ENUNCIADO 284/STF. INATACADO FUNDAMENTO BASILAR DO ACÓRDÃO RECORRIDO. VERBETE 283/STF. 1. Afasta-se a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, "os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional autorizam o julgador a determinar as provas que repute necessárias ao deslinde da controvérsia e a indeferir aquelas consideradas prescindíveis ou meramente protelatórias. Não configura cerceamento de defesa o julgamento da causa sem a produção da prova solicitada pela parte, quando devidamente demonstrada a instrução do feito e a presença de dados suficientes à formação do convencimento" (AgInt no AREsp 1.911.181/SP, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 15/3/2022). 3. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem quanto à não ocorrência de cerceamento de defensa demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 4. A jurisprudência deste Tribunal Superior assevera que "não há falar em preclusão pro judicato em matéria de instrução probatória, não havendo preclusão para o Magistrado nos casos em que é indeferida a produção de prova que foi anteriormente autorizada" (AgInt no AREsp 118.934/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 22/11/2016, DJe de 6/12/2016). 5. O apelo nobre deixou de impugnar fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido e, portanto, a irresignação esbarra no obstáculo do Enunciado 283/STF. 6. A ausência de indicação do dispositivo legal tido por violado revela a deficiência de fundamentação da insurgência especial, atraindo o impedimento da Súmula 284/STF. 7. O Tribunal a quo, com arrimo no acervo probatórios dos autos, consignou que "de forma alguma poderia se dizer que existiria a propriedade dos autores sobre o imóvel ou direitos possessórios passíveis de ser indenizados" (fl. 2.939). Nesse contexto, a alteração de tais circunstâncias na atual quadra processual se revela inviável, nos termos do Verbete 7/STJ. 8. Agravo interno não provido (AgInt no AREsp n. 1.796.195/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 14/11/2024). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo, para não conhecer do recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA